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A lista de desejos da indústria para os presidenciáveis Bolsonaro e Lula

Reforma tributária é chave para representantes do setor; classe alega não querer protecionismo, mas se queixa de importados subfaturados e de guerra fiscal

Por Felipe Mendes
Atualizado em 15 out 2022, 08h29 - Publicado em 15 out 2022, 08h00

Os representantes da indústria estão receosos em relação às propostas para o setor dos dois candidatos à Presidência, Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto esperam uma sinalização mais clara, sobretudo do presidenciável petista, eles elencam as suas prioridades para o próximo governo. Dentre os empresários consultados por VEJA, todos citaram a reforma tributária como a mais essencial para o setor, com a principal finalidade de solucionar o que classificam como “guerra fiscal” entre estados sobre as alíquotas do ICMS. Além disso, a redução da taxa básica de juros, atualmente a 13,75% ao ano, e a estabilidade jurídica também são vistos como temas importantes para a atração de investimentos para o setor.

Presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone destaca que o setor não clama por protecionismo e sim por competitividade. Ele destaca que outros países voltaram a fomentar a indústria e pede que o Brasil faça o mesmo como forma de recuperar os empregos. “Matar a indústria no Brasil e no mundo mostrou-se o caminho errado. Hoje, a Argentina e os Estados Unidos são exemplos de países que estão tentando se reindustrializar. Nós ainda temos no Brasil um know-how de todos os elos das cadeias. Isso é um patrimônio”, diz Cervone. “Precisamos fugir de uma política protecionista, e sim ter uma política que inove e que garanta competitividade para o país. O Brasil tem que se enxergar como nação e ter um plano de projeto de país. Pensar como o asiático pensa, sobretudo a China, com uma política de longo prazo, e precisa começar logo.”

Engenheiro e empresário, Cervone defende que o Brasil se atente às discussões que estão acontecendo no âmbito global. “A guerra comercial entre a Europa, a China e os Estados Unidos não se dará mais por políticas econômicas, e sim por política industrial. Então, o Brasil, de uma vez por todas, precisa discutir o papel da indústria e fazer uma política industrial de longo prazo, com previsibilidade e que exceda governos. Ou faz isso ou a gente fica para trás. E isso se volta para uma reforma tributária”, afirma ele. “Nós temos três concorrências desleais: aquele que não paga imposto, o produto importado que é subfaturado e a guerra fiscal entre os estados, que é uma loucura. Para se ter uma ideia, custa mais barato transportar um fardo de algodão do Egito para São Paulo do que transportar do Nordeste para São Paulo.”

Para José Ricardo Roriz, presidente da Abiplast, entidade que representa a indústria dos plásticos, o projeto de Bolsonaro para o setor é mais claro em relação ao de Lula. “Eu acho que hoje há um consenso de que o Brasil precisa ter uma reindustrialização. Ou seja, a indústria precisa ter uma participação maior do que tem hoje na economia, até para criar mais emprego de boa qualidade e gerar mais renda. Agora, nenhum dos dois candidatos demonstraram seus projetos. O que o Bolsonaro fez para a indústria, a queda de IPI, a desoneração de vários impostos, já está num rumo bastante positivo. As dúvidas que a gente têm é em relação ao que Lula irá fazer pelo setor”, afirma Roriz.

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Ele acredita que a indústria brasileira ganhará mais impulso com a implementação da reforma tributária. “O que a indústria quer mesmo é ter competitividade. E para isso nós precisamos de uma reforma tributária, precisamos ter acesso a crédito competitivo, já que hoje os juros estão muito altos”, complementa Roriz. O empresário Paulo Skaf, que presidiu a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) por 17 anos, defende uma maior participação da iniciativa privada na economia. “Algumas das prioridades é a busca pelo equilíbrio das contas públicas fazendo assim com que se possa permitir uma redução significativa dos juros. Também é necessário promovermos uma desoneração total dos impostos em relação a produtos exportados pelo Brasil e incentivarmos as privatizações e a redução do estado”, diz Skaf.

Há convergência de opiniões quando o assunto é gerar um ambiente mais propício para investimentos de longo prazo no setor. “É preciso ter estabilidade jurídica. Muitos investidores estão arredios em fazer novos investimentos porque há uma preocupação muito grande de que uma coisa que hoje é regra amanhã possa mudar e todo o investimento que era viável seja totalmente inviabilizado”, afirma Roriz. “A gente tem de fugir da tentação de uma política protecionista, que garanta apenas um voo de galinha, para tratarmos de uma política de estado para o setor. Não falta diagnósticos para o Brasil. Falta a gente ter a vontade política de querer realizar”, diz Cervone. Segundo um estudo da consultoria Boston Consulting Group, produzir no Brasil custa, em média, 1,5 trilhão de reais a mais do que em países listados na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE.

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