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A ferro e ouro

Duas novas minas prometem modernizar a extração de materiais valiosos no Pará, prática historicamente marcada pelo descaso e pela destruição da natureza

Por Jennifer Ann Thomas - 14 May 2017, 08h00

No filme Bye Bye Brasil (1980), de Cacá Diegues, narra-se a saga fictícia de três artistas ambulantes que cruzam o país com a sua Caravana Rolidei, fazendo espetáculos para a população pobre, sem acesso à TV. O grupo, que percorre a Rodovia Transamazônica, criada durante o regime militar, chega a Altamira, no interior do Pará, atraído pela promessa de lucro rápido, tamanha a quantidade de pessoas que migraram para a cidade em busca de emprego nas minas de ouro que surgiam por lá. Um ano antes do lançamento de Bye Bye Brasil, um garimpeiro – e, agora, bem longe das telas – havia descoberto pepitas na região de Serra Pelada, na cidade de Curionópolis, também no interior paraense. A notícia levaria à abertura daquele que se tornou o maior garimpo a céu aberto do mundo. No auge, da produção, Serra Pelada acumulou 100 000 garimpeiros, engolidos, como formigas diminutas, por uma gigantesca cratera, num trabalho desumano, realizado em condições completamente insalubres.

Passadas quase quatro décadas, e já com o minério tendo praticamente desaparecido da superfície – hoje ele só existe no subsolo, de difícil acesso -, VEJA foi até a região para mostrar como dois novos projetos de mineração prometem modernizar a antiga rotina dos garimpeiros. Ao mesmo tempo em que podem servir de exemplo de como garantir o progresso com baixo impacto ambiental e social, ambas as empreitadas também correm o risco de acabarem, tão-somente, repetir a história – reprisando tragédias e cenários de miséria que tantas vezes acompanharam a algo mítica corrida do ouro. Confira página especial sobre como as duas iniciativas modificaram o dia a dia dos moradores de vilas e cidades e de aldeias indígenas das cercanias dos empreendimentos.

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