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Os pecados capitais de Paulo Guedes

A falta de planejamento e apresentação de resultados coloca o Brasil, mais uma vez, em uma década perdida. O posto Ipiranga perdeu o telhado

Por Da Redação Atualizado em 14 fev 2022, 13h07 - Publicado em 14 fev 2022, 09h00

Os conhecidos 7 pecados capitais que citarei abaixo remontam a lista do frei Tomás de Aquino (1225-1274). Buscando um pouco mais de informação sobre o tema, encontrei um texto bíblico, em Marcos 7:21-23 que diz: “Porque de dentro, do coração das pessoas, é que procedem os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as maldades, o engano, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, o orgulho e a falta de juízo. Todos estes males vêm de dentro e contaminam a pessoa.”

Não pude deixar de fazer um paralelo com os dias de hoje e pensar que esta lista tem uma relação profunda com uma das figuras mais responsáveis pela tragédia econômica que assola o país: Paulo Guedes. Mais do que a incompetência em não se ter uma política ou planejamento de retomada econômica (ao menos nunca foi apresentado nada em 4 anos), os problemas de Guedes são mais profundos do que ele demonstra ou teria condições de admitir. Então, me aproveito de certa liberdade poética para fazer esta análise.

  1. SOBERBA: Pode ser conhecido também como orgulho excessivo. Você nunca viu Paulo Guedes reconhecer um erro na rota de seu ministério ou nas suas decisões. Nenhum. Ao contrário. Dia sim, dia não se vangloria de o país estar na retomada em “V”, que de fato nunca aconteceu nem acontecerá sob seu comando. Gosta, em seu tom professoral, de criticar a classe política, chegando a dizer que eram criaturas do pântano, mas nunca olhou para a sujeira dentro do seu espaço. Em seus discursos sempre tentou mostrar um ar de superioridade, mas suas quase nulas ações nunca se converteram em resultados positivos para o país. Mas o orgulho não deixa Guedes descer do pedestal. Uma bailarina de uma música só.
  2. AVAREZA: Este é um pecado que Paulo Guedes adora. Pode ser chamado também de ganância. A ganância por ser um super ministro. Por tomar todas as decisões sozinho. Por querer mais poder que o próprio presidente da república. Guedes fez questão de exigir que três ministérios se tornassem um, justamente para mostrar seu “poder”. Ignorando a complexidade do exercício dos antigos ministérios da Indústria, Fazenda e Planejamento, só pensou em si. O resultado estamos vendo desde o 1o dia. Confusões, confusões e mais confusões.
  3. INVEJA: Este é um mal eterno da humanidade. Mas Guedes faz questão de cultivar com afinco, sobretudo em relação aos ex colegas de tempo universitário, que anos depois ajudaram a formular o Plano Real. Poucos sabem que Guedes nunca foi um expoente da academia. Ao contrário, era excluído por suas ideias radicais e pouco críveis. Cultivou a tristeza em si quando viu outros obterem sucesso, como André Lara Resende, Persio Arida e Gustavo Franco. Guedes nutre algo tão negativo em relação a eles e ao Plano Real que uma de suas obsessões é justamente acabar com a moeda. Não pense que é por acaso que PG vê o Real desvalorizar como nunca e não faz nada. É sim proposital. E lhe dá prazer.
  4. IRA: Neste caso, Guedes direciona sua ira ao pobre, ao miserável, àqueles que ele diz que iam para a Disney e que não deveriam ter este direito. Ódio na forma de produção de pobreza, alta inflacionária, destruição da indústria e postos de trabalho e aumento do valor da cesta básica, insumos essenciais e combustível. Guedes desconta no pobre enquanto beneficia poucos com a sua política econômica atrasada e ultrapassada.
  5. VAIDADE: Ahhhhh este pecado ele gosta muito. Curte ser bajulado. Por todos. Mas mais ainda pelo mercado financeiro – em quem pisa frequentemente aliás. Seja em eventos de parceiros (que gostam de manter proximidade com o poder), seja em audiências públicas, Paulo Guedes se acostumou a a ser conhecido como o Chicago Boy que chegou ao poder no Brasil. E é a vaidade de Guedes que faz seu entorno ser tóxico e improdutivo.
  6. GULA: Associado ao desejo de beber e comer de forma exagerada, podemos, com tranquilidade, fazer uma associação de que Paulo Guedes abastece a gula de Jair Bolsonaro por sempre gastar mais. Um dito liberal como Guedes fazer o papel que faz? É uma vergonha absoluta. É o ministro que alimenta o banquete de gastos insustentáveis de Bolsonaro e sua tropa, que adora gastar mais com o dinheiro do povo. Só que é gastar para expandir o Estado e não para enxugá-lo. Guedes é um glutão. Inclusive recentemente beneficiou aliados criando posições no exterior, com salários exorbitantes. Gula é o que não falta no cardápio de PG e aliados.
  7. PREGUIÇA: Este é um pecado gravíssimo quando se assume uma posição de Estado em que sua responsabilidade é zelar pela saúde econômica do país. As piadas em Brasília sempre foram de que Guedes e parte de sua equipe eram mais turistas que trabalhadores. A preguiça em apresentar algo concreto ao país, em planejar, em executar, é algo tão notório que nem mesmo uma pandemia poderia esconder. E quando se tem preguiça em trabalhar, sobretudo no tão famoso Posto Ipiranga, hoje destelhado pela falta de credibilidade, o resultado é o sofrimento da Base da Pirâmide, das classes C,D e E. Os setores produtivos sofrem enquanto Guedes descansa.

Apesar destes serem os pecados capitais conhecidos pós Tomás de Aquino, antes dele, na lista original, feita pelo monge cristão Evágrio Pôntico (345-399 d.C.), existiam a TRISTEZA, que evitei colocar porque já basta a realidade econômica brasileira para sua comprovação e a VANGLÓRIA (Vaidade) – por isso fiz questão de substituir a LUXÚRIA (que estaria no item 5) por esta.

Talvez acomodado, na posição de vice-Rei de nada, ele não percebe que seu nome já está gravado como ministro de um governo falido moralmente e que não soube reagir aos desafios econômicos para elevar nosso país a uma condição segura. O aumento da pobreza, inflação, da miséria, dos números galopantes de desemprego e da destruição da indústria nacional devem sim ser colocadas na conta de Bolsonaro e Paulo Guedes. Nada foi feito.

Aos que elevam o ministro ao posto de liberal e exaltam ele ser da Escola de Chicago, lembro que esta, hoje, está anos luz do que Guedes prega. São as teses do prêmio Nobel de economia Richard Thaler, como Economia Comportamental, que dominam por lá. As defendidas por Guedes, no atual momento, que são da década de 70, quando foram utilizadas durante o governo do ditador chileno Augusto Pinochet são consideradas não só ultrapassadas, mas também fracassadas.

Viva com seus pecados Paulo Guedes. Só não leve o Brasil junto. A história e a economia saberão julgá-lo.

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