O dilema do governo, que prepara mudanças em novo consignado
Governo acompanha com atenção a elevação da taxa média de juros
O Crédito do Trabalhador, programa de consignado digital lançado pelo governo federal em março, já movimentou 30 bilhões de reais em cinco meses e atingiu mais de 4,2 milhões de trabalhadores com carteira assinada, segundo balanço do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Nos primeiros meses do programa, o número de tomadores triplicou em relação ao modelo tradicional, passando de 148 mil para 465 mil concessões mensais. O custo efetivo suportado pelo trabalhador apresentou queda: o total médio de juros pagos recuou de R$ 9.416,89 para R$ 4.718,73. Além disso, o prazo médio das operações passou de 52 para 36 parcelas, reduzindo a extensão do endividamento. Os dados constam em análises internas do SCR e Banco Central.
Apesar da expansão, o governo acompanha com atenção a elevação da taxa média de juros. O custo mensal subiu de 2,60% ao mês no consignado tradicional para 3,89% no Crédito do Trabalhador. A preocupação é que a combinação de juros mensais controlados e prazos longos reproduza dinâmicas observadas no consignado do INSS, onde refinanciamentos representam cerca de 37% do volume total, segundo a Febraban.
Integrantes da área econômica avaliam eventuais ajustes regulatórios. Entre as alternativas discutidas está a adoção de limite para o custo total da dívida, nos moldes da regra do rotativo do cartão de crédito, implementada após a Lei nº 14.690/2023 e operacionalizada pela Resolução CMN nº 5.183/2024, que impede que juros e encargos ultrapassem 100% do valor originalmente contratado.





