Diferente do BC, para o Fed o emprego pesa mais que a inflação
A análise é da economista e professora da FGV, Carla Beni, em entrevista ao programa mercado
Se há um ponto que separa o Federal Reserve do Banco Central brasileiro é a ordem das prioridades. Aqui, o Copom nunca esquece o trauma nacional da hiperinflação — e mantém a lupa na escalada de preços, mesmo quando o mercado de trabalho segue aquecido. Já nos Estados Unidos, o jogo é outro: emprego vem antes de tudo, essa é a opinião da economista e professora da FGV, Carla Beni.
Nas falas recentes do Fed, a hierarquia é nítida, segundo Carla. O presidente do banco central americano sempre começa pelo mercado de trabalho, que dá sinais de arrefecimento, para só depois falar de inflação. Não é à toa: o americano médio financia absolutamente tudo — casa, carro, faculdade, até consumo do dia a dia. “Se perde o emprego, leva junto o varejo, a indústria e um pedaço da economia doméstica”, analisa a economista. Por isso, o pleno emprego é o coração da política monetária dos EUA. E por isso o Fed aceita conviver com inflação acima da meta por mais tempo se for preciso manter a roda do trabalho girando.
No Brasil, o Copom enxerga — emprego forte de um lado, inadimplência crescente do outro — e reage mirando somente a inflação. Carla lembra que a economia se acostumou a juros altos, varejistas viraram “financeiras disfarçadas” e o crédito caro drena renda das famílias. Ainda assim, para o BC, inflação descontrolada ainda é um risco maior do que um desaquecimento do mercado de trabalho.





