O caso envolvendo o Banco Master colocou o Banco Central no centro de uma disputa que vai além da técnica. Para economistas, o BC cumpriu seu papel regulatório, mas a entrada do Tribunal de Contas da União (TCU) levanta a pergunta que o mercado evita responder em voz alta: por que tanto interesse político em uma decisão técnica?
Para Lucas Ferraz, economista e coordenador do Centro de Negócios Globais da FGV, a movimentação é, no mínimo, estranha. “O TCU existe para fiscalizar contas públicas — não para revisar a atuação do Banco Central sobre um banco privado. Ao misturar essas fronteiras, o episódio lança uma sombra sobre a independência da autoridade monetária, um dos poucos consensos institucionais construídos nos últimos anos e peça-chave para a estabilidade macroeconômica”, diz durante o programa Mercado.
Já Igor Lucena, economista e CEO da Amero Group, vai além: “qualquer tentativa de enfraquecer decisões do BC cria risco de desmoralizar a instituição e ameaça o funcionamento do sistema financeiro”. Segundo ele, se a autoridade monetária passa a operar sob pressão política, bancos grandes tendem a fechar a torneira no mercado interbancário — e a confiança, que leva anos para ser construída, some em minutos. Não à toa, a Febraban e outras entidades reagiram em defesa do BC. Para o mercado, o recado é claro: atacar o Banco Central é brincar com a espinha dorsal da credibilidade financeira do país.





