A resposta do BTG sobre as críticas do CEO do Itaú em relação ao Master
CFO do BTG condenou o Master, mas disse que plataformas de distribuição revolucionaram o mercado financeiro
O CFO do BTG Pactual, Renato Cohn, condenou o uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como tese central do modelo de negócios do Banco Master. No entanto, o mesmo defendeu as plataformas de distribuição de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), que segundo ele, revolucionou o mercado financeiro.
A fala foi proferida em entrevista coletiva com a imprensa nesta segunda-feira, 9. O executivo fez o comentário após questionamentos sobre críticas do CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, em relação às plataformas que distribuíram CDBs do Banco Master, entre elas, o próprio BTG.
Segundo Cohn, o BTG foi reduzindo as exposições dos clientes aos CDBs do Master, seja pela redução da participação na carteira ou pela disponibilidade do produto na prateleira para comprar.
Conforme o executivo, essa mudança aconteceu em 2024, quando o Master começou a apresentar possíveis problemas de solvência. “Nós fizemos um processo de restrição e de educação dos nossos clientes, com aconselhamento para que eles ficassem dentro dos próprios limites e não somente dentro dos limites do FGC”, diz.
Em relação ao Master, o executivo comentou que o banco de Daniel Vorcaro abusou do instrumento do FGC. Ele acredita que essa metodologia deve ser proibida. No entanto, pondera que um caso de abuso do FGC não deveria prejudicar o instrumento FGC e as plataformas de distribuição. “As plataforma de distribuição permitiram um avanço enorme do mercado de capitais, elas proporcionaram uma democratização dos investimentos, com um avanço enorme para a sociedade brasileira”, explica. “Não deveríamos usar essa erro do Banco Master para voltar atrás”, conclui.
O que disse o CEO do Itaú?
Na última quinta-feira, 5, o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, criticou bancos e corretoras que distribuíram Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master e Certificados de Operações Estruturadas (COEs) da Ambipar. “Algumas plataformas ganharam bilhões colocando esses produtos nas prateleiras. Nós nunca distribuímos CDBs do Master nem COEs da Ambipar; nunca colocamos nossos interesses acima dos clientes”, disse o executivo. Na visão de Maluhy Filho, os objetivos do FGC foram desvirtuados no caso do Banco Master, não apenas pelo próprio banco, mas também por quem distribuiu os produtos.
O CEO do Itaú comentou ainda que o FGC foi criado na década de 1990 com o objetivo de proteger o investidor em meio às liquidações bancárias que ocorriam na época. Maluhy Filho considera aceitável o uso do FGC quando um banco quebra por modelos de negócio desatualizados ou por má gestão. Todavia, no caso do Master, ele aponta que o FGC foi utilizado como parte do modelo de negócios para captar recursos com rentabilidade elevada.





