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A dura crítica do CEO do Itaú aos concorrentes no caso do Banco Master

Executivo disse que plataformas ganharam bilhões e colocaram seus interesses acima dos clientes

Por Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 fev 2026, 11h43 • Atualizado em 5 fev 2026, 14h31
  • O CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, criticou bancos e corretoras que distribuíram Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master e Certificados de Operações Estruturadas (COEs) da Ambipar. A declaração foi dada nesta quinta-feira, 5, após questionamentos sobre o caso do Banco Master e o possível acordo entre agentes do setor financeiro para recompor o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

    “Algumas plataformas ganharam bilhões colocando esses produtos nas prateleiras. Nós nunca distribuímos CDBs do Master nem COEs da Ambipar; nunca colocamos nossos interesses acima dos clientes”, disse o executivo. Na visão de Maluhy Filho, os objetivos do FGC foram desvirtuados no caso do Banco Master, não apenas pelo próprio banco, mas também por quem distribuiu os produtos.

    As declarações, ainda que indiretas, recaem sobre Nubank, XP Investimentos e BTG Pactual. Essas instituições distribuíram CDBs do Master. A XP também está envolvida no caso dos COEs da Ambipar, juntamente com o BTG. Procurados pela coluna, XP Investimentos e BTG Pactual não responderam sobre o assunto.

    Em nota, o Nubank esclarece que a oferta de novos CDBs do Banco Master foi encerrada em 2024. “Reforçamos que o Nubank não utiliza o modelo de assessores de investimento, garantindo que os clientes tenham total autonomia para escolherem seus produtos diretamente no aplicativo”, diz a instituição financeira. A fintech ponderou ainda que todas as suas atividades observam rigorosamente as normas regulatórias vigentes.

    O CEO do Itaú comentou ainda que o FGC foi criado na década de 1990 com o objetivo de proteger o investidor em meio às liquidações bancárias que ocorriam na época. Maluhy Filho considera aceitável o uso do FGC quando um banco quebra por modelos de negócio desatualizados ou por má gestão. Todavia, no caso do Master, ele aponta que o FGC foi utilizado como parte do modelo de negócios para captar recursos com rentabilidade elevada.

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    FGC deve receber novo aporte

    Durante a coletiva, o executivo comentou que o caso Master gerou uma conta de 55 bilhões de reais para o FGC. Dessa forma, ele salienta que a recomposição do fundo é necessária. “Entendemos que é importante transmitir a mensagem de que o fundo tem patrimônio”, afirma o executivo. Ele ressalta que os bancos e as associações de bancos estão debatendo o assunto com o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional.

    “O nosso principal objetivo é avaliar como atenuar o custo, pois isso gera impactos para a sociedade. Essa conta será paga e precisamos encontrar mecanismos inteligentes para recapitalizar o fundo”, aponta Maluhy Filho.

    Nos bastidores, os grandes bancos defendem mudança na forma de contribuição ao FGC. Atualmente, as instituições financeiras contribuem para o FGC de forma proporcional ao tamanho de suas carteiras de crédito, o que coloca o financiamento do fundo sob responsabilidade dos grandes bancos. Entretanto, as fintechs utilizam o FGC como argumento de segurança para captar recursos de pessoas físicas em seus CDBs. Essa foi a mesma estratégia usada pelo Master, o que incomoda os grandes bancos, já que eles são os principais financiadores do fundo.

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