A pressão dos juros altos no mercado e nos fundos imobiliários
Mesmo uma queda pequena da Selic vai trazer mudanças significativas
No mercado imobiliário, a lógica é quase automática: Se os juros estão altos, o setor sente, e muito. Danny Gampel, head de crédito da Cy.Capital, gestora de fundos imobiliários da Cyrela, resume de forma direta essa relação. “O mercado é inversamente proporcional à taxa de juros”, explica. Com a Selic em patamares elevados, investidores migram para a renda fixa, em busca de previsibilidade e retorno mais imediato. O resultado aparece rapidamente na bolsa: pressão de venda e queda no valor das cotas dos fundos imobiliários.
Esse movimento não fica restrito ao investidor. Ele chega também ao consumidor final. Com o crédito mais caro, financiar um imóvel pesa mais no bolso — e muita gente prefere esperar. Para contornar esse cenário, incorporadoras têm recorrido a estratégias próprias, como vendas a prazo mais longas, com taxas que chegam a 12% ao ano. É uma forma de manter o mercado girando mesmo quando o financiamento bancário perde atratividade.
Ainda assim, Gampel enxerga um lado menos óbvio desse cenário. Para quem tem capital disponível, o momento pode ser oportuno. Fundos imobiliários estão sendo negociados com desconto em relação ao valor real dos ativos, e incorporadoras encontram melhores condições para adquirir terrenos. “É o momento oportuno para comprar”, afirma. Na visão dele, mesmo um corte pequeno na Selic já seria suficiente para reativar parte da demanda — um sinal de que, no mercado imobiliário, a virada costuma começar antes mesmo dos juros caírem de forma mais relevante.






