ASSINE VEJA NEGÓCIOS
Imagem Blog

Neuza Sanches

Por Neuza Sanches Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Negócios, Mercados & Cia

O que Vorcaro ganha ao devolver o dinheiro dos ex-clientes do Master

Devolver parte do dinheiro pode, além de reduzir a pena, abrir caminho para reabilitação e alterar a leitura jurídica do caso Master

Por Neuza Sanches Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 abr 2026, 10h00 | Atualizado em 27 abr 2026, 10h31

Daniel Vorcaro, dono do Master, pode encontrar na delação premiada a forma mais eficiente de reduzir danos jurídicos, patrimoniais e até reputacionais. Em um caso marcado por rombo de cifras bilionárias, pela pressão sobre o FGC e pela busca do destino do dinheiro pela Polícia Federal, colaborar com a investigação passou a ser menos uma hipótese tática e mais uma opção concreta de sobrevivência processual. Principalmente quando se trata da devolução de pelo menos parte do dinheiro da fraude do Banco Master.

A primeira vantagem é a mais óbvia: a possibilidade de abater pena. Na lógica da colaboração premiada, quanto mais útil for a informação prestada e quanto maior for a capacidade de devolver, total ou parcialmente, o prejuízo causado maior tende a ser a margem de negociação com a Justiça. No caso de Vorcaro, isso ganha peso porque o dano atribuído ao Master é expressivo e atinge um sistema que foi obrigado a absorver um rombo de grandes proporções.

Há também um ganho estratégico. A delação pode ajudar a localizar ativos, reconstruir operações e apontar eventuais beneficiários do esquema, o que fortalece a posição de Vorcaro diante da acusação e pode, no futuro, ser usado até para sustentar críticas à forma como a liquidação foi conduzida. Ou seja, poderá servir de argumento para se arguir eventual “precipitação” na liquidação. A colaboração, portanto, não serve apenas para reduzir pena: ela também pode reposicionar o ex-banqueiro no tabuleiro do caso, transformando-o de alvo passivo em fonte de informação útil.

O escândalo do Master, afinal, não é um episódio isolado. Ele envolve a ruína de uma instituição financeira, o impacto sobre credores e garantidores e a tentativa de rastrear um dinheiro que desapareceu em meio a operações suspeitas e decisões que agora estão sob escrutínio. É justamente por isso que a delação ganhou centralidade: ela pode abrir a caixa-preta do caso e, ao mesmo tempo, criar para Vorcaro uma via de saída menos destrutiva.

Como resumiu um dos criminologistas ouvido pela coluna, “sim…é vantagem repor os prejuízos ou pelo menos parte dos prejuízos causados”. A frase sintetiza a lógica fria da colaboração: ela não limpa a biografia do banqueiro, mas pode reduzir a punição, preservar alguma margem de futuro e evitar que o desastre econômico se converta também em ruína total da sua posição pessoal. “Afinal, pobre ele, Vorcaro, não vai ficar”, conclui o criminologista.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).