O desejo dos banqueiros de ter um “Paulo Guedes 2.0″
Com Flávio Bolsonaro ganhando tração para enfrentar Lula, o mercado financeiro abre a temporada de apostas sobre quem poderia comandar a Economia
A Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, e o Leblon, no Rio de Janeiro, estão em ebulição com as apostas sobre quem poderia ser o novo “Posto Ipiranga” da Economia de Flávio Bolsonaro, no caso de vitória do senador nas eleições deste ano à Presidência da República. A percepção de banqueiros é de que a definição desse nome será decisiva para ancorar expectativas de responsabilidade fiscal, continuidade de reformas pró‑mercado e previsibilidade regulatória, numa tentativa de repetir a estratégia de Jair Bolsonaro ao anunciar Paulo Guedes como fiador econômico de sua campanha. Nesse ambiente, cultivar um ministro da Economia com boa circulação entre bancos, gestoras e investidores estrangeiros passou a ser visto como ativo eleitoral central da candidatura.
Hoje, o núcleo duro das apostas gira em torno de cinco nomes: Gustavo Montezano, Daniella Marques, Roberto Campos Neto, Mansueto Almeida e Adolfo Sachsida. Gustavo Montezano, ex‑presidente do BNDES, hoje sócio na YvY Capital, carrega o histórico de reposicionar o banco como plataforma de investimentos e privatizações, alinhado ao discurso de enxugamento do Estado que agrada à Faria Lima. Daniella Marques, que foi braço direito de Paulo Guedes, traz o selo de ter passado por funções estratégicas no Ministério da Economia e pela presidência da Caixa Econômica Federal, além de já estar de volta ao mercado financeiro, em interlocução direta com grandes grupos e fundos. Roberto Campos Neto, por sua vez, desponta como “sonho de consumo” do mercado: ex‑presidente do Banco Central, ele costuma ser associado à autonomia da autoridade monetária, à consolidação do Pix e a um discurso firme de disciplina fiscal e controle da inflação.
Na mesma prateleira de nomes bem‑vistos, Mansueto Almeida aparece como o técnico de referência em contas públicas e arcabouço fiscal, alguém capaz de conferir robustez à narrativa de ajuste do gasto e estabilização da dívida, enquanto Adolfo Sachsida é percebido como quadro orgânico do bolsonarismo econômico, com trânsito entre a equipe original de Guedes e a da pré‑campanha de Flávio. Entre gestores e banqueiros, circula a avaliação de que esse quinteto forma hoje o “estoque” mais provável de onde sairá o indicado para a Fazenda ou para um superministério da Economia, ainda que nenhuma decisão formal esteja tomada. A leitura dominante é de que qualquer um deles funcionaria como ponte entre um eventual governo Flávio e o coração do mercado financeiro.
A partir dessa base, porém, executivos da Faria Lima admitem que outros nomes podem surgir, seja por indicação direta dos próprios cotados — que tendem a sugerir auxiliares e pares de confiança —, seja por intervenção de Paulo Guedes, que mantém prestígio junto ao eleitorado liberal e continua a ser ouvido pelo clã Bolsonaro. Isso significa que a lista atual é mais um ponto de partida do que um desenho fechado: o que está em jogo é a construção de um “modelo Guedes 2.0”, ajustado ao novo contexto fiscal e político, mas com a mesma promessa de previsibilidade pró‑mercado. Na prática, está oficialmente aberta a temporada de apostas sobre quem será o nome da Economia de Flávio Bolsonaro — e, até segunda ordem, são a Faria Lima e o Leblon que seguem escrevendo, em tempo real, esse roteiro.






