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Maílson da Nóbrega Por Coluna Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história

Petrobras: Lula anuncia política desastrosa. É sério?

A ideia equivocada sobre os preços de combustíveis tende a ser abandonada se Lula estiver seguro da vitória nas próximas eleições

Por Maílson da Nóbrega Atualizado em 4 fev 2022, 16h02 - Publicado em 3 fev 2022, 16h07

Em entrevista nesta quinta-feira, 3, uma emissora de rádio do Paraná, o ex-presidente Lula anunciou qual seria a política de preços de combustíveis, caso seja eleito no pleito de outubro deste ano. “Nós não vamos manter o preço da gasolina dolarizado. É importante que o acionista receba seus dividendos quando a Petrobras der lucro, mas eu não posso enriquecer o acionista e empobrecer a dona de casa que vai comprar um quilo de feijão e pagar mais caro por causa da gasolina”.

Se fosse essa a política, Lula reeditaria o controle de preços dos combustíveis da presidente Dilma Rousseff, que causou prejuízos de 50 bilhões a 60 bilhões de reais à Petrobras. Desprezaria a teoria do preço único, segundo a qual, em um mundo ideal, sem tarifas aduaneiras e custos de transportes, o preço de um bem é um mesmo em todo o mundo. 

A lei do preço único funciona na prática. Por exemplo, o preço da soja e de seus derivados varia no Brasil quanto as cotações internacionais desse produto se alteram. É o que vimos no recente aumento de cotações das commodities. Se Lula estivesse certo, haveria que desconectar o preço do pãozinho das cotações do trigo nos mercados mundiais. 

Além de violar essa lei, Lula abandonaria o papel do sistema de preços em uma economia de mercado. Quando o preço de um bem ou serviço sobe, o consumidor pode reagir buscando um substituto ou reduzindo o seu consumo. Isso faz com que esse preço caia. Manter os preços domésticos dos combustíveis quando as cotações do petróleo sobem, significa subsidiar um produto consumido pelas classes mais favorecidas, isto é, aquelas que possuem carros e até barcos de luxo. 

Se o passado de Lula servir de orientação, ele recorre agora à demagogia para preservar os votos dos eleitores que o apoiam e acreditam nessas e outras barbaridades que ele e seu entorno vêm dizendo. Nas eleições de 2002, logo após a vitória nas urnas, Lula descartou o programa do PT, que amedrontava até no título (“Uma ruptura necessária”), e deu continuidade à política econômica de FHC. Na verdade, foi mais duro ao ampliar o superávit primário e não se opor à elevação da Selic no primeiro mês de seu governo.

Lula dificilmente está preocupado com o que pensam os participantes do mercado financeiro sobre tais declarações. Metade do eleitorado brasileiro tem renda de apenas dois salários-mínimos mensais. A grande maioria, se não a totalidade, apoia o que o ex-presidente falou sobre preços dos combustíveis. Assim, caso perceba, mais tarde, que sua vitória está razoavelmente assegurada ou mesmo depois de ser eleito, Lula mudará de discurso, pois entende que não conseguirá governar sem a confiança do setor privado, principalmente do mercado financeiro. Não hesitará em praticar o estelionato eleitoral. 

O mais provável, pois, é que Lula esqueça suas atuais declarações irresponsáveis quando estiver no leme da economia brasileira. Por isso, elas não deveriam ser levadas a sério. 

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