ASSINE VEJA NEGÓCIOS
Imagem Blog

Maílson da Nóbrega

Por Coluna Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história

Consumindo o futuro

É um crime a gestão irresponsável dos recursos naturais

Por Maílson da Nóbrega 6 jun 2026, 08h00
Consumindo o futuro Priorizar nos meus resultados Google

A exploração racional de recursos naturais costuma gerar benefícios. Acumula poupanças, expande o investimento, faz crescer a economia e melhora o estado de bem-estar social. Quando sua gestão é irresponsável, sem considerar o futuro, os desperdícios inibem o desenvolvimento, situação conhecida como a “maldição dos recursos naturais”. Isso tem ocorrido na exploração do petróleo em países pobres ou emergentes.

Os recursos naturais e seus resultados pertencem às gerações futuras. As gerações presentes devem usufruir apenas os ganhos financeiros de sua gestão. Um dos melhores exemplos da exploração racional é o petróleo na Noruega. Nos anos 1960, foi instituído o Fundo de Pensão Estatal, suprido pelos respectivos resultados do processo. O fundo, gerido pelo Norges Bank (o banco central), é um dos maiores do mundo. Com valor acumulado equivalente a 2,2 trilhões de dólares, ele existe, segundo o governo norueguês, “para apoiar o estado de bem-estar das gerações futuras”.

“O Fundo Social do Pré-Sal e o FGTS são exemplos de destruição patrimonial pelo governo”

No Brasil, com a descoberta do petróleo no pré-sal, buscou-se criar fundo semelhante, mas a bem-sucedida iniciativa norueguesa foi ignorada. Preferiu-se aplicar os recursos em programas governamentais em vez de geri-los mediante portfólio diversificado, nos moldes de um fundo de investimento. Pela lei 12.351, de dezembro de 2010, os recursos devem ser direcionados ao desenvolvimento social e regional, mediante programas e projetos nas áreas de educação, saúde pública, esporte, ciência e tecnologia, meio ambiente, infraestrutura social e enfrentamento de calamidades públicas. Em 2025, incluiu-se a habitação popular entre as prioridades.

A lei 12.351 estabelecia que os recursos para financiar as atividades fiscais “deveriam ser os resultantes do retorno sobre o capital”, a exemplo do que ocorre com o fundo norueguês, mas a norma foi revogada. O Fundo Social do Pré-Sal tornou-se pau pra toda obra. Financia o programa Minha Casa, Minha Vida, calamidades provocadas por chuvas intensas e outras atividades. Tramita no Congresso projeto que autoriza o uso de recursos do fundo para criar uma linha especial de crédito de 30 bilhões de reais, em favor de produtores rurais afetados por eventos climáticos. Em todos esses casos, a taxa de juros é bem inferior às praticadas no mercado. Mesmo que se justifique a adoção de juros mais baixos, a regra deteriora o patrimônio do fundo.

Continua após a publicidade

O Fundo Social do Pré-Sal não é o único caso de destruição patrimonial por decisões do governo. Isso também acontece na aplicação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Para resolver esse problema, valeria adotar a norma, vigente nos Estados Unidos, pela qual nenhum fundo governamental pode realizar empréstimos a taxas inferiores às que incidem sobre títulos do Tesouro. Subsídios, se necessários, devem ser financiados com recursos orçamentários. É mais transparente e mais civilizado.

Publicado em VEJA de 5 de junho de 2026, edição nº 2998

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 63% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).