Lula e o PT imaginam que a fonte básica do desenvolvimento é a intervenção do Estado na economia via estímulos ao consumo, principalmente dos pobres. Na realidade, a expansão do PIB depende da inovação e dos decorrentes ganhos de produtividade, palavras ausentes das análises do partido.
É discutível, ademais, a ênfase que atribuem a empresas estatais tidas como “estratégicas”. Ao contrário, deveríamos privatizá-las, incluindo as gigantescas Petrobras e Banco do Brasil. Além disso, os petistas defendem o controle de capitais externos, medida que se justifica em situações extremas, como uma crise no balanço de pagamentos. Não é o nosso caso.
Recentemente, Lula tem falado novidades no modo de pensar a economia. Há sinais de involução. Em declaração recente, afirmou que “alguém achava que o Banco Central independente ia resolver o problema do mundo. Não resolve. O que resolve é o presidente da República eleito ter poder de interferir em algum momento da economia”. Será?
O presidente se equivoca. Essa nunca foi a responsabilidade dos bancos centrais. A independência existe para assegurar que suas decisões busquem atender ao melhor interesse da sociedade, imunes a intervenção ou influência políticas. Seu papel é conduzir a política monetária, regular o sistema financeiro e manter a estabilidade da moeda, que são fundamentais para o desenvolvimento. A independência é a norma em todos os países ricos, sendo exigida para os que pretendam integrar a União Europeia.
“O petista tem acentuado seu desprezo pelo ajuste fiscal e pela trajetória da relação entre dívida pública e PIB”
Lula tem acentuado seu conhecido desprezo pelo ajuste fiscal e pela preocupante trajetória da relação entre a dívida pública e o PIB. Sabe-se que esse é o calcanhar de aquiles da economia brasileira. Sem resolver tal insustentável situação, podemos enfrentar um colapso fiscal causado por uma grave crise de confiança na capacidade de solvência do setor público. É consensual, pois, a ideia de que o país demanda um ajuste fiscal para escapar desse desastre, mas para Lula “a dívida pública não me preocupa”.
O presidente pode ter sido influenciado pela informação de que a dívida pública do Japão é de 230% do PIB, enquanto a nossa é de “apenas” 83% do PIB. Como já assinalei neste espaço, não faz o menor sentido fazer esse tipo de comparação. O Japão é um país rico sobre o qual não pairam dúvidas acerca da solvência do setor público. Sua taxa de poupança é de 32% do PIB (14,6% do PIB no Brasil). A taxa básica de juros japonesa é de apenas 1,2% ao ano (13,75% em nosso país). Aqui, o tamanho da dívida influencia a taxa de juros, pois o mercado teme que o Tesouro Nacional se veja na impossibilidade de pagar os juros e o principal da dívida pública.
É consensual entre a maioria dos analistas a necessidade de forte ajuste fiscal centrado no excessivo volume de despesas obrigatórias no orçamento da União. O objetivo seria gerar um superávit primário para estabilizar e, em seguida, promover a queda da relação dívida/PIB. Para Lula, é preciso “parar com essa babaquice de fazer superávit”. Pode?
Publicado em VEJA de 9 de outubro de 2026, edição nº 3016





