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Inflação de março reforça alerta com pressão de alimentos e combustíveis

Economistas apontam deterioração do IPCA e veem impacto direto nas decisões de juros

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 abr 2026, 10h34 • Atualizado em 10 abr 2026, 11h41
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    A alta de 0,88% da inflação em março divulgada nesta sexta-feira, 10, não apenas surpreendeu o mercado, como também reforçou uma leitura mais cautelosa sobre o comportamento do índice no Brasil. Na avaliação de analistas, o avanço foi puxado por itens sensíveis ao consumo das famílias e indica que as pressões devem persistir nos próximos meses.

    Para Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, o movimento reflete fatores estruturais, especialmente nos grupos de alimentos e transportes. “Teve dois grupos muito sensíveis ao bolso do consumidor que puxaram o IPCA para cima, principalmente transportes, com a alta dos combustíveis e o efeito do conflito entre EUA e Irã”, afirma. Segundo ele, a inflação ainda está longe de um cenário confortável. “A inflação não está comportada, ela pode incomodar muito ainda esse ano.”

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    Essa percepção é reforçada pela natureza das pressões atuais. De acordo com o especialista, tanto alimentos quanto combustíveis tendem a manter impacto relevante. “Os vetores que puxaram agora a inflação não são temporários. Alimentos sofrem com oferta, clima e repasses, enquanto transportes são sensíveis ao câmbio e aos combustíveis”, diz.

    A surpresa com o dado também chamou atenção de Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, que destaca uma piora mais ampla do quadro inflacionário. “O IPCA veio bem acima do esperado e reforçou uma leitura de deterioração tanto no quantitativo quanto no qualitativo da inflação”, afirma. Segundo ele, embora a gasolina tenha sido um dos principais vetores, a pressão foi disseminada entre diferentes grupos.

    No caso dos alimentos, Pestana aponta que a alta foi generalizada, com destaque para leite e produtos in natura, enquanto serviços também mostraram sinais de pressão, especialmente em alimentação fora de casa e transporte por aplicativo. “Mesmo desconsiderando combustíveis, a mensagem de piora da inflação de curto prazo permanece”, avalia.

    Diante desse cenário, o impacto sobre a política monetária entra no radar. Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, o ambiente inflacionário mais pressionado tende a influenciar o ritmo de corte de juros. “As restrições na produção de petróleo e de outros insumos já começam a pressionar a inflação”, afirma. A expectativa da economista é de uma redução mais moderada da Selic na próxima reunião, de 0,25 ponto percentual.

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    Com isso, a leitura predominante entre os analistas é de que o cenário segue desafiador. A combinação de choques externos, pressão em itens essenciais e incertezas sobre a trajetória dos juros mantém a inflação no centro das atenções, e deve exigir maior cautela do Banco Central ao longo do ano.

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