Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês
Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes.

Flávio Rocha pendura chuteiras na política para transformar a Riachuelo

Vendas pelo canal digital da Riachuelo explodem na pandemia e empresa investe para se tornar maior player de moda no âmbito on-line

Por Felipe Mendes Atualizado em 7 jan 2021, 15h22 - Publicado em 4 jan 2021, 17h10

Flávio Rocha pendurou as chuteiras. Não foi preciso desgastá-las tanto, afinal. Um dos postulantes à corrida presidencial em 2018, ele chegou a se afastar do dia a dia da rede de lojas Riachuelo naquele ano, mas depois foi reconduzido ao cargo de chairman da companhia. Hoje, afirma que desistiu da carreira política e quer voltar sua atuação exclusivamente para a varejista. “Eu não só pendurei como incinerei as minhas chuteiras no campo político. Em 2018, o empresariado tinha uma angústia com os rumos do Brasil e buscava um candidato à presidência que fosse liberal no ponto de vista econômico”, diz ele. “Depois de se unir ao ministro Paulo Guedes, o Bolsonaro acabou encarnando, de certa forma, esse personagem liberal na economia e conservador nos costumes”.

Hoje, o objetivo de Rocha é gerar valor para a companhia fundada em 1947, pelos irmãos Nevaldo (pai de Flávio, falecido em junho deste ano) e Newton Rocha. Demanda antiga por parte dos acionistas, a empresa entrou recentemente para o Novo Mercado, onde encontram-se as companhias listadas na B3 com os melhores níveis de governança corporativa — classificação que, inclusive, já era designada às principais rivais com ações em bolsa, como C&A, Renner e Cia Hering. “Nós éramos uma empresa introspectiva, que fazia o melhor possível dentro das quatro paredes. Agora, um dos nossos propósitos é aumentar a liquidez, o free float. Por isso, fomos para um patamar de governança maior. Era o caminho natural para a nossa companhia”, afirma.

Mesmo com a pandemia do novo coronavírus, a Riachuelo seguiu em expansão. Em 2020, foram 12 inaugurações de pontos de venda físicos, o que levou a bandeira à marca de 324 unidades no país. Mas é no comércio eletrônico que a Riachuelo quer prosperar. Com as medidas de restrição exigidas pelos governos estaduais ao varejo, a empresa viu uma parte do seu faturamento sumir, mas se surpreendeu com o crescimento expressivo de seu desempenho na internet. No terceiro trimestre de 2020, as vendas virtuais realizadas pelo Grupo Guararapes (mantenedor da Riachuelo) cresceram 380,3%, alcançando uma representatividade acima de 12% dentro da companhia. Agora, Rocha mira a expansão nesse canal.

“Nós vamos sair no pós-Covid como a grande empresa digital do setor de moda, o que vai nos proporcionar a criar um grande hub de lifestyle, moda, cultura, lazer e fitness. Tudo o que diz respeito ao nosso núcleo de atuação central, que é a moda. Vamos sair dessa pandemia melhores do ponto de vista da transformação digital”, diz ele. A empresa quer se posicionar como um grande marketplace de moda na internet brasileira, seja no computador ou no celular. Para isso, está atrás de parceiros. “Nós estamos com mais 400 marcas e empresas que queremos ter no nosso ecossistema. A atuação na internet é um jogo de ganha-ganha. Não é um jogo solitário. É preciso estabelecer parcerias”, afirma. “O mundo físico é muito democrático. Cada lojista tem a sua chance de chamar atenção do consumidor, nem que seja por alguns segundos, em um shopping center. O mundo digital, no entanto, é menos democrático. A nossa luta agora é para conquistar esse espaço tão valioso nos smartphones dos clientes”. Como os americanos dizem, data is the new oil e a Riachuelo, com uma carteira de 32 milhões de cartões emitidos, tenta fazer essa máxima valer a pena.

+ Siga o Radar Econômico no Twitter

Continua após a publicidade

Publicidade