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Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes.

Ex-BlackRock diz que ESG é um placebo. E um “placebo perigoso”

Tariq Fancy, que foi diretor global de investimentos sustentáveis, diz que investidores e empresas só abraçam propósitos se isso significar lucro

Por Josette Goulart 24 ago 2021, 12h37

Tariq Fancy foi o primeiro diretor de investimentos para investimentos sustentáveis da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo que desde 2019 mudou o curso dos investimentos prometendo se tornar carbono zero até 2050.  No último fim de semana, Fancy publicou um extenso ensaio chamado de “O diário secreto de um investidor sustentável” em que faz um alerta de que o ESG, que virou a moda da vez entre investidores, não passa de um placebo e um placebo muito perigoso. Primeiro ele diz que empresa e investidores só se preocupam com o “propósito” se isso significar mais lucros ou, no caso dos fundos, mais rendimentos.  “A maioria das empresas tem algumas iniciativas verdes qualificadas para as quais podem levantar títulos verdes. Mas nada os impede de buscar atividades decididamente não-verdes com suas outras fontes de financiamento”.

Mas por que é um placebo? Segundo Fancy porque dá a falsa sensação nas pessoas de que algo realmente está sendo feito para a mudança climática, por exemplo, quando não está. É só marketing, já que diversos outros investidores continuam investindo e financiando empresas que destroem o meio-ambiente ou não se preocupam com inclusão. Ele deu exemplo de Warren Buffet que tem dito que as empresas têm que se preocupar com o lucro aos acionistas.

Exortações ao bom espírito esportivo não convencerão a Exxon a abrir mão voluntariamente do potencial de lucro de curto prazo da extração de combustíveis fósseis, o Facebook a parar de usar dados e algoritmos para criar comportamentos viciantes que prejudicam a saúde mental dos jovens para vender anúncios, ou o Walmart e o McDonald’s a parar de pagar tão pouco a seus funcionários.” 

E Fancy termina seu ensaio da forma mais polêmica que poderia soar aos ouvidos de qualquer um do mercado financeiro. “É hora de aceitar que há nove palavras que precisamos ouvir, porque só podemos construir um futuro sustentável quando não tivermos mais medo de ouvi-las. ‘Eu sou do governo e estou aqui para ajudar’.”

+O que é ESG?

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