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Cade deveria vetar fusão Localiza Unidas, diz ex-presidente do órgão

Olavo Chinaglia, que foi presidente e conselheiro do Cade, acredita que caso é complexo

Por Felipe Mendes 18 jun 2021, 13h21

O anúncio de fusão entre Localiza e Unidas causou um estardalhaço no mercado. Mas, desde setembro de 2020, quando foi consumado entre as partes, o acordo encontra cada vez mais questionamentos no processo que está em análise no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. A Movida, terceira colocada no segmento de locação de automóveis, e a Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp), que representa os interesses dos condutores de serviços como Uber e 99, demonstraram preocupação com a alta concentração de mercado resultante da fusão do negócio, uma vez que seria possível mudar a relação de forças e as faixas de preços praticadas no mercado. Segundo dados da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, Localiza e Unidas teriam juntas cerca de 65% do mercado. As empresas alegam, entretanto, que o mercado não é só formado por locadoras. Montadoras, por exemplo, já tem seus serviços de locação por assinatura. 

Para Olavo Chinaglia, ex-presidente do Cade, o acordo deveria ser indeferido pelo órgão, que já assumiu que a operação requer uma análise mais aprofundada antes de ter um veredito. “Com base nas informações que eu tenho, que não são completas, porque eu não faço parte do caso, não consigo enxergar nenhum argumento que justifique a operação entre Localiza e Unidas. Muito pelo contrário, só vejo problemas para o mercado”, diz o executivo, hoje sócio da Chinaglia Oliveira Advogados. “Se você admitir esse nível de concentração, a tendência é que isso só aumente. Quando o mercado crescer, quando mais gente demandar carros, quem vai ter melhores condições de aumentar a sua oferta? É aquela empresa que já tem a maior operação.” 

Fontes envolvidas no caso estimam que o veredito do órgão só deva sair no quarto trimestre deste ano.

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