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Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes.

A temporada de balanços começou, mas risco Brasil pode ofuscar as empresas

VEJA Mercado: as incertezas no campo macroeconômico podem se sobrepor aos resultados das empresas

Por Diego Gimenes 26 out 2021, 18h26

As empresas brasileiras começaram a divulgar seus resultados no terceiro trimestre de 2021, e os números prometem ser bons, em linha com os balanços norte-americanos e com os resultados das próprias empresas brasileiras no terceiro trimestre do ano passado. Mas, assim como aconteceu no segundo trimestre, as cifras reveladas pelas companhias podem ser ofuscadas pelo cenário doméstico incerto que paira o país. Teto de gastos, Auxílio Brasil, crise hídrica, combustíveis, inflação e juros são só alguns dos fatores que podem atrapalhar os planos das companhias. “Acredito que o risco Brasil vai se sobrepor aos resultados sólidos que as empresas devem apresentar no trimestre. Muitas vezes, a empresa se destaca pela performance no período, mas não avança na bolsa por uma questão fiscal do país”, diz Gustavo Berttotti, chefe de renda variável da Messem Investimentos.

Após a EDP Energia reportar resultados “muito positivos e melhores do que o esperado em base anual”, segundo o Credit Suisse — um lucro de 510 milhões de reais, 70% maior em relação ao igual período de 2020 –, as ações subiram 2,2% no pregão, o que é pouco, segundo alguns analistas, considerando o bom resultado. De qualquer forma, a EDP foi a maior alta do dia, em um pregão que o Ibovespa recuou 2,1% pelo temor com a inflação e uma política mais agressiva de aumento de juros.

A Klabin também reportou uma performance que foi bem avaliada pelo mercado, como a XP, que destacou “os preços mais altos em praticamente todas as linhas de negócios, bem como o melhor mix de vendas em celulose”. A companhia lucrou 1,09 bilhão de reais no terceiro trimestre, ante prejuízo de 198 milhões um ano antes, mas as ações fecharam em queda de 1,5%. Em outras palavras, nem mesmo as eventuais boas gestões das empresas listadas na bolsa devem fazer o investidor esquecer o que acontece em Brasília.

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