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Marcos Emílio Gomes A coluna trata de desigualdade, com destaque para casos em que as prioridades na defesa dos mais ricos e mais fortes acabam abrigadas na legislação, na prática dos tribunais e nas tradições culturais

Por que Warren Buffet quer pagar mais impostos

Essa é uma das poucas boas notícias no cenário mundial da desigualdade, a doença que mais se agrava como consequência da pandemia

Por Marcos Emílio Gomes - Atualizado em 15 maio 2020, 12h25 - Publicado em 14 maio 2020, 18h50

O quarto homem mais rico do mundo não só defende impostos mais altos para os que ocupam hoje os melhores lugares à mesa como prega também que uma parte do aumento na arrecadação decorrente dessa reestruturação tributária seja distribuída como complemento de renda a assalariados, nos EUA, evitando que pais de família precisem ter um segundo emprego para manter a casa e os filhos.

Foi esse um dos recados que Warren Buffet  deu ao falar online para investidores de seu fundo de investimentos Berkshire Hathaway, há três dias. Pelo raciocínio de Buffet, a medida melhoraria a vida dos pobres americanos e criaria algumas vagas a mais no mercado de trabalho.

Mesmo dizendo manter sua fé na economia americana no longo prazo, o investidor não tem atuado em compras de ações tornadas baratas pela crise, diferentemente do que fez em 2008. Nas suas contas, vendeu no mês passado 16 vezes mais papéis do que comprou.

Os novos escravos

Na Colômbia, a ex-ministra e ex-senadora Cecilia López Montaño publicou artigo que, ao tratar da questão da desigualdade, cita que há casos de famílias abastadas que praticamente aprisionaram cuidadores de idosos no período da pandemia, impedindo-os de ir para casa.

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Cobertor curtíssimo

No México, a economista Lucía Buenrostro, especializada em economia e finanças pelo Royal College, de Londres, publicou artigo que adverte para o efeito perverso, no longo prazo, do praticamente inevitável aumento do endividamento dos países pobres no estabelecimento de medidas para minimizar o dano econômico imediato do combate à Covid-19.

O vírus da miséria

O drama dos equatorianos pode ir muito além das cenas trágicas divulgadas recentemente, documentando o abandono de mortos nas ruas. Publicação do economista Andrés Mideros, decano da PUC do Equador, informa que a redução do produto interno bruto do país em decorrência da crise atual pode chegar a 9%. Calcula-se que 57% dos equatorianos não têm renda suficiente para a aquisição de uma cesta básica mensal. As perdas decorrentes da pandemia podem levar outros 3% à mesma condição.

Pior para as mulheres

O duro período de quarentena na Itália acirrou as diferenças de gênero na carga de trabalho doméstico, já tradicionalmente desfavorável às mulheres. Durante a pandemia, 68% das mulheres que têm emprego fora de casa dedicaram mais tempo a atividades domésticas no confinamento. Entre os homens, 40% passaram a dedicar mais tempo à casa. A pesquisa foi feita pelas professoras Daniela Del Boca, Noemi Oggero, Paola Profeta, Maria Cristina Rossi e Claudia Villosio, ligadas a universidades e institutos de Turim e Milão.

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O textos mais recentes do site Ora Essa! relacionam o cenário político e a pandemia. Neste link, o que trata da politização do problema santiário. E, neste, o que comenta o artigo do general Hamilton Mourão.

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