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A reunião de cinco ex-presidentes do BNDES e a pauta-surpresa

Chefes do banco nos governos do PT, Temer, FHC e Sarney marcam ato sobre impactos da reforma da Previdência, mas demissão de Levy deve virar o tema central

Por Redação - 16 jun 2019, 20h48

A Associação de Funcionários do BNDES (AFBNDES) fará um ato na quarta-feira, 19, em defesa do que chamam de “antipatriótica desconstrução” da instituição. A manifestação, convocada antes do então presidente do banco, Joaquim Levy, entregar o cargo após ser criticado publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro, contará com a presença de cinco ex-presidentes da instituição, entre eles, Luciano Coutinho, que comandou o banco durante nove anos de governos do PT. 

Além dele, estão confirmados na manifestação, Dyogo de Oliveira (2018-2019) e Paulo Rabello de Castro (2017-2018), que estiveram no comando da instituição durante o governo Michel Temer. Luiz Carlos Mendonça de Barros (1995-1998), que esteve na presidência do banco durante o governo FHC, e André Franco Montoro Filho (1985-1986), dirigente da instituição quando o presidente do Brasil era José Sarney, também deverão estar no ato marcado para o Rio de Janeiro, segundo a associação. 

Se antes o protesto havia sido marcado para impor uma posição contra o relatório da reforma da Previdência que retira o repasse do PIS/Pasep e recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ao BNDES, a pauta ganhou um ingrediente a mais, com a demissão de Levy. O ex-presidente da instituição foi ‘fritado’ por Bolsonaro após a nomeação de  Marcos Barbosa Pinto para a Diretoria de Mercados de Capital da instituição. Pinto foi diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Bolsonaro chamou Levy de “gente suspeita” e disse que ele estava com a “cabeça a prêmio há tempos”.

Bolsonaro defende que é preciso abrir o que chama de ‘caixa-preta’ da instituição, promessa feita em sua campanha à Presidência da república.  O presidente pretende expor os empréstimos feitos pelo BNDES a outros países e queria que Levy fizesse isso com rapidez. Sob a gestão de Coutinho nos governos petistas, algumas operações chegaram a ser classificadas como secretas, como o contrato de empréstimo para a construção do Porto de Mariel, em Cuba, tomado pela Odebrecht.

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Neste ano, já com Levy no comando, o banco divulgou um link, compartilhado por Bolsonaro no Twitter, com o empréstimo a 11 países – além de Cuba, Angola, Argentina, Costa, Equador, Gana, Guatemala, Honduras, México, Moçambique, Paraguai, Peru, República Dominicana e Venezuela. Segundo o banco, o país ou empresa importadora assume a responsabilidade de pagar o financiamento ao BNDES, com juros, em dólar ou euro. Por isso, os contratos de financiamento à exportação envolvem três partes: a empresa brasileira exportadora, o importador e o BNDES. De 1998 a 2019, 10,5 milhões de dólares foram emprestados e 3,1 milhões de dólares não foram devolvidos. 

A insistência de Bolsonaro em provar corrupção no BNDES já foi pauta de outros presidentes da instituição. Durante a transição, Dyogo Oliveira disse não haver evidências de fraudes no banco.

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