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Eduardo Moreira: “O Brasil é um paraíso fiscal”

O primeiro passo para melhorar a vida financeira, segundo o economista, é simplesmente deixar de fazer o que está errado

Por Branca Nunes - 23 jul 2018, 12h50

Ex-sócio do Banco Pactual, Eduardo Moreira foi eleito em 2016 um dos melhores economistas do país. Com sete livros publicados, entre eles o best seller Encantadores de Vidas, ele conta por que deixou o mercado financeiro para ensinar às pessoas como economizar dinheiro.

“O que os bancos fazem é uma covardia”, afirma. “Quando você detém o conhecimento e o outro não, torna-se uma relação covarde. Nos meus cursos, mostro que entender o mundo das finanças é cem vezes mais simples do que se imagina. Existem basicamente duas coisas: ou você tem uma participação num negócio ou empresta dinheiro para um negócio”.

Para Moreira, independência financeira não é ter dinheiro para nunca mais trabalhar, mas não depender de ninguém para dizer o que é certo ou não fazer quando investe. “Os cinco maiores bancos do país cobram, só de tarifa, mais de R$ 130 bilhões por ano. Isso equivale ao orçamento da saúde e é maior que o da educação”, conta. “Nunca vi um banqueiro celebrar o lucro de um cliente e perdi a conta da quantidade de vezes que vi banqueiros comemorarem os lucros em cima dos clientes”.

O primeiro passo para melhorar as finanças, segundo Moreira, é simplesmente deixar de fazer o que está errado. “O que se ganha numa aplicação, por exemplo, é bem menos do que o que se paga de tarifas”, ensina.

Em meio à maior crise financeira das últimas décadas, por exemplo, Moreira observa que os bancos tiveram lucros recordes em todos os trimestres. “Você sobe cinco centavos o preço da passagem de ônibus e a população para o país”, diz. “Enquanto isso, os banqueiros continuam felizes. Se os pobres e a classe média soubessem realmente como funcionam as coisas, eles fariam a revolução. O sistema de impostos é um crime. Os ultraricos, por exemplo, pagam em média 6,9% de imposto de renda. O Brasil é um paraíso fiscal”.

Para Moreira, o primeiro passo é respeitar a verticalidade e a horizontalidade dos impostos. Os seja, pessoas que ganham rendas similares, deveriam pagar alíquotas similares. Parece óbvio? Sim, mas não é o que não acontece no país.

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