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Mortes em hospitais psiquiátricos de Sorocaba serão investigadas

Média de mortes nos hospitais psiquiátricos privados da cidade está muito acima da média dos hospitais públicos do estado de São Paulo

O estudo mostra ainda que o número de mortes praticamente dobrou nos meses frios, o que poderia indicar falta de cuidado. Em 13% dos casos as mortes foram causadas por pneumonia ou tuberculose, doenças tratáveis

Hospitais psiquiátricos privados da região de Sorocaba (SP) registraram 459 mortes de pacientes entre 2006 e 2009. O total de óbitos corresponde a um índice de 16,5 mortes para cada 100 leitos – a média dos hospitais psiquiátricos públicos do estado é de 6,5 mortes por 100 leitos, conforme estudo divulgado pelo Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba (Flamas).

O levantamento foi feito com base no Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (Datasus) e no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. Além dos quatro hospitais de Sorocaba, foram incluídos dois de Salto de Pirapora e um de Piedade, cidades vizinhas do município.

O alto índice de mortalidade levou a Câmara de Sorocaba a criar uma comissão para apurar as condições dos internos. Segundo o vereador Izídio de Brito, que preside a comissão, a precocidade das mortes também chamou a atenção. A média de idade dos pacientes mortos é de 49 anos – mais de um quarto tinha entre 17 e 39 anos. Houve ainda um número elevado de mortes por causas desconhecidas ou assinaladas apenas como causadas por parada respiratória. O levantamento mostra ainda que o número de mortes praticamente dobrou nos meses frios, o que poderia indicar falta de cuidado. Em 13% dos casos as mortes foram causadas por pneumonia ou tuberculose, doenças tratáveis.

Num universo de 2.219 pacientes internados, 32% não tinham documentos. A média de internos sem documentos nos outros hospitais psiquiátricos do estado é de 14%. Os hospitais da região de Sorocaba têm 2.792 leitos para doentes mentais, média de 2,33 para cada mil habitantes, a maior do Brasil. Na cidade de São Paulo, por exemplo, são 0,10 leitos por mil habitantes.

O Conselho Regional de Medicina (CRM) em Sorocaba informou não ter recebido denúncia de familiares de pacientes sobre as questões apontadas pelo Flamas, que é formado por médicos e profissionais de saúde. De acordo com o delegado Wilson Campagnone, os hospitais são fiscalizados regularmente pelas Secretarias de Saúde do estado e do município.

(Com Agência Estado)