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EUA e União Europeia revogam sanções contra o Irã

Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que o país islâmico cumpriu os termos do acordo nuclear, firmado no ano passado com seis potências mundiais

- Atualizado em

O acordo nuclear, firmado entre Irã, EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, conversa com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif(VEJA.com/Reuters)

Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) anunciaram neste sábado a revogação de sanções econômicas e financeiras contra o Irã. A medida estava prevista no acordo nuclear alcançado em julho do ano passado entre o país islâmico e seis potências mundiais -- Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha.

"Como o Irã cumpriu seus compromissos, todas as sanções relacionadas com o programa nuclear do Irã foram suspensas", afirmou à imprensa a responsável de política externa da UE, Federica Moghereini.

O anúncio foi feito após Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmar que o Irã cumpriu as exigências para iniciar o histórico acordo. Entre outras medidas, o Irã se comprometeu a reduzir sua capacidade nuclear e permitir que a AIEA inspecione o país.

Foram suspensas, por exemplo, as restrições sobre atividades bancárias e sobre seguros. Também foram revogadas as sanções a bônus garantidos pelo governo iraniano e os serviços associados, assim como as relativas à importação de petróleo e gás do Irã.

Com a decisão, o país islâmico poderá recuperar cerca de 100 bilhões de dólares em bens congelados no exterior, segundo estimou a Associated Press. Além disso, se beneficiará de novas oportunidades financeiras e comerciais, sobretudo, no setor petrolífero.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, anunciou que o presidente Barack Obama já assinou ordens executivas removendo as sanções econômicas do país ao Irã. "Cada uma das vias para a uma bomba nuclear foram fechadas de forma verificável", disse o secretário à imprensa.

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, celebrou a decisão pelo Twitter. "Eu agradeço a Deus por essa benção e me curvo à grandeza da paciente nação do Irã. Parabéns por essa vitória gloriosa", postou na rede social.

Em comunicado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reconheceu "a dedicação e determinação demonstrada por todas as partes". "Este é um marco significativo que reflete o esforço de boa vontade de todas as partes para cumprir com os compromissos estipulados", disse Ban. O Conselho de Segurança da ONU seguiu a decisão dos outros países.

O anúncio aconteceu horas depois de o Irã ter libertado quatro americanos, incluindo o repórter do The Washington Post Jason Rezaian, em troca de sete iranianos presos nos EUA, autoridades de Teerã e Washington.

O objetivo do acordo nuclear era impedir que o Irã tivesse acesso a uma bomba atômica e mantivesse um programa nuclear voltado a fins pacíficos.

As potências internacionais e o Irã mantiveram hoje intensos contatos diplomáticos em Viena, na Áustria, para preparar o anúncio. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohamad Javad Zarif, se reuniu com Kerry e com Mogherini.

No entanto, foram matidas as sanções à Guarda Revolucionária iraniana -- divisão das forças armadas do Irã -- e às entidades sob seu controle, assim como sobre a agência aeroespacial iraniano.

A UE e os EUA eliminarão todas as restrições em duas fases, a primeira começando hoje e a segunda, a plena eliminação das medidas, a partir do denominado "dia de transição", em oito anos - ou antes - se a AIEA tiver chegado à conclusão de que todo material nuclear continua tendo fins pacíficos.

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(Com agência EFE)

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