Tarja Enem e Vestibulares

Microcurso VEJA

Redação do Enem, parte 5: textos nota 1.000 comentados

Professores avaliam duas redações que receberam nota máxima no exame

Lecticia Maggi
Redação Enem

Redação Enem (Thinkstock)

As mineiras Alline Rodrigues da Silva e Camila Pereira Zucconi conseguiram um feito e tanto no Enem 2011: obtiveram nota máxima (1.000 pontos) na redação. Seus textos foram, por isso, reproduzidos no Manual de Redação do exame. Para os corretores da prova, as estudantes demonstraram total domínio das cinco competências avaliadas (confira todas aqui). É importante, portanto, analisar com atenção os dois textos e também os comentários de professores a respeito – confira no quadro abaixo

Os capítulos do Microcurso de redação do Enem:
- domínio do idioma
- adequação ao tema proposto
- como argumentar
- como apresentar soluções

Os professores Tiago Fernandes, do CPV Vestibulares, e Eclícia Pereira, do Cursinho da Poli, ressaltam os pontos positivos da dissertação. Mas mostram também pequenos deslizes das candidatas. Alline, por exemplo, separou com vírgula sujeito e verbo em uma passagem. Já Camila escreveu um parágrafo de seis linhas com um único ponto final, uma operação arriscada. Ainda que tenham cometido erros, as estudantes não foram penalizadas. Ambos os textos são objetivos, claros e coerentes. Confira as análises dos professores:

Redações nota 1.000 no Enem comentadas por professores

Leia a íntegra de dois textos apresentados por estudantes em edições passados da prova. Abaixo de cada parágrafo, em vermelho, estão os comentários dos professores Tiago Fernandes, do CPV Vestibulares, e Eclícia Pereira, do Cursinho da Poli, respectivamente.

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'Redes sociais: o uso exige cautela'

"Redes sociais: o uso exige cautela", por Camila Pereira Zucconi Viçosa-MG
É um ótimo TÍTULO e já indica a posição da candidata sobre o tema.

 

Uma característica inerente às sociedades humanas é sempre buscar novas maneiras de se comunicar: cartas, telegramas e telefonemas são apenas alguns dos vários exemplos de meios comunicativos que o homem desenvolveu com base nessa perspectiva. E, atualmente, o mais recente e talvez o mais fascinante desses meios são as redes virtuais, consagradas pelo uso, que se tornam cada vez mais comuns.
A contextualização desta INTRODUÇÃO é muito boa. A candidata acerta ao citar a evolução sofrida pelos meios de comunicação.

Orkut, Twiter e Facebook são alguns exemplos das redes sociais (virtuais) mais acessadas do mundo e, convenhamos, a popularidade das mesmas se tornou tamanha que não ter uma página nessas redes é praticamente como não estar integrado ao atual mundo globalizado. Através desse novo meio as pessoas fazem amizades pelo mundo inteiro, compartilham ideias e opiniões, organizam movimentos, como os que derrubaram governos autoritários no mundo árabe e, literalmente, se mostram para a sociedade. Nesse momento é que nos convém cautela e reflexão para saber até que ponto se expor nas redes sociais representa uma vantagem.
A autora do texto entendeu satisfatoriamente a proposta. Ao desenvolver sua ideia, mostra um conhecimento de mundo amplo, citando amizades, informações disseminadas e movimento políticos. Cabe destacar um ponto negativo na passagem: o uso do termo "convenhamos", típico da língua falada e que deve ser evitado em textos mais formais.

Não saber os limites da nossa exposição nas redes virtuais pode nos custar caro e colocar em risco a integridade da nossa imagem perante a sociedade. Afinal, a partir do momento em que colocamos informações na rede, foge do nosso controle a consciência das dimensões de até onde elas podem chegar. Sendo assim, apresentar informações pessoais em tais redes pode nos tornar um tanto quanto vulneráveis moralmente.
A primeira frase é bastante adequada. A partir dela, são discutidos prejuízos à integridade do indivíduo em razão do mau uso das redes sociais.

Percebemos, portanto, que o novo fenômeno das redes sociais se revela como uma eficiente e inovadora ferramenta de comunicação da sociedade, mas que traz seus riscos e revela sua faceta perversa àqueles que não bem distinguem os limites entre as esferas públicas e privadas “jogando” na rede informações que podem prejudicar sua própria reputação e se tornar objeto para denegrir a imagem de outros, o que, sem dúvidas, é um grande problema.
O parágrafo relaciona as duas ideias desenvolvidas anteriormente, o que é positivo. Há, contudo, um reparo a ser feito: a utilização de um único e longo período. Essa construção deve ser evitada, pois dá margem a erros e dificulta a leitura.

Dado isso, é essencial que nessa nova era do mundo virtual, os usuários da rede tenham plena consciência de que tornar pública determinadas informações requer cuidado e, acima de tudo, bom senso, para que nem a própria imagem, nem a do próximo possa ser prejudicada. Isso poderia ser feito pelos próprios governos de cada país, e pelas próprias comunidades virtuais através das redes sociais, afinal, se essas revelaram sua eficiência e sucesso como objeto da comunicação, serão, certamente, o melhor meio para alertar os usuários a respeito dos riscos de seu uso e os cuidados necessários para tal.
A solução sugerida nesta CONCLUSÃO é adequada porque procura combater o problema apresentado: a confusão entre público e privado. A autora faz um apelo ao bom senso, acrescentando que estado e comunidades virtuais devem cooperar no assunto. A posição satisfaz a orientação do Enem, que demanda do estudante uma proposta de intervenção específica e realizável.

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