27/03/2011 - 16:34
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Mineração

Saída de Agnelli da Vale pode manchar a imagem do Brasil

Vitória governista na luta para tirar Roger Agnelli da presidência da mineradora deve ser mal recebida por investidores e prejudicar reputação do país

Roger Agnelli: em dez anos de gestão, lucro da Vale cresceu 903%

Roger Agnelli: em dez anos de gestão, lucro da Vale cresceu 903% (Germano Luders/Exame)

“A reputação do país será prejudicada. Toda a idéia de que estamos construindo um governo responsável, que obedece as regras do jogo, será muito abalada”, afirmou o ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega

Após mais de uma semana de incertezas, a saída do presidente da Vale, Roger Agnelli, foi finalmente acertada. Segundo o colunista de VEJA, Lauro Jardim, a decisão está tomada, mas só será executada quando o contrato do executivo vencer, em maio. Agnelli lutou para se manter à frente da segunda maior empresa do Brasil (e a maior de capital privado), com receita superior a 85 bilhões de reais, mas inimizades acumuladas em seus dez anos como presidente parecem ter vencido a queda de braço. Especialistas alertam que o cenário arquitetado pelo Planalto para a retirada do executivo inclui planos para, finalmente, interferir nos projetos da Vale e deve servir de motor para que uma onda de hostilidade se abata não somente sobre a companhia, mas sobre o Brasil.

A briga de Agnelli para se manter no cargo não foi simples. De temperamento difícil, por vezes explosivo e truculento, ele nunca foi alvo fácil para seus adversários. Executivo de carreira do Bradesco, Agnelli foi indicado à presidência da mineradora pelo próprio banco em 2001. Ao longo de sua gestão, conseguiu aumentar o lucro da companhia de 3 bilhões de reais para 30,1 bilhões de reais. Tamanha eficiência técnica, no entanto, foi insuficiente para agradar ao governo. Desde sua privatização, em 1997, a Vale é cobiçada pelo Partido dos Trabalhadores (que, a propósito, foi contra o movimento e tentou brigar por uma reestatização na época).

Desavenças com o PT – Os problemas começaram a surgir quando, no pior momento da crise, em 2008, a Vale demitiu mais de 1 500 funcionários e paralisou algumas de suas plantas no sul do país, além de reduzir drasticamente a produção em outras unidades. Na época, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas públicas ao fato de a companhia ir na contramão da política anticíclica do governo – ainda que Agnelli estivesse defendendo os interesses dos acionistas, entre os quais milhares de brasileiros que investiram seus recursos de FGTS em ações da empresa.

Em 2009, especulações acerca da saída de Agnelli da presidência da Vale tornaram-se mais freqüentes. Após ter se reunido com Lula para lhe mostrar os investimento da Vale para aquele ano, o executivo tentou defender a própria permanência na companhia. Quando questionado por jornalistas, disse que não sairia da empresa “nem em sonho”. Na ocasião, aproveitou para deixar claro a todos que não existia influência política na mineradora, mas sim meritocracia – fator que, segundo Agnelli, manteria a si próprio e seus diretores em seus postos. Os ânimos acalmaram-se, mas apenas temporariamente.

No ano passado, a situação voltou a se deteriorar por outros fatores – desde os crescentes investimentos da Vale na China até as importações de insumos estrangeiros mais baratos que os brasileiros. Na avaliação do governo, a mineradora deveria priorizar os fornecedores nacionais. A construção de navios em território chinês também ajudou a piorar o desconforto reinante. Um fator mais recente de desgaste é a cobrança de 5 bilhões de reais em royalties (pela atividade mineradora) feita pelo Palácio do Planalto e que a Vale nega-se a pagar.

Em outubro, em pleno período eleitoral, quando acusações de corrupção propagavam-se por toda a ala petista, Agnelli chegou a afirmar publicamente que estava tranquilo quanto à sua manutenção na presidência devido aos resultados que vinha trazendo para a Vale. O executivo aproveitou para criticar publicamente o PT por estar em busca de cargos em época de eleição. Tal declaração teve efeito automático na cúpula petista, sobretudo no time do ministro Guido Mantega.

Decisão antecipada – Já em 2011, com o pleito eleitoral ganho e a situação calma, o governo decidiu voltar ao tema da substituição de Roger Agnelli. Na tarde da última sexta-feira, Mantega foi visto em visita ao presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão, para pedir sua benção no desligamento do executivo. A visita vazou na imprensa e acabou antecipando o fim inevitável – que teve de ocorrer antes mesmo da reunião de conselho prevista para abril.

Em sua própria defesa, Agnelli pronunciou-se nesta sexta-feira, por meio de sua assessoria de imprensa, dizendo que caberia aos acionistas decidir quem presidirá a empresa.  "O que tenho feito nos últimos dias é o mesmo que fiz ao longo de toda a minha carreira: trabalhar", afirmou em nota.

Perda de reputação – Especialistas alertam que o cenário arquitetado pelo Planalto nos bastidores da sucessão de Agnelli poderá servir de motor para que uma onda de hostilidade se abata não somente sobre a Vale, mas sobre o Brasil. Jornais internacionais já noticiaram com desconfiança, ao longo da semana, o poder do governo na escolha da liderança da Vale. Segundo o Financial Times, o tipo de ingerência que a situação apresenta se assemelha ao que o presidente Hugo Chávez faz na Venezuela.

“A reputação do país será prejudicada. Toda a idéia de que estamos construindo um governo responsável, que obedece as regras do jogo, será muito abalada”, afirmou o ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega. A posição de Mantega, na avaliação de Nóbrega, é a mais sensível e digna de críticas. “O ministro da Fazenda tem como dever propiciar um bom ambiente para o investimento privado e não se comportar como se estivesse em uma republiqueta qualquer. O que impede o governo de tentar o mesmo em outros setores?”, indagou.

Já o Instituto Millenium afirmou, em seu blog, que a atitude do governo federal no episódio viola os princípios básicos da transparência institucional. Para o 'think tank',  a intervenção do Planalto é abusiva, já que desconsidera totalmente a opinião de funcionários, acionistas minoritários e fornecedores – os maiores interessados no bom desempenho da companhia.

A substituição – Ainda sem definição, o substituto para Agnelli pode estar dentro da própria Vale. Trata-se do vice-presidente Tito Martins. Outro cotado para o cargo é Rodolfo Landim, ex-presidente da BR Distribuidora e ex-braço direito do empresário Eike Batista. Questionado pelo site de VEJA, Landim esquivou-se, dizendo que tudo não passa de especulação da imprensa. Também são cotados para o cargo Fabio Barbosa, presidente do conselho do Santander, e Rossano Maranhão, ex-presidente do Banco do Brasil e atualmente no comando do Banco Safra.

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Comentários


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pedro pacheco

O Sr. Mantega não tem condições de continuar no Min.da Fazenda. Alias nunca teve; é uma marionete. Agora nossa credibilidade vai derreter igual MANTEIGA.

01.04.2011

Envergonhado

Esse PT não tem jeito mesmo. Fala em democracia, porém não vai descansar enquanto não implantar um regime igual ao de Cuba no Brasil. E se os brasileiros tapados não tomarem vergonha e abrirem os olhos eles vão conseguir. Quer mandar em tudo, e o povo apoia. Ainda há tempo de reagir e evitar.

01.04.2011

Lapeno R

E la se vai o Brasil em mais uma aterrissagem depois de voo de galinha na economia... Nao adianta, o Brasil esta anos luz atras dos paises de primeiro mundo, e apos alguns anos comecar a melhorar, vem essa turma do PT e quer quebrar com tudo. O Brasil esta ao rumo de semelhanca com a Russia (pais grande, populoso, com muitas(..)

01.04.2011

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marcelo moreira

O governo é acionista da Vale e está agindo dentro das leis existentes no mercado,quando um dos acionistas não concorda com atitudes do presidente de uma companhia e quer substituí-lo,procura quorum e muda o presidente,isso acontece a todo momento,esse negócio de dizer que tirou a companhia de um lucro de 3 bilhoes e levou a(..)

01.04.2011

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Marcelo Rosa Melo

O plano macabro está sendo revelado agora. Os governistas não estão nem aí com a deterioração da imagem do país e muito menos com os preparativos da copa do mundo. Quero ver eles peitarem a China, quando ela começar a embargar navios carregados de soja e minério de ferro brasileiro.

31.03.2011

Jorge

Politico tudo que toca aprodece , os Americanos Europeus e Asiaticos decem ta rindo desta replubliqueta de bananas , que toma uma decisao como esta tira um home que só fez crecer uma empresa que na epoca de estatal dava prejuizo como como tantas outras administradas pelo governo e agora é uma gigante da mineraçao mundial. é (..)

31.03.2011

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Salvador V.Conceição

O império da mediocridade, que é o desgoverno petista, que destroi a máquina pública federal, como já fizera em Estados e Municípios, põe, mais uma vez, as garras de fora. Agora, querem destruir a Vale, como fizera com a PETROBRÁS, que perdeu as refinarias de petróleo para o indio boliviano, que rapinou o Brasil. Onde está o(..)

31.03.2011

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Carlos

Sr. Agnelli já vai tarde, a politica dele na Vale é enviar todo o nosso minério no estado bruto, nunca quis verticalizar o minério. Fez erros graves, como a demissão de 1500 funcionairos no momento q não era apropriado só para mostrar q tinha força. Outro erro, comprar navios e equipamentos na china, este foi o pior. Sr. Agn(..)

31.03.2011

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Cleves Abreu

PARABENS. UM GRANDE PASSO PARA OS MENSALEIROS, E UM ENORME SALTO PARA O ATRASO DO BRASIL. EITA RATAZANAS.....

31.03.2011

popeye

Mais um cabide pra pendurar a "cumpanheirada". Uma vergonha!!!

31.03.2011

José de Ribamar Sá Bogéa

Agnelli já estava com os dias contatos porque a turma Lula-Dilma queria gente deles na Vale, como está lotado os fundos de pensão com gente deles. Milhões são controlados por eles dos trabalhadores que dizem defender os interesses da classe, quando na verdade, usam os trabalhadores para enriquecer a custa dos mesmos. Se cont(..)

31.03.2011

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Carlos G. S. Maldonado

Vão colocar o Dracula para tomar conta do banco de sangue. Por estas e outras que o maior mau que o Dr. Fernando Enrique Cardoso fez na sua gestão como presidente do Brasil, foi não ter privatizado tudo, todas estatais, como Banco do Brasil, Caixa Economica Federal, Correios e Petrobras. Estatal no Brasil, é tudo que os part(..)

27.03.2011

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André Menck

Eu já não investia nas ações da Petrobrás porque sabia que uma parte do meu dinheiro iria financiar cuecas eleitorais do pt. Deixei de perder muito $ com isto, pois as ações da empresa, com pré-sal e tudo, cairam 40%. Agora, deixo de investir também na VALE, antes que aconteça o mesmo. Sem a interferência do governo, a Vale (..)

27.03.2011

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Marcos

Mais uma vez o PT ataca o setor privado, dando mais um passo na longa trajetoria de transformar o Brasil numa miseravel Cuba.

27.03.2011

ney

Apenas vai restar esperarmos as consequências desta ingerência política numa empresa do porte da Vale. Infelizmente este país com 120 anos de república tem muitas normas para serem instituídas que evitariam a classe política ter este poder de interferência numa empresa privada.

27.03.2011

Mineiro Idiota

Doutor-Presidente Agnelli... dê para seus inimigos o sabor de suas vitórias, pela sua competência, pelo seu amor ao seu trabalho, por sua sinceridade, por sua lealdade aos seus princípios profissionais e lá na frente saberás, todos seus inimigos invejosos, que não haverá outra locomotiva pronta para puxar seu comboio de asse(..)

27.03.2011

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alexandre paula

Foi um erro muito grande a Dilma ter mantido o Guido, mas tudo indica que faz parte de plano maior e a participação do Ministro é indispensável. Não sabemos o que o Governo quer. Começo a desconfiar deste atual Governo, pensava que ele seria mais transparente que o anterior; vejo agora que foi um equívoco. Acompanharei os pr(..)

27.03.2011

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jose

A Presidente da República deveria nesta situação em que manda trocar um executivo que decuplicou o valor de uma empresa e seus lucros assim como os impostos para uma nação deveria assinar um termo de responsabilidade, assim como uma mãe assina um termo de responsabilidade de um filho menor. Pois se as coisas não melhorarem(..)

27.03.2011

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CESAR DA SILVEIRA

PROVAVELMENTE AGORA A DILMA VAI INCHAR A VALE DE PETISTAS INCOMPETENTES, PRA FAZER O SE PODER DE PRESIDENTE,E OS ACIONISTAS FICARÃO CALADOS POIS SÃO PETISTAS? OU VOTARAM NELA?

27.03.2011

jose

Vaidades do Governo falaram muito mais alto que devia neste caso, por questões menores, falta de maturidade de um governo, a imagem do Brasil ficará seriamente afetada, não se resolve assunto de mérito, trabalho árduo, empresa que precisa concorrer com multinacionais fortíssimas com atos impensados, rasteiros, menores, etc. (..)

27.03.2011

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