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No Texas, tombo do petróleo esvazia cidades produtoras

Número de sondas de perfuração em atividade caiu de 259 para apenas 68, quase um quarto

- Atualizado em

Barris de petróleo
Barris de petróleo: tombo das cotações deve ter efeitos mais grave e duradouros do que crises recentes(Jupiterimages/Getty Images/VEJA)

A queda acentuada dos preços do petróleo já esvazia cidades do Texas, nos Estados Unidos, que a menos de dois anos fervilhavam com a alta da commodity. A reportagem do jornal USA Today visitou Pearsall, 50 quilômetros ao sul de San Antonio. O dono de um bar resume o efeito devastador da derrubada dos preços sobre a atividade econômica local: 'É como uma cidade fantasma'.

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Há menos de dois anos, a cotação do óleo tipo West Texas Intermediate, referência no mercado americano, passava de US$ 100. A alta embalava o crescimento acelerado de Pearsall e outras cidades localizadas sobre a formação geológica de Eagle Ford, jazida que só recentemente passara a chamar a atenção do mercado, em meio às transformações tecnológicas que viabilizaram a exploração de óleo e gás de xisto.

Os bons tempos de Pearsall ficaram para trás. Nesta quinta-feira, o petróleo fechou abaixo de US$ 27, o menor patamar em 12 anos. Acompanhando o tombo, o número de sondas de perfuração em atividade despencou de 259 em 2012 para apenas 68, quase um quarto. Isso significa, obviamente, um elevado contingente de funcionários dispensados, com efeitos em cascata sobre todos os demais setores econômicos.

O Texas é o maior e mais tradicional estado americano produtor de petróleo e já experimentou outras crises. Mas para Scott Tinker, da Universidade do Texas, em Austin, ouvido pela reportagem do jornal americano, os efeitos do tombo atual devem ser mais graves e duradouros que das últimas quedas, como 1999, 2007 e 2009. São só comparáveis, diz o especialista, à baixa ocorrida em meados da década de 1980, que derrubou cotações antes pressionadas pelos dois choques do petróleo nos anos 1970.

Em meio ao mau humor do mercado e preocupações com a China, o atual contrachoque do petróleo se deve ao excesso de oferta que a Arábia Saudita e seus aliados do Golfo decidiram sustentar, na esperança de enfraquecer competidores que têm custos maiores de produção - como a endividada Petrobras, ainda longe de superar a descrença em que o escândalo do petrolão a lançou. E com a revogação de sanções econômicas ao Irã, no final de semana, a oferta deve aumentar ainda mais, elevando a pressão sobre as cotações.

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