Energia

Consumo de etanol no Brasil cai pela 1ª vez desde 2003

Em 2010, resultado foi 2,9% mais fraco que no ano anterior. Já o consumo de gasolina C, aquela acrescida de etanol anidro, subiu 17,5% no mesmo período

Com preços externos em alta, usinas prefiriram produzir mais açúcar em 2010

Com preços externos em alta, usinas prefiriram produzir mais açúcar em 2010 (AFP)

O consumo total de etanol no Brasil caiu 2,9 % em 2010 ante o ano anterior. Foi a primeira queda anual desde 2003, apontou nesta terça-feira a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A razão, segundo o órgão regulador, foi a preferência dos consumidores pela gasolina – economicamente mais vantajosa no período. O consumo total de etanol no Brasil em 2010 ficou em 22,16 bilhões de litros, ante 22,82 bilhões em 2009. Já o consumo de gasolina C, aquela já acrescida de etanol anidro, subiu 17,5% em 2010, para 29,84 bilhões de litros.

Segundo a ANP, os elevados preços do açúcar no mercado internacional – os maiores em 30 anos – fizeram com que as usinas aumentassem sua produção, reduzindo o volume de cana destinado ao álcool e, consequentemente, provocando um aumento no valor do biocombustível no varejo. O consumo de etanol apenas compensa para o consumidor quando o seu valor é de, no máximo, 70% do preço da gasolina.

"A queda do álcool se deve à conjuntura internacional, com uma demanda maior por açúcar. Teve a Índia, com uma demanda maior pelo segundo ano consecutivo, por conta da seca. E há uma movimentação natural do mercado de mudar a produção de etanol para o açúcar", afirmou a jornalistas Allan Kardec, diretor da ANP.

Para o próximo ano, no entanto, ele acredita que o consumo de etanol vai se recuperar porque as perspectivas para a próxima safra de cana-de-açúcar do Brasil são satisfatórias.

A ANP informou que o consumo global de combustíveis no Brasil em 2010 apresentou um crescimento de 8,4% na comparação com o ano anterior, impulsionado pelo crescimento da economia. "Esse é um número extraordinário e surpreendente", afirmou Kardec. "Não esperávamos um número tão grande. Aguardávamos um número perto de 7%, mais colado com o PIB", acrescentou. O consumo de óleo diesel, por exemplo, cresceu 11,2% no ano passado, ante 2009. Para 2011, a ANP estima que o consumo de combustíveis cresça 7 por cento.

(com agência Reuters)

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