Ciência
Astrobiologia
Descoberta de bactéria que se alimenta de arsênio pode redefinir a química da vida
Achado da Nasa em lago na Califórnia abre novas perspectivas para a compreensão da vida e amplia o escopo das buscas por tipos extraterrestres
Foi no Lago Mono, na Califórnia, nos Estados Unidos, que os cientistas encontraram a bactéria que utiliza arsênio no lugar do fósforo. O lago é conhecido pelas altas concentrações de arsênio e pela altíssima salinidade (Robert Harding/Latinstock)
Após um misterioso e incomum anúncio de entrevista coletiva feito pela Nasa, um famoso blogueiro americano, Jason Kottke, especulou na segunda-feira: “Teria a Nasa descoberto vida extraterrestre?” Foi o suficiente para atiçar os aficionados por ETs e gerar uma onda de boatos na internet. No dia seguinte, porém, o editor da revista The Atlantic, Alexis Madrigal, desmentiu Kotkke: “Não é nada disso”, tuitou. Mas o certo seria afirmar: “não é bem isso”. Conforme revelado nesta quinta-feira, a Nasa descobriu uma bactéria que se comporta como um ser extraterrestre – ou como os cientistas imaginam que um organismo assim se comportaria. Mas o achado foi feito em solo terrestre, ou melhor, em um lago da Califórnia onde a concentração de arsênio é altíssima.
O lago Mono é conhecido pela hipersalinidade e pela alta concentração de arsênio. Em grandes quantidades, este elemento químico é tóxico para a maioria dos seres vivos. Mas o microorganismo descoberto pela Nasa conseguiu se adaptar ao ambiente hostil, substituindo o fósforo – um dos seis elementos considerados essenciais à vida – pelo arsênio. O estudo será publicado na revista Science e foi liderado pelo Instituto de Astrobiologia da Nasa.
O que isso pode nos dizer sobre a vida fora da Terra? Um parâmetro importante para considerar outros planetas e luas mais ou menos favoráveis ao surgimento da vida são as concentrações dos elementos químicos considerados fundamentais. A bem sucedida substituição do fósforo por arsênio indica haver chances para a vida mesmo sob condições consideradas adversas. Isso aumenta as perspectivas de desenvolvimento da vida e amplia o escopo das buscas por formas extraterrestres.
Felisa, da Nasa, no lago Mono: 'o que mais a vida pode fazer que não vimos ainda?'
A base da vida - Cerca de 98% do corpo humano é formado por apenas seis elementos: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo. São os elementos-chave da vida. Combinados, formam os principais grupos de compostos orgânicos: as proteínas, os carboidratos (como a glicose), os lipídios (como as gorduras) e os ácidos nucleicos (o DNA e o RNA). Em tese, é possível que uma combinação diferente de elementos na tabela periódica exerça as mesmas funções vitais. Como o arsênio possui propriedades químicas semelhantes ao fósforo, cientistas já haviam teorizado que seria possível trocar um elemento pelo outro e ainda manter a estrutura física das moléculas. Mas isso não havia sido observado na natureza.
Partindo dessa ideia, a equipe de pesquisadores liderados pela bioquímica Felisa Wolfe-Simon isolou uma cultura de bactérias da família Halomonadaceae do Lago Mono. Esse lago supersalgado é considerado inóspito para a maioria dos seres vivos. Os cientistas cultivaram as bactérias em uma solução salina de fósforo e foram alterando a concentração gradativamente, substituindo o elemento por arsênio. As bactérias conseguiram se adaptar à solução e passaram a integrar o arsênio na sua estrutura celular. Em vez de fósforo, os pesquisadores passaram a encontrar arsênio nas moléculas.
Por causa dessa descoberta a ciência terá que fazer um “busca mais profunda do conceito da arquitetura da vida”, diz Vera Solferini, bióloga do Departamento de microbiologia do Instituto de Biologia da Unicamp. Ela destaca que as pesquisas que buscam a origem da vida terão o horizonte ampliado. De acordo com os autores da pesquisa, a vida como a conhecemos exclui alguns elementos e inclui outros. “Tudo leva a crer que essas não são as únicas opções”, destaca o artigo. Mas Felisa acredita que a maior descoberta não está no Lago Mono. “Se um organismo pode realizar algo tão inesperado na Terra, o que mais a vida pode fazer que não vimos ainda?”, pergunta. “É hora de descobrirmos”.
Bactéria do lago Mono. À esquerda, crescimento à base de arsênio. À direita, com fósforo




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Comentários
vanessa
Fico sim,surpreendida com muitas coisas que acontece no mundo. mas não imaginaria que podia ser encontrada mais uma bactéria,temos que achar uma solução para podermos destrui-la.
20.08.2011
danyelly
ISSO É MUITO LEGAL GOSTARIA DE DAR PARABENS A NASA MAIS UMA VEZ :-) OQ SERIA DE NOS SEM A NASA
23.12.2010
leticia m. b.
achei isso muito bom pois agora meu amigo acredita noque eu sempre digo que existe sim vida em outro planeta mas ele se alimenta de outras coisas (obrigado ciencias)
18.12.2010
Bruninho
...
11.12.2010
Darcy Nogueira Brito
Sempre imaginei que pudesse haver vida em outros planetas ou galáxias, mesmo não sendo semelhante à da Terra. Afinal seres vivos têm grande capacidade de adaptação.Haja vista a grande variedade de espécie que resistiram através dos tempos.
07.12.2010
Nxr3ploid
Interessante! Acredito que essa capacidade de adaptação seja bem mais abrangente e também acredito na possibilidade de que todos os elementos organógenos possam ser substituídos por elementos com propriedades similares.
04.12.2010
Transílita Sandri
Mais descobertas, maior A dúvida:quem somos, para onde vamos, de ONDE viemos?
03.12.2010
Cris Bernart
Em busca de água, os cientistas perderam tanto tempo e, sobretudo perderam descobertas que poderiam ter sido feitas. Não gostaria de dizer isso, mas é bem feito pelo ceticismo! Descobrir consiste em explorar todas as possibilidades, sendo elas aparentemente possíveis ou não.
03.12.2010
Hermannio
já não me surpreendo com mais quase nada.
03.12.2010
JUMA
muitooo interessante, vale a pena acompanhar pra podermos saber mais.
03.12.2010
JUMA
muitooo interessante, vale a pena acompanhar pra podermos saber mais.
03.12.2010
SIMAO TABAJARAS
Nao vejo grande coisa nao! Aqui na Terra já substituimos o Fosforo pelo Isqueiro, sem grande repercuções.
03.12.2010
Luciana
parece arroz...
02.12.2010
Luiz Martins
Como já disse alguém: A maior prova de que há vida extraterrestre é que até agora eles não entraram em contato conosco. Nada contra estas pesquisas mas será que não deveríamos canalizar os nossos recursos para a melhoria da qualidade de vida dos bilhões de seres humanos deste planeta. Aliás, a longevidade sem qualidade de(..)
02.12.2010
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Gustavo
Isso é fantástico. pois nos mostra que ainda temos muito o que aprender.Se essa bactéria conseguiu substituir um elemento considerado chave para haver vida por outro, talvez no futuro possamos substituir o oxigênio que é vital por outro elemento e podermos nos adaptar a condições de outro planeta. Ou seja é melhor preparar (..)
02.12.2010
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Carlos
temos de achar outro rapido.
02.12.2010
Deijacy Rego
Em varias luas de Saturno tem bastante arsenio, sertamente um lugar propicio para remanejar algumas bacterias do lago mono, na California para este mundos atraves de uma nave que pouzace lá.E depois de muitos tempos certamentes as mesma astarão fazendo uma grande festa. att Deijacy Rego att (..)
02.12.2010
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Maria Cristina Lélis da Silva
Não seria o "estardalhaço", a forma como foi focado o assunto, desviar os últimos acontecimentos da "diplomacia" do Estados "Unidos" ds América do Norte?
02.12.2010
yerlyn
gosto dos reportagens da ciência
02.12.2010
Valter
a minha aula de origem da vida e bioquímica acabou de receber um "upgrade" show, muito bom!!! Td pela sobrevivência!!!!
02.12.2010
Derni Borges
É o que sempre dizia entre os amigos quando discutíamos sobre vida alienígena. "Seria uma forma de vida alienígena, então, não seria obrigado que ele tenha as mesmas condições de vida que as formas de vida na terra."
02.12.2010
Marco
Tem um erro nesse texto, a forma de vida tem arsenio no lugar do fósforo em sua composição, esse é o fato extraordinário, existem outras formas de vida que se alimentam de arsénio.
02.12.2010