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James Murdoch diz que ‘não sabia’ de ilegalidades em jornal

Ele foi interrogado por comissão de inquérito que analisa práticas jornalísticas

O filho do magnata dos meios de comunicação Rupert Murdoch, James Murdoch, foi interrogado mais uma vez nesta terça-feira por uma comissão de inquérito que analisa as práticas jornalísticas na Grã-Bretanha. A investigação foi lançada depois da descoberta de que o extinto tabloide News of the World havia espionado as caixas postais telefônicas de centenas de pessoas.

Entenda o caso

  1. • O tabloide News of the World recorria a detetives e escutas telefônicas em busca de notícias exclusivas – entre as vítimas estão celebridades, políticos, membros da família real e até parentes de soldados mortos.
  2. • Policiais da Scotland Yard também teriam sido subornados para fornecer informações em primeira mão aos jornalistas.
  3. • O escândalo forçou o fechamento do jornal sensacionalista, que circulou por 168 anos e era um dos veículos do grupo News Corp., do magnata Rupert Murdoch.
  4. • Agora, a polícia investiga uso de grampos ilegais em outros jornais britânicos.

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Durante o interrogatório, o executivo de 39 anos – visto antes do escândalo das escutas telefônicas como o herdeiro do pai – culpou seus subordinados por não terem lhe informado de ilegalidades praticadas na época em que ele supervisionava os jornais britânicos do grupo News Corp., e disse que não costumava ler com atenção o News of the World.

“Sabendo sobre a cultura do News of the World em 2006 e da natureza disseminada dessas práticas ruins, (o jornal) deve ter sido negligente acerca dos riscos, e isso é motivo de enorme arrependimento”, disse. James Murdoch é suspeito de ter tolerado as espionagens, especialmente por ter aceitado pagar uma alta quantia em um acordo judicial relacionado a tais casos. Porém, o executivo continua negando que tivesse conhecimento dos fatos.

Ele insiste que não tinha responsabilidade sobre o conteúdo editorial dos jornais do grupo. Antes de assumir a direção dessas publicações, James Murdoch havia feito carreira na TV paga. Mas altos funcionários do News of the World dizem que informaram James Murdoch sobre a abrangência do problema em um e-mail, na época em que negociavam um acordo judicial. O executivo diz que não o leu totalmente.

James Murdoch também está sendo interrogado sobre reuniões com ministros que, na época, discutiam se autorizariam ou não a família Murdoch a assumir o controle total sobre a operadora de TV BSkyB. Uma confraternização de fim de ano teria tido a presença do primeiro-ministro David Cameron. Rupert Murdoch, de 81 anos, também deve depor na quarta ou na quinta-feira à comissão, que investiga também as relações do império midiático dele com os políticos britânicos.

Histórico – Em fevereiro, James renunciou à presidência da News International, a filial europeia da News Corp e editora dos jornais The Sun e The Times na Grã-Bretanha, em meio à investigação das escutas telefônicas nas publicações do grupo. No início de abril, também renunciou à presidência da operadora britânica de TV por assinatura BSkyB, com participação de 39% da News Corporation.

Em depoimento ao Parlamento britânico em julho do ano passado, James Murdoch prestou seus primeiros esclarecimentos sobre o escândalo. À ocasião, ele disse acreditar que o esquema de contratar profissionais especializados para espionar celebridades, políticos e até membros da família real é copiado por outros meios de comunicação no país – não se tratando de uma atividade ilícita.

Em seu segundo depoimento, admitiu que havia evidências suficientes de que as escutas ilegais eram uma prática comum no tabloide News of the World, mas insistiu que não foi informado em nenhum momento sobre o fato. As declarações foram ainda mais vagas do que na primeira vez em que foi chamado a prestar esclarecimentos.