Lições de um bom professor

Jovem docente de escola pública no interior do Espírito Santo é finalista do Global Teacher, que premia com 1 milhão de dólares o melhor educador do mundo

Em meio a notícias nada animadoras a respeito da educação brasileira, uma das piores do mundo em ciências, leitura e matemática, como mostra a mais recente classificação internacional, surgiu um alento saído do interior do Espírito Santo. É em uma escola estadual de Boa Esperança — nome sugestivo para a cidade de 15 000 habitantes — que um dos dez melhores professores do mundo leciona ciências e química.

Wemerson da Silva Nogueira, 26 anos, há cinco no comando de salas de aula, está entre os finalistas do prêmio Global Teacher, que recompensa com 1 milhão de dólares, pagos ao longo de dez anos, o melhor educador do planeta. São levados em conta, entre outros critérios, o aprendizado dos alunos, o uso de práticas inovadoras nas aulas e os benefícios revertidos pelo ensino à comunidade.

Nogueira, o mais novo dos sete filhos de um casal de agricultores aposentados, que sempre estudou em escola pública, desembarcará bem credenciado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde o prêmio será entregue em 19 de março. Um dos projetos que o destacaram entre os 20.000 inscritos no Global Teacher é o ensino de ciências de modo pouco convencional, por meio de músicas, paródias e aulas práticas. A iniciativa foi aplicada em Nova Venécia (ES), cidade natal do professor, e reduziu a evasão escolar numa área com altos índices de criminalidade.

Em outra boa ideia, ele misturou aprendizado, cuidado com a natureza e atenção a pessoas afetadas pelo maior desastre ambiental da história do país. No ano passado, o jovem professor levou alunos do ensino médio ao Rio Doce e destrinchou para eles a temida tabela periódica valendo-se dos elementos encontrados na água turva pelos rejeitos da barragem da mineradora Samarco.

Além de facilitar a absorção de um tema notoriamente maçante para os estudantes, o projeto teve como resultado a criação, pelos alunos, de filtros de água à base de areia distribuídos a comunidades ribeirinhas. O feito rendeu a Nogueira em 2016 o Prêmio Educador Nota 10, uma iniciativa conjunta da Fundação Victor Civita e da Fundação Roberto Marinho que escolhe o educador do ano no país.

Se levar o prêmio internacional, Nogueira diz que pretende usar o dinheiro para fazer um mestrado e montar um laboratório de ciência e tecnologia em Nova Venécia. “Também gostaria de criar uma fundação para promover a capacitação dos professores, principalmente em inovação no ensino”, afirma.

Assista abaixo ao vídeo de apresentação de Wemerson Nogueira no prêmio Global Teacher:

Confira detalhes do projeto que levou o professor capixaba a vencer o Prêmio Educador Nota 10, em 2016:

Comentários

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  1. marcos mouta

    Umas aulinhas à sombra do maior desastre ambiental do Brasil e o cara vira o melhor professor do munod…..depois que inventaram a estória de ” para inglês ver”…..nada mais é como antes!

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  2. BELARMINO GONCALVES

    Volta pra escola marcos mouta, volta filho, volta…

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  3. Wemerson da Silva Nogueira, parabéns! Você é um professor nota 1.000 e merece ganhar todos os premios.

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  4. Isto é escola sem partido, isto é professor que ensina o saber e não os que são recalcados e aliciam alunos para sua ideologia nefasta. Este professor é uma luz, para seguirmos e sairmos do eterno sub-desenvolvimento.

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  5. Há uns quarenta anos atrás, meu pai visitou uma tribo de índios perto de Manaus e voltou maravilhado. Comentando num boteco com residentes locais, um observou: “Então o senhor foi ver os índios? Aquilo ali é tudo para inglês ver…”. Como professor estou saturado de vídeos editados, musicas e fotos de projetos para “inglês ver”. A realidade é bem maçante; não dá para repetir este tipo de aulas, 60 vezes por semana, o ano inteiro. Aproveite Dubai! Ah, lá não tem sistema de esgoto, que tal uma aulinha sobre isso?

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  6. isidro de toledo

    PARABÉNS,professor que professa com proficiência para o bem comum e não o caminho fácil do ativista sindical.

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