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Supermercados desaceleram em abril após salto no 1o tri

SÃO PAULO (Reuters) – Os supermercados brasileiros devem iniciar neste trimestre uma trajetória de acomodação das vendas após os saltos vistos nos dois últimos meses, movidos pela combinação entre aumento de renda da população e fatores sazonais.

O setor supermercadista fechou o primeiro trimestre com vendas reais 8,26 por cento maiores em relação ao mesmo período em 2011, informou nesta terça-feira a associação que representa o setor no país, Abras.

O desempenho nos três primeiros meses do ano ficou bem acima da previsão da entidade para o faturamento do setor este ano, de aumento entre 3,5 e 4 por cento.

Apesar disso, um possível aumento da estimativa só deverá ocorrer após o desempenho das vendas em abril, segundo o presidente da Abras, Sussumu Honda.

“Abril não terá patamares tão altos… vamos esperar (o resultado de) abril para revisar a previsão”, disse ele, se referindo ao efeito da venda de itens relacionados à Páscoa que, este ano, foi comemorada no início de abril. Em 2011, o feriado ocorreu no final do mês.

Honda citou ainda como fatores responsáveis por impulsionar as vendas no primeiro trimestre o reajuste do salário mínimo, ocorrido em janeiro, e a estabilidade de preços dos produtos.

Se considerado apenas o mês de março, que este ano teve um dia útil a mais, as vendas reais cresceram 9,57 por cento ante o mesmo mês em 2011, enquanto na comparação com fevereiro houve alta de 7,32 por cento.

“Apesar da alta base de comparação com 2011 e com março, abril deve manter o desempenho positivo”, acrescentou Honda. No ano passado, as vendas em abril responderam pelo melhor desempenho de 2011.

A entidade manteve a perspectiva de desempenho positivo para o setor no fechado deste ano, apoiado, entre outros fatores, na decisão do governo de incentivar a redução das taxas de juros por parte dos bancos públicos, iniciativa seguida pelas instituições privadas nas últimas semanas.

“Nunca vimos nenhum governo tomar uma medida estruturada para baixar juros”, afirmou Honda. “Isso terá impacto no decorrer do ano em toda a cadeia.”

CESTA ABRASMERCADO

A Abras apresentou também os dados da cesta AbrasMercado, composta por 35 produtos e calculada pela GfK, que em março recuou 0,27 por cento sobre o mês anterior, para 315,26 reais. Na comparação anual, o valor da cesta subiu 6,01 por cento.

Nos três primeiros meses deste ano, o indicador registrou deflação de 1,06 por cento. “Estamos entrando no período de maior estabilidade de preços das commodities”, disse Honda.

Os produtos com maiores altas de preço em março sobre fevereiro foram cebola (+8,63 por cento), papel higiênico (+3,02 por cento) e feijão (+2,69 por cento). As maiores quedas foram tomate (-5,85 por cento), pernil (-4,61 por cento) e farinha de mandioca (-4,55 por cento).

(Por Vivian Pereira)