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Mulheres criam empresas e conciliam carreira e maternidade

A maternidade se tornou a oportunidade para muitas mulheres abrirem o próprio negócio

A recolocação no mercado de trabalho depois da chegada dos filhos pode se tornar um caminho difícil para muitas mulheres. De acordo com pesquisa da Catho, de 2017, 21% das mulheres demoram mais de três anos para conseguir um cargo depois da maternidade. Entretanto, outro percentual chama a atenção: 13% delas decidem não trabalhar mais fora de casa.

Dentro desse número, há quem escolha empreender no mercado infantil, como Ariane Chiebao, 27, que transformou a startup Aurora Sling em fonte de renda.

Quando deu a luz ao primeiro filho, ainda em 2011, Ariane trabalhava na ONG Lua Nova, que desenvolvia projetos comunitários. “Não me sentia bem em deixar ele em alguma escola para estar trabalhando. Na ONG, espalhávamos a ideia de aproximar mãe e bebê e acabou se tornando uma coisa bem controversa, porque eu estava longe do meu filho”.

Pouco tempo depois, ela decidiu sair do emprego e durante dois anos continuou desenvolvendo trabalhos em fotografia e publicidade, sempre perto do filho. Até surgir a oportunidade de abrir uma loja virtual, que comercializa, principalmente, carregadores para bebês. “Queria muito aprender a costurar e percebi que poderia aplicar o que eu sabia fazer em casa para conseguir uma renda”.

No início do trabalho, Ariane recebia cerca de 500 reais mensais em retorno. Atualmente, ela lucra de 3.000 e 4.000 reais. “Ganho mais do que quando eu tinha um emprego formal e trabalho apenas quatro horas por dia”, contou a empreendedora.

Atualmente, ela pesquisa materiais para tornar o custo dos produtos mais acessível para as mães de baixa renda.

Outras mulheres também se tornaram empreendedoras apenas quando a maternidade possibilitou a escolha. Três delas decidiram investir na plataforma digital do Elo7.

É o caso de Isamara Barbosa, 43, que em 2011 se mudou para São Paulo com o marido. Na época, ela conseguiu um emprego na cidade como publicitária, área de formação, mas a partir daí começou a pensar em maneiras de estar mais presente na vida da filha, que até então tinha 2 anos.

“Ficar longe dela foi pesando pra mim porque quando decidi ser mãe, era pra ser uma mãe presente”, contou a empreendedora.

Como publicitária, Isamara já havia tido contato com o scrapbook, técnica de colagem para personalizar objetos com quase qualquer material, e usou o procedimento para elaborar alguns itens da festa de aniversário de sua filha. O trabalho recebeu muitos elogios e a partir desse momento, ela sentiu a necessidade de abrir o próprio negócio.

Em 2011, a empreendedora abriu o site para comercializar seus produtos, que são, principalmente, decoração para festas. “Ainda fiquei trabalhando no outro emprego, mas conversei com meu marido sobre sair, porque se continuasse fazendo as duas coisas ia ficar maluca”.

Além da loja virtual ScrapIsa, Isamara começou a dar aulas de scrapbook para complementar a renda, uma vez que não consegue dedicar 100% do seu tempo para o negócio.

Diferentemente de Isamara, a produtora editorial, Karen Abe, 35, não pôde decidir entre manter ou não o emprego. Com mais de 10 anos de experiência nas áreas de design e marketing, ela foi dispensada no mesmo dia que voltou da licença-maternidade.

“Nunca imaginei que seria dispensada, era super workaholic. Quando comuniquei que estava grávida, descobri como era a relação entre empresa e contratada, me tornei dispensável. Foi estressante até conseguir a licença”.

Antes da licença, a empresa avisou que Karen seria realocada para outro projeto assim que acabasse o prazo do afastamento. “Não criei suposições, porque à princípio eu ia voltar”.

“Fiquei muito mal, nunca tinha ficado sem trabalhar. Tive a sensação de ser inútil”, contou ela. Na época, sua filha tinha 5 meses.

Com o apoio do marido, a produtora decidiu que ficaria em casa com a filha até que ela completasse um ano. Após o período, ela recebeu algumas propostas, mas decidiu revisar algumas ideias e tomou a decisão de não voltar ao mercado.

Antes mesmo de se dar conta, ela já tinha dado o pontapé inicial em um negócio. “Comprei vários tecidos na 25 de março e comecei a costurar. Fiz o primeiro babador pra minha filha e então alguns conhecidos começaram a pedir que eu fizesse para eles também”.

Assim, nasceu, em 2014, a loja virtual Caramelito, com produtos voltados para o universo mamãe-bebê, comercializa itens como babadores, almofadas e colares para amamentação.

A renda de Karen é menor do que quando trabalhava no mercado de trabalho, mas o valor varia de acordo com o período do ano – em janeiro, por exemplo, ela conseguiu um retorno de 10 mil reais.

A design de moda, Tais Refinetti, 35, trabalhou muitos anos como modelista em São Paulo, mas com o nascimento do primeiro filho, em dezembro de 2012, deixou de trabalhar fora. Nesse período que passou com o filho, recebeu um pedido do sobrinho “Ele tinha três anos e pediu pra ‘tia que costurava’ uma fantasia de búfalo”.

Tais começou a trabalhar na fantasia, que fez sucesso na escola em que o menino frequentava. E surgiram diversos pedidos de outras mães pelas mesmas peças de roupa.

A irmã, Ana, foi a ponte entre os primeiros clientes e Tais, que enxergou na costura um novo negócio. Atualmente, as duas trabalham juntas no projeto, que agora possuí algumas etapas terceirizadas.

Em 2014, foi criou a loja virtual Taioca, o nome faz referência ao apelido pelo qual Ana chamava a irmã – as primeiras roupas foram as de bichos, que incluíam tubarões, dinossauros e outros animais. Também são comercializadas roupas de princesas.

A empreendedora chega a faturar 6.000 reais mensais. “Nunca cheguei a colocar na ponta do lápis, mas eu acredito que hoje em dia minha renda seja maior do que quando trabalhei formalmente. Não pago com estacionamento, escola em tempo integral para meu filho, nem alimentação fora de casa”, contou.

A parceria entre as irmãs parece ter dado certo “Sempre morri de medo de ser empreendedora, quem me deu corda pra produzir os produtos foi minha irmã”.