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Mudanças em precificação de minério esbarram em volatilidade, diz Vale

SÃO PAULO, 27 Jun (Reuters) – É pouco provável que haja mudança no sistema de precificação do minério de ferro enquanto os preços não se estabilizarem, disse nesta quarta-feira José Carlos Martins, diretor de Ferrosos e Estratégia da mineradora Vale.

A afirmação, durante o Congresso Brasileiro do Aço, foi feita num momento em que algumas siderúrgicas pedem o retorno de contratos anuais para a commodity.

“Enquanto houver esta volatilidade de preços, fica difícil um modelo de precificação mais longo. Nem o trimestral resistiu. Era anual, passou para trimestral e hoje está praticamente à vista, isso é fruto da volatilidade”, disse ele, acrescentando que a maior parte dos negócios atualmente é feita com base no mercado spot.

Os contratos de minério de ferro estão atualmente baseados em fórmulas ligadas a índices refletindo os preços do mercado físico diário.

As siderúrgicas sempre tiveram preferência pela precificação de longo prazo, mas no ambiente de volatilidade as negociações com foco no curto prazo e no mercado à vista são mais interessantes para as mineradoras, segundo uma importante fonte da indústria.

A precificação baseada em índices de curto prazo foi estabelecida depois da crise econômica de 2008/09, quando muitas siderúrgicas, especialmente na China, romperam os contratos anuais para tirar vantagem da queda do preço do minério no mercado físico.

Martins ainda acrescentou que essa volatilidade é causada pela preferência dos chineses para comprar pelo menor preço “a todo momento”.

Na terça-feira foi a vez da maior siderúrgica da Turquia, a Erdemir, conclamar indústrias do setor de aço a pedir que mineradoras mudem a formulação de preços do minério de ferro, dizendo que o atual sistema não reflete a demanda global por ferro e está espremendo as margens de lucros das indústrias.

Na semana passada, um executivo da coreana Posco também disse ter esperança de que a Vale (maior produtora de minério de ferro do mundo) e outras mineradoras voltem ao sistema antigo.

Em entrevista a jornalistas, Martins projetou preços do minério para os próximos dois ou três anos entre 120 e 180 dólares por tonelada, mas com maior probabilidade de ficar entre 120 e 150 dólares.

(Reportagem Gustavo Bonato)