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Gasto de brasileiro no exterior bate recorde em maio

Mesmo com real mais fraco, brasileiros gastaram US$ 1,82 bilhão em viagens

Os turistas brasileiros gastaram 1,82 bilhão de dólares no exterior em maio, o que representa um aumento de 9,7% na comparação com igual mês do ano passado, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central. O valor representa um recorde para o mês.

De janeiro a maio, os dispêndios totais somaram 9 bilhões de dólares – resultado superior aos 8,3 bilhões de dólares registrados no mesmo período de 2011. O aumento se deu mesmo com a subida do dólar, que, no mês passado, já estava cotado acima de 2 reais. Em maio de 2011, a moeda americana chegou a ser cotada a 1,59 real.

Protecionismo – O governo federal, preocupado com a desaceleração da economia e com o mau desempenho da indústria, tem tentado impor limites à concorrência gerada por produtos trazidos do exterior por viajantes nacionais. Para tanto, desde março, a Receita tem intensificado a fiscalização das bagagens, com foco naquelas que eventualmente tragam bens em quantidade ou valores acima dos permitidos. Ao mesmo tempo, nos portos, o Fisco pratica a Operação Maré Vermelha, que consiste na ampliação da inspeção manual das mercadorias e que tem causado atrasos de vários meses à entrada de produtos estrangeiros no mercado doméstico.

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Em contrapartida, os gastos dos estrangeiros com compras, hotéis e outros itens em território nacional ficaram em 532 milhões de dólares, o que implica valor ligeriamente acima dos 527 milhões de dólares registrados em maio do ano passado. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, os gastos totais somados foram de 3 bilhões de dólares.

Balanço – O balanço de pagamentos – que registra todas as transações do país com o exterior – mostrou um superávit de 1,1 bilhão de dólares em maio. A conta financeira apresentou saldo positivo de 3,9 bilhões de dólares, com destaque para o ingresso líquido de 3,7 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros diretos (IED).

O déficit em transações correntes – a conta corrente só contabiliza as transações de bens e serviços – atingiu 3,5 bilhões de dólares no mês passado e 50,9 bilhões de dólares nos últimos doze meses, equivalente a 2,11% do PIB. Nos cinco primeiros meses de 2012, o déficit em transações correntes somou 21 bilhões de dólares, o que corresponde a um patamar inferior ao visto no mesmo período de 2011, de 22,6 bilhões de dólares.

Investimentos – Os investimentos brasileiros diretos no exterior registraram aplicações líquidas de 1,1 bilhão de dólares em maio. A aquisição ou ampliação em participação no capital de empresas no exterior somou liquidamente 1,4 bilhão de dólares, enquanto as amortizações líquidas de empréstimos pagas por empresas no exterior às matrizes no Brasil atingiram 332 milhões de dólares.

Do IED total em maio, 3,1 bilhões de dólares referiam-se à modalidade de participação em capital e 661 milhões de dólares em desembolsos líquidos de empréstimos entre companhias. Nos doze meses encerrados em maio, os ingressos líquidos de IED somaram 63 bilhões de dólares, ou 2,61% do PIB.

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