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Focus: economistas reduzem previsão do PIB em 2017

Incertezas com o andamento das reformas econômicas podem ter impacto negativo sobre o indicador, alerta o Banco Central

Em meio à crise política, os economistas do mercado financeiro alteraram, para pior, suas projeções para a atividade em 2017 e 2018. Pelo Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, a mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano passou de 0,50% para 0,41%. Há um mês, a perspectiva era de avanço de 0,50%.

Para 2018, o mercado também mudou a previsão de alta do PIB, de 2,40% para 2,30%. Quatro semanas atrás, a expectativa estava em 2,50%.

No Focus, a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2017 permaneceu em 51,50%. Há um mês, estava no mesmo patamar. Para 2018, as expectativas no boletim Focus seguiram em 55,20%, ante 55,00% de um mês atrás.

No início do mês, o Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o país cresceu 1% no primeiro trimestre de 2017, ante o quarto trimestre de 2016. Por outro lado, recuou 0,4% ante o primeiro trimestre do ano passado.

Em seus comunicados mais recentes, o Banco Central tem defendido que os indicadores permanecem compatíveis com a estabilização da economia no curto prazo. Porém, a instituição alerta que as incertezas com o andamento das reformas econômicas podem ter impacto negativo sobre a atividade. É a crise política o principal motivo para as reformas serem colocadas em dúvida.

No relatório Focus desta segunda, as projeções para a produção industrial para este ano também pioraram. O avanço projetado para 2017 foi de 1,09% para 0,94%. Há um mês, estava em 1,25%. No caso de 2018, a estimativa de crescimento da produção industrial permaneceu em 2,50%, mesmo porcentual de quatro semanas antes.

Também no início do mês, o IBGE informou que a produção industrial avançou 0,6% em abril ante março, mas despencou 4,5% ante abril do ano passado.

Índice oficial de inflação

Sob influência dos dados mais recentes da inflação brasileira, divulgados na última sexta-feira, os economistas do mercado financeiro reduziram suas projeções para o IPCA (Índice oficial de inflação) neste e no próximo ano. O Relatório de Mercado Focus mostra que a mediana para o IPCA em 2017 foi de 3,90% para 3,71%. Há um mês, estava em 3,93%. Já a projeção para o IPCA de 2018 foi de 4,40% para 4,37% ante 4,36% de quatro semanas atrás.

Na prática, as projeções de mercado divulgadas nesta segunda no Focus indicam que a expectativa é de que a inflação fique abaixo do centro da meta, de 4,5%, em 2017 e 2018. A margem de tolerância para estes anos é de 1,5 ponto porcentual (inflação entre 3,0% e 6,0%).

Estes resultados do IPCA – bastante favoráveis – fizeram alguns analistas citarem a possibilidade de o Banco Central, em seu próximo encontro de política monetária, em julho, ainda manter o ritmo de corte de 1 ponto porcentual da Selic (a taxa básica de juros da economia). Há duas semanas, quando reduziu a Selic de 11,25% para 10,25% ao ano, o BC sinalizou a intenção de reduzir o ritmo em seu próximo encontro, em função das incertezas quanto ao futuro das reformas econômicas.

No Focus, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2017 passou de 3,64% para 3,51%. Para 2018, a estimativa foi de 4,20% para 4,19%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 3,89% e 4,30%, respectivamente.

Já a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 4,55% para 4,49% de uma semana para outra – há um mês, estava em 4,70%.

Entre os índices mensais mais próximos, a estimativa para junho de 2017 passou de 0,20% para 0,00% (estabilidade). Um mês antes, estava em 0,23%. No caso de julho, a previsão de inflação do Focus seguiu em 0,25%, ante 0,22% de quatro semanas atrás.

(Com Estadão Conteúdo)