Feira de relógios de luxo de Genebra ignora crise e atrai bom público

Genebra, 16 jan (EFE).- Os relógios de luxo parecem que ficaram de fora das consequências da crise econômica, algo que pode ser comprovado na 22º edição do Salão Internacional da Alta Relojoaria de Genebra, realizada desta segunda-feira até o próximo dia 20 de janeiro.

Em seu primeiro dia, a feira de relógios de luxo, que apresenta 18 expositores, contou com uma notável presença do público. Inúmeras pessoas eram vistas desfilando com sacolas de caríssimas marcas de relojoaria, um fato que evidencia que a compra destes produtos não está estagnada.

O diretor comercial adjunto da Distribuidora Internacional de Alta Relojoaria (Diarsa), Alberto Brooking, explicou à Agência Efe que no contexto europeu houve uma queda na venda de relógios de até 25 mil euros. No entanto, no caso das peças que superam os 150 mil euros, ‘houve um aumento substancial’.

Segundo Brooking, esse crescimento no setor é diretamente ligado aos colecionadores e os ‘caprichosos’, já que buscam peças ‘mais especiais’.

O mercado de relógios de luxo também é ‘muito grande’ na América Latina, onde várias marcas estão articulando agressivos planos de expansão, especialmente no Brasil e na Argentina, explicou Alfredo Ramos, diretor de vendas para as Américas da empresa relojoeira suíça Parmigiani.

Nesta região, nos últimos anos, os produtos que mais venderam foram os relógios fabricados em ouro rosa e os relógios com complicações, ou seja, os que contam com mais funções do que simplesmente oferecer as horas.

O grupo de luxo Richemont, que possui as marcas Cartier, Baume-Mercier, IWC Schaffhausen, Vacheron Constantin e Piaget, registrou no último ano um crescimento de 33% nas vendas de relógios de luxo, o que demonstra o dinamismo deste setor.

Entre as peças que podem ser contempladas nas vitrines das relojoarias mais prestigiadas do mundo se encontram um relógio de mesa único, avaliado em US$ 3,7 milhões. Em homenagem ao ano do dragão chinês, a peça, de ouro e prata, possui formato de um imponente dragão.

Trata-se de uma peça totalmente feita à mão, que demorou mais de dois anos para ficar pronta e contou com o trabalho de 100 pessoas. Com a forma do animal mitológico, a peça é decorada com escamas de jade e rubis e também conta com uma ‘Pérola da Sabedoria’, uma esfera de ouro recoberta com infinidade de pequenas pedras preciosas.

Nas vitrines da Cartier era necessário olhar com a atenção para descobrir, entre as centenas de esmeraldas, diamantes, safiras e rubis que sobrecarregavam as pulseiras, as minúsculas varinhas que diferenciavam os relógios de luxos de verdadeiros braceletes.

Outras grifes, como a Roger Dubuis, se inspiraram na conhecida espada Excalibur e nas cartas do baralho de pôquer para desenhar os relógios de sua nova coleção, enquanto a Baume and Mercier transformou seu stand em uma acolhedora casa de praia. EFE