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Fazenda mantém projeção de expansão do PIB em 4,5%

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 24 Abr (Reuters) – O Ministério da Fazenda manteve as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tanto para 2012 quanto para 2013, em 4,5 e 5,5 por cento, respectivamente.

Os dados estão no boletim “Economia Brasileira em Perspectiva”, divulgado nesta terça-feira pela pasta. O relatório mostra ainda que o governo reduziu ligeiramente a perspectiva média de crescimento no governo da presidente Dilma Rousseff (2011 a 2014), de 4,8 para 4,7 por cento.

Referente aos meses de março e abril, o boletim evidenciou também que o Ministério da Fazenda estima alta do PIB de 6 por cento em 2014, também mantendo a projeção feita no documento anterior, divulgado em fevereiro.

O boletim divulgado na manhã desta terça-feira registra que o setor industrial deverá ter melhor ritmo este ano, principalmente após os incentivos dados pelo governo em março com a finalidade de aumentar sua produtividade.

INVESTIMENTO

O governo estima que o investimento em proporção ao PIB subirá de 19,3 por cento em 2011 para 20,4 por cento este ano.

Para atingir esse nível, o governo destaca os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e enfatiza as obras dos setores de energia elétrica, telecomunicações e transporte.

A previsão para este ano é de que as obras do PAC vão demandar 42,2 bilhões de reais, cifra maior que os 35,4 bilhões de reais contabilizados em 2011.

O programa Minha Casa Minha Vida deverá movimentar 36,6 bilhões de reais, ante 29,1 bilhões de reais no ano anterior. De forma global, o documento especifica que a segunda fase do PAC consumirá 955 bilhões de reais no período entre 2011 e 2014.

O governo tem salientado a importância de acelerar os gastos com investimentos como forma de evitar gargalos na infraestrutura. A projeção de investimento em proporção ao PIB de 20,4 por cento para este ano incorpora previsão de investimento no setor privado destinado a ampliar a capacidade de produção para que haja crescimento sem pressão inflacionária.

CÂMBIO

O Ministério da Fazenda faz a avaliação de que “o Brasil tem enfrentado a guerra cambial com sucesso”. Para exemplificar essa performance, a área econômica argumenta que as medidas cambiais adotadas entre 2011 e 2012 contribuíram para elevar a taxa média de câmbio.

De acordo com a pasta, nos primeiros quatro meses deste ano a taxa ficou em 1,75 real, ante 1,72 real no segundo semestre de 2011, e de 1,63 real no primeiro semestre do ano passado.

A Fazenda também destaca que o Brasil continua sendo um dos principais destinos do capital especulativo, tendo atraído 67 bilhões de dólares desse tipo de capital entre 2010 e 2012, cifra maior que a registrada por Rússia (35 bilhões de dólares) e México (30 bilhões de dólares) no mesmo período.

INFLAÇÃO

O Ministério da Fazenda chama a atenção também para o processo de desinflação na economia brasileira nos últimos meses. A equipe do ministro Guido Mantega nota que a inflação acumulada nos 12 meses terminados em outubro estava em 7,31 por cento, e que esse percentual baixou para 5,24 por cento nos 12 meses terminados em março.

A pasta salienta que a menor pressão dos preços com passagens de ônibus e energia elétrica é um fator que tem contribuído para a redução do Índice de Preços ao Consumidor amplo (IPCA), o medidor oficial de inflação no país.

CRÉDITO

A indicação do governo é de que o crédito continuará em expansão, incentivado pela continuidade de avanços do mercado de trabalho formal e pela redução da taxa básica de juros. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 9,75 por cento para 9 por cento ao ano.

Na avaliação da Fazenda, a oferta de empréstimos e financiamentos será maior no segundo semestre. A despeito da boa evolução do crédito observada nos últimos anos, o governo destaca que a proporção de 48,9 por cento do crédito frente ao PIB é bem inferior ao percentual de 120 por cento registrada pela China e a África do Sul.

No desdobramento do crédito, está mantida a previsão de ampliação dos financiamentos imobiliários. Segundo o governo, esses empréstimos passarão de 80 bilhões de reais em 2011 para 84,3 bilhões de reais neste ano. Em 2013, deverá chegar a 96,9 bilhões de reais, com registro de 106,6 bilhões de reais no ano seguinte.

No aspecto fiscal, o documento reafirma a intenção do governo em cumprir a meta de superávit primário de 139,8 bilhões de reais e que essa economia para o pagamento de juros da dívida pública será obtida em parte devido à intenção de contingenciar 55 bilhões de reais em gastos públicos.

Em termos globais, o governo mostra certo ceticismo com a capacidade de reação da economia mundial, lembrando que a previsão de crescimento geral de 3,1 por cento para este ano é inferior à de 3,8 por cento registrada em 2011.