Dólar faz varejo acelerar pedidos para travar preços

Alta de quase 14% da moeda americana sobre o real neste mês reverteu o movimento das redes varejistas de adiar os pedidos

Diante da alta do dóalr, o temor de que a indústria de eletrônicos, eletroportáteis, celulares e computadores aumente em cerca de 10% os preços de seus produtos provocou, nos últimos dias, uma verdadeira corrida do varejo para fechar os pedidos de fim de ano e travar o valor das encomendas. A alta de quase 14% da moeda americana em relação ao real neste mês reverteu o adiamento do pedidos, movimento que ocorria no início de setembro.

“Nós já tínhamos fechado a programação de compras para o fim de ano com todos os fornecedores, mas o que fizemos nos últimos dias foi colocar ordens de compra firmes”, conta Gladimir Somacal, diretor de compras das Lojas Colombo, com 320 lojas espalhadas entre Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e interior de São Paulo.

Ele relata que cerca de 70% dos pedidos têm sido antecipados e envolvem as encomendas de colchões de espuma – cujos preços sofrem a influência do petróleo e do dólar -, eletrônicos, eletroportáteis e computadores. Somacal explica que o movimento ocorreu com a intenção de segurar os preços com a cotação do dólar mais baixa. É que 90% dos componentes usados na fabricação de televisores de tela fina, por exemplo, são importados. Mesmo que a indústria já esteja com esses componentes no país para fabricar os aparelhos para o Natal, a conta que os fabricantes fazem é o custo de reposição desses itens, agora com um dólar mais alto.

Wilson Périco, presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus, que concentra a produção de aparelhos de áudio e vídeo, diz que não tem informações a respeito da aceleração dos pedidos por parte dos varejistas. “Essa é uma informação interna das empresas.”

Duas indústrias de eletrônicos e portáteis confirmam, no entanto, a corrida dos lojistas para fechar os pedidos e travar preços. De acordo com um dos executivos, que prefere o anonimato, o reajuste dos preços desses produtos em reais será da ordem de 10% e deve bater na porta do lojistas já no mês que vem. “Agora deve ocorrer uma queda de braço entre o varejo e a indústria”, prevê o executivo. O movimento ganha força especialmente nas linhas de áudio e vídeo, que prometem ser as vedetes deste Natal por causa das inovações tecnológicas.

Outro executivo da indústria, que também prefere o anonimato, relata que no seu caso a tendência é manter os preços nos próximos meses, apesar da elevação do dólar. “Nosso estoque está alto e não podemos perder o bonde do final de ano”, lembra. A saída, segundo ele, será encolher as margens de comercialização.

(com Agência Estado)