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CENÁRIOS-Governo já vê ajuda do exterior na inflação–fonte

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) – Apesar de ainda inspirar atenção, sobretudo porque os Estados Unidos ainda não chegaram a uma solução sobre seu endividamento, o governo brasileiro já começa a olhar o cenário externo e sua relação com a inflação doméstica com mais otimismo.

A avaliação, segundo uma fonte da equipe econômica que pediu para não ser identificada, é que uma crise financeira como a de 2008 não deve se reptir, significando que não haverá fortes sobressaltos, mas ainda assim o mundo crescerá menos, o que deve aliviar as pressões inflacionárias locais.

“Está mais distante a chance de termos um novo 2008”, afirmou a fonte à Reuters, referindo-se ao período mais intenso da crise internacional.

“(O cenário externo) tende a ser desinflacionário. Vamos ver se isso se confirma”, acrescentou a fonte.

Na semana passada, os líderes da zona do euro fecharam um segundo pacote de ajuda financeira à Grécia, que somou 109 bilhões de euros, trazendo mais alívio aos agentes econômicos do mundo inteiro porque reduziu as chances de outros países na região também entrarem em colapso.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama ainda se esforça para convencer a oposição a elevar o teto da dívida do país para que não entre em default, mas os sinais são de que isso deve mesmo ocorrer.

Para a equipe econômica brasileira, não existe outra saída senão o governo norte-americano acertar suas contas.

“A gente nunca trabalhou com a possibilidade de não haver uma solução (nos Estados Unidos). A solução não virá sem dor, isso é verdade, com muitos ajustes e com crescimento (econômico mundial) ainda baixo”, afirmou a fonte.

Diante disso, para o governo brasileiro, o cenário externo tornou-se um pouco mais positivo e, sob esse aspecto, deve ajudar a retirar a pressão sobre os preços de forma geral. Até então, o governo vinha indicando que o cenário internacional era muito incerto, inclusive em termos inflacionários para o país.

Com tanta instabilidade, era quase impossível indicar quais poderiam ser os desdobramentos, sobretudo, da crise europeia. Tais afirmações, por exemplo, constam na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada em junho.

Na semana passada, o mesmo Copom elevou novamente a Selic em 0,25 ponto percentual, para 12,50 por cento ao ano, mas deixou claro que, no seu próximo encontro, em agosto, pode parar o ciclo de aumentos.

Retirou do seu comunicado a expressão que apontava o uso do aperto monetário por um período “suficientemente prolongado”. Entre outros motivos, porque continua entendendo que a inflação doméstica perderá mais força nos meses seguintes, como o foi mostrado pelo último IPCA-15 –que apontou alta de 0,10 por cento em julho, contra 0,23 por cento no mês anterior.

Agora, além da melhora do cenário interno, há uma luz mais brilhante no fim do túnel também vinda do fronte externo.

Ela não deve ficar tão clara na ata do Copom que será divulgada nesta quinta-feira porque o pacote de ajuda à Grécia, por exemplo, foi fechado exatamente um dia depois da reunião do comitê, realizada no dia 20. Mas o otimismo da equipe econômica, se essa avaliação se confirmar, deve ficar mais nítido à frente.