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BIS destaca sinais preocupantes de países emergentes

Banco de Compensações Internacionais avaliou quatro critérios relacionados ao risco de uma crise bancária em 20 países e 3 regiões

As grandes economias emergentes têm emitido sinais preocupantes que apontam para uma possível crise bancária. A avaliação consta do relatório anual do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) divulgado neste domingo. “Os indicadores de alerta antecipado referentes a vários países emitem sinais preocupantes”, diz o documento, que cita o Brasil como um desses mercados.

No estudo, o BIS avaliou quatro critérios relacionados ao risco de uma crise bancária em 20 países e 3 regiões: crescimento do crédito, preço de imóveis, comprometimento da renda e exposição dos tomadores de crédito à alta dos juros. Ao comparar esses indicadores, o BIS colocou Brasil, China, Índia, Turquia, o sudeste asiático e a Suíça no grupo de mercados com situação mais delicada porque apresentam pelo menos um dos critérios em situação de alerta.

“Muitos anos de intenso crescimento do crédito e, frequentemente, dos preços imobiliários aumentaram a exposição dos tomadores de crédito ao aumento das taxas de juros, assim como à desaceleração pronunciada dos preços imobiliários e da atividade econômica”, explica o documento.

Crédito x imóveis

Os economistas da entidade argumentam que a forte expansão do crédito nesses países, acompanhada da alta de preços dos imóveis, pode ter feito com que muitos clientes tenham tomado financiamento em volume superior ao considerado adequado. Por isso, clientes estariam superexpostos. A preocupação é que a mudança do cenário macroeconômico leve ao aumento da inadimplência nesses casos – o que é um risco relevante para os bancos diante da expansão dos empréstimos nesses países.

Um dos cenários que mais preocupam é o risco de que eventuais ciclos de aumento de juro elevem o custo dos financiamentos já tomados a ponto que a dívida fique impagável. Outro problema que também poderia gerar inadimplência é a hipótese de uma desaceleração pronunciada da economia, o que poderia reduzir o preços dos imóveis ou aumentar o desemprego ou reduzir a renda.

“Ainda que os indicadores de alerta antecipado não possam prever o momento exato em que chegarão as dificuldades financeiras, há resultados bastante confiáveis no passado para identificar dinâmicas insustentáveis do crédito e dos preços imobiliários”, diz o BIS.

(Com Estadão Conteúdo)