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Auditoria põe em xeque ex-executivos da Portugal Telecom

Segundo a PriceWaterhouseCooper, ex-presidente financeiro sabia de empréstimo de 897 milhões de euros feitos pela PT à Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo

A Portugal Telecom (PT) SGPS endividou-se em 2014 sem ter necessidade para manter os 897 milhões de euros aplicados na holding Rioforte, pertencente ao falido Grupo Espírito Santo (GES), concluiu a PriceWaterhouseCoopers (PwC).

A análise da auditoria põe em xeque o ex-vice-presidente financeiro Luís Pacheco de Melo e o ex-presidente executivo da empresa Henrique Granadeiro, que, segundo a PwC, sabiam das operações financeiras em títulos podres.

O calote do investimento na Rioforte causou uma crise no processo de fusão da empresa com a brasileira Oi no ano passado e a continuidade da união dos dois grupos tem sido questionada por acionistas da PT.

A auditoria concluiu que Melo, ex-presidente financeiro, “tinha o dever de informar pontual e oportunamente os membros da Comissão Executiva (CE) e da Comissão de Auditoria”, das operações contratadas “com impacto relevante na sua posição de tesouraria”, o que não ocorreu. A auditora também atribui a Granadeiro, ex-presidente executivo, o dever “de se manter informado” daquelas operações, “solicitando em tempo útil e de forma adequada informação ao vice-presidente financeiro”.

“Não posso julgar ninguém, mas os fatos são claríssimos. O Banco Espírito Santo (BES) ocultou a situação financeira relevante sobre a Rioforte. Independentemente da análise da PwC, houve na prática uma má gestão dos executivos à época”, disse Rafael Mora, vice-presidente da RS Holding, dona da rede de mídia Ongoing (acionista da PT).

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O conselho de administração da PT SGPS contratou, em agosto, a PwC para analisar as aplicações em tesouraria da companhia em entidades do GES. A medida ocorreu depois que a PT SGPS tomou o calote de 897 milhões de euros da Rioforte. Após a descoberta do empréstimo, os termos da fusão entre a Oi e a operadora brasileira foram revisados. A PT SGPS detém 25,6% da Oi, que, por sua vez, é dona da operadora PT Portugal. Originalmente, a fatia dos portugueses era de 37,4%.

A PT foi alvo de buscas policiais em uma investigação sobre suspeitas de fraude qualificada, com foco em aplicações financeiras realizadas pela companhia.

(Com Estadão Conteúdo e agência Reuters)