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Cientistas descobrem artrópodes de 230 milhões de anos preservados em âmbar

Espécies têm 100 milhões de anos a mais do que as de outras descobertas

Uma equipe de cientistas encontrou no nordeste da Itália uma mosca e dois ácaros de 230 milhões de anos. Segundo o grupo, esses são os mais antigos artrópodes (classificação de invertebrados da qual fazem parte insetos, aracnídeos e crustáceos) encontrados até hoje.

As espécies estavam preservadas em gotas de âmbar, uma substância derivada de resinas de árvores e plantas pré-históricas que sofreram processos de fossilização – no filme Jurassic Park (1993), o sangue de um mosquito preservado em âmbar é usado para clonar dinossauros.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Arthropods in amber from the Triassic Period

Onde foi divulgada: períodico PNAS

Quem fez: Alexander R. Schidta, Saskia Janckeb, Evert Lindquistc, Eugenio Ragazzid, Guido Roghie, Paul Nascibenef, Kerstin Schmidt, Torsten Wapplerh e David Grimaldi

Instituição: Universidade de Bonn, Museu de História Natural de Berlim, Museu de História Natural dos EUA e Universidade de Jena

Dados de amostragem: 70.000 gotículas de âmbar

Resultado: descoberta de uma mosca e dois ácaros de 230 milhões de anos

Segundo os cientistas, até esta descoberta, os mais antigos fósseis de artrópodes em âmbar já encontrados tinham 130 milhões de anos. Os artrópodes formam o grupo com o maior número de espécies conhecidas pelo homem. São mais de um milhão de espécies, ou cerca de 80% de todas aquelas já classificadas pelos cientistas na Terra.

A descoberta foi publicada na edição desta semana do periódico científico PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA. Participaram da equipe de pesquisas cientistas americanos, alemães, canadenses e italianos.

De acordo com a pesquisa, os pesquisadores analisaram mais de 70.000 gotículas de âmbar que tinham entre 2 e 6 milímetros de comprimento até identificarem os animais. Elas foram encontradas nos Alpes Dolomitas (cadeia montanhosa dos Alpes orientais).

Os ácaros não podem ser vistos a olho nu e segundo são muito parecidos com os atuais ácaros Eriophyoidea, que no Brasil são encontrados em palmeiras. Já a mosca, segundo o estudo, é pouco menor que a atual mosca-das-frutas.

Segundo o estudo, é a primeira vez que se encontram artrópodes do Triássico (período geológico compreendido entre 251 milhões e 199,6 milhões atrás).

Os cientistas afirmam estar ansiosos para realizar mais análises de amostras da âmbar do Triássico porque a descoberta mostrou que o material que foi capaz de preservar artrópodes do período.

“Houve uma grande mudança na flora e fauna do Triássico. O período aconteceu logo depois de de uma das mais profundas extinções em massa mais da história, no final do Permiano (período entre 299 e 251 milhões de anos atrás)”, disse Grimaldi.

“É um momento importante para estudar, se você quer saber como a vida evoluiu”, disse David Grimaldi, um dos autores da pesquisa e professor do Museu Americano de História Natural, em Nova York (EUA).