Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Estar armado dobra a chance de ser agredido em assalto

Pesquisa inédita com 78 000 pessoas mostra que portar arma durante um roubo aumenta a chance de a vítima ser agredida em 88%

Uma pesquisa inédita no país, conduzida pelo sociólogo e especialista em segurança pública Claudio Beato, coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais, prova com dados pela primeira vez o que especialistas em Segurança Pública inferiam: o porte de arma para defesa própria cria uma falsa sensação de segurança, mas traz mais riscos do que benefícios ao cidadão.

Leia também:

‘O estatuto do desarmamento nunca alcançou seu objetivo’

CCJ da Câmara aprova porte de arma para agentes de trânsito

Rio: sancionada lei que proíbe porte de arma branca

Embora quatro em cada dez pessoas afirmem que possuem arma de fogo para se prevenir ou se proteger de criminosos, as chances de um cidadão ser vítima de uma agressão – um tiro, uma coronhada ou mesmo socos e chutes – aumenta em 87% se ele estiver armado quando for assaltado. Mesmo policiais armados tiveram 89% mais chance de serem agredidos do que alguém desarmado.

“É ilusório acreditar que a arma pode proteger a vítima de um roubo – mesmo que a pessoa seja muito bem treinada. Quando ela percebe a ação do criminoso, já está com a arma apontada para o rosto. Existe ainda o risco de latrocínio, que não foi possível aferir nessa pesquisa”, afirma Beato.

Os índices foram calculados com base em 78 000 questionários respondidos por brasileiros de várias cidades em todas as regiões do país. Foram comparadas as respostas daqueles que haviam sido assaltados e não possuíam armas e as daqueles que haviam sido assaltados e possuíam armas.

Além de inédito, o dado joga luz no debate sobre um projeto de lei que pretende revogar o estatuto do desarmamento, sob o argumento de que o cidadão teria o direito de se armar para se defender.

O relatório sobre o PL 3.722/2012 será apresentado na quinta-feira, dia 10 de setembro, e a expectativa é que ele seja votado numa comissão especial até o fim do mês. “Não acredito neste dado. Quem considerar que é mais arriscado portar um armamento, que não tenha arma, mas quem quiser defender a sua vida e estiver preparado para isso tem que ter o direito de fazê-lo”, afirma o deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), autor do projeto.

Outro estudo publicado em maio deste ano, o Mapa da Violência 2015 – Mortes Matadas por Armas de Fogo, mostrou que, na ocasião, a restrição do porte de armas foi responsável por anular uma tendência de crescimento anual dos homicídios de 7,2%, além de reduzir o número de assassinatos nos primeiros anos de implantação.