Amanhã vamos descobrir o Brasil, diz Barroso sobre julgamento no TSE

Para o ministro, o país tem uma classe politica descolada da sociedade e com dificuldade de entender o recado das ruas

“Amanhã vamos descobrir o Brasil”. Essa foi a resposta do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Roberto Barroso, quando questionado sobre o que esperar do julgamento da chapa Dilma-Temer, marcado para amanhã no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O colegiado vai decidir se há indícios suficientes para cassar o atual presidente e tornar inelegível a ex-presidente.

Barroso disse que a investigação da Lava Jato corre um sério risco de ser prejudicada por uma “operação abafa”. “Existe um risco real, mas todos nós estamos aqui para evitar isso. Há os que querem salvar a própria pele, os que não querem ficar honestos, esse pacto imenso de compadrio, pacto e parcerias.” Para o ministro, o país tem uma classe política descolada da sociedade e com dificuldade de entender o recado das ruas.

“Agora que tudo foi descoberto, quando se esperava que todas instituições se mobilizariam para atingirmos um novo patamar ético, assistimos ainda assim a uma grande mobilização para deixar tudo como sempre foi, para que continuemos aquém do nosso destino histórico, trotando na história, liderados pelos piores”, disse o ministro do STF.

“O país não conseguirá cumprir seu destino se prevalecer a operação abafa. Não conseguiremos dizer no futuro que é melhor ser honesto. A  corrupção valoriza os piores, os espertos.”

Barroso participa do fórum A Revolução do Novo – A Transformação do Mundo, realizado por VEJA e EXAME em parceria com a Coca-Cola, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. O evento discute mudanças na economia, política, tecnologia e sociedade. Barroso abordou o tema “o impacto, a evolução e o futuro dos valores éticos no mundo contemporâneo”.

Julgamento da chapa Dilma-Temer

Fruto de quatro ações ajuizadas pelo diretório nacional do PSDB e pela coligação Muda Brasil, entre outubro de 2014 e janeiro de 2015, o processo já passou pelas mãos de três ministros — João Otávio de Noronha, Maria Thereza de Assis Moura e Herman Benjamin, o atual relator, que deu celeridade e volume de provas à ação.

Com autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, Benjamin percorreu o país para colher pessoalmente o depoimento dos delatores da Odebrecht, entre eles os de Marcelo, ex-presidente, e Emílio Odebrecht, que deram declarações contundentes sobre como o dinheiro sujo abasteceu a campanha de 2014. O relator foi o grande responsável pelos números superlativos do caso, que, além das quase 8.000 páginas, teve 199 despachos, 58 depoimentos de mais de 75 horas e 380 documentos anexados, entre requerimentos, manifestações, ofícios, mídias, mandados e certidões. Benjamin já tem data para sair da Corte, 27 de outubro — por isso, busca finalizá-lo até lá.

Comentários

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  1. Jose Oliveira Martins

    O Ministro Barroso tem razão. Tanto o Câmara quanto o Congresso tem como maioria os piores CANALHAS desta Nação graças ao “POVINHO VAGABUNDO” que também é maioria. Cada povo tem o governo que merece.

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  2. Judiciário politizado caminharemos para venezuela. Por que Fiboi está solto?

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  3. Luiz Carlos de Siqueira

    Quando o Ministro fala “Agora que tudo foi descoberto, quando se esperava que todas instituições se mobilizariam para atingirmos um novo patamar ético, assistimos ainda assim a uma grande mobilização para deixar tudo como sempre foi, para que continuemos aquém do nosso destino histórico, trotando na história, liderados pelos piores”, (aí leia-se Gilmar Mendes a frente do TSE)!

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  4. José Smigle

    Nem tudo foi descoberto, ainda, mas, aos poucos, as peças do quebra-cabeça vão se encaixando e começa a surgir uma imagem clara do quadro. Ma.taram o Teori, porque ele não aceitou libertar os Batistas. Logo a seguir deram um jeitinho de colocar em seu lugar o homem certo, Fachina, em conluio com o Janota e sabe-se lá com mais quantos ministros do STF envolvidos. Preparado o ambiente, vem o golpe de libertar os Batistas e armar uma cama de gato para o Temer. Agora querem tirar o Temer até o dia 26 de junho, para que o Janota possa ser novamente conduzido ao cargo por quem for eleito no lugar do Temer. Aguardem a colocação de mais peças nesse quebra-cabeças e verão como o quadro fica cada vez mais nítido.

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