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"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem"
Robert Musil em O Homem sem Qualidades

Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

Parada técnica

Entre 18h e 20h, farei uma parada técnica. Os engenheiros estão tentando dar a tal cara nova ao blog. Quase se conseguiu nesta madrugada, mas não foi possível transferir o arquivo. O blog continuará no ar, e comentários poderão ser postados. Depois atualizo tudo. Volto mais tarde. E com enquete nova.

Eu acho que vi uma gatinha. Ou: “Quando o off sobe no telhado”

Na Folha desta quarta, lemos de Valdo Cruz e Letícia Sander: “Um interlocutor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou pessoalmente, no último fim de semana, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), para saber se ele ‘enxergava alguma alternativa para resolver o impasse’ criado na disputa com o petista Arlindo Chinaglia (PT-SP).Apesar de o interlocutor de Lula, um ministro muito próximo do presidente, não ter dito a palavra renúncia, Aldo entendeu que ela estava implícita no diálogo e respondeu que não retiraria sua candidatura e que iria ‘até o fim’.”

Quem será esse interlocutor? Quem será?

Leiam o que está no blog de Josias de Souza, também da Folha:
Deu-se último domingo (14). Instruída por Lula, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) foi ao encontro de Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Sondou-o sobre a possibilidade de abrir caminho para que Arlindo Chinaglia (PT-SP) prevaleça na cena política como candidato único do governo à presidência da Câmara. Rebelo disse “não”. Informado, Lula lamentou. (...)
Foi assim, com uma ponta de decepção, que Rebelo relatou aos aliados mais chegados os detalhes da “missão Dilma”. Exceto pelo nome da emissária de Lula, que é revelado aqui com exclusividade, detalhes da conversa da ministra com Rebelo foram relatados nesta quarta (17) pelos repórteres Valdo Cruz e Letícia Sander.
O ponto alto da conversa foi o momento em que Dilma levou a faca ao pescoço de Rebelo. A ministra encostou a lâmina sem rasgar a pele do interlocutor. Pergunta a Rebelo se ele enxergava “alguma alternativa para resolver o impasse." Vaqueiro escolado nas artimanhas da política, Rebelo afastou a garganta do punhal
.”

Repararam? Começou a virar moda: uma mesma fonte conta em off para um jornalista o que diz em on para o outro. E um deles é feito de bobo. Ou todos. Eu seria capaz de jurar que o relato, nos dois casos, é do próprio Aldo Rebelo. E foi feito aos jornalistas, não “aos aliados mais chegados”. Nós, da imprensa, precisamos urgentemente descobrir uma alternativa para esse clichê.

Segundo turno e vitórias

O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Jr. (BA), afirmou que vai trabalhar em favor da candidatura de Gustavo Fruet (PSDB-PR) à Presidência da Câmara e disse acreditar que todo o partido fará o mesmo. A começar do governador de São Paulo, José Serra, que já havia anunciado ontem que o paranaense é a escolha tucana. Arlindo Chinaglia (PT-SP) foi avisado, afirmou Jutahy. O anúncio do apoio ao petista não vale mais.
Sendo mesmo assim, cresceu muito a chance, ao contrário do que diz Zé, o Dirceu, em seu blog, de que haja segundo turno. Unidos, os tucanos contam com 63 votos — haverá defecções, mas convém que os líderes do partido recomendem, para valer, o voto em Fruet. Ou a crise no tucanato vira uma carnificina. A desmoralização será do partido, não de uma liderança ou outra. Ninguém ganhará. Se PPS (21) e PV (13) seguirem com um PSDB unido, chega-se a 95 deputados. É perfeitamente possível conquistar apoios no PFL e no PMDB. Não sendo isso tudo um jogo de cena — e seria prudente para os envolvidos que não fosse —, passa-se dos 100 votos com facilidade. Todo voto dado a Fruet iria para Aldo num eventual segundo turno com Chinaglia? Não. A negociação recomeça. Fruet, a meu ver, livra o PSDB de um erro histórico e de um vexame. O PT está furioso com FHC. Chinaglia já estava com uma das mãos na taca — e um dos pés também. Se Aldo não desistir, a disputa será bem interessante. A Terceira Via é uma vitória de uma visão não convencional da política, num momento em que o convencionalismo foi seqüestrado pelo petismo. É, vá lá, uma vitória também desses bloguezinho e de seus leitores. Os que nunca nos conformamos com respostas convencionais e nunca desistimos da idèia de se ter uma alternativa. Desde o primeiro dia.

Mais sobre jornais e resposta a uma indagação

Ainda sobre os jornais e respondendo à indagação feita por um amigo.
O Brasil é pentacampeão? Vale o título mesmo 48 horas depois? Há, sem dúvida, em tal fato, um apelo histórico — convenha: “fatos históricos” são raros. Por que não transformar esse “pentacampeão”, meu caro, numa espécie de marca, numa ilustração, optando, na manchete propriamente, pela busca da novidade? Sempre! Os jornais aspiram a um peso documental um tanto ausente no jornalismo eletrônico, dada a sua celeridade. Uma razão a mais para que se opte, então, por uma elaboração mais complexa.
É possível fazer um transatlântico se mover com a rapidez de um barco? Acho que não. Então que ele ofereça o que as embarcações menores não podem oferecer: serviços mais requintados. No caso, diferenciação analítica. Eu duvido que Folha e Estadão optem amanhã por “Bombeiros retiram 3º corpo da cratera”. Alguém vai dizer, creio: “Isso de novo?”
Ora, o que teremos aí, Ruy (o blogueiro Ruy Goiaba)? O jornal usando como referência o próprio jornal. Pensa-se a redundância segundo o que foi posto em letra impressa apenas. Mas o jornalismo on line existe — e integra, curiosamente, no mais das vezes, os mesmos grupos de mídia que editam jornais.
E uma nota: a “preguiça” a que me referi é de natureza intelectual, sem qualquer apelo, sei lá, à moral do trabalho. Creio que falta ao jornal diário buscar uma resposta para uma pergunta que pode não estar sendo feita de maneira cotidiana e obsessiva: “O que é que só nos podemos oferecer, já que a instantaneidade é uma vantagem comparativa do jornalismo eletrônico?”

O Zé e a Terceira Via

Leiam isto:
“Como este blog previu, a ‘terceira via’ mostrou sua verdadeira face, uma candidatura de oposição e de uma facção tucana. Por outro lado, a candidatura de Arlindo Chinaglia se consolida com o apoio de PR (ex-PL), Prona e PSC e do possível apoio do PP e do PTB, caminhando para uma vitória no primeiro turno. Nos jornais, confiram o apoio explícito ao candidato tucano.”
Rá, rá, rá! É o Zé, o Dirceu, inconformado com o fato de que a Terceira Via tem um candidato. Vejam a leitura marota do rapaz: de fato, seria uma candidatura tucana e de oposição. O recado, claro, vai para Aldo Rebelo (PC do B-SP), convidado, uma vez mais, a desistir. E vejam o triunfalismo do mentor de Arlindo Chinaglia. Mais notável ainda: ele empresta um aspecto de denúncia ao “apoio explícito” dos jornais à Terceira Via. Ora, ora... A defesa de um nome alternativo mereceu até editoriais de jornal. Dirceu não precisa emprestar ao fato um tom de conspiração. De todo modo, a área noticiosa dos veículos não escolheu ninguém, é bom que se diga.

Por que os jornais impressos são tão preguiçosos?

Mas que diabo se passa com os grandes jornais?
Manchete da Folha de hoje: “Bombeiros retiram 2º corpo da cratera”
Manchete do Estadão: “Busca recomeça, e mais um corpo é retirado do metrô”
Qual será a manchete de amanhã? A retirada do terceiro corpo? E depois do quarto? Se os dois primeiros mereceram o destaque, por que não os outros? Fossem 90 os mortos, ficaríamos três meses com os mesmos títulos, só alterando o número? Qual é o critério? Não é por acaso que o jornais diários estão com a circulação empacada, com pequenas variações aqui e ali, mas nada relevante.
O que há de errado nas manchetes? Nada. Não fosse o fato de que o jornalismo on line, os rádios e as TVs já havia noticiado o fato. É impressionante: editam-se as primeiras páginas no Brasil com os mesmos critérios de há 20 anos. Folha e Estadão, vejam só, respondem por dois grandes portais noticiosos do país. Eles lêem o que se produz na própria empresa?

E o Estadão tinha um “furo”...
No caso do Estadão, a coisa é até mais séria, já que o jornal tinha um “furo” — notícia exclusiva . Mas preferiu escondê-lo num minitítulo abaixo da dobra: “Serra suspende pagamento”. Até onde acompanhei, esse era o fato novo do dia, ausente nos portais e nos demais jornais. O Globo, lá no Rio, conseguiu ser mais esperto. Não deu manchete, mas meteu no alto da página: “Empreiteiras sabiam que obra podia desabar logo”. Se é assim, são criminosas, assassinas. Basta ler a matéria para saber que estão forçando a barra. Transformam-se denúncias de indícios de problemas na certeza de desabamento. É um erro grave. Estivesse correta a informação, no que respeita à redundância e à notícia velha, teria sido uma escolha mais acertada do que seus pares paulistas. Mas aí o erro seria de destaque: então era manchete! As cinco maiores empreiteiras do país ignoram que uma obra vai desmoronar, e a gente dá um titulozinho pra isso?

Dilemas
Não entendo a escolha dos jornais impressos. O Brasil vence um jogo da Copa. O mundo inteiro sabe o resultado. Todos os leitores acompanharam cada lance na TV. E, quase 24 horas depois, temos lá: “Brasil vence por 2 a zero”. Ou perde. Tanto faz. Na copa do Japão/Coréia, a questão era ainda mais dramaticamente ridícula: por causa do fuso horário, noticiava-se com o verbo no presente e como novidade o que já se sabia havia 48 horas.
Custa transformar em notícia o desdobramento daquilo que todo mundo já sabe? Custa, sim. A burocracia das redações teria de mudar, de se reinventar, de sair do conforto e da preguiça em que vive para fazer conexões, em vez de deixar ligado o piloto automático. A primeira página de um jornal deveria ser o lugar para onde confluem todas as tensões do dia. Deveria ser uma espécie de editorial. Da mesma sorte, as editorias deveriam pegar o tema a partir do ponto em que ele é deixado pelas TVs e pelas rádios.

IPT
A Folha tenta a novidade. Lê-se na submanchete: “IPT já fez estudos para o Metrô”. Trata-se de uma objetividade um tanto maliciosa. A suposição, veladíssima, é a de que, por isso, o instituto — cuja reputação não é posta sob suspeita — estaria menos apto a fazer o trabalho de avaliação do desastre. Como é uma não-notícia e como é preciso emprestar ao caso o cheiro de uma investigação, então se opta, timidamente, por uma submanchete, em corpo reduzido.
Ora, fosse mesmo a denúncia de que o IPT participa de uma conspirata, seria a manchete, certo? Nota: o instituto não é uma empresa privada. É o pior dos mundos: porcos capitalistas só pensam em lucro e massacram pessoas, e porcos ligados ao governo pretendem esconder os fatos. Chamem Mãe Dinah para revelar as verdadeiras causas do acidente ou a Fundação Cacique Cobra Coral. Ou o exército dos homem que só falam em off.

O primeiro mandamento de quem edita jornal deveria ser este: “Juro não tratar como novidade, mas apenas como um dado a mais, o que o jornalismo on line, as TVs e os rádios já noticiaram”.
Já imaginaram? Seria uma revolução. E daria um trabalho infernal. Mas é a única chance que os jornais impressos têm de sobreviver. Ou seu fim é muito mais certo do que o aquecimento global. Pode até demorar um pouquinho, mas acaba. Estagnado já está.

Eu assino as minhas opiniões. Não emito opinião em off

“Eles”, vocês sabem quem, estão inconformados: como é que eu, que opino sobre qualquer assunto, quero tolher a liberdade de opinião dos engenheiros? Eu? Tolher liberdade? Andou faltando banana para a petralhada? Cada um que fale e publique o que bem entender. Só que há uma diferença aí: eu ASSINO as minhas opiniões e arco com o peso de emiti-las. Também não quero acabar com o “off” em jornalismo. Ele tem sido importante para revelar tramóias.
Uma coisa é passar INFORMAÇÃO em off; outra, diferente, é emitir OPINIÕES em off. E sempre com o aposto que vale por um apodo: “Professor da USP, engenheiro especialista em sei lá o quê”. OK. Existe um “Garganta Profunda” no Metrô? Que se comecem a noticiar fatos. Emitir em off a opinião de que faltou concreto? Tenham paciência! Taí um bom assunto para o 0mbudsman da Folha. Mas vai aqui uma aposta em on: é nove contra um a chance de que as empreiteiras apanhem ainda mais um pouco e que não se diga uma vírgula sobre o padrão da cobertura. Faz parte do ódio que temos ao capitalismo.
Premiava-se a economia de material? Se for dentro da especificação técnica, qual é o problema? Que empresa — ou empresas — respondeu pelo projeto? É idônea? Era uma cabeça de porco? A quantidade de acidentes das obras brasileiras está dentro de alguma estatística ou padrão internacional, como se tem, por exemplo, no caso de acidentes aéreos?
Cratera dos Sete Abutres, sim! E a denominação vale muito especialmente para o jornalismo de certas emissoras de rádio e de alguns programas vespertinos de TV em que um cretino fica no estúdio gritando coisas incompreensíveis para repórteres mais ou menos surdos, que engrolam respostas igualmente incompreensíveis. Exploração vil das misérias humanas. Chamem especialistas com firmada reputação para tratar do assunto, mas que tenham cara e que possam responder pelas opiniões que emitem.

Aviso

O novo desenho do blog está pronto. Chegou a ficar no ar por algumas horas. Há até comentários a respeito. Mas não foi possível transferir o arquivo. Então se decidiu voltar ao modelo anterior até que se descubra onde está a falha.

A cratera dos sete abutres

Passe numa boa locadora — tem de ser boa — e retire A Montanha dos Sete Abutres (Ace in the Hole), filme do genial Billy Wilder, de 1951, com atuação estupenda de Kirk Douglas no papel do jornalista picareta Charles Chuck Tatum. O filme, um desastre de bilheteria, foi relançado depois com outro nome: The Big Carnival. Ganhou o Oscar de melhor roteiro, mas não rendeu grana. Pena. É a crítica mais devastadora que o cinema já fez ao jornalismo — ou a certo tipo de jornalismo ao menos. Que, não obstante e sempre, deve continuar livre das garras dos fenajentos. Fenajentos, para quem não sabe, são os defensores da proposta da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) de se criar um Conselho Federal de Jornalismo.
Ao ficar sabendo que a Red Bull mandou distribuir bebida energética às pessoas que trabalhavam nos escombros da estação do Metrô em São Paulo (ler abaixo) e aos familiares das vítimas, lembrei justamente do “grande carnaval” que se vê no filme, de que falo a seguir. Era a estupidez que faltava nas toneladas de má-fé e de mau-caratismo político que soterram o bom senso. A propósito, diz a propaganda da bebida: “Red Bull te dá asas”. Isso num canteiro de obras em que se procuram corpos. Quem é o gênio que responde pelo marketing da empresa?

O filme
Charles Tatum foi demitido de mais de uma dezena de redações porque lhe faltava caráter. Vai parar num pequeno jornal de Albuquerque, uma cidadezinha do Novo México, onde nada acontece. Ao ser contratado, ele se diz pau para toda obra. Pode cuidar, assegura, tanto das notícias grandiosas como das irrelevantes. E, se faltarem eventos, ele diz que sai à rua e morde o cachorro. E cumpre a sua promessa. Uma das máximas de Tatum é que a morte de centenas de pessoas não tem importância; já a de um único indivíduo poder ser uma grande história. O filme é inspirado num fato real: o soterramento de um homem chamado Floyd Collins, em 1925. A cobertura do caso é apontada como um marco da narrativa jornalística que opta pela espetacularização de dramas humanos. O jornalismo nunca mais se recuperou.
Um Tatum esmagado pelo cinismo, pelo tédio e pelo desejo de voltar a um grande jornal é destacado para cobrir uma espécie de festival de caça às cascavéis numa cidade vizinha. Lá chegando, fica sabendo que Leo Minosa está preso numa espécie de gruta, justamente a Montanha dos Sete Abutres — aliás, é um dos raros filmes cujo título em português é infinitamente melhor do que o original (ou originais). Tatum sente o cheiro da notícia, do espetáculo e da tragédia. Tenta, a todo custo, retardar o resgate — no que é bem sucedido — e passa a manipular a mulher de Minosa, o fotógrafo e o xerife da cidade, com quem negocia o acesso exclusivo às ruínas.
Quanto mais tempo durar o espetáculo, melhor para ele, que consegue transformar o episódio num caso nacional. É o seu bilhete de volta para a grande imprensa. Um verdadeiro circo (the big carnival...) se forma no local. Não vou contar o fim do filme. Mas é importante saber que seus planos dão com os burros n'água. No pequeno jornal de Albuquerque, um lema colado à parede é alvo de sua chacota: “Diga a verdade”.

De volta à cratera
Voltemos ao acidente da estação do Metrô em São Paulo. Reparem. Na Folha de ontem, terça, podia-se ler: “Um professor de engenharia civil da Politécnica da USP, que também não quer ver seu nome publicado, disse que em certas obras essa prática pode ser absurda. Empresas de projetos, segundo ele, têm de ser contratadas como se fossem um cardiologista -o preço não é o fator mais importante, mas sim o nível de especialização. Num paralelo irônico, ele comenta que o prêmio para a economia de concreto seria como pedir ao cardiologista para colocar não três pontes de safena num paciente que sofreu infarto, mas duas.
No Estadão desta quarta, lemos: “Qualidade tem preço e sua falta também. É assim que o vice-presidente da Sociedade Internacional de Mecânica de Solos e Engenharia Geotécnica (ISSMGE) e professor da Universidade de São Paulo, Waldemar Hachich, comenta o acidente na Estação Pinheiros. 'Será que os indivíduos que contratam obras por mínimo custo global usam o mesmo critério para escolher os cirurgiões que tratarão suas mazelas cardíacas?', pergunta, num fórum de discussão sobre o acidente no site da Associação Brasileira de Mecânica de Solos (ABMS).”
Ou os professores de engenharia civil da Politécnica da USP são todos grandes aficionados em cardiologia, ou há uma boa chance de que o anônimo da terça da Folha seja o sr. Waldemar Hachich, que aparece no Estadão desta quarta. Neste segundo jornal, justiça seja feita, praticamente não há especialistas que “pediram para que seus nomes não sejam revelados”. Mas eles pululam nas reportagens da Folha, fazendo acusações sempre as mais graves: às empreiteiras, ao Metrô, ao governo do Estado, à terceirização, à suposta economia de material.
O que mais me fascina é a facilidade com que opinam sem nem mesmo botarem o pé nas obras, terem acesso ao projeto, saberem detalhes da construção. “Faltava fiscalização”, acusa o sindicalista. “A parede de concreto era muito fina”, diz um anônimo. “O buraco deveria ter sido feito 15 metros mais para baixo”, sustenta outra fonte secreta. “Havia prêmio por economia de material”, assegura outro que prefere não ser identificado. “Tinha de usar o ‘tatuzação’, e não os explosivos”, opina mais um que pede sigilo. “Precisa fazer uma CPI”. Bem, essa voz é conhecida, claro: trata-se do PT...

Impressionante
O que impressiona é o jornalismo não ter aprendido com a experiência. Durante uns bons dias, estivemos todos convictos de que pilotos americanos gostam de ficar fazendo piruetas nos céus do Terceiro Mundo, não dão pelota para planos de vôo e acabam provocando a morte de 154 brasileiros. Até que se ficasse sabendo do erro da torre de controle e do caos que toma os céus do Brasil. À diferença do filme, o jornalismo não está alterando a cena da tragédia. Mas está, sim, caindo vítima da novidade a qualquer custo. Basta que um imbecil loquaz ostente um título de engenheiro e julgue ter algo a dizer, e lá está ele dando pitaco sobre o ocorrido. Em off, sempre em off.
É a lógica, não a suspeita de dolo, que indica que algum erro aconteceu na área de engenharia. Uma falha como essa é sempre humana. Mesmo que se seja colhido por algum evento da natureza, continua a ser um erro de previsão. É, sim, papel de jornalismo tentar buscar as causas, ouvir especialistas, cruzar opiniões. Mas assistimos é a uma verdadeira criminalização das empresas e de autoridades, sempre vinda da boca de pessoas que preferem não ser identificadas. Aí, não dá.
Vários atrasos se conjugam para exorcizar o verdeiro "demônio" responsável pelo acidente: o capitalismo, a economia de mercado, o lucro, a ambição. Tudo aquilo que faz a fortuna dos países que deram certo. O Estado mata, por dia, nos hospitais públicos, muito mais de sete pessoas. Mas continuamos a achar que só ele pode nos oferecer a verdadeira proteção.

Metrô 2 - Serra suspende o pagamento a empreiteiras

Por Eduardo Reina e Bruno Tavares, no Estadão desta quarta:
O pagamento relativo ao mês de janeiro ao Consórcio Via Amarela pelas obras no trecho onde aconteceu o acidente na Linha 4 do Metrô foi suspenso ontem pelo governo do Estado. A alegação é técnica: como aconteceu o desmoronamento na futura Estação Pinheiros, não há como fazer a medição do trabalho executado e, conseqüentemente, saber o que foi executado e deve ser pago. A informação foi confirmada pelo Palácio dos Bandeirantes. Representantes da Via Amarela e da direção da Companhia do Metropolitano não quiseram comentar o caso. A suspensão do pagamento é uma das medidas mais duras tomadas pela administração de José Serra na crise aberta pelo acidente de sexta-feira. O Estado montou um gabinete de crise na área do acidente e passou a pressionar mais duramente o consórcio. Assessores do governador dizem que é necessário que o Via Amarela assuma efetivamente a responsabilidade pelo acidente e seus diretores passem a dar explicações sobre a tragédia, o que não vem acontecendo.O primeiro recado da gestão Serra aos empreiteiros ocorreu no lançamento da Couromoda, na segunda-feira, quando o vice-governador Alberto Goldman declarou que o acidente foi provocado por uma “falha de engenharia” e seria necessário encontrar seus responsáveis. “A engenharia em algum momento falhou, indiscutivelmente”, disse Goldman. Até o momento, a única explicação para o acidente dada pelas empresas apontava a chuva como fator que desencadeou o desmoronamento.
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Metrô 1 - Red Bull aproveita para fazer marketing na tragédia

Por Camilla Rigi e Paulo Baraldi, no Estadão desta quarta:
Jornalistas, loucos, curiosos e... Red Bull. A cratera no canteiro de obras do Metrô em Pinheiros tem atraído gente de tudo que é tipo. Desempregado que fica ali para ver o corre-corre, fãs de repórteres de televisão, a imprensa em massa, pessoas em busca de minutos de fama e até quem queira fazer um pouco mais de marketing de seu produto.Com 90 latas da bebida energética Red Bull em mochilas térmicas, três moças apareceram ontem nas imediações da cratera para divulgar o produto. Por volta das 13 horas, ultrapassaram o cordão de isolamento, que tem sido extremamente rigoroso para não permitir a chegada da imprensa e de pedestres perto do buraco, e saíram distribuindo as latas.Policiais militares, funcionários da Cooperativa de Trabalho dos Profissionais no Transporte de Passageiros em Geral da Região Sudeste (Transcooper) e engenheiros receberam a bebida. 'A gente veio mostrar o lado funcional dela', disse Maitê Camargo, de 20 anos, uma das promotoras de vendas. O 'lado funcional' é manter a pessoa acordada e ajudar a combater o cansaço.
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Terceira Via 5 - Bancada do PSDB vai apoiar Fruet, afirma Serra

Na Folha desta quarta:
Apontado como um dos articuladores do apoio do PSDB ao petista Arlindo Chinaglia (PT-SP), o governador de São Paulo, José Serra, admitiu ontem, logo após o lançamento da candidatura de Gustavo Fruet (PR) à presidência da Câmara, que o partido deverá fechar questão em favor do deputado tucano."Fruet é um deputado de primeiríssima qualidade. Com certeza, a bancada do PSDB deverá apoiá-lo", afirmou Serra, que negou interferência no processo de escolha. "Esse é um assunto da bancada, no qual eu não interfiro", disse.A posição de Serra provocou um recuo de seu grupo dentro do PSDB e inviabiliza por ora a adesão pró-Chinaglia. É uma vitória interna do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que condenou a opção pelo petista. Mas o jogo continua.A Folha apurou que a unidade da bancada tucana em torno de Fruet não deve se traduzir inteiramente em votos. A votação secreta facilita as defecções e há quem avalie no partido que Fruet irá apenas "marcar posição", isto é, que não tem chances nem de chegar ao segundo turno.Jutahy Magalhães, o líder que na semana passada anunciou o apoio da bancada tucana ao petista, é um dos expoentes da ala serrista, mas tem muito bom trânsito na corrente comandada pelo governador Aécio Neves (MG). Aécio também trabalhou para Chinaglia.Reservadamente, a atuação do líder, que deixa o cargo em fevereiro, foi considerada "atabalhoada" e "precipitada".
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Terceira Via 4 – Fruet quer reajuste de deputados pela inflação

Na Folha desta quarta:
Candidato da chamada "terceira via" à presidência da Câmara, o tucano Gustavo Fruet (PR) afirmou ontem defender um reajuste no salário dos parlamentares dos atuais R$ 12,8 mil para R$ 16,5 mil - a reposição da inflação no período, e não os 91% de aumento, como já pregaram seus adversários.
Fruet passou o dia em conversas com caciques do PSDB. À noite, relatou à Folha o resultado das articulações: "Serra, Aécio, Yeda e Cássio são favoráveis à minha candidatura", afirmou, após consultar os governadores tucanos. "O PSDB vai ter que decidir se aceita uma candidatura de dentro do partido ou se vai apoiar o PT."
Abaixo os principais trechos da entrevista.
FOLHA - A sua candidatura constrange ou tem o respaldo do PSDB?
GUSTAVO FRUET -
Estamos buscando a unidade no PSDB. Essa era a prioridade hoje. Falei com o Jutahy [Júnior, líder do partido na Câmara], e ele foi generoso, disse que não fará nenhum trabalho contra mim na bancada. O fundamental é que, para dar competitividade à candidatura, é importante contar com um partido grande. Oficialmente, o único partido que não definiu apoio é o PSDB.
FOLHA - O sr. já conseguiu o compromisso de apoio dos governadores José Serra e Aécio Neves?
FRUET -
Sim. Telefonei para o Serra. Foi uma conversa rápida, por causa da tragédia em São Paulo [na obra da linha 4 do metrô]. Ele me disse que não tem nenhum acordo regional [em troca do apoio a Chinaglia] e que, inclusive, já deu entrevista declarando o apoio a mim.
FOLHA -E o Aécio?
FRUET -
Com o Aécio a conversa foi mais demorada. Ele volta dos EUA antes da reunião da bancada [dia 23] . Me disse que vai trabalhar também junto a deputados de outros partidos [para conseguir votos].
FOLHA - Quem mais consultou?
FRUET -
O Fernando Henrique, Cassio Cunha Lima [governador da Paraíba], Lúcio Alcântara [ex-governador do Ceará]. Vou ainda falar com o Ottomar Pinto [governador de Roraima]. Não consegui ainda falar com o Tasso Jereissati [presidente do PSDB].
(...)
FOLHA - Nesta campanha, há promessas em troca de apoio. O que o senhor tem a oferecer?
FRUET -
Fugir desse debate. O óbvio não está sendo dito: se a Câmara tiver agenda positiva, todos ganham, podemos ter discussões importantes como a reforma tributária e a política. Se entrarmos numa agenda negativa, falando com o nosso umbigo sobre estrutura, todos perdem, mesmo que tenham ganho salarial. (LETÍCIA SANDER, SÍLVIO NAVARRO E MALU DELGADO)
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Terceira Via 3 – PT passou por cima de aliados

Por Ana Paula Scinocca, no Estadão desta quarta:
O PSB, aliado de primeira hora do governo Lula, está cada vez mais insatisfeito com o comportamento dos petistas na disputa pela presidência da Câmara. Um de seus principais dirigentes, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, vice-presidente da legenda, acusa o PT de atropelar os parceiros para impor a candidatura do líder Arlindo Chinaglia (PT-SP). “A unidade da coalizão está em risco”, advertiu Amaral, cuja legenda apóia a candidatura à reeleição do atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP). “Por mais que se tente negar, isso afeta a coalizão. O PT passou por cima dos aliados em nome da aritmética.”O ex-ministro afirmou que o lançamento de Chinaglia quebrou o acordo entre os aliados. “ Tendo a coalizão um candidato (Aldo) que atendia a todos os requisitos, se tentou a construção de outro. É a tendência hegemonista do PT. A dificuldade que o PT tem ainda hoje, apesar de todas as experiências, de conviver com os aliados”, disse.
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Terceira Via 2 - Com Fruet, aliados de Aldo vêem chance de segundo turno

Por João Domingos, na Folha desta quarta:
A indicação do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) como candidato alternativo à presidência da Câmara animou os aliados de Aldo Rebelo (PC do B-SP) e causou muita preocupação entre os partidários de Arlindo Chinaglia (PT-SP). Assim que souberam da decisão do tucano, líderes partidários como Rodrigo Maia (PFL-RJ) e Renato Casagrande (PSB-ES) foram conversar com Aldo e traçaram um quadro otimista para a eleição, no próximo dia 1º, pelo qual o segundo turno estaria assegurado.O próprio presidente da Câmara, no entanto, preferiu desconversar. “É secundário se uma terceira via trará conseqüências para beneficiar ou não a minha candidatura ou a de Arlindo Chinaglia”, comentou Aldo, ao chegar ao Congresso, no início da tarde.Ele afirmou que todas as candidaturas são legítimas, mas ressaltou que faria julgamentos. “Trabalho para ganhar no primeiro turno”, acrescentou Aldo, ao responder sobre a possibilidade de o lançamento de um terceiro candidato levar a eleição para o segundo turno.
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Terceira Via 1 - Lula tenta convencer Aldo a desistir; comunista resiste

Por Valdo Cruz e Letícia Sander, na Folha desta quarta:
Um interlocutor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou pessoalmente, no último fim de semana, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), para saber se ele "enxergava alguma alternativa para resolver o impasse" criado na disputa com o petista Arlindo Chinaglia (PT-SP).Apesar de o interlocutor de Lula, um ministro muito próximo do presidente, não ter dito a palavra renúncia, Aldo entendeu que ela estava implícita no diálogo e respondeu que não retiraria sua candidatura e que iria "até o fim".O atual comandante da Câmara aproveitou a visita do emissário para se queixar da suposta atuação do governo em favor de Chinaglia. Aldo disse estar ouvindo de deputados que os aliados do petista estariam oferecendo cargos no governo em troca do apoio.O ministro garantiu ao comunista, que chegou à presidência da Câmara com o apoio do governo, que Lula não endossava nenhum acordo nesse sentido e que o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) também não estaria participando de articulações para distribuição de cargos a fim de eleger Chinaglia.Segundo a Folha apurou, Aldo ficou convencido, depois da conversa em sua casa, que o governo não está oferecendo ministérios a futuros apoiadores de Chinaglia, mas o mesmo não estaria acontecendo no comando da candidatura do petista.
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Perfeitos idiotas 5 - A realpolitik de Celso Amorim

Por Eliane Cantanhêde, na Folha desta quarta:
Em sua primeira manifestação pública depois do anúncio de que a Venezuela pretende reestatizar e nacionalizar empresas, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ontem que "não se arrepende de jeito nenhum" pela inclusão da Venezuela no Mercosul, pois o regime do presidente Hugo Chávez "funciona muito bem para o Brasil"."Para os interesses do Brasil, foi ótimo. E eu não tenho de defender os interesses dos Estados Unidos e da Europa", disse Amorim em entrevista coletiva, comentando possíveis efeitos das medidas anunciadas por Chávez no humor dos investidores estrangeiros em relação à América do Sul.Às vésperas da reunião de Cúpula do Mercosul, que será amanhã e sexta-feira, no Rio, Amorim citou o significativo aumento das exportações brasileiras para a Venezuela nos últimos quatro anos: eram, segundo ele, de cerca de US$ 500 milhões a US$ 600 milhões e pularam para praticamente US$ 4 bilhões em 2006.Pelos últimos números oficiais, o volume foi de US$ 3,3 bilhões de janeiro a novembro, sem contabilizar ainda dezembro. No mesmo período, as importações foram de apenas US$ 548 milhões, com um superávit na balança a favor do Brasil de US$ 2,7 bilhões."É nisso que os empresários brasileiros devem estar interessados", disse Amorim, fazendo ressalva indireta em relação a Chávez: "Desde que não queiram exportar modelos para nós".

Perfeitos idiotas 4 – Chávez atropela petrolíferas

Por Roberto Lameirinhas, no Estadão desta quarta:
O governo venezuelano vai assumir, sem negociar, o comando das operações de joint ventures com companhias petrolíferas estrangeiras no Rio Orinoco para forçar a imediata redução da produção e cumprir as metas de corte estabelecidas pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em outubro de 2006. Embora o ministro da Energia e Petróleo, Rafael Ramírez - que acumula a função de presidente da estatal Petróleo de Venezuela (PDVSA) -, tenha pedido anteontem uma nova redução das exportações aos países da Opep, para frear a queda do preço do produto, a própria Venezuela não conseguiu cumprir a determinação.Entre as empresas que operam as bacias no Orinoco estão as americanas Exxon-Mobil, Chevron e Conoco-Phillips, a francesa Total e a British Petroleum. Na semana passada, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, declarou que nacionalizaria as operações de petróleo no país, mas abriu a possibilidade de as companhias privadas estrangeiras permanecerem como sócias minoritárias.A preocupação da Venezuela com a queda nos preços é crescente. Só de janeiro a setembro de 2006, o país recebeu US$ 43,6 bilhões com a venda do petróleo, segundo a PDVSA. A estimativa, em dezembro, era a de que a receita do produto se aproximaria dos US$ 60 bilhões no ano passado - quase seis vezes o PIB da Bolívia. Quando chegou ao poder, em 1998, Chávez encontrou o preço internacional do barril de petróleo a US$ 11,91.
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Perfeitos idiotas 3 – Venezuela é a nova Meca dos “sandalistas”

No Estadão desta quarta:
Para os céticos, eles são ingênuos seduzidos pela badalação que não reconheceriam uma tirania comunista se ela expropriasse suas sandálias. “Repulsivos pacifistas americanos e europeus, esquerdistas, malcheirosos, armados com o cartão de crédito da mamãe e sandálias de tira novinhas em folha”, segundo a revista de direita American Thinker. Para o governo venezuelano, eles são amigos que testemunham em primeira mão as mudanças positivas nas favelas e nos campos, e voltam para casa para espalhar a boa nova.Conheçam os turistas revolucionários, uma onda de mochileiros, artistas, acadêmicos e políticos em missão para descobrir se o presidente Hugo Chávez está realmente forjando uma alternativa ao neoliberalismo e ao capitalismo. Eles são os sucessores dos chamados “sandalistas” que acorreram em bandos à Nicarágua governada pelos sandinistas nos anos 80 e para Cuba em décadas anteriores.
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Perfeitos idiotas 2 – Futuro ditador do Equador anuncia reajuste a militares

No Estadão desta quarta:
Um dia depois de assumir a presidência do Equador, o esquerdista Rafael Correa recebeu ontem as boas-vindas ao palácio do governo, em Quito, de uma comissão de militares em traje de gala. Já em confronto aberto com o Congresso do país, por causa de sua decisão de convocar um plebiscito sobre a instalação de uma Assembléia Constituinte, Correa prometeu aumentar o salário dos militares do país. “É preciso tratar de melhorar as condições de vida de nossos soldados”, anunciou Correa, amigo pessoal do presidente venezuelano, Hugo Chávez, durante o ato oficial.Correa foi o sétimo presidente a tomar posse no Equador em dez anos. No mesmo período, nenhum dos três presidentes eleitos chegaram ao fim de seus mandatos.O ministro da Economia nomeado por Correa, Ricardo Patino, anunciou ontem que espera a visita de um grupo de economistas que assessorou a renegociou a dívida externa da Argentina. “Recebi uma visita - a nosso convite - de um especialista em questões de dívida externa, Oscar Guarteche, e nas próximas semanas a comissão que renegociou a dívida externa argentina virá discutir as questões relacionadas à nossa legislação”, afirmou Patino. Correa prometeu renegociar a dívida externa e não descartou a possibilidade de moratória.
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Perfeitos idiotas 1 - Manifestantes pró-Evo têm ajuda do Exército para depor governador eleito

No Estadão desta quarta:
Duas grandes assembléias populares - uma de partidários do presidente boliviano, Evo Morales, em Cochabamba, e outra de opositores, em Santa Cruz - ampliavam ontem a tensão política na Bolívia e afastavam a possibilidade da abertura de um diálogo para a pacificação do país. Em Cochabamba, 30 mil seguidores de Evo resolveram num cabildo (assembléia) na Praça de Armas, no centro da cidade, desconhecer o governador Manfred Reyes Villa, que faz oposição ao governo central. Os manifestantes nomearam à noite um “governo revolucionário” de quase 30 membros, que foram autorizados pelo Exército a entrar no edifício do governo de Cochabamba - mas, por causa da falta de energia elétrica no local, não puderam fazer a reunião que pretendiam. O “governo revolucionário” deve nomear hoje um governador paralelo. “Reyes Villa já não é governador e deve responder por seus atos contra a vontade popular”, disse o líder sindical Víctor Mitma.Já em Santa Cruz, onde Reyes Villa está refugiado, o comitê cívico local, opositor de Evo, promoveu uma concentração para condenar a violência em Cochabamba e exigir negociações que permitam ao governador, eleito em 2005, reassumir seu posto. Reyes Villa é acusado pelo Movimento ao Socialismo (MAS), de Evo, de ter ordenado a repressão de um protesto contra ele na semana passada, na qual morreram 2 ativistas. A concentração de Santa Cruz ocorreu num bairro onde predominam partidários do MAS.
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Chegam dez chefes de Estado para cúpula do Mercosul

Por Pedro Soares, na Folha desta quarta:
Os presidentes dos dez países que confirmaram presença na Cúpula dos Chefes de Estado Mercosul começam a chegar hoje ao Rio de Janeiro para a reunião, que acontece na quinta-feira e na sexta-feira. O Itamaraty convidou 12 chefes de Estado das Américas do Sul e Central, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Dois dos presidentes mais aguardados já desembarcam hoje no Rio: Néstor Kirchner (Argentina) e Evo Morales (Bolívia). Amanhã, está prevista a chegada de Michelle Bachelet (Chile) e do recém-empossado Rafael Correa (Equador). O presidente venezuelano, Hugo Chávez, também já confirmou presença.Também são esperados pelo Itamaraty os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, e do Uruguai, Tabaré Vasquez, além dos mandatários da Guiana, Bharrat Jagdeo, e Suriname, Ronald Venetiaan.Até ontem, apenas o Panamá não havia confirmado a presença de seu chefe de Estado.
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Governo cria quase 100 Grupos de Trabalho que não... trabalham!

Por João Domingos, no Estadão desta quarta:
Rapidez na tomada de decisões não foi o ponto forte do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Muito dessa lentidão pode ser atribuído ao hábito de criar grupo de trabalho, instituição conhecida pela sigla GT. Para qualquer assunto, o governo saca um. Problemas com a pesca da sardinha? Está criado um GT. Com o camarão? Mais um. Há muitos alcoólatras sendo atendidos pelo SUS? Outro. Machado de Assis não é tão lido? Um GT resolve. Os negros não têm empregos? Taí o GT. Pesquisa feita pelo Estado no Diário Oficial da União de 2003 até ontem mostra que no governo Lula foram criados 96 grupos de trabalho, a maioria deles sem grande resultado para mostrar. Os GTs proliferaram principalmente nos 30 primeiros meses do governo Lula, coincidindo justamente com o período em que José Dirceu foi ministro da Casa Civil. Isso pode justificar um pouco a fama de concentrador de poder que Dirceu carrega, porque todo GT envolve um grande número de ministérios sob o comando da Casa Civil. O que cuidou dos problemas da população de Alcântara (MA) tinha 20 ministérios, mais o Comando da Aeronáutica. Na gestão de Dirceu, foram criados 77. Quando Dilma Rousseff assumiu o lugar do ex-ministro, em 22 de junho de 2005, ela acabou com a fúria criadora de grupos de trabalho. Em toda sua gestão, foram abertos 19.
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Terça-feira, Janeiro 16, 2007

Mistificações

Para todos os efeitos, Evo Morales roubou do Brasil a Petrobras — ainda, é claro, que Lula previamente soubesse das pretensões daquele índio de araque. No momento, Evo Morales estimula seus bate-paus a pressionar os governos das províncias a renunciar. A exemplo da Venezuela, a Bolívia está em marcha batida para a ditadura. E o Brasil faz o quê? Ora, na reunião de sexta-feira próxima dos presidentes do Mercosul, no Rio, Lula vai apoiar o ingresso da Bolívia no Mercosul.
É justo. A Venezuela “socialista” já veio. Se a posição do Brasil for vencedora, Evo ainda terá um benefício: não precisará praticar a TEC (Tarifa Externa Comum). O que é isso? É a aplicação de tarifas idênticas no comércio do bloco com terceiros países — já que o Mercosul, por enquanto, pretende ser uma união aduaneira (embora Brasil e Argentina não consigam se entender). Uruguai e Paraguai já reivindicaram essa exceção e não conseguiram. O mesmo vale para o Chile.
O chanceler Celso Amorim diz que não é bem assim. Para ele, o Uruguai quer é um Tratado de Livre Comércio com os EUA. E isso, sim, seria incompatível com o Mercosul. Entendi. A Bolívia pode deixar a TEC de lado desde que não faça um acordo bilateral com os americanos, que temos a pretensão de tratar como adversários comerciais. Por que um raio não parte a cabeça dessa gente? Porque Deus não se ocupa de comércio nem é vingativo. Infelizmente.
Mas o escândalo maior não é esse. Amorim afirmou que as medidas de Chávez, anunciadas na semana passada, facilitam a integração da Venezuela ao Mercosul. E o que o venezuelano anunciou? A ditadura, ora essa. Mas o brasileiro viu um ditador dando mais autonomia de negociação à sua chancelaria...

Para inglês ver

Leiam o que vai abaixo. Volto em seguida:

Por João Caminoto, no Estadão:
A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Margaret Beckett, reforçou nesta terça-feira o apoio de seu país à aspiração do Brasil de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Mas, ao ressaltar, durante um encontro promovido pela Câmara Brasileira de Comércio em Londres, o "crescente peso do Brasil no cenário mundial e sua liderança na América Latina", ela alertou que isso também fez com que aumentasse a responsabilidade do governo brasileiro.
“O Brasil tem que se engajar politicamente e economicamente em sua região e partilhar da responsabilidade no mundo na busca do progresso em questões cruciais como o meio ambiente e um novo acordo multilateral de comércio", afirmou Beckett.
Beckett disse que a atual composição do Conselho de Segurança das Nações Unidas, elaborada após a Segunda Guerra Mundial, não reflete as mudanças geopolíticas que ocorreram nas últimas décadas e precisa ser alterada. "As realidades de 1945 não são as de 2007", afirmou. "A ONU precisa ter autoridade e legitimidade e para isso é necessário que ela acomode outros países, inclusive emergentes, entre os quais o Brasil, que claramente é um dos líderes." Por isso, acrescentou, o governo britânico "apóia fortemente" a candidatura brasileira.

Voltei
O governo do Babalorixá pode dizer que é uma grande vitória. Mas também pode-se dedicar a entender o que vai nas entrelinhas. E, nas entrelinhas, estão postas precondições para o Brasil aspirar ao posto. Mais adiante, em sua fala, a ministra foi explícita: “O Brasil tem condições de exercer um papel de liderança para levar os países do G-20 (grupo de países em desenvolvimento) a apoiarem um acordo." Acontece que, até agora, o Brasil tem contribuído mais é para um não-acordo. Logo, o tal “apoio” da Grã-Bretanha à pretensão brasileira está condicionada a uma mudança de comportamento.
Os europeus, de todo modo, são mais sensíveis à pretensão brasileira do que os EUA ou a China, que já nos deu uma vistosa banana. Será o Departamento de Estado americano tão idiota a ponto de ignorar a óbvia simpatia brasileira pelas neoditaduras da América Latina (Venezuela, Bolívia e Equador a caminho)? Tomara que não. O Brasil aspira a um lugar pra fazer o seu proselitismo Sul-Sul. Em recente votação, reincidimos na barbaridade de não condenar o governo do Sudão por conta de sua associação com uma milícia anticristã e homicida. O que temos a oferecer ao Conselho de Segurança da ONU além de pragmatismo de pobre?

E se Fruet desistir?

O tucano Gustavo Fruet (PR) está lançado candidato à Presidência da Câmara. Segundo diz, se não conseguir o apoio de seus pares na reunião da próxima terça, desiste da disputa. E aí? Aí o grupo que defende a Terceira Via lança um outro nome, com características — será inescapável — de anticandidatura. A coisa se complicou bem para o PSDB. Compareceram à reunião de hoje 13 tucanos. Mas eles juram que há outros 12 que também não aceitam o nome de Arlindo Chinaglia (PT-SP). Vamos ver.

Muda nesta madrugada

Não havendo nenhum erro de engenharia, o site já fica de cara nova nesta madrugada – entre 0h e 2h30. Qualquer dificuldade de acesso nesse intervalo tem a ver com a mudança. Ainda vamos trabalhar com a ferramenta do Blogger. Mas também isso é questão de tempo. Alguns reclamam do chapéu. Huuummm. Queriam ver a depressão lunar no meu cocuruto? Nem a todos tal graça se consente, rá, rá, rá. É claro que fiquei um tanto inatual. Mas eu sou inatual... O grande ganho da mudança de logo mais é o sistema de busca.

Glossolalia política

O que penso da episcopisa e do apóstolo? Já escrevi outras vezes a respeito. Houvesse uma cadeia para sandices teológicas — ainda bem que não há —, eles mereceriam prisão perpétua. Vê lá se Deus fica dando plantão em templos da Renascer para fazer milagres... Da Renascer ou de qualquer outra dessas seitas neopentecostais que inflacionam o mercado da epifania. Num único culto, imaginem, acontecem mais eventos miraculosos do que nos anos todos em que Cristo viveu entre nós. Façam um na minha frente. Quero ver.
Acontece que todo trouxa tem o direito sagrado de ser enganado. Se alguém quer acreditar que, por intevenção de milagreiros, um paraplégico anda, ninguém tem de se intrometer na sua loucura.
Agora, crimes contra a ordem legal são coisas distintas. Como também concerne ao Estado de Direito investigar o uso que seitas neopentecostas fazem de concessões públicas de rádio e TV. A Igreja Universal do Reino de Deus tem uma rede de TV, a Record, e, pasmem!, até um partido político. Ao qual pertence ninguém menos do que o vice-presidente da República.
Paulo Henrique Amorim, que aparece censurando com severidade a cupidez das empreiteiras no caso do Metrô (sem saber o que aconteceu), é um dos contratados da Rede Record, de Edir Macedo. A Universal, é bem verdade, anda carregando menos no seu acento místico. Cada vez mais transforma a auto-ajuda em religião. E se tornou íntima do petismo. No fim das contas, o que é o PT a não ser uma forma de neopentecostalismo?

A episcopisa e o apóstolo

Sei não, mas acho que a língua não abona a palavra “bispa”. Há uma denominação muito mais antiga e escorreita, que sugiro seja adotada pela líder da Renascer: “episcopisa’. Já imaginaram a “Episcopisa Sônia” em sintonia com o Espírito Santo, exercendo a glossolalia em rede nacional de TV? “Bispo” vem do grego “epískopos” (vigia). E, até onde sei, não tem um feminino a não ser na versão mais culta da língua. Já a escolha de Hernades pelo termo "apóstolo" é herética. Apóstolos são aqueles que conviveram com Cristo, exceção feita a Paulo. Ou Hernandes esteve com o próprio Filho de Deus, que também é Deus, ou, a exemplo de São Paulo, recebeu um raio divino. O apóstolo, o de verdade, ficou cego — e depois recuperou a visão. Hernandes, até onde se sabe, enxerga longe.

O "apóstolo" e a "bispa"

Luiz Flávio Borges D'Urso, o advogado que defende os autoproclamados “apóstolo” Estevam Hernandes e “bispa” Sonia, fundadores da Igreja Renascer, entrou com um recurso contra a extradição do casal, que está preso nos EUA. Acho que vou surpreendê-los e declarar meio apoio à iniciativa de D’Urso. A chance de que os dois sejam punidos lá, mas não aqui, me parecem imensas...

A Folha On Line resume o caso:
Os Hernandes foram detidos, no último dia 9, no aeroporto de Miami por terem declarado incorretamente à alfândega norte-americana que não carregavam mais de US$ 10 mil cada. O casal portava, entretanto, US$ 56 mil em espécie.
A defesa argumenta que houve somente um equívoco na declaração de valores. Na tese dos advogados, como eles viajavam em sete pessoas (o casal, dois filhos e três netos), poderiam transportar até US$ 70 mil.
O Ministério Público de São Paulo, que os denunciou por lavagem de dinheiro, pediu então a prisão preventiva e a extradição do casal.
Aceito pelo Justiça, o pedido de extradição segue para o Ministério da Justiça, para o Ministério das Relações Exteriores, quando segue para a Embaixada do Brasil nos EUA, antes de ser encaminhado para os órgãos competentes americanos, em um processo que deve durar alguns meses.
Segundo informações do consulado brasileiro, o casal responde por acusações de declaração falsa à alfândega americana e por "cash smuggling ("contrabando de dinheiro", em tradução literal) e ainda estariam detidos em um presídio federal em Miami, de acordo com as últimas informações disponíveis. A primeira audiência na Justiça americana está marcada para o próximo dia 24.

Mentira
Mentir à Polícia, nos EUA, é crime grave. A situação dessas duas pessoas tão pias se complicou bem. A argumentação de D’Urso, a única possível — houve só um engano na declaração do volume do dinheiro —, é complicada. Ninguém se engana escondendo dinheiro numa Bíblia, certo? Entre uma pena leve lá e pena nenhuma aqui - alguém dúvida? -, que se faça alguma justiça.

Chinaglia tem um advogado à altura

Arlindo Chinaglia já tem um advogado à altura.. Na Folha On Line:
O ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) anunciou nesta terça-feira apoio à candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara. Ele argumentou que o petista tem coragem de enfrentar a imprensa para defender temas polêmicos como o aumento salarial para os parlamentares, ao contrário do atual presidente da Casa, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), que tenta a reeleição."O Chinaglia é que realmente representa a independência do poder Legislativo. Ele não tem medo da imprensa, ele enfrenta as coisas, não é como o atual presidente que só faz aquilo que a imprensa quer", disse. Por isso, continuou o deputado, seu apoio "só poderia ser para o Chinaglia".
Ninguém conseguiria fazer defesa melhor do petista.

Opções

Se me pedisse para optar entre a cupidez e a incompetência como razão do desabamento do metrô, eu escolheria, é claro, a primeira. Tem cura e pode ser punida. A segunda é um destino.

Cara nova

O blog vai mudar de cara. E eu também. Com uma foto recente – tirada ontem. De chapéu. Passaremos a ter ferramenta de busca. Logo, estréia a prometida nova área, com textos não relacionados a política e economia.

Politizando cadáveres 2 - Ódio ao capitalismo

Em seu blog, Paulo Henrique Amorim (ver nota abaixo) pega carona em reportagens publicadas na Folha desta terça sobre um certo “Turn Key”, modelo de relação das construtoras com o Estado que seria pautada pela “terceirização total”. Trata-se de uma fantasia política e jornalística. As empreiteiras sempre tiveram o poder de subcontratar outras empresas. Não há novidade nenhuma nisso. Também se tenta censurar um certo “prêmio” que seria pago a empresas de projetos que apresentem soluções de economia de material.
Ainda que seja assim, qual o problema? A própria reportagem da Folha informa que a tal economia seria feita “dentro da norma técnica”. Ah, mas aí aparece “um professor de engenharia civil da USP” segundo quem o tal prêmio corresponderia, num paralelo com a cardiologia, a fazer duas pontes de safena para economizar dinheiro, quando seriam necessárias três. Ah, sim: ele prefere não ter seu nome revelado.
O que será que ele teme? No anonimato, ele pode jogar na lama a reputação alheia sem nem saber direito o que aconteceu. Mas, claro, não quer se expor a uma resposta. É a coragem moral dessa gente. Mais: submeta a reportagem à lógica, e ela desmorona junto com o metrô: economizar pontes de safena não estaria “dentro da norma técnica”. Logo, o paralelo não não serve. Aí vem um sindicalista do PSOL para dizer que o que faltou é fiscalização de engenheiros do próprio Metrô — como se acidentes nunca tivessem acontecido antes. Os engenheiros do Metrô nunca cavaram um metro de buraco!

Engenharia e Física
A engenharia civil é bem sucedida, ao menos do ponto de vista da segurança, quando acontece uma combinação entre a necessidade e as leis da física. Caso se desprezem estas em benefício daquela, a estação desmorona, a ponte cai, o prédio vem abaixo. Assim, a avaliação feita ontem pelo vice-governador Alberto Goldman e pelo governador José Serra estão corretas. É claro que houve um problema de engenharia. É claro que os construtores são responsáveis pelas obras.
Qual foi o problema? Até agora, não se sabe. Mas os vermelhos, inclusive os do jornalismo — alguns desses vermelhos são comprados a peso de ouro —, resolveram entrar em ação. Há coisa mais simpática às esquerdas do que acusar empreiteiras? Elas nem mesmo aprenderam a fazer o marketing dos banqueiros, investindo em cinema, centros culturais, ONGs etc. Um empreiteiro parece ter um coração de concreto, não é mesmo? Não fossem as chuvas acima da média, talvez aquele troço não tivesse vindo abaixo. Mas as chuvas são um dado do problema. Logo, descarte-se a questão. Onde foi que a engenharia errou? Sim, ela errou.
O que me incomoda são as múltiplas sugestões de que houve dolo — e as especulações irresponsáveis de quem ainda nada sabe sobre o caso —, como se o sucesso de um empreendimento, tocado por porcos capitalistas, se medisse pelo número de vítimas que faz. Mais: as autoridades, até agora, estão tendo um comportamento exemplar no caso.

Politização e ódio ao capitalismo
Está em curso um esforço cotidiano, incansável, para politizar ou, melhor ainda, partidarizar a questão. E junto vêm os camaradas de sindicatos ligados ao PC do B e ao PSOL para denunciar a ganância capitalista. Boa parte da imprensa também tem ódio ao capitalismo. Seguro, no Brasil, como sabemos, é voar nos céus administrados pelo Estado... A imprensa, Rede Globo incluída, transformou o caso em prioridade absoluta. É justo e compreensível que assim seja. Mas Paulo Henrique Amorim, claro, acha que está sendo dada menos importância ao caso do que à foto do dinheirama do dossiê... Dossiê??? O que o dossiê tem a ver com isso? Nada, é claro! Apenas aponta as escolhas ideológicas desses analistas isentos.

O tucano Fruet é o nome da Terceira Via

Gustavo Fruet (PSDB-PR) acaba de topar a indicação da chamada Terceira Via para disputar a presidência da Câmara. Lança já a sua candidatura e, na semana que vem, submete à bancada. Criou-se uma óbvia saia justa para os tucanos: os deputados serão levados a optar entre um candidato do partido e outro do... PT — ou, vá lá, do PC do B e de Lula. Fruet quer se manter na disputa só se contar com o apoio de seus pares de partido. O desgaste do PSDB caso despreze um dos seus será ainda maior. Na reunião de hoje, compareceram apenas 13 tucanos. Não é muito. Mas a situação se complica bem para os que defendem o apoio ao petista Arlindo Chinglia (SP).

Politizando cadáveres 1 - A banda de música do PT

É incrível. Já se espalhou pela Internet a mentira canhestra de que o acidente no Metrô de São Paulo se deve à Parceria Público-Privada. A PPP — de resto, uma proposta do governo Lula para substituir a privatização — nada tem a ver com a construção do Metrô, mas com a compra e operação dos trens. E daí?

Um leitor de manda o link de Paulo Henrique Amorim. Sim, falar dele é um pouco chato. Ninguém lê o homem. Mas a petistada aproveita para reproduzir na rede o que ele escreve. As quatro principais chamadas de seu blog buscam atingir Serra. No momento mais notável, lê-se:

O Governador José Serra apareceu em todos os noticiários – inclusive aqui no Conversa Afiada um exercício perfeito de tautologia: “A responsabilidade é dos construtores. E não há possibilidade de ser de outra maneira, porque são os construtores”.

Se Serra tivesse dito algo diferente disso, iria apanhar. Paulo Henrique, vê-se, não sabe o que é uma tautologia. E também não sabe consultar um dicionário.

Mais adiante, escreve o jornalista — quero dizer, Paulo Henrique Amorim:

É bom não esquecer que, até agora, o Governador de São Paulo entregou toda a investigação ao IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), órgão subordinado à Universidade de São Paulo, que fica debaixo da responsabilidade do Governo do Estado acessar o site do IPT).
. O IPT é uma instituição respeitada, acima de qualquer suspeita, mas, por ser subordinado ao Governo do Estado, não pode ser a única a investigar as causas do acidente.
. Por isso que a Justiça tem que falar mais alto. A começar pelo Ministério Publico.

É uma mistura de má-fé com ignorância. O “governador não entrega” investigação a ninguém. O IPT é apenas uma das frentes que apuram o caso. De resto, se ele está "acima de qualquer suspeita", então qual é a suspeita? O que quer dizer “Justiça falar mais alto”? Por acaso alguém está tolhendo o seu trabalho? Alguém avise o moço que o Ministério Público NÃO PERTENCE À JUSTIÇA. Ademais, ele já abriu procedimento para apurar a responsabilidade do Estado no caso.

Mas encantado eu fiquei mesmo quando Amorim escreve:

“Afinal, isso aqui não é Cuba, não é Venezuela. Isso aqui é uma democracia (ou quase), regime que se caracteriza pela independência dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.”

O Brasil não é uma Venezuela, mas não é por falta de vontade de Paulo Henrique Amorim. Eu debati com ele durante quase três horas na Livraria Cultura. E ele defendeu ardorosamente o regime de Hugo Chávez, inclusive a maneira como o ditador venezuelano se relaciona com a mídia. Mais: na opinião de Amorim — era o período da CPI do Mensalão —, Lula deveria, então, ter ocupado a rede pública de TV para defender “o governo e seu partido”. O bom do encontro é que ele tinha testemunhas. E suponho que a Livraria Cultura tenha gravado a conversa. De qualquer modo, há comentários na rede sobre o encontro. E todo mundo, incluindo o próprio, sabe que eu falo a verdade. Como Chávez optou agora pela ditadura escancarada, Paulo Henrique tenta enganar os trouxas, fazendo de conta que nunca foi um admirador seu, um verdadeiro entusiasta — segundo disse, um modelo a ser seguido por Lula.

Os cadáveres nem foram tirados do buraco, e o petismo já arma o bote da sua politização.

A disputa na Câmara - quem quer e faz o quê

Se o tucano Gustavo Fruet (PSDB-PR), será ele o indicado da chamada Terceira Via para disputar a presidência da Câmara com o petista Arlindo Chinaglia (SP) e o comunista do Brasil Aldo Rebelo (SP). As posições táticas são as seguintes:

Jutahy Jr. – aposta que, na reunião da próxima terça, a maioria dos tucanos vai escolher Chinaglia. Seria a confirmação de seu anúncio da semana passa. Há um risco: Aécio Neves, entusiasta da solução petista, percebeu o calor e tirou a escada. Pode recomendar aos mineiros que dividam seus votos entre Aldo e a Terceira Via. Ainda que o petista conseguisse a maioria relativa dos votos, a opção sairia enfraquecida.

Gustavo Fruet
– Mostra disposição para ser o candidato da Terceira Via, mas não aceita que o nome tenha características de anticandidatura. Quer a garantia de que colabora, ao menos, para a existência de um segundo turno. Calcula que, para tanto, seriam necessários uns 60 votos. Quer que o grupo dos alternativos adie o lançamento do nome, à espera da reunião dos tucanos na terça-feira que vem. Se a bancada optar de forma esmagadora por Chinaglia, sua intenção é rejeitar a indicação.

PSDB –
Como está sem piloto, o avião vai ao sabor das turbulências. O apoio a Chinaglia foi decidido pelos grupos de Aécio Neves e José Serra. O mineiro fez o primeiro vice-presidente, e o outro, o líder na Câmara. Soluções regionais viriam no bojo dessa escolha. Governista por governista, o prêmio do PT era maior. Acontece que o PSDB está conflagrado. Em São Paulo, a ala “alckmista” resolveu se rebelar. Não pensa na Câmara, é claro. Mas em disputas futuras.

PFL – Na disputa na Câmara, não queima o filme tanto quanto o PSDB. Mas deveria. O que explica seu apoio a Aldo Rebelo? Alguém é capaz de explicar? Não é a proporcionalidade, certo? Não é o oposicionismo do escolhido. Então é o quê? Não está melhor na fita do que seu principal parceiro de oposição.

Terceira Via – O grupo se perdeu um pouco quando tentou ser “viável” nos números. Sua principal viabilidade era o protesto político. E por aí deveria ter atraído simpatias. Ficou um tanto desarranjado quando o PSDB decidiu optar formalmente por Chinaglia — decisão que agora vai ser novamente debatida.

Governo – Vive o melhor dos mundos. Enquanto a oposição dá um show de inabilidade, o Apedeuta tem dois candidatos viáveis.

Arlindo Chinaglia – Considerados os apoios partidários, é o futuro presidente da Câmara. Mas esses apoios não contam tanto assim. De fato, conta com 50% do PMDB — que não fechou questão e nem tem como: o voto é secreto. Entre os tucanos, os simpatizantes também são metade da bancada.

Aldo Rebelo – No que respeita aos partidos, já foi esmagado. Também foi miseravelmente abandonado por Lula. O comunista do Brasil tem no “liberal” PFL a sua principal força de apoio. Os pefelistas acham que, fazendo assim, chateiam um pouco o PT. É irrelevante. Caso a Terceira Via consiga provocar um segundo turno, suas chances aumentam.

José Serra – Optou pelo critério da proporcionalidade, mirou a sua prioridade em fazer o líder na Câmara — Antonio Carlos Pannunzio — e acha que a oposição ao governo deve se dar em outro campo. Não recuou. Vale o combinado. O critério da proporcionalidade lhe é útil para a Mesa da Assembléia Legislativa em São Paulo.

Aécio Neves – É co-responsável pela opção Chinaglia. Mas decidiu deixar seus pares de decisão falando sozinhos. Da noite para o dia, passou a ser um crítico do anúncio do apoio ao petista. Há quem confunda essa postura com habildade política.

FHC – Catalisou a reação dos que rejeitavam o apoio a Chinaglia. De maneira também precipitada, havia flertado com o apoio ao lulista Aldo Rebelo quando foi à posse de Teotônio Vilela Filho no governo de Alagoas. Em nota de protesto contra o apoio ao petista, passou a contar com a possibilidade de os tucanos apoiarem um nome da Terceira Via.

Laxismo do látex e escolha individual

Prometo a mim mesmo, todos os dias, que vou dormir mais cedo. E lá vêm vocês com questões. E cá estou eu escrevendo. É útil escrever? Sei lá. Às vezes, sou tentado a achar que não. O que há de gente que não entende o que lê — ou que lê o que quer, não o que está escrito — é um troço formidável. Mas é assim que ganho a vida. E, claro, também tenho prazer no que faço. Então faço. Sem camisinha. No fim das contas, embora esta seja uma atividade solitária, vai ver quero inseminar, contaminar. Huuummm... Vamos lá.

Alguns me atribuem a afirmação de que a camisinha não protege contra a Aids. Eu não disse isso. Não mesmo! Quem não acreditava no vírus até outro dia é o presidente da África do Sul, um “progressista” amigo de Nelson Mandela. Eu acredito. E recomendo firmemente que as pessoas, caso não sejam monogâmicas ou desconfiem que a outra não seja, usem o preservativo ou exijam que se use. Tratei foi de outra coisa.

Eu disse que a escolha moral correta salva mais do que a camisinha. Disse e sustento. É lógico, é matemático. Questão geral: não contrai AIDS por meio do sexo quem não faz sexo. É um método 100% seguro. Optando por fazer, também não contrai AIDS por meio do sexo quem, não estando contaminado, mantém relações monogâmicas com outra pessoa não contaminada, seja a prática heterossexual ou homossexual. Também é 100% seguro se estiver descartada outra forma de contaminação — sangue, por exemplo. As relações começam a ser de risco quando as pessoas não seguram o tesão e decidem fazer uma aposta.

Atenção: é nessa aposta que reside o risco da doença, desta ou de qualquer outra que possa ser contraída trocando fluidos corporais. Nesse caso, é claro, a camisinha é mais do que recomendável, é obrigatória. Mas não é tão segura quanto o método 1 (sexo zero) ou o método 2 (sexo responsável). “Ah, deixe de ser careta, carola, TFP, Opus Dei, reacionário (preencham aí à vontade...), Reinaldo. Quando vem o tesão, fazer o quê?”. Pois é. Então não há camisinha que dê jeito. E por isso a AIDS é um flagelo. Negar que exista um componente de escolha individual na expansão da doença por meio do sexo é negar o óbvio.

Aqui e alhures, as campanhas conta a AIDS são razoavelmente ineficazes, apesar da quantidade de dinheiro que mobilizam — a tuberculose mata muito mais no Brasil e tem muito menos verba porque não é uma doença influente; só mata pobre. Porque todo o apelo se concentra no uso do preservativo, com nenhuma forma de indagação de natureza moral. Jamais apela à consciência individual. É mentira que o primeiro mandamento das campanhas seja a responsabilidade. Ao contrário: antes de tudo, a mensagem aos jovens é “Façam sexo”. E só depois vem o complemento adverbial — quase instrumental: “com camisinha”.

Algumas pessoas ficaram escandalizadas com a minha afirmação de que máquinas de distribuição de camisinha nas escolas podem até aumentar o número de doenças entre os jovens ou a gravidez precoce. É uma ilação lógica. A primeira conseqüência será despertar para o sexo quem a tanto não se sentia compelido. Duvido que quem já se iniciou na prática ignore os benefícios da camisinha. O problema não está na ignorância, mas na falta de responsabilidade. É o que a escola deveria estimular, ensinar, fomentar. Em vez disso, vai distribuir preservativos. Não consegue ensinar matemática e língua portuguesa, como sabemos. Mas quer se meter da administração da genitália alheia.

Não! Não culpo doentes pela sua doença. As pessoas não transam com a finalidade de contrair AIDS. Mas elas têm de saber que isso é possível. Estamos acostumados ao conforto de ser tolhidos em nossa liberdade de escolha. Contradição? Em sentido profundo, é mesmo. Na prática, são questões opostas, mas combinadas. Os brasileiros estão se conformando em ser subordinados morais de causas que julgam fora de seu alcance. “Matou porque é pobre e teve uma infância difícil”. “Engravidou porque é vítima da falta de informação”. “Contraiu AIDS porque nem sabia da existência da doença; era ignorante”. Então vai lá o Estado se oferecer para ser o pai patrão dos brasileirinhos.

Um leitor se indignou: “O que você tem contra transar com pessoas desconhecidas?” Eu??? Meu amigo, entre quatro paredes, sendo sexo consensual e desde que excluídos crianças e animais, cada um sabe de si. Mas tenho todo o direito — de fato, acho um dever — de discordar das campanhas públicas de educação sexual, incluindo a distribuição de camisinhas nas escolas, que tratam os indivíduos como idiotas funcionais. Valores culturais e morais que concorressem para adiar a iniciação sexual dos jovens, cada vez mais precoce, fariam muito mais contra a AIDS e a gravidez na adolescência do que esse laxismo do látex.

Mas sei que minha tese não tem a menor chance de prosperar. A maioria não pensa assim. Como quase sempre, a maioria está errada, hehe.