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Venezuela

19/06/2015

às 7:24

Dilma vai esfregar as mãos do governo brasileiro, sujas do sangue venezuelano, na cara do Congresso Nacional?

Vejam esta foto. Volto a ela depois.

Dilma-Cabello

O que se deu na Venezuela foi muito grave. O ataque promovido por milícias bolivarianas aos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), José Agripino (DEM-RN), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), José Medeiros (PPS-MT) e Sérgio Petecão (PSD-AC) não agride apenas os parlamentares individualmente ou em grupo. Trata-se de uma agressão ao Brasil.

A comissão desembarcou no aeroporto de Caracas de um avião que traz a inscrição “Força Aérea Brasileira”. Mais: o governo venezuelano havia se comprometido com a segurança do grupo. A presidente Dilma Rousseff deveria ter emitido uma nota de repúdio com a chancela da Presidência da República. Em vez disso, veio a público um discreto muxoxo do Itamaraty. Faz sentido.

Na semana passada, na Bélgica, Dilma resolveu apontar o dedo acusador contra os EUA, ainda que o tenha feito de modo oblíquo, ao afirmar que são inadmissíveis quaisquer sanções à Venezuela. Saía, assim, em defesa da ditadura. No dias 8 e 9, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, esteve no Brasil. Como já informei aqui, encontrou-se com Luiz Inácio Apedeuta Silva. Mas não só com ele: também foi recebido em palácio pela… presidente da República. Vejam a foto lá no alto.

Cabello é investigado nos EUA por tráfico de drogas. O chefe de sua segurança pessoal se exilou e o acusa de ser o homem que centraliza o narcotráfico no país. Nada que assuste Lula. Nada que assiste Dilma.

Os senadores já estão de volta no Brasil. Não conseguiram, e o mesmo aconteceu com outras comissões estrangeiras, acesso aos presos. É preciso ver o que pode ser feito no âmbito do Senado. Tanto o tratado do Mercosul como o da Unasul têm as cláusulas democráticas. A Venezuela as desrespeita de maneira firme e determinada. Pior do que o silêncio da presidente Dilma e do PT, são as manifestações claras de apreço por um regime que conduziu a Venezuela ao caos econômico e social.

O governo brasileiro é, em muitos aspectos, mais do que cúmplice da ditadura. Tornou-se um seu propagandista. Quando Dilma se deixa fotografar ao lado de uma personagem facinorosa como Cabello, está fazendo uma escolha. O encontro de ambos nem estava na agenda oficial da presidente.

Há muitos anos aponto o discurso hipócrita de boa parte das esquerdas que ainda ousam falar em democracia, quando o que querem, está demonstrado mais uma vez, é ditadura. Ora, se Dilma Rousseff tivesse tirado uma lição humanista, de valor universal, das agruras pelas quais diz ter passado na cadeia, deveria ter ojeriza do governo Maduro. Aquele regime tortura e mata, a exemplo do que ocorreu no Brasil nos piores tempos da ditadura. Sim, Dilma pertencia a uma organização terrorista. Uma vez rendida pelo Estado, jamais poderiam ter encostado a mão em um fio do seu cabelo. Os presos políticos da Venezuela nem terroristas são.

Qual o quê! Ao emprestar apoio integral e irrestrito ao governo Maduro, Dilma parece dizer que não é contra a tortura — só contra a tortura de pessoas erradas; isto é, as que pertencem à sua grei ideológica. Ao emprestar apoio integral e irrestrito ao governo Maduro, Dilma parece dizer que não é contra o assassinato político — só contra o assassinato das pessoas erradas. Ao emprestar apoio integral e irrestrito ao governo Maduro, Dilma parece dizer que não é contra milícias armadas e esquadrões da morte — só contra milícias armadas e esquadrões da morte que escolham… alvos errados.

Não fosse assim, o governo já teria usado o peso que tem o Brasil na América Latina para cobrar compostura de Maduro. Em vez disso, faz precisamente o contrário: protege um governo criminoso em nome de idiossincrasias ideológicas.

Como reagirá Dilma? O governo venezuelano fez com que senadores da República Federativa do Brasil caíssem numa armadilha. Sitiou-os em meio a automóveis, de sorte que não podiam nem ir nem voltar, e incitou os cachorros loucos.

É uma agressão aos parlamentares, ao Senado e ao Brasil. O apoio a Maduro suja de sangue as mãos do governo brasileiro. Vamos ver se Dilma pretende esfregá-las na cara do Congresso Nacional, em mais uma manifestação de pouco caso com as regras da democracia e da civilidade.

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2015

às 4:57

Os debochados! Ou: Eles não têm cura! Ou: Petistas e esquerdistas, certamente há outros modos de ganhar a vida tanto honesta como desonestamente!

Acreditem! Enquanto senadores brasileiros eram vítimas de hordas de brucutus a mando da ditadura de Nicolás Maduro; enquanto o governo cercava Caracas para impedir que os parlamentares conseguissem chegar à prisão em que está Leopoldo López; enquanto representantes do Congresso Nacional corriam o risco de ser linchados, sem que lhes fosse oferecida a devida segurança, segundo acordo firmado pelo governo da Venezuela com o do Brasil, parlamentares chapas-vermelhas, aqui no país, encaminhavam a Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, um pedido para uma outra viagem à Venezuela. A ideia, desta feita, é reunir apenas esquerdistas amigos de Maduro.

A aeronave dos insensatos, se aprovada, será composta por Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lídice da Mata (PSB-BA), Roberto Requião (PMDB-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Segundo Randolfe, o objetivo é “acompanhar de perto os acontecimentos que estão ocorrendo lá”. Embora tenha dito que nada justifica a violência contra os parlamentares, o senador lembrou que a comitiva agredida tem uma posição “mais próxima da oposição venezuelana”. Logo, deve-se entender que esse outro grupo está mais próximo do tirano Nicolás Maduro. E aprova seus métodos.

É impressionante! Ora, é claro que essa outra turma será recebida com tapete vermelho, não é mesmo? No país em que só podem ir ao ar TVs a favor do governo, em que só é permitida manifestação pública a favor do governo, é coerente que só possam transitar em segurança políticos estrangeiros… a favor do governo! Pergunto: esse novo grupo vai querer falar com os oposicionistas presos? Vai defender a marcação de uma data para as eleições legislativas? Vai se posicionar em favor da liberdade de expressão?

Esses cinco senadores querem ir à Venezuela coonestar uma ditadura assassina. Sendo quem são e pensando o que pensam, não estou surpreso.

Manifestações delinquentes
Há mais. Enquanto senadores brasileiros corriam risco de vida na Venezuela — e se tratava disso, sim, senhores! —, Sibá Machado (AC), líder do PT na Câmara, que de idiota só tem o ar, ou não estaria lá, tripudiava, no Twitter, de seus parceiros de Congresso. Escreveu coisas assim:
“Encontro: Golpistas do Brasil tentam se encontrar com golpistas da Venezuela”;
“Próxima visita de Aécio: Guantánamo”;
“Venezuela: Senadores usaram avião da FAB para fazer política; se eles podem, eu também quero”.

Delinquência de Sibá

E retuitou uma série de outras ofensas à oposição. Eis aí Sibá Machado em estado puro. Nada o define melhor do que o último tuíte que transcrevi. Pelo visto, ele acha que é mamata ceder um avião da FAB para uma missão oficial de senadores. É claro que não é. Mas ele pensa que sim. E aí emenda: “Também quero”. É um petista típico: se é mamata, ele quer.

O também deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), filho de José Dirceu, evidencia que quem sai aos seus não degenera — ou dá sequência à degeneração, sei lá. Mandou brasa no Twitter: “Senadores brasileiros da oposição vão à Venezuela passear e fazer onda com dinheiro da população e se dão mal”.

Zeca Dirceu delinquência

O filho de Dirceu, quem diria?, é mesmo um moralista com políticos que usam o dinheiro da população! A gente nota. Ah, sim: os brasileiros foram à Venezuela para falar com prisioneiros políticos, que estão trancafiados por delito de opinião, porque discordam do governo. O pai de Zeca foi preso no Brasil, depois de condenado em devido processo legal, por corrupção ativa. O filhote, no entanto, chamava o corrupto de “preso político”.

Essa gente toda não tem cura. É mais do que ideologia. É mais do que a defesa de seus próprios interesses. Trata-se de uma doença anímica que os faz não ter vergonha nenhuma de defender uma ditadura sanguinária. Ainda que seja ou fosse por dinheiro, vamos convir que há certamente outros modos de ganhar a vida tanto honesta como desonestamente. Não é preciso sapatear sobre cadáveres.

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2015

às 3:30

Manifestações asquerosas de lobos em pele de cordeiro. Ou: Requião, Delcídio, Randolfe e Lindbergh. Ou: Que coisa nojenta!”

Olhem aqui: ou a democracia é inegociável, ou então nos rendemos todos. É simples assim. Ou a democracia é inegociável, ou estaremos flertando com a ditadura. Ou a democracia é inegociável, ou se está escolhendo o caminho da violência. Ou a democracia é inegociável, ou se opta pela barbárie.

No pé deste post, há um vídeo em que senadores se manifestam sobre a nota de repúdio, assinada por Renan Calheiros, à agressão de que foram vítimas os parlamentares brasileiros na Venezuela. A primeira a falar foi Ana Amélia (PP-RS). Fez, obviamente, a coisa certa. Elogiou a postura de Renan, chamou as agressões de inaceitáveis e se solidarizou com os agredidos.

Em seguida, falou uma figura patética, chamada Roberto Requião (PMDB-PR). Oh, claro, claro, disse que aquilo não deveria ter acontecido, mas afirmou, acreditem, que os senadores brasileiros estavam vivendo na Venezuela o que a presidente Dilma Rousseff Já viveu aqui no Brasil. A afirmação é tão estúpida que nem errada consegue ser.

Desde quando se viu algo semelhante por aqui? Mais: quaisquer que sejam as querelas em nosso país, não se trata de um ato hostil de um governo a uma missão parlamentar oriunda de um país amigo. E concluiu, com aquele seu ar esquisito: “Que isso sirva de lição”. Entenderam? Requião é do tipo que acha que as vítimas têm mais é de aprender a lição. Que nojo! Requião é a prova de que gente como ele também fica de cabelo branco.

Depois foi a vez de se pronunciar Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado. Ele também expressou apoio a seus pares que foram sitiados na Venezuela, mas, num dado momento de sua fala, ao tratar dos incidentes, afirmou: “Por mais razões que tenha a Venezuela no trato de suas questões internas”. Quais são as razões de uma ditadura, senador? Quais são as razões para fuzilar 40 pessoas nas ruas?

Randolfe Rodrigues (AP), que faz questão de parecer civilizado, apesar de pertencer ao PSOL, o que é uma contradição tão inelutável como “socialismo e liberdade”, condenou a intolerância. E, num dado momento de sua fala, mandou ver: “Eu tenho me alinhado com outros companheiros aqui em uma posição de apoio ao processo venezuelano”. Não me diga! Qual processo, senador? O que fecha televisões? O que empastela jornais? O que faz presos políticos? O que tortura opositores? O que confere ao governo o direito de atirar para matar manifestantes? O que levou o país à fome? O que faz a Venezuela ser hoje o país mais violento da América Latina e um dos mais violentos do mundo? Quanto custa o seu socialismo, senador? E o da ditadura venezuelana?

E aí foi a vez do inefável Lindbergh Farias (PT-RJ), a cara-pintada que virou cara de pau. Segundo ele, é preciso agir com “isenção e imparcialidade”, dispondo-se a “conversar com os dois lados”, exercendo a “diplomacia parlamentar”.

Não duvidem: na Alemanha da década de 30, o senador petista proporia uma mesa redonda entre nazistas e judeus para saber em quais coisas cada lado poderia ceder…

Assista ao vídeo. Mas cuidado para não vomitar na tela.

 

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2015

às 2:45

Congresso Nacional “repudia e abomina” agressões a senadores brasileiros

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), emitiu uma nota em que “repudia e abomina” as agressões de que foram vítimas os senadores brasileiros. Leiam a íntegra.

O Presidente do Congresso Nacional recebeu relatos apreensivos da delegação de senadores brasileiros em viagem a Venezuela através dos senadores Cássio Cunha Lima, Aloysio Nunes Ferreira, Ronaldo Caiado e Aécio Neves.

Há relatos de cerco à delegação brasileira, hostilidades, intimidações, ofensas e apedrejamento do veículo onde estão os senadores brasileiros.

O Presidente do Congresso Nacional repudia e abomina os acontecimentos narrados e vai cobrar uma reação altiva do governo brasileiro quanto aos gestos de intolerância narrados.

As democracias verdadeiras não admitem conviver com manifestações incivilizadas e medievais. Eles precisam ser combatidos energicamente para que não se reproduzam.”

Por Reinaldo Azevedo

19/06/2015

às 2:36

Em nota, Itamaraty lamenta “incidentes”, diz que atos hostis de “manifestantes” são “inaceitáveis”, mas tenta dourar a pílula

O Ministério das Relações Exteriores emitiu uma nota oficial, que passa a ser, então, a manifestação do governo brasileiro sobre os gravíssimos incidentes ocorridos na Venezuela. O texto lamenta o que chama de “incidentes”, diz que atos hostis “de manifestantes” contra senadores brasileiros são inaceitáveis, mas doura a pílula: reproduz a versão ridícula do governo venezuelano, segundo a qual os senadores brasileiros ficaram presos num congestionamento, o que é sabida e escandalosamente mentiroso. Leiam a íntegra.

Visita da Comissão Externa do Senado à Venezuela

O Governo brasileiro lamenta os incidentes que afetaram a visita à Venezuela da Comissão Externa do Senado e prejudicaram o cumprimento da programação prevista naquele país. São inaceitáveis atos hostis de manifestantes contra parlamentares brasileiros.

O Governo brasileiro cedeu aeronave da FAB para o transporte dos Senadores e prestou apoio à missão precursora do Senado enviada na véspera a Caracas.

Por intermédio da Embaixada do Brasil, o Governo brasileiro solicitou e recebeu do Governo venezuelano a garantia de custódia policial para a delegação durante sua estada no país, o que foi feito.

O Embaixador do Brasil na Venezuela recebeu a Comissão na sua chegada ao aeroporto de Maiquetía, onde os Senadores e demais integrantes da delegação embarcaram em veículo proporcionado pela Embaixada, enquanto o Embaixador seguiu em seu próprio automóvel de retorno à Embaixada.

Ambos os veículos ficaram retidos no caminho devido a um grande congestionamento, segundo informações ocasionado pela transferência a Caracas, no mesmo momento, de cidadão venezuelano extraditado pelo Governo colombiano.

O incidente foi seguido pelo Itamaraty por intermédio do Embaixador do Brasil, que todo o tempo se manteve em contato telefônico com os Senadores, retornou ao aeroporto e os despediu na partida de Caracas.

À luz das tradicionais relações de amizade entre os dois países, o Governo brasileiro solicitará ao Governo venezuelano, pelos canais diplomáticos, os devidos esclarecimentos sobre o ocorrido.

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2015

às 21:10

Vídeo – Fascistas de Nicolás Maduro, o amigão de Lula e Dilma, cercam senadores brasileiros e tentam agredi-los

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2015

às 20:38

Exclusivo – Aécio relata o cerco aos parlamentares brasileiros e tem de interromper a entrevista de repente

Aécio Neves concedeu há pouco uma entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na rádio Jovem Pan. Entrou no ar ao vivo, enquanto o carro em que estava se encontrava cercado por milicianos de Nicolás Maduro. A entrevista teve de ser interrompida às pressas por razões de segurança. A entrevista está aqui, entre 13min25s e 19min21s.

Leia a transcrição do relato do senador.

“Nós viemos à Venezuela, e falo com você, Reinaldo, diretamente de Caracas, numa missão oficial do Parlamento brasileiro, que tem caráter humanitário, de solidariedade aos presos políticos, clamando por sua liberdade, e também fazer coro com manifestações de várias partes do mundo em busca da definição da data das eleições parlamentares, que ainda não foram marcadas.

Ao chegar aqui, nós fomos recebidos da pior maneira possível. Uma milícia organizada, provavelmente pelo governo, cercou nosso automóvel, tentando agredir senadores, tentando quebrar os vidros. Tivemos de sair da via principal, ficamos ilhados. Estamos há cinco horas ilhados numa van, sem condições de ir e vir.

Estamos conseguindo agora o retorno até o aeroporto, absolutamente sem qualquer apoio logístico. A verdade é que decidiram impedir que chegássemos à prisão onde está Leopoldo López. Estou aqui ao lado da mãe de Leopoldo. Não nos deixaram chegar a lugar nenhum.

Cometeram, Reinaldo, o absurdo de interromper todas as vias de Caracas. Caracas está um caos. Nós recebemos fotos de blindados da polícia interrompendo as principais vias para que não pudéssemos chegar a lugar nenhum.

Se alguma dúvida existia sobre o que se passa na Venezuela, não existe mais. Trata-se de um regime de exceção.

Reinaldo, Reinaldo, estamos sendo instados a mudar de carros por causa de segurança. É inacreditável o que se passa aqui! Nós vamos cobrar uma posição firme do governo brasileiro de repulsa e condenação ao que ocorre aqui. Muito do autoritarismo vergonhoso da Venezuela é responsabilidade da omissão e da solidariedade do governo brasileiro com o da Venezuela. Reinaldo, Reinaldo, estão pedindo que eu saia rapidamente… Reinaldo, estou tendo de sair rapidamente…”

Por Reinaldo Azevedo

18/06/2015

às 20:04

Nicolás Maduro, queridinho de Dilma e do PT, manda cercar Caracas para barrar passagem de senadores brasileiros; milícias bolivarianas atacam veículo em que estavam parlamentares

Se havia alguma dúvida — e as pessoas decentes já não tinham nenhuma — de que o governo da Venezuela é composto por um bando de fascistoides asquerosos, agora não há mais. Forças policiais, a serviço do presidente Nicolás Maduro, bloquearam as principais vias de Caracas e impediram a comissão de senadores brasileiros de chegar ao presídio onde se encontram três líderes da oposição. Eles mal conseguiram sair das imediações do aeroporto Simón Bolívar.

Isso já bastaria para caracterizar um ato de agressão não àqueles parlamentares, mas ao Brasil. Os senadores que lá estavam representam o Parlamento. Existe um tratado de reciprocidade que dispensa a concessão de visto para a entrada de brasileiros naquele país e vice-versa. Mas houve mais do que o bloqueio: milícias a serviço do regime cercaram o carro onde estavam os senadores, atacando o veículo com chutes e socos.

Agentes da Polícia Nacional Bolivariana admitiram à reportagem da Folha que houve uma ação orquestrada do governo para impedir que os brasileiros chegassem à prisão. Disse um deles: “É evidente que é uma sabotagem. Quando vem uma autoridade estrangeira, nós os escoltamos em fluxo, contrafluxo ou em qualquer circunstância”.

Integram a comitiva Aécio Neves (PSDB-MG), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), José Agripino (DEM-RN), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), José Medeiros (PPS-MT) e Sérgio Petecão (PSD-AC). Na van em que se encontravam os senadores estavam a deputada cassada María Corina Machado, a mãe de Leopoldo López, que é um dos prisioneiros, e sua mulher, Lilian Tintori, que entrou em pânico, com medo de ser reconhecida e linchada.

Eis a Venezuela de Nicolás Maduro.

Na semana passada, na Bélgica, Dilma fez uma candente defesa da Venezuela, repudiando qualquer forma de sanção àquela ditadura. Que se note: até agora, os EUA se limitaram a impedir a entrada de figuras de proa do governo. Não houve nenhuma medida restritiva contra o país propriamente.

No dias 9 e 10 deste mês, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Instituto Lula Diosdado Cabello, o presidente da Assembleia Nacional e número dois do regime. O homem é investigado nos EUA por suas ligações com o tráfico de drogas. Segundo seu ex-chefe de segurança, que se exilou, Leamsy Salazar, ele é o número dois do regime, sim, mas o número um do narcotráfico no país.

Dilma convocou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para uma reunião no Palácio do Planalto. Vamos ver qual será a reação do governo brasileiro, sempre tão servil aos destinos do regime bolivariano.

Por Reinaldo Azevedo

16/06/2015

às 7:57

Comissão de senadores brasileiros vai à Venezuela e quer se encontrar com presos políticos e líderes da oposição

A Comissão de Relações Exteriores do Senado, presidida por Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), aprovou nesta segunda a ida de um grupo de senadores à Venezuela para verificar a situação dos presos políticos do país e para se encontrar com representantes da oposição. A ideia era que o grupo viajasse num avião da FAB. O gabinete de Aécio Neves (PSDB-MG), no entanto, informou que o governo de Nicolás Maduro havia negado autorização de pouso.

A aeronave foi solicitada ao ministro da Defesa, Jaques Wagner, por Aécio e por Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Wagner afirma que ainda não houve a negativa oficial de Caracas. Ao Estadão, Nunes disse que a delegação de senadores irá à Venezuela com ou sem a autorização de Maduro.

Segundo o senador paulista, caso se confirme mesmo a proibição de pouso de uma aeronave militar, “os senadores brasileiros irão de avião de carreira ou até de ônibus”. Para ele, “os direitos humanos são universais e não admitem negativas”. Entre as muitas pessoas presas em razão de protestos contra o governo, há três líderes da oposição: Leopoldo López, que está em greve de fome, Daniel Ceballos e Antonio Ledezma.

O governo Dilma e o petismo, para não variar, têm um comportamento asqueroso diante da escalada ditatorial na Venezuela. Não é que se contente com o silêncio. Na semana passada, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o número dois do regime, Diosdado Cabello, não uma, mas duas vezes. Eles se encontraram na sede do Instituto Lula na noite do dia 9 e no dia 10. Além de ser notório pela truculência com que trata adversários, Cabello, que é presidente da Assembleia Nacional, é investigado nos EUA por tráfico de drogas. Leamsy Salazar, seu ex-chefe de segurança e que havia servido ao próprio Hugo Chávez por dez longos anos, acusa-o de ser o número um do narcotráfico na Venezuela.

Na semana passada, na Bélgica, durante a II Cúpula de Países da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia, Dilma rechaçou “quaisquer sanções” ao governo Maduro.

É um discurso que envergonha o nosso país. O Senado brasileiro faz bem em agir e tem de ser ainda mais duro. Tanto o Mercosul como a Unasul trazem em seus respectivos tratados de criação a chamada “cláusula democrática”. A Unasul dispõe de um protocolo que trata exclusivamente do assunto. Lá se pode ler que um país pode ser suspenso em caso de ruptura da ordem democrática, de violação da ordem constitucional ou de qualquer situação que ponha em risco o legítimo exercício do poder e a vigência dos valores e princípios democráticos.

Com um pouco mais de compostura, em vez de Dilma ir à Bélgica repudiar sanções à Venezuela, ela própria as estaria propondo no âmbito do Mercosul e da Unasul. Maduro prende, tortura e mata. E tem como fiador o governo do Brasil, que joga, assim, no lixo dois tratados.

Por Reinaldo Azevedo

13/05/2015

às 5:17

Lula para presidente da Venezuela! Ou: Imposturas continentais

Fico cá a imaginar… Em seus delírios de potência, deitado ao lado de dona Marisa Letícia e fixado obsessivamente “naquilo” — o poder —, Lula deve pensar: “Vejam que maravilha é a Venezuela, aquele país em que, segundo eu mesmo declarei certa feita, existe democracia até demais… Lá, sim! Quando um jornalista publica coisas erradas, o companheiro Nicolás Maduro manda prender, expropria o veículo de comunicação, proíbe os mentirosos de sair do país. Ah, a Venezuela! É bem verdade que, no ano passado, foi preciso matar nas ruas 40 golpistas de direita… Mas, pô!, são golpistas de direita! Queriam o quê?”.

Enquanto os amigos venezuelanos de Lula proibiam 22 jornalistas de deixar o país — por terem publicado uma suposta calúnia, já explico —, o Babalorixá de Banânia, por aqui, também atacava a… imprensa. Esse mestre do pensamento mandou bala nas redes sociais, o único lugar em que o PT parece subsistir. Segundo disse, é “inaceitável” que o país se torne “refém de um criminoso notório e reincidente”. Ele se referia a Alberto Youssef.

O ex-presidente, que não foi nem caçar coelho nem pentear macaco, lamenta que “parte da imprensa venha tratando bandidos como heróis”. Para ele, os delatores “se prestam a acusar, sem provas, os alvos escolhidos pela oposição” e “a difamar lideranças que a oposição não conseguiu derrotar nas urnas e teme enfrentar no futuro”.

O homem está bravo porque, em depoimento, Youssef reafirmou a convicção de que o próprio Babalorixá de Banânia e Dilma sabiam do petrolão. E apontou uma evidência: quando a cúpula do PP se desentendeu no recebimento de propina, foi o Palácio do Planalto, por intermédio de Ideli Salvatti e Gilberto Carvalho, que indicou os novos interlocutores.

Ignorando a investigação em curso, com fartura de provas, Lula trata o petrolão como uma conspiração a alinhar delatores, Ministério Público, Justiça e imprensa. É sintomático que o Poderoso Chefão nunca critique as empreiteiras. Em tempo: nada menos de R$ 157 milhões em dinheiro de propina já voltaram ao caixa da Petrobras. Como se vê, tudo invenção da oposição… Notem, adicionalmente, que ele volta a falar de uma possível candidatura à Presidência em 2018.

Sim, ele só pensa naquilo!

Bacana, no universo mental deste senhor, é a Venezuela. Naquele país — que Dilma levou para o Mercosul, com a ajuda de espiões cubanos e venezuelanos —, a Justiça, controlada pelo Executivo, decidiu que 22 jornalistas estão impedidos de deixar o país porque se atreveram a noticiar o que o mundo já havia noticiado: segundo o militar desertor Leamsy Salazar, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, é um dos homens que controlam o narcotráfico no país. Salazar foi chefe de sua segurança pessoal.

Lula delirando de novo: “Aquele, sim, é um país sério! Se a imprensa publica coisas de que o governo não gosta, é possível confiscar o veículo, prender os donos, processar os jornalistas, tomar-lhes os respectivos passaportes. No Brasil, temos essa esculhambação. Jornalistas falam e escrevem coisas de que os poderosos não gostam, e ninguém vai para a cadeia…”.

Lula para presidente da… Venezuela!

Por Reinaldo Azevedo

07/05/2015

às 6:31

PT e PSOL abrem as portas do Congresso a um assassino para calar a voz de perseguidos políticos da Venezuela. Não há limites para a abjeção dessa gente

Vejam esta foto. É a cara do humanismo do PSOL.

O jovem Virgilio, pouco antes de morrer carbonizado no atentado praticado por Lollo

O jovem Virgilio Mattei, pouco antes de morrer carbonizado no atentado praticado por Lollo, um dos criadores do PSOL

Esquerdistas do Congresso Nacional, com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) à frente, vão abrir nesta quinta as portas do Parlamento brasileiro para um assassino, num movimento asqueroso para esconder a violência política na Venezuela e abafar a voz das vítimas da ditadura e da truculência. É nojento. Quem informa é o repórter Leonardo Coutinho, em reportagem na Veja.com. Querem saber? Nem um nem outro me surpreendem. Como não costumam surpreender os esquerdistas. Vamos ver.

Estão no Brasil as venezuelanas Lilian Tintori, mulher de Leopoldo López, ex-prefeito de Chacao, e Mitzy Capriles, casada com o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma. Ambos estão na cadeia. São presos políticos do regime do tirano maluco Nicolás Maduro. Elas já estiveram com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), e com o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. 

As duas farão uma visita à Câmara dos Deputados e pediram uma audiência à presidente Dilma Rousseff. Duvido que seja concedida.

Muito bem. E o que fizeram Lindbergh e Valente? Convidaram para falar na Comissão de Direitos Humanos do Senado e de Relações Exteriores da Câmara um sujeito chamado Tarek William Saab. Ele exerce o cargo de “defensor do povo” do governo Maduro. É uma espécie de face política das milícias armadas do chavismo.

Saab apoiou e, dado o cargo que exerce, foi um dos organizadores da repressão aos protestos de rua em 2014, que deixaram 40 mortos — algumas das vítimas foram alvejadas pelas milícias. Também defendeu a lei que permite que o governo abra fogo contra os manifestantes. Para arremate do lixo moral, Saab fala no Congresso nesta quinta, no mesmo dia em que Lilian e Mitzy chegam à capital federal.

O esperado
É claro que não esperava coisa muito diferente nem de Lindbergh nem de Valente. O senador, oriundo do PCdoB, é hoje petista. Os dois partidos apoiam ditaduras sanguinárias mundo afora. Como esquecer que a própria presidente Dilma Rousseff levou a Venezuela para o Mercosul?

Quanto a Valente… Bem, a intimidade do PSOL com assassinos não é recente, não é? Um dos fundadores da legenda é o italiano Achille Lollo, que mora no Brasil. Trata-se de um terrorista italiano que, em 1973, despejou gasolina sob a porta de um apartamento, na Itália, e ateou fogo. Estavam no imóvel um gari, sua mulher e seis filhos. Morreram uma criança de 8 anos, Stefano, e seu irmão mais velho, de 22, Virgilio. O gari era de um partido neofascista (leiam mais aqui). Como Lollo não gostava do neofascismo, então ele resolveu incendiar crianças, entenderam? Um verdadeiro humanista!!! É com essa gente que o psolista constrói o seu humanismo.  Podem vomitar.

Num debate, certa feita, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), tive a chance de lembrar a Valente as relações de seu partido com aquele outro “valente”, o assassino (o post está aqui).

A cada dia, sinto mais nojo dessa gente. E o povo brasileiro, felizmente, também.

Encontros
As mulheres dos dois presos políticos já pediram uma audiência com a presidente Dilma, e outra com o vice, Michel Temer. Nesta quarta, Mitzy esteve com o senador tucano José Serra (SP), que defendeu o encontro: “Se houvesse mais inteligência política, eu não tenho dúvidas de que o governo deveria pelo menos receber as famílias de opositores presos”, disse o tucano.

A mulher de Ledezma se encontrou ainda com o ex-presidente José Sarney: “A posição dele foi absolutamente democrática. Recebemos dele um apoio solidário e firme”. Sobre a expectativa de ser recebida por Dilma, disse estar confiante em razão do passado da petista, adversária do regime militar: “Estamos no Brasil buscando a solidariedade de um povo irmão”. A dos brasileiros, elas certamente têm; a de Dilma, acho que não terão.

José Serra recebe Mitzy Capriles, a mulher do prefeito de Caracas (Divulgação/Facebook)

José Serra recebe Mitzy Capriles,  mulher do prefeito de Caracas (Divulgação/Facebook)

Texto publicado originalmente às 22h04 desta quarta
Por Reinaldo Azevedo

20/03/2015

às 15:42

Empreiteiro pagou a Dirceu e conseguiu ter acesso a Chávez! A classe petralha é internacional

Como é mesmo que se dizia antigamente, quando eu era da JBS (Juventude Barba & Bolsa), numa alusão às origens remotas do socialismo? Ah, lembrei: “A classe operária é internacional!”. Isso acabou. O lema, tudo indica, é outro: “A classe petralha é internacional”. Por que digo isso?

Aldo Vendramin, dono da construtora Consilux Tecnologia, concede uma entrevista a Graciliano Rocha, da Folha Online. Ele está entre os clientes da empresa de consultoria de José Dirceu, que faturou R$ 29,3 milhões entre 2006 e 2013 — R$ 1,22 milhão desse total oriundo justamente da Consilux. Dinheiro de propina? O empreiteiro diz que não. Sua explicação é outra. Prestem atenção:
“Trabalhar na Venezuela não é simples. Estamos na Venezuela desde 2006 construindo casas populares, mas trabalhar lá não é simples. Tivemos bastante problema com fluxo de caixa, pagamentos que atrasavam e contratamos a consultoria do ex-ministro. O José Dirceu nos aproximou do governo [do então presidente Hugo] Chávez. Ele tinha um trânsito muito grande com ministros e com o próprio presidente. Ele conhece todo mundo, e a gente estava numa situação complicada com os atrasos de pagamento. Às vezes, faziam a medição e levavam muito tempo para liberar o pagamento. Ele foi muito eficiente. Ele me levou três vezes para conversar com o Chávez, e, depois disso, o dinheiro começou a sair mais rápido. Continuaram atrasando, mas menos. Antes destas conversas, o governo levava seis, oito meses para pagar. Depois que o Dirceu entrou no circuito, isso caiu pra dois, três meses.”

Isso tudo pode não passar de um truque só para livrar a cara de Dirceu, evidenciando que, afinal, a consultoria aconteceu? Huuummm… Em primeiro lugar, se as coisas se deram como diz o empresário, Dirceu atuou como lobista, não como consultor. O que ele fez foi usar a sua influência junto ao ditador para liberar o dinheiro. Não é preciso ser muito sagaz para supor que atrasar pagamentos passava a ser uma boa forma de o governo venezuelano forçar a contratação de Dirceu.

Em segundo lugar, fica evidente, mais uma vez, que a relação dos petistas com as protoditaduras da América Latina e com a tirania cubana não se limita à questão ideológica, ao alinhamento político, ao combate ao imperialismo ou a qualquer outra desculpa esfarrapada que tente enobrecer a aliança espúria. Não! Elas estão no terreno dos negócios propriamente. A classe operária pode não ser mais internacional como os marxistas sonhavam que seria um dia. Mas a gente nota que a classe petralha, ah, essa é internacional, sim.

Querem saber? Acho que o dono da Consilux está falando a verdade. Só que isso não depõe a favor de Dirceu, mas contra. Atenção! De 2009 a esta data, o BNDES já financiou quase US$ 5 bilhões em projetos na própria Venezuela, além de Cuba, Angola e Equador. Os três primeiros países são ditaduras escancaradas; o quarto está a caminho. No Brasil, essas operações merecem a classificação de “sigilosas”. Luciano Coutinho, presidente do banco, se move nos bastidores para impedir a instalação de uma CPI sobre o assunto.

Tudo indica que, além de toda a roubalheira que conhecemos no episódio do petrolão, há outra coisa em curso: o negócio está se fazendo passar por ideologia, e a ideologia, por negócio.

Ah, sim! É sempre comovente saber que Dirceu franqueia o acesso a ditadores e assassinos.

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2015

às 14:08

Com país em crise, filho de Maduro dança sob chuva de dólares

Nicolás Ernesto Maduro Guerra, filho do presidente da Venezuela(Youtube/Reprodução)

Nicolás Ernesto Maduro Guerra, filho do presidente da Venezuela(Youtube/Reprodução)

Na VEJA.com:
Um vídeo [confira abaixo] revelado nesta terça-feira pelo jornal mexicano El Universal mostra o filho do presidente venezuelano Nicolás Maduro dançando e se divertindo sob uma chuva de notas de dólar. As imagens foram gravadas neste sábado em um casamento realizado em um luxuoso hotel de Caracas e mostram Nicolás Ernesto Maduro Guerra, de 24 anos, dançando ao som de uma música árabe, enquanto dólares são jogados sobre sua cabeça.

Nicolás Jr. – como é conhecido o filho de Maduro – era convidado no casamento de José Zalt, empresário de origem síria. Apesar de jogar dinheiro para o alto ser um costume em casamentos árabes, meios de comunicação e redes sociais criticaram o comportamento do filho do presidente num momento de crise para o país. Nenhuma autoridade venezuelana comentou o assunto. Com uma inflação anual acima de 60%, escassez de produtos básicos, desemprego e pobreza crescentes, a Venezuela está afundada em uma das mais graves recessões de sua história.

Segundo o grupo VVperiodistas, formado por jornalistas venezuelanos independentes, que publicou o vídeo no YouTube, a cena foi gravada horas depois da parada militar deste sábado. Na ocasião, a Venezuela iniciou manobras com 100.000 homens, veículos anfíbios e mísseis russos, numa demonstração de força e preparação para a “defesa do país diante de uma ameaça capitalista”. Dias antes os Estados Unidos haviam aplicado sanções a sete funcionários do governo venezuelano e considerado a Venezuela uma ameaça à segurança nacional americana.

Apesar da pouca idade e nenhuma experiência política e administrativa, o único filho de Maduro Já ocupou vários cargos no governo de seu pai, inclusive o de chefe do Corpo de Inspetores Especiais da Presidência – um órgão sem muita função definida que atua ora como bedel da sociedade civil, ora como Guarda Pretoriana de Maduro. Depois disso, Nicolás Jr. foi nomeado diretor da Escola de Cinema da Venezuela, numa decisão muito criticada no meio artístico. “O filho de Maduro não sabe nada da sétima arte. O que ele sabe é roubar a câmera”, disse à época o dramaturgo José Tomás Angola.

Passada sua rápida incursão no mundo das artes, Nicolás Jr. se aventurou, sempre com a ajuda de ‘papai’, em uma carreira mais promissora: virou um dirigente remunerado do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que comanda o país. Em sua estreia como dirigente político, Maduro Jr. repetiu uma frase de seu pai: “O PSUV vai salvar a humanidade”.

Por Reinaldo Azevedo

09/03/2015

às 17:55

Obama endurece o jogo com a Venezuela

Na VEJA.com. Ainda voltarei ao assunto.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, emitiu um decreto presidencial nesta segunda-feira declarando a Venezuela uma “ameaça à segurança nacional”, impondo sanções a sete pessoas e expressando preocupação sobre o tratamento do governo venezuelano com opositores políticos. “Autoridades venezuelanas do passado e do presente que violam os direitos humanos de cidadãos venezuelanos e se envolvem em atos de corrupção não são bem-vindos aqui, e agora nós temos as ferramentas para bloquear seus bens e seu uso dos sistemas financeiros dos EUA”, disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.

A Casa Branca está “profundamente preocupada com a escalada da intimidação contra a oposição promovida pelo governo venezuelano”, disse Earnest. Os EUA também acreditam que os graves problemas econômicos do país “não podem ser resolvidos através da criminalização dos dissidentes”.

Sobre as sanções, o secretário do Tesouro, Jack Le, afirmou que os EUA não pretendem punir o povo da Venezuela ou a sua economia, mas apenas os sete funcionários do governo venezuelano envolvidos em “violência contra manifestantes”. Ao anunciar as novas sanções, Earnest também pediu para a Venezuela libertar “todos os prisioneiros políticos”, incluindo dezenas de estudantes, e os opositores políticos Leopoldo Lopez, Daniel Ceballos e Antonio Ledezma.

Os funcionários do governo venezuelano que foram sancionados terão seus ativos e bens em território americano congelado, e não serão autorizados a viajar para os Estados Unidos. Os cidadãos americanos estão proibidos de fazer negócios com essas pessoas. O grupo inclui:os generais Miguel Alcides Vivas e Antonio José Benavides; Manuel Gregorio Bernal (ex-diretor do serviço de inteligência venezuelano), Gustavo Enrique González López (diretor-geral do serviço de inteligência venezuelano), a promotora Katherine Nayarith Haringhton Padrón, Justo José Noguera (presidente da empresa estatal CVG) e Manuel Eduardo Pérez Urdaneta (diretor da Polícia Nacional Bolivariana).

Atravessando uma grave crise econômica, política e social, o governo liderado pelo presidente Nicolás Maduro acusa a oposição de estar tramando um golpe de Estado com o apoio dos Estados Unidos e da Colômbia. A popularidade em queda livre Maduro coincide com a volta da violência contra civis, das manifestações contra seu governo e a queda dos preços do petróleo. Tudo isso acontece a poucos meses das eleições legislativas, que, pela primeira vez em muitos anos, o chavismo pode perder, mesmo com a oposição desarticulada.

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2015

às 13:01

VENEZUELA – “Taca-le pau”, Cunha! Dilma tem de saber qual é o seu lugar na democracia

Se Arlindo Chinaglia (PT-SP) fosse presidente da Câmara, é certo que não teria criticado o governo Dilma por seu comportamento pusilânime no caso do sequestro e prisão do prefeito da Grande Caracas, Antonio Ledezma, ocorridos na quinta-feira, sob as ordens do tirano Nicolás Maduro. Mas Chinaglia, felizmente então, não preside a Casa. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) sim. E ele protestou.

Em sua conta no Twitter, escreveu neste domingo:
“Não dá para os países democráticos assistirem isso de braços cruzados, como se fosse normal prender oposicionista, ainda mais detentor de  mandato”. E indagou: “Até quando o Brasil ficará calado sem reagir a isso?”.

O PSDB também emitiu uma nota na sexta (íntegra http://www.psdb.org.br/psdb-repudia-escalada-antidemocratica-regime-maduro-na-venezuela/) . Lá se lê:
“É com indignação e crescente preocupação que assistimos à escalada de violência praticada pelo governo da Venezuela contra aqueles que divergem democraticamente do regime do presidente Nicolás Maduro.

Sob pretextos vagos, opositores têm sido detidos ou mesmo sequestrados, como aconteceu ontem com o prefeito da área metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma – preso mediante coação e sem qualquer ordem judicial. Abusos já vitimaram antes Leopoldo López e a deputada María Corina Machado.”

A nota tucana também chama o governo do Brasil à responsabilidade: “Consideramos inconcebível que um país-membro do Mercosul continue a desrespeitar as cláusulas democráticas que regem o bloco sem que os demais integrantes, como é o caso do Brasil, nem sequer se pronunciem a respeito.

O Partido da Social Democracia Brasileira manifesta sua solidariedade aos venezuelanos perseguidos pelo governo de Nicolás Maduro, repudia o ataque perpetrado às liberdades civis e políticas e cobra do governo do Brasil a imediata condenação às atitudes antidemocráticas cometidas pelo regime bolivariano.”

O caminho é esse. Cunha, eu já disse aqui, não é a personagem dos sonhos dos ditos “progressistas” no Brasil… É claro que há algo de estranho e profundamente errado quando ditos “progressistas” apoiam uma ditadura ou silenciam diante dela.

“Taca-le pau”, Cunha!
“Taca-le pau”, oposição!

Por Reinaldo Azevedo

23/02/2015

às 4:16

Suposta delação contra prefeito de Caracas foi sob tortura, diz defesa

Por Damy Adghirni, na Folha:
A Justiça da Venezuela usou informações obtidas sob tortura para prender o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, acusado de conspirar contra o presidente Nicolás Maduro. Foi o que disse à Folha, por telefone, o advogado de Ledezma, Omar Estacio. Para Estacio, quem forneceu as informações falsas foi o militar aposentado José Arocha Pérez, preso pela mesma razão que Ledezma: envolvimento nos protestos que deixaram 43 mortos em 2014.Maduro diz que protestos são parte de uma conspiração para derrubá-lo. No domingo, acusou líderes da oposição de guardar um “silêncio cheio de cumplicidade” diante dos supostos planos golpistas. Abaixo, os principais trechos da entrevista.

José Arocha Pérez
A acusação se baseia no depoimento de José Gustavo Arocha Pérez, um coronel da reserva preso em maio de 2014 por vínculos com uma empresa que teria financiado os protestos daquele ano. Ele passou cinco meses na “Tumba”, uma prisão do Sebin [Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional] situada vários andares abaixo da terra. O frio ali é terrível e a comida, intragável. Presos são obrigados a ouvir música a todo volume. Estar na tumba é sinônimo de tortura. Para aliviar sua pena, Arocha Pérez declarou-se culpado e denunciou políticos, entre os quais Ledezma e [a deputada cassada] María Corina Machado. Isso saiu na imprensa à época. Desde então, Arocha Pérez foi transferido da “tumba” para outro presídio. Está claro que a confissão foi obtida sob tortura. Arocha Pérez e Ledezma nem se conhecem.

Manipulação
Os indícios contidos na denúncia são descabidos, como, por exemplo, a tentativa de vincular Ledezma com Lorent Saleh [estudante preso sob acusação de semear o caos nos protestos de 2014 para criar condições a um golpe]. A agenda de Saleh continha o telefone de Ledezma, mas e daí? Ledezma é uma pessoa pública, muitos têm seu celular. Também mostram como prova fotos em que aparecem juntos. Ora, Saleh esteve numa reunião do partido Acción Democrática e alguém tirou fotos em que, por acaso, também estava Ledezma. A gravação de Skype na qual Saleh fala de Ledezma é pura obra de edição. Também dizem que o prefeito era vinculado a Ronny Navarro [estudante também preso pelos protestos]. Navarro era funcionário da prefeitura, é óbvio que conhece Ledezma. Tudo isso é manipulação. Por acaso o presidente da República é responsável por todos os crimes cometidos pelos servidores?

“Governo de transição”
Não quero entrar no mérito do [recente] comunicado em que Ledezma, Machado e Leopoldo López [preso há um ano pela participação nos protestos] defendem uma ‘transição’ no país. Este é um tema político e eu me atenho a questões jurídicas. Mas que conspirador é burro a ponto de sair por aí contando seu plano para todo mundo?
(…)

Por Reinaldo Azevedo

21/02/2015

às 5:58

Dilma diz que prisão de oposicionista é assunto interno da Venezuela… Será que Nicolás Maduro não está disposto a financiar o desfile dos Unidos da Cara de Pau do Palácio do Planalto? Nota do Itamaraty é pusilânime!

Eu poderia começar este post afirmando que a presidente Dilma Rousseff deveria, ao menos, ter senso de ridículo. Mas seria uma contradição nos próprios termos. Se tivesse, não estaria onde está, fazendo o governo que faz. Depois da cerimônia em que recebeu os novos embaixadores — inclusive María Lourdes Urbaneja Durant, representante da Venezuela —, a governanta concedeu aquela entrevista desastrada. E comentou a crise no país vizinho.

Afirmou não se sentir nem um pouco constrangida com a presença de María Lourdes, um dia depois de o tirano Nicolás Maduro ter mandado prender Antonio Ledezma, prefeito da grande Caracas. Refletiu, então: “Eu não posso receber um embaixador baseada em questões internas do país. Eu recebo os embaixadores baseada nas relações que eles estabelecem com o Brasil”.

É mesmo?

Em 2012, o Senado paraguaio depôs, de acordo com as leis do país, Fernando Lugo, aquele misto de esquerdista e reprodutor de batina. A deposição foi absolutamente legal, amparada na Constituição. Dilma não reconheceu o novo governo. Em companhia de Cristina Kirchner e José Mujica, suspendeu o Paraguai do Mercosul, abrigando em seguida justamente a… Venezuela, que já era uma ditadura. Desrespeitou o protocolo do bloco quando puniu um país e beneficiou o outro.

Em 2009, também de acordo com a Constituição do país, Manuel Zelaya, o psicopata que governava Honduras, foi deposto. Lula e Hugo Chávez tentaram derrubar o governo interino, incitando a guerra civil. Mais: Zelaya se refugiou na embaixada brasileira em Tegucigalpa e, de lá, tentou comandar a reação.

Vale dizer: os petistas se metem, sim, na realidade interna dos demais países da América Latina, desde que seja para proteger seus aliados ideológicos. Pode cometer indignidades as mais variadas. Em 2008, forças colombianas atacaram um acampamento dos terroristas das Farc que ficava em território equatoriano. O governo Lula não deu um pio sobre o absurdo de o Equador abrigar terroristas. Preferiu censurar a Colômbia e tentou arrancar na OEA uma censura ao país.

Em 2009, o Exército colombiano apreendeu com as Farc armamento pesado oriundo da… Venezuela. Celso Amorim, então ministro das Relações Exteriores, teve a indignidade de dizer que não havia provas a respeito. Uma semana depois, o próprio Chávez admitiu que era verdade. Afirmou que os equipamentos tinham sido roubados, o que era, obviamente, mentira.

E Dilma vem agora dizer que seu governo não se mete na realidade interna de outros países. Na noite desta sexta, o Itamaraty soltou uma nota pusilânime. Leiam. Volto em seguida.
O Governo brasileiro acompanha com grande preocupação a evolução da situação na Venezuela e insta todos os atores envolvidos a trabalhar pela paz e pela manutenção da democracia. O Brasil reitera seu compromisso em contribuir, sempre que solicitado, para a retomada do diálogo político amplo e construtivo na Venezuela e, nesse sentido, saúda o anúncio do Secretário-Geral da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) sobre a preparação de visita à Venezuela da Comissão de Chanceleres da UNASUL formada pelos Ministros de Relações Exteriores de Brasil, Colômbia e Equador

É infame! Nem mesmo faz referência  à prisão arbitrária de Ledezma. Eis Dilma Rousseff! Não é que esta senhora não goste de ditadura. Ela só é contra ditaduras em mãos que considera erradas.

Por Reinaldo Azevedo

20/02/2015

às 15:31

EUA pedem que Venezuela liberte presos políticos

Na VEJA.com:
Os Estados Unidos estão “profundamente preocupados” com a escalada de intimidação a opositores venezuelanos, afirmou nesta sexta-feira a subsecretária de Estado para a América Latina, Roberta Jacobson, no dia seguinte à prisão do prefeito de Caracas. Roberta pediu, além disso, que os presos políticos sejam libertados prontamente.

O prefeito de Caracas, o opositor Antonio Ledezma, foi detido pela polícia secreta chavista (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional, Sebin) por ordem da Procuradoria por “promover um golpe de Estado” na Venezuela – declarou o presidente Nicolás Maduro nesta quinta-feira. “O senhor Ledezma, que no dia de hoje [ontem] foi detido por ordem da Procuradoria, deve ser processado pela Justiça venezuelana para que responda por todos os crimes cometidos contra a paz do país, a segurança e a Constituição”, afirmou Maduro, em pronunciamento em rádio e televisão iniciado pouco depois da notícia da prisão de Ledezma.

O presidente reiterou sua denúncia mirabolante lançada há alguns dias de que a oposição estaria armando, com apoio dos Estados Unidos, uma tentativa de golpe contra seu governo. Como “prova”, Maduro citou um documento assinado por Ledezma, pelo também líder opositor Leopoldo López e por María Corina Machado, destituída do cargo de deputada em 2014. Denominado “Acordo Nacional para a Transição”, o texto foi divulgado publicamente pela imprensa local em 11 de fevereiro passado, apresentando uma série de propostas políticas e econômicas.

Pouco depois da denúncia de Maduro, Washington reagiu, rejeitando as acusações de que o governo Barack Obama estaria por trás de uma conspiração para derrubar o presidente. “As declarações dadas pelo governo venezuelano de que os Estados Unidos estão envolvidos na conspiração para um golpe e para a desestabilização da Venezuela não têm embasamento e são falsas”, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki. “Os Estados Unidos não promovem a desestabilização na Venezuela, tampouco estamos tentando minar sua economia, ou seu governo”, completou Psaki, destacando que Washington continua sendo o principal sócio comercial de Caracas.

Na semana passada, o prefeito do município Libertador, na região metropolitana de Caracas, o chavista Jorge Rodríguez, acusou Ledezma e o deputado opositor Julio Borges de serem os autores intelectuais da tentativa de golpe de Estado. O presidente do Parlamento venezuelano, o governista Diosdado Cabello, garantiu, que no complô, identificado como ‘Plano Jericó’, estavam envolvidos os opositores Ledezma, Borges, María Corina Machado e Diego Arria, ex-embaixador da Venezuela na ONU. O chavista Cabello é suspeito se manter ligações com narcotraficantes e lavagem de dinheiro.

Por Reinaldo Azevedo

18/02/2015

às 22:55

Protesto na Venezuela pede libertação do opositor López, preso há um ano

Na VEJA.com:
Se, na Argentina, as pessoas saíram às ruas nesta quarta-feira para pedir justiça e homenagear o promotor que denunciou Cristina Kirchner, na Venezuela o dia foi de protestos pela prisão do dirigente opositor Leopoldo López, que completou um ano. Os manifestantes se reuniram na praça José Martí, em Caracas, onde ele se entregou à polícia chavista durante a onda de protestos contra o governo de Nicolás Maduro.

Integrantes do movimento estudantil e da sociedade civil, junto com a oposição representada pela coalizão Mesa da Unidade Democrática e a mulher de López, Lilian Tintori, manifestaram apoio ao político. Uma grande faixa pedia a libertação do líder do partido Vontade Popular, enquanto sua mulher lembrou que há outros presos políticos na Venezuela – que, para Maduro, são políticos presos. Aos manifestantes, a mulher de López disse que, quando seus filhos perguntam até quando o pai ficará preso, ele responde sempre: “O tempo que for necessário até que a Venezuela esteja livre”.

Outra liderança opositora, Henrique Capriles não compareceu ao protesto, mas lembrou a data em sua conta no Twitter. Ele escreveu que López “foi sequestrado por uma Justiça podre”. Acrescentou que uma nova Assembleia Nacional, com maioria favorável à mudança, dará liberdade a todos os presos políticos. “Queremos um país onde não haja presos políticos, onde a Justiça funcione de maneira igual para todos”, expressou.

López é acusado de incitação à violência nos protestos do ano passado. Se for condenado, ele pode ficar até 10 anos atrás das grades. A situação que levou os venezuelanos às ruas não mudou: o país segue afundando em graves problemas econômicos, com escassez de produtos básicos, inflação elevada e altos índices de criminalidade. 

Por Reinaldo Azevedo

30/01/2015

às 7:30

Maduro decide mandar bala em manifestantes. Nossas esquerdas aplaudem!

Vou falar do governo assassino de Nicolás Maduro, na Venezuela. Mas, antes, uma lembrança.

Dilma Rousseff, a nossa governanta, discursou no dia 28 na 2ª Sessão Plenária da III Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), na Costa Rica. Referiu-se às conversações em curso entre Cuba e Estados Unidos nestes termos:
“Recentemente, presenciamos um fato de transcendência histórica: o anúncio da normalização das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos. Assim, começa a se retirar da cena latino-americana e caribenha o último resquício da Guerra Fria em nossa região. Não tenho dúvidas de que a CELAC tem sido um catalisador desse processo. Foram necessários coragem e sentido de responsabilidade histórica por parte dos presidentes Raúl Castro e Barack Obama, para dar esse importante passo. Os dois Chefes de Estado merecem nosso reconhecimento pela decisão que tomaram –  benéfica para cubanos e norte-americanos, mas, sobretudo, benéfica para todos os cidadãos do continente. Merece, igualmente, nosso reconhecimento o Papa Francisco, por sua importante contribuição nesse processo. Não podemos esquecer, todavia, de que o embargo econômico, financeiro e comercial dos Estados Unidos a Cuba ainda continua em vigor. Essa medida coercitiva, sem amparo no Direito Internacional, que afeta o bem-estar do povo cubano e prejudica o desenvolvimento do país, deve, tenho certeza, do ponto de vista de todos os países aqui representados, ser superada. O Brasil, ao financiar as obras do Porto de Mariel, inaugurado à margem da Cúpula da CELAC em Havana, atuou em prol de uma integração abrangente. Agradecemos ao governo cubano e ao povo cubano a grande contribuição que tem dado ao Brasil no atendimento a serviços básicos de saúde para 50 milhões de brasileiros.”

Bem… Cuba é que deveria ser grata ao Brasil, não? Há 7.400 médicos cubanos por aqui. Cada um custa R$ 10 mil por mês, mas ficam com apenas R$ 2,9 mil desse dinheiro. O resto vai para a ditadura dos irmãos Castro. A escravidão moderna rende, líquidos, à ilha R$ 52.540.000 por mês — ou R$ 630,48 milhões por ano. Um negócio e tanto. Mais: o porto de Mariel é negócio de pai para filho. Consta que não conhecemos dessa história nem a metade. Mas sigamos.

Reparem que, em seu discurso, Dilma censurou os EUA pelo embargo, mas não censurou Cuba pela ditadura. A soberana não deve achar que seja esse um assunto grave. E, agora sim, posso voltar à Venezuela. O governo de Maduro assinou uma resolução que permite às Forças Armadas abrir fogo — atirar mesmo, pra valer — contra manifestantes. Em outras palavras: matá-los. O texto, informa a http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/206122-venezuela-autoriza-atirar-contra-protesto.shtml Folha, estabelece o seguinte: “diante de uma situação de risco mortal, o funcionário militar aplicará [o] uso da força potencialmente mortal, com arma de fogo ou outra arma potencialmente mortal”.   

O texto viola dois artigos da Constituição, mesmo aquela que há lá, bolivariana, talhada ao gosto dos tiranos: o 68, que “proíbe o uso de armas de fogo [...] no controle de manifestações pacíficas; e o 332, segundo o qual os “órgãos de segurança cidadã são de caráter civil [e não militar]”. E daí?

O governo do Brasil, que lisonjeia a ditadura cubana e critica os EUA, uma democracia, é um dos principais aliados do regime venezuelano. Com a liderança de que dispõe no continente, o nosso país estaria obrigado a se manifestar sobre a decisão de Maduro, mas não vai. Prefere se esconder na chamada “não ingerência em assuntos internos” de outro país.

Como esquecer que Dilma Rousseff e Cristina Kirchner deram um verdadeiro golpe no Mercosul para abrigar a Venezuela, violando, inclusive, a cláusula do tratado que define o bloco? A dupla se aproveitou de uma crise política no Paraguai para suspender esse país do Mercosul e dar abrigo, então, a Hugo Chávez.

Reitero: essa resolução viola uma cláusula do tratado do Mercosul. Não se ouvirá um pio. Dilma acha o embargo dos EUA a Cuba um crime de lesa-humanidade, mas não vê nada de mais que se matem pessoas nas ruas feito moscas. Afinal, Lula já chegou a dizer que, na Venezuela, “existe democracia até demais”.

A democracia da bala.

Por Reinaldo Azevedo
 

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