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Venezuela

18/05/2013

às 7:17

Maduro, o papel higiênico, as ameaças, as mentiras e a verdade dos números

Escrevi certa feita que Hugo Chávez ainda terminaria pendurado de cabeça pra baixo, em praça pública, como um Mussolini bolivariano. Outro destino o colheu primeiro. Talvez seja Nicolás Maduro a cumprir a predição. A parvoíce agressiva deste senhor impressiona. Na quarta-feira, ele afirmou que o governo tinha a lista, com os respectivos números de documentos, de 900 mil pessoas que não tinham comparecido para votar. Se falou a verdade, péssimo. Se mentiu, péssimo também. É claro que se trata de uma tentativa de intimidar a população. A economia venezuelana está em frangalhos. Falta tudo nas gôndolas dos supermercados. A última medida estrepitosa de Maduro foi determinar a importação de papel higiênico. A falta de produtos de higiene é um clássico dos regimes ditos socialistas. Isso deve querer dizer alguma coisa. Em Cuba, por exemplo, a população se vira com o jornal Granma mesmo… É também uma forma de responder ao jornalismo oficial anti-higiênico, dando em troca o que ele merece…

O regime bolivariano começou a se desconstituir. E a quase derrota de Maduro nas eleições o evidenciou. Na quinta, ao entregar um lote de casas populares, um programa lançado em 2011 por Hugo Chávez, o presidente anunciou que o governo começará a cobrar pelas moradias. “Como vamos sustentar o gasto e os investimentos nas moradias dos próximos anos? Faremos mágica?” Pois é… A pergunta tem de ser feita ao regime que ele lidera.

O patético presidente venezuelano teve ainda uma outra grande ideia, conforme informa VEJA.com. Leiam trecho. Volto em seguida.
*
Na semana em que foi concluída a venda da Globovisión, último canal crítico ao governo venezuelano, o presidente Nicolás Maduro confirmou que vai se encontrar com donos de outros dois canais privados de televisão para orientá-los a fazer mudança na grade de entretenimento. O herdeiro político de Chávez quer acabar com o que ele diz ser “antivalores do capitalismo” transmitidos pelos veículos de comunicação.

“Já chega de narconovelas e de séries de televisão que promovem o uso de drogas, o culto às armas. Por que as novelas têm de promover a deslealdade, a traição, o narcotráfico, a violência, a cultura das armas, a vingança?”, defendeu Maduro. Na segunda-feira, ele afirmou que vai propor a criação de uma televisão “muito diferente” da que é feita hoje na Venezuela, em reunião com Omar Camaro e Gustavo Cisneros, proprietários da Televen e da Venevisión, respectivamente.
(…)
Voltei
Pois é… A Venezuela é hoje um dos países mais violentos do mundo, obra inequívoca do “Socialismo do Século 21” de Chávez — e, agora, de Maduro. Atenção! Houve no ano passado 21.692 assassinatos no país, segundo o Observatório Venezuelano da Violência. O país tem 29 milhões de habitantes. Isso significa, meus caros, uma taxa de 75 homicídios por 100 mil. Só para que vocês comparem: a do Brasil, que já é uma carnificina, é de 26 por 100 mil. Mata-se três vezes mais no paraíso chavista. Em Caracas, a taxa é superior a 100 — para comparação: em São Paulo, é de 11 por 100 mil!!! Maduro já sabe como responder ao problema: dará fim às telenovelas!

Mas os venezuelanos não sabem de nada. Quem realmente sabe o que se passa por lá é este homem:

Por Reinaldo Azevedo

10/05/2013

às 15:32

Deputados do Mercosul estudam suspensão da Venezuela

Na VEJA.com:
Representantes de Argentina, Paraguai e Uruguai no Parlamento do Mercosul pediram uma sessão especial para discutir a permanência da Venezuela no bloco, informou nesta sexta-feira o jornal venezuelano El Nacional. Os deputados pretendem pedir a suspensão da Venezuela diante dos atos violentos em decorrência das eleições presidenciais de 14 de abril.

Os representantes pediram ao presidente do Parlamento do Mercosul, o paraguaio Ignacio Mendoza, uma análise das acusações de fraude eleitoral, perseguição e ataque à oposição para determinar se o país cumpre a cláusula democrática do Protocolo de Ushuaia. “Vários fatos motivam a análise. Entre eles, a preocupante situação derivada do processo eleitoral, o espancamento de deputados opositores pelo regime governante, a perseguição aos veículos críticos de imprensa e as denúncias de severas violações de direitos humanos”, diz o texto da petição.

Os deputados pediram também que se retire a suspensão do Paraguai e a paralização do processo de entrada da Venezuela até que o senado paraguaio ratifique o protocolo de adesão. “Não é possível que esteja suspenso um país como o Paraguai, que defende valores democráticos, e se queira incorporar a Venezuela, cujo governo viola sistematicamente todos os princípios que qualquer democracia deve resguardar”, disse o deputado argentino Julián Obiglio. O Paraguai foi suspenso do bloco após o impeachment do então presidente Fernando Lugo.

A petição foi apresentada por senadores e deputados de Uruguai, Paraguai e Argentina. Esperava-se que representantes do Brasil fizessem o mesmo na tarde de quinta-feira, o que não aconteceu.

Venezuela
Na tarde de quinta-feira, o presidente venezuelano Nicolás Maduro estava reunido com Dilma Rousseff em Brasília no último dia de seu primeiro giro internacional como mandatário da Venezuela. “Pedimos mais apoio do Brasil para o desenvolvimento de uma revolução agroalimentícia na Venezuela”, disse Maduro em uma coletiva de imprensa que não permitiu perguntas de jornalistas.

Por Reinaldo Azevedo

09/05/2013

às 22:17

Ainda nos envergonharemos disto, tenho fé! Maduro presenteia Dilma com imagem de Chávez e elogia Lula

Leiam o que informa Claudia Andrade na VEJA.com. Mais tarde, comento:

Os resultados da eleição presidencial de 14 de abril estão sendo contestados pela oposição venezuelana, mas Nicolás Maduro não esperou para buscar apoio dos aliados Uruguai, Argentina e Brasil, em um giro pelos países do Mercosul. Nesta quinta-feira, em Brasília, Maduro foi recebido com honras militares por Dilma Rousseff, presenteada com uma imagem do caudilho Hugo Chávez.

Maduro aproveitou seu giro para “passar o pires” e garantir o abastecimento de alimentos e itens de higiene pessoal. Na Venezuela é comum faltar nos supermercados produtos como farinha e óleo de milho, açúcar, frango, papel higiênico, guardanapos, detergente.

Tentando se defender das críticas da oposição depois de vencer Henrique Capriles com pouco mais de 200.000 votos de diferença, ele disse que, ao longo dos anos de Hugo Chávez, a Venezuela realizou eleições e referendos que construíram um sistema eleitoral “quase perfeito”. Ao longo de 14 anos no poder, o coronel usou a ferramenta democrática sempre a seu favor, manobrando para garantir resultados favoráveis e acabando com as instituições. Ele disputou o último pleito na condição de presidente interino, seguindo os passos de seu padrinho político, com presença constante nas redes de rádio e TV, enquanto ao adversário era relegado um espaço insignificante.

A campanha presidencial de Maduro contou com a participação direta de Lula, que gravou um vídeo em apoio ao governista. Em retribuição, o venezuelano encontrou-se com o ex-presidente em Brasília – encontro longo – que atrasou ainda mais a agenda com Dilma. Em sua fala oficial à imprensa, não poupou elogios ao petista. Ressaltou a “sabedoria” de Lula e os “conselhos” que lhe deu no encontro. “Nós o vemos como um pai dos homens de esquerda, das mulheres de esquerda, dos homens e mulheres progressistas da América Latina. Que sorte que temos, dos três gigantes que iniciaram o processo (de unificação regional), Chávez, Néstor Kirchner e Lula, nos resta Lula. Nós, quando assumirmos a presidência do Mercosul, vamos assumir com essa missão de crescimento, de fortalecimento”, discursou Maduro.

A entrada da Venezuela no bloco ocorreu a partir de um golpe contra o Paraguai, único país que se opunha à adesão. O processo que resultou no impeachment de Fernando Lugo, em junho do ano passado, respeitou a Constituição paraguaia, mas serviu como desculpa para a suspensão do Paraguai e consequente entrada da Venezuela. Um ano depois da suspensão do Paraguai, o Mercosul se prepara para assumir o comando temporário do bloco, no dia 28 de junho.

Abastecimento
Assim como fez nos outros países que visitou, também com o Brasil o venezuelano fechou acordos para garantir o abastecimento em seu país. “Pedimos mais apoio ao Brasil para o desenvolvimento de uma revolução agroalimentar na Venezuela. Nós próximos anos, uma das grandes metas é produzir todos os alimentos que consumimos, e nos converter em uma potência produtora de alimentos. Vamos desenvolver um novo modelo, uma nova fórmula produtiva, com a ajuda do Brasil, de suas técnicas de produção”.

Ele acrescentou que na Venezuela, “houve uma mutação com a chegada do petróleo. Mais que uma mutação, uma amputação. Amputaram a cultura produtiva do campo. Mas estamos recuperando”.

Na Argentina, ao anunciar o convênio fechado com o governo de Cristina Kirchner para “garantir e fortalecer a reserva alimentar por três meses”, Maduro admitiu que a Venezuela enfrenta “problemas severos de abastecimentos”, mas os atribuiu não as falhas do governo em conduzir a economia, à incapacidade de conter a inflação, mas sim a “sabotagem econômica”.

A agenda do Venezuelano na Argentina incluiu ainda um ato político em um ginásio lotado de kirchneristas, e falou em “renascimento de forças de direita fascistoides” que “ameaçam a democracia”.

Oposição
Enquanto Maduro se reunia com Cristina Kirchner, opositores venezuelanos estavam no Congresso argentino para denunciar as irregularidades nas eleições de 14 de abril. Os parlamentares argentinos analisam uma série de projetos apresentados pelo governo de Cristina Kirchner como “democratização” do judiciário mas que, na verdade, em muitos aspectos cerceiam o trabalho dos juízes. “Se posso dar um alerta é: lutem pela autonomia judicial”, disse o deputado Leopoldo López ao jornal argentino Clarín. Na Venezuela, o Judiciário é dominado por chavistas, que endossam as decisões do Executivo.

Por Reinaldo Azevedo

01/05/2013

às 7:22

Fascismo bolivariano – Presidente da Assembleia da Venezuela, que comandou espancamento de deputados da oposição, é acusado de ligação com o narcotráfico

Vejam este vídeo. Flagra o momento em que deputados chavistas partiram pra cima de deputados da oposição nesta terça. Volto em seguida.

Voltei
Nicolás Maduro, o ditador de turno da Venezuela, não é, evidentemente, flor que se cheire, ou não estaria lá, na sequência de dois golpes: um dado contra a própria Constituição bolivariana, quando assumiu a Presidência na vacância de Chávez (o ato foi escancaradamente inconstitucional), e outro mais recentemente, quando resta evidente que só se fez presidente violando o processo eleitoral propriamente e, há milhares de evidências, as próprias urnas.

Mesmo sendo quem é, ele ainda não é páreo, no que concerne à delinquência e ao banditismo, para Diosdado Cabello, o presidente da Assembleia Nacional. O homem foi considerado um risco até pelo próprio Chávez. Tanto é assim que o tirano deu um jeito de encostar aquele que era apontado como seu sucessor natural.

Mas Cabello ainda tem muito poder, que voltou a crescer com a morte de Chávez. Preside a Assembleia, é o homem forte das milícias armadas criadas pelo regime, e, atenção!, há fortes evidências de que está envolvido com o narcotráfico, que já chegou à cúpula do governo venezuelano.

O juiz Eladio Ramón Aponte Aponte, ex-presidente do Tribunal Superior de Justiça, era o braço de Chávez no Judiciário. Fugiu do país no fim de março e se tornou um delator protegido pelo DEA, a agência antidrogas dos EUA. Ele admitiu ter prestado favores a uma rede de narcotraficantes da América do Sul a pedido do governo. E listou, então, os chavistas da cúpula que lucravam com o tráfico de drogas: o ministro da Defesa, general de brigada Henry de Jesús Rangel Silva; o vice-ministro de Segurança Interna e diretor do Escritório Nacional Antidrogas, Néstor Luis Reverol; o comandante da IV Divisão Blindada do Exército, Clíver Alcalá; o ex-diretor da seção de Inteligência Militar Hugo Carvajal e… o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello.

Pois é… Reitere-se: o próprio Chávez achava que ele poderia fugir a qualquer controle. Aliás, a demora em encontrar uma solução para o impasse quando ficou claro que o tirano não voltaria tinha nome: Cabello. Segundo a Constituição, ele é que deveria ter assumido a Presidência interina. Mas a cúpula bolivariana temia que se lançasse candidato. Nos meios políticos da Venezuela, dá-se como certo que Maduro teve de entregar a Cabello boa parte do controle do país para mantê-lo como um “aliado”.

Como se vê, ele demonstra a sua força. Segue texto publicado na VEJA.com.
*
A maioria governista na Assembleia Nacional da Venezuela decidiu nesta terça-feira negar mais uma vez à oposição o direito à palavra, sob a alegação de que ela não reconhece o presidente Nicolás Maduro, cuja eleição é contestada pelos opositores – eles denunciam irregularidades no processo eleitoral. Mas, desta vez, a tensão política acabou descambando para a pancadaria, com saldo de ao menos sete deputados opositores feridos.

O clima era tenso antes mesmo do início da sessão, quando os deputados não alinhados ao chavismo que chegavam ao Parlamento não encontravam microfones em frente a seus assentos. Os equipamentos foram retirados por ordem do presidente da Assembleia, o chavista Diosdado Cabello. Os trabalhos só foram abertos com mais de três horas de atraso, e, cerca de 30 minutos depois, o confronto eclodiu.

Tudo começou depois da aprovação sumária da indicação da nova presidente do Banco Central venezuelano. Cabello impediu os deputados opositores de participar de debates adicionais sobre o assunto, alegando “reciprocidade” por não reconhecerem a vitória de Maduro nas eleições de 14 de abril. “Enquanto aqui, nesta Assembleia Nacional, não forem reconhecidas as autoridades, as instituições da República, os senhores da oposição poderão falar na (TV) Globovisión, no (jornal) El Nacional, mas aqui não”, disse Cabello.

Os deputados opositores então iniciaram um apitaço e mostraram um cartaz onde se lia “Golpe no Parlamento”. Foi o bastante para membros da bancada governista partirem para cima de seus pares não chavistas, dando início a um conflito que, segundo relatos, teve até a participação de um guarda-costas da Assembleia. Ao mesmo tempo, as câmeras da TV Assembleia foram viradas para o teto do plenário. Em seguida, a transmissão foi suspensa, e o acesso de jornalistas ao local proibido.

Um vídeo feito com a câmera de um celular (no alto) mostra a pancadaria generalizada. O bloco governista rejeitou “os atos de violência”, os quais atribuiu aos adversários. A oposição, por sua vez, veio a público mostrar o resultado das agressões: arranhões e rostos machucados.

“Não sou o único agredido, vários deputados apanharam, e o responsável direto é o senhor Diosdado Cabello, que exige nosso reconhecimento de Nicolás Maduro”, disse o legislador Julio Borges, líder do partido opositor Primeiro Justiça (PJ) e um dos mais feridos. “O que fizemos foi exibir em silêncio o cartaz ‘Golpe no Parlamento’”, explicou Borges, ressaltando que, depois do protesto, vários deputados da oposição foram agredidos por legisladores chavistas. “Esses golpes vão nos dar mais força…O senhor, Diosdado Cabello, está cavando uma sepultura para todo o processo que vocês chamam de revolução”, acrescentou ele, com sangue no rosto e olhos inchados.

“O deputado Americo de Grazia foi empurrado escada abaixo, e cinco pessoas caíram sobre ele, golpearam-no violentamente, e ele está hospitalizado; isso enquanto o deputado Diosdado Cabello sorria”, afirmou a parlamentar Maria Corina Machado, da oposição, durante uma entrevista coletiva após o confronto. Já a chavista Odalis Monzón disse que foi “atacada pela bancada opositora” e agradeceu seus companheiros por “defendê-la”, em declaração à TV da Assembleia Nacional.

A tensão política na Venezuela está em nível máximo desde que Nicolás Maduro venceu o líder da oposição, Henrique Capriles, na eleição presidencial de 14 de abril por uma diferença de apenas 224.000 votos (1,49 ponto percentual). Trata-se do número final, atualizado na segunda-feira, depois da divulgação do resultado das urnas no exterior, nas quais Capriles teve mais de 93% dos votos. A oposição não reconhece a vitória de Maduro, alega fraude eleitoral e, nos próximos dias, entrará com um recurso para impugnar o pleito no Tribunal Superior de Justiça (TSJ).

Encerro
Vejam uma entrevista do deputado oposicionista Júlio Borges, com o rosto cheio de hematomas. Não duvidem de que há gente no Brasil morrendo de inveja…

 

Por Reinaldo Azevedo

19/04/2013

às 21:04

Maduro saúda o “deus” Chávez e diz querer falar até com o diabo

“Juro pelo povo da Venezuela, juro pela memória eterna do comandante supremo que cumprirei e farei esta Constituição ser cumprida”.

São palavras de Nicolás Maduro, ditador eleito (!?) da Venezuela, na cerimônia de posse. Raramente tão poucas palavras produziram tamanha impostura. Vamos ver:
a: cumprir a Constituição, na Venezuela, já é uma porcaria em si porque o texto é puro lixo autoritário. Mas vá lá;
b: ocorre que Maduro só assumiu o poder com a morte de Chávez porque, ora vejam!, desrespeitou a Constituição;
c: em qualquer democracia do mundo, o juramento de posse é um texto formal, legal, definido pelo estado, não pelo governante de turno. Não na Venezuela: Maduro jurou “pelo povo” e pela “memória eterna do comandante supremo”;
d: Chávez ocupa, assim, nessa mística, o lugar de Deus, o lugar do divino.

Conforta saber, em todo caso, que essa patacoada já não funciona mais; que isso tudo é falso; que metade dos que foram votar repudiam essa religião exótica. E a rejeição é obviamente maior, já que houve uma abstenção em torno de 20%. Notem bem: os que se negaram a comparecer não são necessariamente partidários da oposição, mas a sua resistência à alternativa ao chavismo não tem a mesma qualidade da resistência à crença oficial do país. Por quê? Num caso (não votar na oposição), trata-se de recusar uma alternativa que é deste mundo, que apela a uma escolha racional. No outro (não votar no chavismo), trata-se de repudiar a mística redentora. Numa sociedade extremamente mobilizada pela ideologia oficial, em que os meios de comunicação foram transformados em meros instrumentos de agitação política oficialista, esse “não” é mais profundo.

Os presidentes sul-americanos que compareceram à posse — Sebastián Piñera, do Chile, não foi — estavam lá para aplaudir um ditador e uma ditadura. O Brasil, como líder do subcontinente, exerce, uma vez mais, um papel vergonhoso. É claro que não poderia, nem teria como fazê-lo, impor esta ou aquela solução à Venezuela. Só não precisava demonstrar tamanho entusiasmo. Afinal, nesta semana, oito pessoas morreram assassinadas pelas forças de segurança.

Maduro demonstrou assim a sua disposição para o diálogo:
“Peço àqueles que sejam políticos da oposição, social-democratas, social-cristãos, de centro-direita, de centro-esquerda (…) Os convoco a conversar nos diferentes cenários em que se possa conversar. Estou disposto a conversar até com o diabo”.

O rabudo anda frequentando cada vez mais o vocabulário dos líderes sul-americanos. Dilma também admitiu, aqui no Brasil, que, para se eleger, “a gente pode fazer o diabo”…

Então ficamos assim: no discurso de posse, Maduro saúda o “deus” Chávez e se diz disposto a conversar até com o diabo.

Por Reinaldo Azevedo

19/04/2013

às 19:46

Dilma, ao lado de Evo, que mantém sequestrados 12 brasileiros, saúda o ditador Maduro

Vejam que foto edificante, de Carlos Garcia Rawlins, da Reuters.

Aí está a presidente Dilma Rousseff saudando o novo ditador venezuelano, que venceu uma eleição fraudada pela própria natureza. Oito pessoas morreram em protestos de rua. Maduro seguirá o caminho do antecessor, Hugo Chávez, censurando a imprensa, esmagando a oposição, estimulando a formação de milícias armadas.

Observa o entusiasmo da presidente brasileira Evo Morales, o índio de araque que comanda seu próprio regime de força na Bolívia. Não sei se lembram: o cocalero investido com honras de chefes de estado mantém sequestrados — é essa a palavra — 12 brasileiros.

Volto à posse de Maduro no próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

19/04/2013

às 6:20

Venezuela – Dilma Rousseff embarca alegremente na nau dos insensatos e vai referendar um regime ditatorial e corrupto que mata, censura e esmaga a oposição

Esta é, cada vez mais, a cara do regime venezuelano: uma ditadura bolivariano-militar corrupta e assassina (Foto: AFP)

A presidente Dilma Rousseff embarcou ontem para Lima para participar de uma reunião de emergência da Unasul. Para quê? Para discutir a crise venezuelana? “Crise nenhuma”, respondeu o protoditador da Bolívia e índio de araque, Evo Morales. Ele deixou bem claro: os presidentes sul-americanos estavam sendo recebidos pelo peruano Ollanta Humala para dar apoio incondicional ao ditador Nicolás Maduro.

Participam ainda do encontro os presidentes do Uruguai, José Mujica (aquele que quer estatizar a maconha); da Argentina, Cristina Kirchner (aquela que quer acabar com o Judiciário) e Juan Manuel Santos, da Colômbia, o menos exótico da turma — se não levarmos em conta as plásticas desastrosas que fez. Aliás, eis por que Santos não é mesmo Álvaro Uribe. Este teria dado um jeito de ter uma indisposição estomacal para não participar da patuscada. Rafael Correa só não abrilhanta a reunião porque está em viagem à Europa.

Os sul-americanos decidiram se unir em apoio a Maduro, presente ao encontro, também para dar uma “resposta” aos EUA, que pediram a recontagem da votos para reconhecer a vitória de Maduro. É um arrogância típica do subdesenvolvimento político e moral. Nada a estranhar na política externa brasileira, não é? Lula sempre foi mais ou menos hostil a Washington, mas abraçou com entusiasmo… Teerã, não é mesmo?

Sob suspeita de fraude, Maduro, com cara de bravo e assustado, é proclamado o vencedor. É patético! (Foto: AFP)

Os presidentes pretendem fazer um gesto teatral: acompanharão Maduro de Lima a Caracas para demonstrar que o ditador não está só. É asqueroso! Faz três dias, oito pessoas morreram no país nos protestos contra a forma como se processam as eleições. Não existe liberdade de imprensa na Venezuela. As emissoras de TV e rádio foram estatizadas e vivem sob censura. Os jornalistas da imprensa escrita estão sob permanente ameaça de processo. Milícias armadas intimidam os opositores nas ruas. Caracas é uma das cidades mais violentas do mundo. A Justiça, o Ministério Público e o próprio Poder Legislativo, coalhados de bolivarianos, ameaçam sufocar a oposição também no terreno institucional.

Diosdado Cabello
Para que se tenha uma ideia de como andam as coisas, nesta quinta, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, destituiu a oposição da presidência de quatro das quinze comissões da Casa. Também cassou a vice-presidência de outras quatro, embora os oposicionistas contem com 68 das 165 cadeiras (41%). Nota à margem: percentualmente, há mais representantes da oposição na ditadura venezuelana do que na democracia brasileira… É mole?

O Regimento o autoriza a fazer o que fez, e isso só nos diz que o Parlamento venezuelano tem um regimento que nega um dos pilares da democracia, que é o respeito à minoria. Cabello integra a lista das autoridades que, segundo o juiz desertor Eladio Ramón Aponte Aponte, estão comprometidas com o narcotráfico.

O chavismo oferece o “socialismo do século XXI” para esses milionários, mas sabem como é… Eles não querem (Foto:AFP)

Culpa da vítima
As coisas podem se complicar bastante. Justiça e Ministério Público agora querem buscar um caminho formal para responsabilizar o oposicionista Henrique Capriles pela morte de oito manifestantes. Entenderam como é o regime que conta com o apoio e o entusiasmo de Dilma Rousseff? As forças oficiais matam oito pessoas, mas a culpa recai sobre os ombros do líder da oposição. Maduro também ameaça mobilizar seus bate-paus na Justiça e no Ministério Público para tentar cassar do opositor seu mandato de governador do estado de Miranda.

A oposição diz que vai boicotar a posse de Maduro, que acontece hoje. Os presidentes sul-americanos, sob a liderança de Dilma, lá estarão para referendar mortes, censura, truculência e fraude. Em nome da democracia, claro!, e contra a interferência dos EUA. Essa gente é patética, mas é também perigosa.

No Brasil, Dilma criou a Comissão da Verdade; na Venezuela, ela apoia é a soldadesca na rua, que desce o sarrafo e mata. Entendi: ditadura boa é aquela que mata os inimigos…  (Foto: AFP)


 

Por Reinaldo Azevedo

19/04/2013

às 4:38

Recontagem evidencia fraqueza e falta de legitimidade de Maduro

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anunciou que fará uma “auditoria” nos votos da eleição de domingo em 100% das urnas. Há aí uma boa e uma má notícia. Já chego lá. Segundo o órgão, 54% das urnas já são normalmente auditados — restariam, portanto, 46%. Tudo é meio confuso, nebuloso, como é comum nas ditaduras. O que vem a ser “auditoria”?

Na Venezuela, os votos são eletrônicos, mas um comprovante em papel é depositado na urna. Auditar significa ver se os votos das urnas físicas correspondem aos eletrônicos e se ambos estão de acordo com o registro oficial. O conselho diz que isso pode demorar um mês. Pergunta óbvia: se é verdade que já se realizou o procedimento em 54% das urnas porque é praxe — e estamos na sexta-feira —, por que os 46% restantes tomariam um mês? O bolivarianismo não é para mentes lógicas.

O órgão que cuida das eleições nega que isso seja uma “recontagem”, como pedia o oposicionista Henrique Capriles. Este, que sabe que não haverá mudança de resultado, diz que é recontagem, sim, e que isso é uma vitória do povo. Nicolás Maduro, o ditador eleito (vejam a que construções nos obrigam os bolivarianos…), chegou a dizer que aprovava a auditoria, mudou de ideia e recuou novamente. A má notícia: vai-se confirmar a vitória do ditador, e ele vai faturar politicamente. A boa notícia: o sucessor de Chávez percebeu que não teria vida fácil e descobriu que as eleições, da forma como as realiza o chavismo, já não legitimam mais ninguém. Ou por outra: o chavismo está morto.

Por que afirmo isso? Porque o regime dependia da existência de um líder carismático, com laivos de messianismo. Se vocês me indagarem de onde vinha o tal “carisma”, a minha resposta é simples: não sei! Talvez seja preciso ser um venezuelano para entender, ainda que antichavista. O fato é que o Beiçola de Caracas conseguiu estabelecer uma relação com boa parte da população que não era mais mediada pela realidade, mas pelos amanhãs sorridentes que ele prometia. Esse tipo de coisa não se transfere. “Ah, mas e os programas sociais?” É claro que o assistencialismo teve um peso grande na captura dos mais pobres, mas Chávez tinha conseguido ir um pouco além deles. O que se nota na Venezuela é que a clientela não preferencial do chavismo desembarcou de vez e que mesmo os setores dominados para fala encantatória do tirano começam a desertar.

A recontagem — ou auditoria — obriga Maduro a uma espécie de humilhação a que Chávez jamais se submeteria, e aí está uma evidência de que o atual ditador não é, definitivamente, o antecessor, menos ainda seu herdeiro. Capriles, e é fato, pode dizer que conseguiu dobrar a intransigência do governo, ainda que nada vá mudar no resultado final — ou alguém acha que a cúpula bolivariana condescenderia com o procedimento se houvesse algum risco?

Já escrevi aqui e reitero: ainda que tenha havido fraudes na eleição propriamente — e é certo que houve —, elas são menos relevantes do que a fraude essencial: as condições desiguais em que se realiza o pleito. Só os chavistas têm direito a usar os meios de comunicação para fazer campanha, e milícias armadas dominam as áreas pobres da capital. Já demonstrei aqui que a oposição venceu a disputa em seis dos nove departamentos com mais de um milhão de habitantes. Capriles ficou na frente em apenas oito departamentos; Maduro, em 16 — o dobro. Mas o tirano conseguiu uma vantagem de pouco mais de 1,5 ponto percentual no país como um todo. A Venezuela mais urbana já se despede do chavismo. No Distrito Federal, que inclui a capital, a diferença foi de pouco mais de 3 pontos em favor do governo, embora seja a região que concentra as milícias e que reúne a esmagadora maioria dos pobres encabrestados pelo assistencialismo.

O governo da Venezuela é ditatorial, corrupto e está infiltrado pelo narcotráfico, conforme denuncia o ex-presidente da corte suprema do país, que fugiu. Ele próprio, um ex-chavista, disse ter colaborado com o narcotráfico a serviço do governo.

Para se manter no poder, Maduro terá de contar cada vez mais com o apoio da banda podre das Forças Armadas. A ditadura bolivariana, embora iniciada por um coronel, chegou a ter ares de fascismo civil. A cada dia, fica mais com a cara de uma ditadura militar típica da América Latina.

Por Reinaldo Azevedo

17/04/2013

às 19:17

Ditador venezuelano anuncia apoio integral de Lula, que aproveitou para atacar os EUA. Há 49 anos, o “Porco Fedorento” proclamava na ONU: “Fuzilamos, estamos fuzilando e fuzilaremos”. É o herói dos nossos progressistas, inclusive do Supercoxinha!

Nojo!

O, atenção para o nome do órgão, Ministério do Poder Popular para a Informação e a Comunicação emitiu um comunicado, em nome do “Governo Bolivariano da Venezuela”, anunciando o apoio integral de Luiz Inácio Apedeuta da Silva ao assassino Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, que assumiu o poder em razão de um golpe de estado e nele vai se manter em razão de eleições fraudadas.

Segundo a ditadura, Lula afirmou o seguinte:
“Quando a gente está no cargo de presidente, há coisas que não se podem dizer, por diplomacia, mas, agora, eu posso dizer: de vez em quando, os americanos se dedicam a pôr em dúvida a eleição alheia. Deveriam se preocupar consigo mesmos e deixar que nós elejamos o nosso destino”.

Eis aí. Lula fez essa afirmação no evento de ontem em Belo Horizonte, mais um que comemora os 10 anos do PT no poder. Estava ao lado da presidente Dilma Rousseff, que já havia dado os parabéns ao assassino.

O Apedeuta, como se nota, faz uma alusão às críticas feitas pelos EUA, que pedem a recontagem dos votos, já que há milhares de acusações de fraude, numa eleição já disputada em condições absolutamente desiguais.

Um vídeo
Em dezembro de 1964, Che Guevara, o Porco Fedorento, discursou na ONU em nome do governo cubano. Os mais antigos, como eu, já leram o discurso. Os jovens talvez o ignorem. Ouçam. Volto em seguida.

 

Explico
Em 1964, a Venezuela era uma democracia, governada por Raúl Leoni, que havia sido eleito em 1963. Sucedia outro governo igualmente sufragado pelo povo, em 1958. Até esse ano, o país havia conhecido apenas nove meses de um governo saído das urnas, entre fevereiro e novembro de 1948.

Muito bem! O governo democrático da Venezuela enfrentava a luta armada de vários grupos terroristas, que se inspiravam em Cuba. E o que fez a ditadura cubana? Acusou, ora vejam!, o governo venezuelano de praticar genocídio… Houve excessos das forças de segurança, admitidos pelo próprio governo, que os condenou. Mas, obviamente, não havia morticínio em massa. Tratava-se apenas de uma das muitas fraudes históricas perpetradas pelas esquerdas.

Pois bem: o governo democrático da Venezuela reagiu à acusação, lembrando que o governo cubano era notório, ele sim, por fuzilar seus adversários. E é então que o Porco Fedorento, o “Chancho”,  o poeta do homicídio, aquele que descreveu com incrível prazer o movimento de uma bala que penetra de um lado do crânio e sai do outro (e ele era médico); aquele que confessou ter roubado um relógio de um homem que acabara de matar; aquele que acreditava que o homem deveria se transformar “numa fria e implacável máquina de matar”, motivado pelo ódio, eis que um vagabundo desse naipe afirma o seguinte na ONU (a partir do 36º segundo):

“Nós temos que dizer aqui o que é uma verdade conhecida, que temos expressando sempre diante do mundo: fuzilamentos, sim! Fuzilamos, estamos fuzilando e seguiremos fuzilando até que seja necessário. Nossa luta é uma luta até a morte. Nós sabemos qual seria o resultado de uma batalha perdida e os vermes também têm de saber qual é o resultado da batalha perdida hoje em Cuba. E vivemos nessas condições por imposição do imperialismo norte-americano. Isso, sim, mas assassinatos não cometemos, como comete neste momento a policia política venezuelana que, creio, recebe o nome de Digepol se não estou mal informado. Essa polícia cometeu uma série de atos de barbárie, de fuzilamentos, ou melhor, de assassinatos, e depois atirou os cadáveres em alguns lugares (…)”

A íntegra do discurso do vagabundo, em espanhol, está aqui. Na sequência, acreditem, ele critica o governo da Venezuela por aquilo que chama censura à imprensa. Em 1964, como ele mesmo confessa, não só não havia imprensa livre em Cuba como os adversários do regime eram fuzilados.

Poucas falas retratam com tanta precisão o horror moral da esquerda armada, e de seus herdeiros intelectuais, como essa. Notem que Che Guevara não acredita na existência de adversários, mas de “vermes”. Ora, se vermes são, então podem e devem ser eliminados. Seus fuzilamentos são parte da luta; os dos outros, crimes. Mais: ele diz que mata porque venceu e proclama que o outro lado faria a mesma coisa se tivesse vencido; logo, sua fala legitima tanto a própria brutalidade como a alheia. E pensar que os partidários desses pulhas ficam hoje, por aí,  a arrotar a sua moral vitimista, cobrando reparações. Tivessem ganhado aqui a batalha, Che Guevara informa o que teriam feito com os adversários — e não haveria, por certo, “Comissão da Verdade”. Antes que algum cretino se assanhe a dizer que estou defendendo tortura, digo: “Uma ova!”. Defendem a tortura, o assassinato e o fuzilamento os que perfilam com Che Guevara, não eu. Só estou evidenciando o que queriam aqueles anjos da morte.

Cinquenta anos depois, Nicolás Maduro, em nome de ideais derivados aquele Porco Fedorento, continua a fuzilar pessoas nas ruas. E, herança do mesmo chiqueiro moral, diz que o faz em nome da “revolução bolivariana”, que ele ameaça radicalizar.

Luiz Inácio Apedeuta da Silva lhe dá integral apoio. Dilma também. Vale dizer: ambos legitimam a morte de pessoas que só estavam protestando contra uma fraude eleitoral escancarada.

Assim, quando vejo as Dilmas, os Lulas e alguns fantasmas morais do passado a se levantar e a pedir justiça e reparação, indago: em nome de quais valores? “Ah, mas e o deputado Rubens Paiva?” O que tem ele? Foi vítima da brutalidade do regime, tem de ter a sua história contada, e o Estado tem de assumir a sua culpa, como, aliás, aconteceu. Mas nem ele nem ninguém mudam a história de um tempo, mudam os valores que estavam em conflito. E que, atenção!, ainda estão!

Cadê os nossos cultores da verdade, os nossos heróis da reparação, para enviar uma mensagem de solidariedade ao povo venezuelano e seus mortos? Estão calados em seu túmulo moral. Sabem por quê? Porque boa parte dessa gente acha que Maduro tem mais é de fuzilar mesmo. Porque boa parte dessa gente acha que Che Guevara estava certo. Porque boa parte dessa gente acha que humanos são os seus companheiros. Os adversários são apenas “vermes” que merecem morrer.

É isso aí. Fernando Haddad, o Supercoxinha, diz que sou uma “caricatura de jornalista” porque escrevo textos como este. É um elogio quando vem da boca de um Zé Ruela subacadêmico que escreveu, em 2004, um livro em defesa do socialismo e que, ora vejam!, se diz socialista até hoje. Nunca foi preciso, claro!, que arriscasse, como arrisquei, um fio de cabelo em defesa da sua “luta”. É o socialista que não suja o shortinho. Outros já haviam construído a democracia para ele. Conforta-se em defender um regime assassino lá do seu gabinete, protegido das chuvas e trovoadas.

Che Guevara o representa.

Por Reinaldo Azevedo

16/04/2013

às 17:25

A Venezuela é hoje uma ditadura narcobolivariano-militar; governo assassinava sete pessoas em protestos enquanto Dilma parabenizava o ditador Maduro

O chavismo não existe, como muitos supunham. O que existe é um processo ditatorial que mantém debaixo do porrete a sociedade venezuelana. Os ditos bolivarianos compraram parte considerável das Forças Armadas da Venezuela, hoje infiltradas pelo narcotráfico e em parceria com os narcoterroristas das Farc. Cada vez mais, anotem aí, o país assumirá as características de uma ditadura militar convencional — mas sem abrir mãos dos rituais homologatórios das eleições encabrestadas e fraudadas pelos bolivarianos. Em suma, trata-se de uma ditadura narcobolivariano-militar

Leiam texto publicado na VEJA.com. Volto em seguida.

Os conflitos pós-eleição presidencial na Venezuela deixaram até agora um saldo de sete mortos, 61 feridos e 135 detidos, afirmou nesta terça-feira a procuradora-geral do país, Luisa Ortega. Mais cedo, a agência estatal de notícias AVN havia falado em quatro mortos.

“O mais grave é que nestes atos violentos morreram sete venezuelanos, um deles policial de Táchira (oeste)”, disse a procuradora, que criticou o candidato da oposição Henrique Capriles por convocar panelaços.

“Até agora o candidato que não foi beneficiado não compareceu perante o CNE para tentar nenhum recurso, nenhuma ação que o ordenamento jurídico do estado lhe garante”, disse Luisa, que acusa Capriles de ordenar ‘atos desestabilizadores’. “Não podemos permitir que se atente contra a paz e a tranquilidade de um povo”, disse, completando que as atitudes de Capriles podem constituir ‘crimes de instigação ao ódio e rebelião civil’.

A eleição presidencial da Venezuela teve um resultado apertado, com 50,75% a favor de Nicolás Maduro e 48,97% para Henrique Capriles. A pequena diferença, de pouco mais de 260.000 votos, e as milhares de denúncias de fraude eleitoral levaram Capriles a pedir uma auditoria com a recontagem total dos votos. O Poder Eleitoral, dominado por chavistas, rejeitou o pedido, apesar de Maduro ter pedido ao CNE em um primeiro momento a abertura das urnas.

Diante da acelerada proclamação de Maduro como presidente na segunda-feira, Capriles convocou os venezuelanos a panelaços a favor de uma recontagem de votos. Os chavistas responderam pedindo novas mobilizações, e o resultado foi uma violenta noite de segunda-feira. O governo diz que simpatizantes de Capriles atacaram centros do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e do Conselho Nacional Eleitoral.

Prisões
Em Barinas, capital do estado de mesmo nome, 17 pessoas que foram detidas em manifestações nas imediações do CNE devem se apresentar nesta terça ao tribunal local. Um dos detidos, um dirigente juvenil, disse ao jornal El Universal que se trata de uma “prática comum do governo para tentar frear as reclamações nas ruas, atribuindo delitos a quem enfrenta suas irregularidades”.

Na manhã desta terça-feira, tanques militares tomaram as cidades de Barquisimeto, a quinta mais importante da Venezuela, e Palavecino em um clima de tensão que impediu crianças de irem à escola. O CNE de Barquisimeto está sob forte proteção militar diante da marcha convocada pela oposição para entregar um documento que exige a recontagem dos votos. Na noite de segunda-feira, os militares lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes dos panelaços.

Oposição
Também nesta terça, Capriles pediu aos venezuelanos, através do Twitter, para não cair em provocações e ratificou que a luta da oposição “é firme, mas pacífica”. “A nós o que interessa é que reine a paz! Ao ilegítimo, não”, disse, em referência a Maduro.

Comento
Quem é Luisa Ortega, a tal procuradora-geral? É só mais um dos esbirros do regime ditatorial instalado na Venezuela. Ainda que Capriles recorresse, pergunta-se: que chance teria?

A Venezuela, há muito tempo uma ditadura, agora terá de involuir para o estado policial se quiser manter o atual regime. A razão é clara: de fato, a maioria da população já se opõe ao governo, mas não encontra os caminhos para apeá-lo do poder. Capriles teve quase 50% dos votos. A abstenção passou de 20%. Numa sociedade extremamente mobilizada pelas milícias chavistas, essa taxa traduz um misto de medo e desesperança. As eleições são fraudadas desde a origem, uma vez que a oposição não têm os mesmos direitos na disputa. Parte considerável das Forças Armadas se tornou sócia da súcia bolivariana; a Justiça e o Parlamento estão, igualmente, a serviço dos bandoleiros. No ano passado, o então presidente da corte suprema fugiu do país, confessou que atuava em favor do narcotráfico sob a orientação do governo e acusou altas autoridades civis e militares de fazer parte da máfia.

Delinquência
Por alguns instantes, Nicolás Maduro fingiu aceitar a recontagem dos votos. Era, como alertei aqui, mero truque. Horas depois, mudou de ideia e preparou a proclamação oficial da sua vitória, mesmo em meio a uma mar de denúncias de fraude.

O Brasil, alegremente, apoia um regime delinquente, que responde a protestos  de rua contra uma eleição fraudada com tanques e assassinatos. Ontem, enquanto a ditadura bolivariano-militar matava venezuelanos na rua, Antonio Patriota, chanceler brasileiro, demonstrava a disposição de trabalhar com Maduro, e Dilma dava os parabéns ao ditador.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2013

às 21:42

Eleição na Venezuela – Vejam o nosso bloguinho no “El País”

Alguns se orgulham de ser citados no blog do Zé Dirceu. Fico contente de ser citado no jornal espanhol El País, um dos mais respeitados do mundo, por um jornalista que é referência de apuro ético. Em um texto sobre as eleições na Venezuela, escreve Juan Arias, correspondente do jornal no Brasil:

(…)
Por todos los análisis que estamos leyendo, lo que los venezolanos desean es vivir mejor, sin la losa de una inflación que aplasta siempre a los más pobres, sin tanta violencia en las calles y con sus riquezas usadas para su bienestar y no para pagar fidelidades ideológicas fuera de las fronteras nacionales. Y con la información sin mordazas.

Si a pesar de la conmoción de la muerte del líder carismático y del uso y abuso que de ese duelo se ha hecho en estas elecciones, Capriles ha conseguido conquistar casi la mitad de los votos, sería difícil afirmar que es el pueblo venezolano como un todo el que ratifica la continuación del chavismo sin Chávez.

El comentarista político, Reinaldo Azevedo, de la revista Veja hizo ayer, con los ojos puestos en las elecciones venezolanas, un agudo comentario en su blog : “Las modernas dictaduras prescinden de los tanques de guerra. Prefieren a veces las urnas que las legitime”, escribió.

Un peligro que, según algunos comentaristas políticos, comienza a serpentear en esa zona oscura de algunos populismos de América Latina, que son capaces de aparecer como democracias cuando en realidad se trata de artimañas para perpetuarse en el poder.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2013

às 17:46

Detalhes da eleição na Venezuela explicam por que o chavismo não vai sobreviver

Com o câncer de Hugo Chávez transformado em ativo eleitoral, seu partido venceu as eleições, no ano passado, em 20 dos 23 departamentos — ou estados. E muitos previram vida eterna para o regime. Erro. Nem para Chávez nem para o chavismo.

Fui ver o resultado das eleições deste domingo nos 23 estados mais o Distrito Capital — 24 ao todo (veja mapa eleitoral do jornal (El Universal). Há alguns dados interessantes, que indicam que o chavismo não sobreviverá a Chávez. Vamos ver.
– Nicolás Maduro venceu em 16 departamentos, incluindo o Distrito Capital;
– Henrique Capriles ganhou em apenas 8;
– embora tenha vencido no dobro de departamentos, o candidato bolivariano conseguiu, no país, 1,58 ponto de diferença em relação a seu adversário;
– isso indica o óbvio: Capriles venceu nos estados mais populosos, e Maduro, nos menos;
– há apenas nove estados com mais de um milhão de habitantes na Venezuela; destes, Capriles venceu em seis: Zulia, Táchira, Lara, Miranda, Anzoátegui e Bolívar. Só perdeu no Distrito Capital, Aragua e Carabobo.
– A Venezuela tem perto de 30 milhões de habitantes; pelo menos 5,3 milhões estão do chamado Distrito Capital, que inclui a capital propriamente, Caracas (três milhões).
– Muito bem: nessa massa eleitoral, a diferença em favor de Maduro foi superior à média nacional: 51,32% a 48,19% —3,13 pontos. Está longe de ser uma distância convincente;
– Se a oposição diminuir a diferença no Distrito Capital, chegar mais perto em Aragua (54,05% a 45,6%), com 1,7 milhão de habitantes, e virar o jogo, ainda que por margem estreita, em Carabobo (50,04% a 49,36%), com 2,3 milhões de habitantes, o chavismo já era;
– os programas assistencialistas do governo são mais agressivos na Grande Caracas, que também concentra as milícias bolivarianas armadas. Mesmo assim, a diferença em favor do chavismo é pequena;
– o melhor resultado de Maduro se deu em Portuguesa (65,19% a 34,51%), com 873 mil habitantes;
– o melhor resultado de Capriles está em Táchira (62,95% a 36,91%), com 1,18 milhão de habitantes.

Os dados apontam para uma hipótese: ainda que os números estejam certos e que não tenha havido roubo em sentido clássico (as eleições já são fraudadas em sua própria natureza), o chavismo, já moribundo, vai se sustentar por algum tempo nos grotões mentais do país — incluindo os de miséria e ignorância, controlados por milícias, na Grande Caracas. Mas dificilmente resistirá, para glória do bom senso.

Mesmo com toda a máquina de propaganda, mesmo com as oposições reduzidas ao silêncio, em apenas 3 dos 16 estados em que Maduro venceu, a oposição ficou abaixo dos 40%; em seis deles, ficou acima dos 45%.

A oposição venceu em seis dos nove estados com mais de um milhão de habitantes; neste grupo, é fato, Maduro obteve pouco mais de 47% dos votos em cinco. Mas jamais se pode perder de vista a questão essencial, de base: estamos falando de um povo que tenta vencer uma ditadura pela via eleitoral; estamos falando de um governo que cassa o direito à livre expressão do que, certamente, a esta altura, já é a maioria do país.

Insisto: houvesse igualdade na disputa, o que vai aqui seria, se não descabido, um tanto duvidoso. Mas não há. Os que votaram em Capriles, dado o contexto, escolheram a resistência. De resto, Maduro não é Chávez, e o estoque de feitiçarias populistas do governo chegou ao fim.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2013

às 16:22

Milícias bolivarianas, com o apoio do governo e da TV, convocam festa da vitória

Ao mesmo tempo em que diz aceitar uma auditoria no processo eleitoral, Nicolás Maduro, por intermédio das milícias bolivarianas, convocou um ato público para esta tarde para proclamar-se presidente eleito da Venezuela. O mais espantoso: a convocação é feita por intermédio das TVs e das rádios sob o controle do governo. Que se note: Henrique Capriles, o candidato da oposição, não está pedindo uma simples auditoria, o que poderia ser feito por amostragem, ou a revisão desta ou daquela seções eleitorais. Ele quer a recontagem total dos votos. O comando de sua campanha recebeu neste domingo mais de três mil denúncias de fraude em todo o país. Com 99% da apuração concluída, Maduro tem, oficialmente, 50,66% dos votos, contra 49,07% de seu opositor. O resultado surpreendeu e assustou o chavismo. As pesquisas mais pessimistas para os bolivarianos apontavam uma diferença superior a sete pontos. Fosse a Venezuela uma democracia, em que todas as forças políticas gozassem de direitos iguais, o chavismo já teria sido varrido do poder há muito tempo.

Fui olhar o mapa eleitoral da Venezuela. E estou mais convicto ainda de que o chavismo foi para o vinagre. Felizmente. Mas fica para o próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

15/04/2013

às 4:42

Chávez está morto, e o chavismo também! Fraude tira a eleição do oposicionista Capriles; Maduro é “eleito” com menos de 2 pontos de diferença. É roubo!

Bingo!

Escrevi ontem aqui: “É a ditadura que sustenta o chavismo, não é o chavismo que sustenta a ditadura”. Com essas palavras, chamava a atenção para o fato de que é mentirosa a versão de que a sociedade venezuelana foi mesmerizada pelo tirano e de que a oposição representa não mais do que a vontade de uma extrema minoria. Nicolás Maduro, que já exerce o poder de forma ilegítima — cuja posse foi legalizada por uma Corte de Justiça composta de eunucos —, foi declarado o vencedor das eleições deste domingo. Com pouco mais de 99% da apuração concluída, obteve 50,66% dos votos, contra 49,07% do oposicionista Henrique Capriles, que não reconheceu o resultado e pediu a recontagem do total de votos, não de apenas uma parte. Os oposicionistas dizem ter recebido mais de 3 mil denúncias de fraudes, vindas de todo o país. No discurso da “vitória”, Maduro diz concordar com a recontagem, mas tentará sabotá-la, podem ficar certos.

O resultado representa uma humilhação para todos os institutos de pesquisa. A diferença mínima que se apontava era de 7,2 pontos percentuais; havia quem falasse em 12. Deve ficar em torno de 1,6 ponto. Eis aí: o chavismo, felizmente, morreu com Hugo Chávez. Ainda que se faça a recontagem de 100% dos votos e que a “vitória” de Maduro seja confirmava, é evidente que se trata de roubo e de fraude — mesmo que os votos tenham sido os declarados oficiais. Por quê?

A eleição na Venezuela não é nem livre nem limpa. Não é livre porque a oposição não dispõe dos mesmos instrumentos de que dispõe o governo para falar com a população. Chávez estatizou a radiodifusão no país, e as TVs e as rádios são usadas como porta-vozes oficiais do governo. O Beiçola de Caracas chegava a ficar no ar, por dia, até seis horas. Falava bem da própria gestão e demonizava seus opositores. As notícias passam por um severo serviço de censura interna, e só vai ao ar o que o governo considera “saudável” e “didático” para a consciência do povo. Os críticos do governo são tratados como larápios, como sabotadores, como malvados em defesa de privilégios.

É o modelo que a turma de José Dirceu e Rui Falcão gostaria de implementar no Brasil. É o que quer essa gente xexelenta, financiada por estatais, que pede “o controle da mídia” no Brasil — como se ela já não fosse petista o bastante e não estivesse, no mais das vezes, a serviço de grupos militantes. Mas eles, claro!, querem muito mais. Invejam o chavismo. Invejam Cristina Kirchner. Mas volto ao ponto.

As eleições na Venezuela, pois, não são livres, já que a oposição é obrigada a enfrentar uma estupenda máquina de desqualificação. Ainda assim, praticamente a metade dos que foram votar disse “não” ao chavismo. Isso é formidável! Significa que toda essa gente soube resistir à pressão oficial, especialmente de 5 de março a esta data, quando morreu o tirano. Chávez passou a ser tratado como santo. Declarou-se não apenas a sua imortalidade. Falou-se também na sua ressurreição. Quem se encarregou da peça publicitária indecorosa foi João Santana, o marqueteiro do PT.

Uma emissora estatal fez um desenho animado com a sua chegada ao céu. No céu do bolivarianismo, um monte de “heróis” latino-americanos divide uma choupana. Dante encontra Beatriz para conduzi-lo no paraíso. A gente teria de se apertar, numa cabana, entre outros, com Chávez, Guaiacaipuro, Sandino, Allende, Evita, Simón Bolívar e Che Guevara, que detestava tomar banho, daí o apelido de “Chancho”, o “porco”, o “fedorento”, o “porco fedorento”. Se o céu é isso aí, podem me mandar para o inferno. A choupana, eu já conheci na terra, mas com banho, que a gente pode, sim, ser pobre e limpinho e não matar ninguém (coisa que a esquerda ilustrada não sabe…).

As oposição também têm de enfrentar uma formidável máquina assistencialista. Chávez transformou a Venezuela num país dependente exclusivamente do petróleo, destruiu a indústria, arrasou a agricultura e passou a distribuir caraminguás da renda do óleo às populações mais pobres. É a sua versão do “Bolsa Família”. Só que essa distribuição de benesses é controlada por milícias — armadas! — que dominam as áreas mais pobres do país. A degeneração social é de tal sorte que Caracas é hoje uma das cidades mais violentas do mundo, com, atenção!, 122 mortos por 100 mil habitantes. A taxa, no Brasil, já escandalosa, fica em torno de 25. Mata-se em Caracas DEZ VEZES MAIS do que em São Paulo e quatro vezes mais do que no Rio.

O Chávez amado pelas massas — e, consequentemente, o chavismo supostamente invencível — é fruto da propaganda oficial. Se as oposições pudessem disputar em condições de igualdade e se houvesse imprensa livre no país, essa canalha já teria sido varrida do poder há muito tempo. Até porque a Venezuela continuará em espiral negativa porque o governo está infiltrado de delinquentes — alguns deles procurados internacionalmente por envolvimento com o tráfico de drogas. Parte da cocaína que circula hoje no EUA e no Brasil tem origem na Venezuela, que dá abrigo e apoio material aos narcoterroristas das Farc. É esse o governo para o qual Lula gravou um vídeo emprestando seu apoio entusiasmado.

Se as eleições não são livres, também não são limpas. As milícias chavistas assombram os locais de votação e aterrorizam os eleitores, especialmente os mais pobres. Assim, a Venezuela é hoje um país governado por um súcia autoritária, eivada de criminosos, sim! Se tiverem curiosidade, pesquisem sobre as denúncias feitas pelo juiz venezuelano Eladio Ramón Aponte Aponte. Ele era nada menos que o presidente do Superior Tribunal de Justiça, o STF da Venezuela, e um dos pilares do chavismo no Judiciário.

No ano passado, fugiu do país, entregou-se às autoridades americanas e declarou-se cúmplice da máfia do tráfico de drogas no país, com a qual, afirma, está envolvida a alta cúpula do chavismo. Reproduzo trecho de reportagem de José Casado, de abril do ano passado, no Globo:

“[o juiz] Citou especificamente [como envolvidos com o tráfico]: o ministro da Defesa, general de brigada Henry de Jesus Rangel Silva; o presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello; o vice-ministro de Segurança Interna e diretor do Escritório Nacional Antidrogas, Néstor Luis Reverol; o comandante da IVa Divisão Blindada do Exército, Clíver Alcalá; e o ex-diretor da seção de Inteligência Militar, Hugo Carvajal.
O juiz Aponte Aponte conheceu a desgraça em março, quando seu nome foi descoberto na folha de pagamentos de um narcotraficante civil, Walid Makled. Convocado para uma audiência na Assembleia Nacional, desconfiou. Na tarde de 2 de abril, ajeitou papéis em uma caixa, deixou o tribunal e entrou em um táxi. Rodou 500 quilômetros até um aeroporto do interior, alugou um avião e aterrissou na Costa Rica. Ali, pediu para entrar no sistema de proteção que a agência antidrogas dos EUA oferece aos delatores considerados importantes.”

Eis aí o governo que conta o integral apoio do Brasil. Lula gravou um vídeo em apoio a Maduro, e Dilma deu um golpe no Mercosul, com o apoio de Cristina Kirchner, para afastar o Paraguai e levar para o bloco essas flores do bem.

A Venezuela disse “não”! A despeito da propaganda, a despeito das mistificações, a despeito da truculência, a despeito da violência, metade dos eleitores — mesmo na contagem chavista — disse “não” à continuidade do regime. Numa democracia, essa canalha não teria chance.

Eis aí por que é preciso ficar atento e cuidar dos marcos legais e institucionais. As modernas ditaduras na América Latina, reitero, não se instalam com tanques, mas com golpes legais, como os que Chávez foi aplicando em seu país de maneira dedicada e meticulosa.

Nesta semana, o PT dá início a uma campanha em favor do financiamento público de campanha. É uma tentativa de, por intermédio de um golpe legal, garantir a permanência do PT no poder ainda que, um dia, o povo não queira. Vejam o caso da Venezuela: é claro que a maioria da população não quer mais o chavismo se puder escolher seu destino de modo soberano.

Chávez está morto.
O chavismo sobreviveu pouco mais de um mês e morreu também.
Nicolás Maduro é só um cadáver adiado, o último suspiro de um delírio totalitário na América Latina.

Por Reinaldo Azevedo

14/04/2013

às 6:45

Eleição na Venezuela. Ou: É a ditadura que sustenta o chavismo; não é o chavismo que sustenta a ditadura

É a ditadura que sustenta o chavismo na Venezuela; não é o chavismo que sustenta a ditadura. Não se trata de mero jogo de palavras. Houvesse uma disputa em igualdade de condições, o presidente ilegítimo e ilegal que está no poder, o bolivariano Nicolás Maduro, seria derrotado na eleição deste domingo pelo opositor Henrique Capriles. E assim seria porque a sociedade venezuelana é muito menos “chavista” do que se pode entender à distância. Por isso mesmo, o regime ditatorial se encarregou de criar um arcabouço legal que torna a derrota das forças do governo muito difícil.

Sim, existem regimes ditatoriais que contam com apoio popular esmagador. Foi o que se viu com os vários fascismos na Europa no século passado. “Se o povo apoia, ainda assim, é ditadura?” Perguntem a Hitler. Perguntem a Mussolini. A adesão da maioria é um dado que costuma estar presente nos regimes democráticos, mas ela, por si, não define a democracia, que se caracteriza por um conjunto de valores bem mais amplo — entre eles, o respeito à minoria. Pode até acontecer, e é muito frequente, de um governo democrático ser bastante impopular. No caso daqueles regimes europeus do século 20, podia-se dizer, sem sombra de dúvida, que era o fascismo — DO POVO!!! — que sustentava as ditaduras. Caso elas tivessem promovido eleições livres e limpas, os facínoras teriam vencido.

Não é o que se vê na Venezuela. Ao contrário: é a ditadura que sustenta o chavismo. Promovam-se eleições limpas para ver se os chavistas serão ou não corridos do poder. Pesquisas de opinião que circularam fora da Venezuela — na semana do pleito, é proibido divulgar números no país — apontam uma queda substancial na diferença entre Maduro e Capriles. Segundo o Datanalisis, entre 4 e 11 deste mês, a distância foi encurtada em 9,3 pontos percentuais, fixando-se em 7,2 pontos: 44,4% para o compincha de Chávez e 37,2% para o oposicionista.

Esses números são tão espetaculares para os oposicionistas, dadas as condições em que disputam a eleição, que chego a duvidar um pouco. Outros levantamentos apontam que a vantagem de Maduro, que já chegou a 20 pontos, teria caído para 10.

Com um cadáver e as TVs
As oposições, na Venezuela, têm apenas a mobilização de rua e das redes sociais. Nada mais! Foram banidas das rádios e das TVs, hoje controladas pelo governo. São verdadeiras máquinas de propaganda oficial, inclusive em favor da eleição de Maduro. O vídeo, produzido pelo lulista João Santana, que anuncia o renascimento de Chávez foi veiculado em todas as emissoras. Uma das estatais da comunicação criou um desenho animado, também exibido em rede nacional, em que o ex-ditador é recebido no céu por “heróis” latino-americanos. O regime criou milícias — armadas! — para defender o governo e constranger oposicionistas. Controlam com mão de ferro os bairros pobres de Caracas.

A história é conhecida. Chávez recorreu a eleições para criar instituições e leis que assegurem a permanência de seu grupo no poder. É o caso de as forças políticas no Brasil ficarem atentas. O PT dá início nesta semana a uma campanha em favor do financiamento público de campanha. Como já expliquei aqui, é só uma tentativa de tornar as eleições meros processos homologatórios. As modernas ditaduras prescindem de tanques. Elas gostam mesmo é das urnas como legitimadoras do golpe.

Por Reinaldo Azevedo

03/04/2013

às 17:33

A loucura no poder – de Kim Il-sung a Nicolás Maduro. Ou: Chávez vira um passarinho e canta para seu herdeiro político! É uma coisa, assim, “ornito-místico-afetiva”. Piu, piu, piu!!!

O mundo assiste um tanto perplexo às ameaças feitas por um hospício chamado Coreia do Norte. Numa eventual guerra, as forças norte-coreanas, embora gigantescas, não dariam nem para o cheiro. Ocorre que o país tem artefatos nucleares. E sempre há o risco de a China querer defender o aliado, embora eu duvide. Os celerados que mantêm aquele país debaixo do chicote deveriam ter sido contidos antes — militarmente, sim. A China teria protestado, mas enfiado o rabo entre as pernas. Tinha outras prioridades. E agora? Pois é… Deixe essa gente demencial ter armas atômicas para ver o que acontece.

Falei da Coreia do Norte porque, no país, difunde-se a crença oficial de que Kim Il-sung, avô do atual ditador, Kim Jong-un, ainda vela pelo povo lá do Reino dos Mortos. É uma espécie, assim, de zen-ateísmo-macumbismo. Todo norte-coreano tem de acreditar que, quando Il-sung nasceu, surgiu no céu uma estrela reluzente, e dois arco-íris tomaram a Terra. Também Kim Jong-Il, filho do outro e pai do atual dirigente — o gordoto taradinho que diz querer a guerra — teria sido bafejado por forças sobrenaturais.

Pois é… Agora volto à Venezuela. A retórica do tirano Hugo Chávez sempre apelou a certo messianismo. O dito “socialismo do século 21” não era mesmo coisa deste mundo. Mas o Beiçola de Caracas não tinha a ousadia de se comunicar com espíritos. O único ser das trevas com o qual conversava regularmente era Fidel Castro — que, segundo o empirismo, ainda vive. A morte do ditador deflagrou uma nova etapa na loucura que toma conta dos “bolivarianos”.

Está em curso um processo de santificação de Chávez. Agora Nicolás Maduro diz que o tiranete, como se fosse Zeus, veio falar com ele na forma de um passarinho. Não! Maduro não estava apelando a uma metáfora. Não, Maduro não estava usando uma figuração. Ele falou para que a população realmente acredite que isso é possível.

Quando o Colégio de Cardeais fez do argentino Jorge Bergoglio o papa Francisco, Maduro se manifestou. Afirmou que o líder bolivariano intercedera pessoalmente junto a Deus — nada menos — para que fosse escolhido um latino-americano para o Trono de Pedro. Observei, então, que sua expressão tentava ser referencial, como quem estivesse relatando um evento objetivo, um fato.

Uma semana depois da morte de Chávez, as TVs venezuelanas divulgavam um vídeo, feito por João Santana, o marqueteiro do PT, em que se declara a sua imortalidade. Também se tomaram providências para embalsamar o corpo, o que não se mostrou possível.

Há alguns dias, outro vídeo — um desenho animado tosco, com menos de um minuto — mostrava a chegada de Chávez ao Céu, onde se encontra com uma de suas vovozinhas e com nove outros “heróis” latino-americanos. O filme foi produzido por uma TV estatal e divulgado em todas as emissoras oficiais, às quais a oposição não tem acesso. Maduro, a exemplo do antecessor, fica horas no ar perorando em defesa do chavismo e de sua própria candidatura.

Passarinhos
A transformação de Chávez num ente místico prossegue, sem conhecer o limite do ridículo. Nesta terça, ontem, Maduro revelou ao mundo que o ditador lhe apareceu na forma de um passarinho, quando fazia suas orações: “Eu o senti aqui, como uma bênção, nos dizendo: ‘Hoje começa a batalha. Rumo à vitória. Vocês têm nossa benção’. Eu o senti na minha alma”.

Maduro se encontrava na casa em que Chávez nasceu, em Sabaneta, no estado de Barinas, e se fazia acompanhar por seus irmãos. E ele contou, segundo se lê no G1: “De repente entrou um passarinho, pequenininho, e me deu três voltas aqui em cima”, fazendo um gesto sobre a própria cabeça. E continuou: “[o passarinho] parou em uma viga de madeira e começou a cantar, um assobio lindo. Fiquei vendo-o e também cantei para ele, então. ‘Se você canta, eu canto’, e cantei. O passarinho me estranhou? Não. Cantou um pouquinho, deu uma volta e foi embora, e eu senti o espírito de Hugo Chávez”.

Eis aí. Esse é o candidato para o qual Lula gravou um vídeo. Esse é o candidato que, segundo o PT, conduzirá a Venezuela à redenção. Maduro é agora o São Francisco de Caracas.

Só para lembrar: A Venezuela tem um acordo de cooperação nuclear com o Irã. E seu futuro presidente fala com passarinhos e se comunica com os mortos. Ponto.

Por Reinaldo Azevedo

14/03/2013

às 5:06

Nicolás Maduro, o perfeito quadrúpede latino-americano

Nicolás Maduro, o presidente ilegal da Venezuela, que vai disputar uma eleição em condições igualmente ilegais — mesmo para os padrões tão exóticos do bolivarianismo —, continua a desfilar por aí com o cadáver de Hugo Chávez. Veio a público ontem para fazer dois anúncios importantes: o primeiro é que os especialistas russos e alemães chamados para cuidar do embalsamamento do candidato a múmia acreditam, diz ele, que isso já não é mais possível. O processo deveria ter começado mais cedo e coisa e tal. Como Chávez já está lá apodrecendo e procriando há dez dias…

O que é verdade nessa pantomima, o que é mentira? Ninguém sabe! Quando Maduro anunciou o embalsamamento, muita gente estranhou. Então um cadáver desfila por sete horas dentro de um caixão, debaixo de um sol escaldante, para ser exposto em seguida por alguns dias e só então se vai embalsamá-lo? Fontes militares disseram a um jornal espanhol que Chávez morreu em Cuba e que aquele cortejo conduziu um caixão com um peso morto, sim — mas não era o corpo do ditador.

Vai saber o que se passa lá no hospício chavista… Talvez Maduro tema que comece a prosperar a história, muito provável, de que milhões prantearam não mais do que algumas traquitanas escondidas num caixão. Nessa perspectiva, melhor, então, enterrar logo o coronel, viver da sua memória e cuidar das eleições.

O segundo anúncio importante de Maduro já está relacionado à escolha do papa Francisco. Segundo disse, Chávez fez lá um lobby junto a Deus para que o indicado fosse um latino-americano, entendem? Vai ver, então, o coronel anda brigado com Cristina Kirchner, né? A presidente da Argentina detestou a escolha.

Bons tempos aqueles em que Plinio Apuleyo Mendonza, Carlos Alberto Montaner e Alberto Vargas Llosa escreveram o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”, apontando a tacanhice das esquerdas do subcontinente. As coisas eram ruins e depois ficaram piores. Na primeira versão da obra, até FHC apanhou por alguns desvios à esquerda. Hoje em dia, os expoentes do esquerdismo na região são Maduro, Rafael Correa, Evo Morales e Cristina Kirchner.

Hora de escrever o “Manual do Perfeito Quadrúpede Latino-Americano”. O Brasil está um tantinho melhor. Ficou com os idiotas.

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2013

às 6:27

Maduro, com marqueteiro do PT, faz campanha homofóbica na Venezuela; repete o que o PT fez contra Kassab, hoje um aliado, em 2008

Se, no Brasil, os ditos “progressistas” são favoráveis à causa gay, e a simples defesa da Constituição pode ser tachada de homofobia, na Venezuela, eles pensam de modo diferente. Lá, para vencer uma eleição, eles podem fazer o contrário. Se preciso, acusam o adversário de… ser gay. Vejam que interessante. João Santana, marqueteiro do PT, foi o homem que cuidou da campanha de Hugo Chávez. Já fez uma peça publicitária para ser usada por Nicolas Maduro — o tal vídeo em que se anuncia a ressurreição de Chávez, assegurando que “ele nascerá de novo”.

Pois bem. Ontem, ao se inscrever como candidato à eleição presidencial, Maduro discursou para uma multidão. Referindo-se a Henrique Capriles, o candidato da oposição, disse, segundo informa Flávia Marreiro, na Folha: “Eu, sim, tenho mulher, escutaram? Eu gosto de mulheres”. Em seguida, beijou a “companheira esposa”, que estava no palanque, onde se encontravam também seus filhos e netos. Capriles 40 anos, é solteiro. Em 2012, Maduro já o havia chamado de “maricón” (bicha) e agora se refere a ele como “senhorito”.

Caprilles respondeu de modo civilizado: “Quero enviar uma palavra de rechaço às declarações homofóbicas de Maduro. Não é a primeira vez. Creio numa sociedade sem exclusão, na qual ninguém se sinta excluído por sua forma de pensar, seu credo, sua orientação sexual”.

Mesma questão, com o mesmo marqueteiro
Pois é… Já vimos coisa parecida no Brasil. Em 2008, João Santana era o marqueteiro de Marta Suplicy (PT) na disputa pela Prefeitura de São Paulo. E ele não teve constrangimento nenhum em levar ao ar a pergunta: “Kassab é casado? Tem filhos?”. Como se sabe, para os petistas, a única coisa feia é perder a eleição. Como admitiu a presidente Dilma Rousseff, para vencer, eles fazem “o diabo”. Se preciso, são homofóbicos também, ora!

Se foi Santana ou não a instruir Maduro a tanger a corda da homofobia, isso não sei. Mas que há uma coincidência de abordagens, isso é inequívoco, não é mesmo?

Texto originalmente publicado às 5h46
Por Reinaldo Azevedo

12/03/2013

às 3:35

A democracia deles – “Acossado”, último canal crítico ao chavismo será vendido; homem de maduro anuncia que a TV passará a ser “vermelho-vermelhinha”

Na VEJA.com. Volto depois.
“Estamos acossados”. Assim o presidente e acionista majoritário do canal privado venezuelano Globovisión, a única emissora do país que ainda mantém uma linha crítica ao governo “bolivariano” iniciado com Hugo Chávez, resumiu a situação da empresa nesta segunda-feira. Em carta aos funcionários, Guillermo Zuloaga declarou que está negociando a venda do canal, confirmando rumores dos últimos dias, embora tenha negado que o veículo já foi vendido. A razão da venda, segundo ele, é a “inviabilidade” da Globovisión diante da pressão chavista e do combalido mercado de anunciantes na Venezuela.

“Somos inviáveis economicamente, porque nossa receita já não cobre nossas necessidades de caixa. Somos inviáveis politicamente porque estamos em um país totalmente polarizado e do lado oposto a um governo todo-poderoso que quer nos ver fracassar. Somos inviáveis juridicamente porque temos uma concessão que termina (em dois anos), e não há intenção (do governo) de renová-la. Pelo contrário, estamos acossados pelas instituições do estado, apoiadas por um TSJ (Tribunal Superior de Justiça) cúmplice que as ajuda e colabora em tudo aquilo que possa nos prejudicar”, explica Zuloaga no comunicado.

A derrota da oposição nas eleições de outubro, quando a Globovisión apoiou Henrique Capriles, explicou Guillermo Zuloaga, pôs a emissora “em uma situação muito precária como canal e como empresa, somando-se a isso o acúmulo de processos judiciais movidos pelo governo”.

A carta aberta de Zuloaga – que vive exilado nos Estados Unidos – foi enviada depois que seu filho e vice-presidente do canal, Carlos Zuloaga, afirmou. em um breve transmissão. que havia “uma oferta de compra formal” e “uma intenção de venda”. A negociação, segundo o dono da Globovisón, estava pronta para ser fechada nesta semana, mas ele pediu que só fosse concretizada depois das eleições presidenciais de 14 de abril, convocadas após a morte de Hugo Chávez. O provável comprador é o empresário do setor financeiro Juan Domingo Cordero, ex-proprietário de uma corretora de ações fechada após a intervenção do governo chavista no mercado de capitais que, com autorização do governo, abriu recentemente uma seguradora – sinal de que possui a aprovação oficial.

Opinião pública
Especializada em notícias, a Globovisión só transmite com sinal aberto em Caracas e na cidade de Valencia, a oeste da capital, mas chega ao resto do país como TV por assinatura e pela internet. Apesar de ser um canal relativamente pequeno, influencia a formação da opinião pública ao oferecer uma linha diferente da oficialista. Isso pode acabar com a eleição de Nicolás Maduro, o candidato governista à sucessão de Chávez, ficando a Venezuela com seis canais estatais permanentemente a serviço do governo e nenhum onde ele seja criticado abertamente.

Os outros dois principais canais privados de alcance nacional, Venevisión e Televen, reduziram ao máximo o espaço do jornalismo para não entrar em choque com o governo, que usa contra a Globovisión o apoio do canal à tentativa de golpe de 2002, que tirou Chávez do poder por dois dias. Cerca de 80% da Globovisión pertencem a duas famílias – a Zuloaga tem a maior parte, que está sendo vendida. Os 20% restantes foram confiscado pelo governo três anos atrás, e o antigo dono desse percentual luta na Justiça contra o estado para recuperá-lo.

Voltei
Andrés Izarra, ex-ministro das Comunicações e um dos homens de confiança de Maduro, comemorou a notícia e disse que, em breve, a emissora será “roja-rojita” — “vermelho-vermelhinha”.

O vermelho é a cor oficial do chavismo.

Por Reinaldo Azevedo

09/03/2013

às 19:34

Há 4 anos, Chávez, que agora virou múmia, afirmou na TV que a exposição de um corpo insepulto era sinal de degradação moral. Foi um de seus poucos acertos!

Vocês se lembram de uma exposição que exibia, digamos assim,  aquilo que nos habita debaixo da pele. Andou circulando por aqui em 2011 e 2012, acho. A origem do material é chinesa. Corpos e órgãos humanos eram exibidos em todas as suas minúcias de músculos, ossos, veias etc.  Na imprensa nativa, só encantamento. Chamou-se aquele voyeurismo necrófilo de “encontro entre a ciência e a arte”. Pura bobagem. Agora atenção para o que segue.

A exposição chegou à Venezuela em março de 2009. E foi proibida por Hugo Chávez. Por quê? Porque, disse ele, a exposição de um corpo humano insepulto é um ato de degradação moral. Vejam o vídeo em que ele trata do assunto. Volto em seguida.

Voltei
É evidente que proibir a exposição é coisa de tiranete de província, uma estupidez mesmo! Mas como vou negar que até Chávez, como um calendário que não se move, pode estar certo ao menos uma vez ao ano? Não tinha de proibir coisa nenhuma, mas é claro que concordo com suas ponderações morais a respeito. Quando se banaliza o humano como se fosse um sapo, corre-se o risco de tomar o humano por um sapo e um sapo por um humano, mais ou menos como fazem alguns ecologistas hoje em dia, que não hesitariam em deixar o país sem hidrelétricas se for para proteger alguns batráquios. Chávez acerta até em fazer a devida distinção entre um corpo entregue à investigação científica e outro que só serve para darmos uma espiadinha… Lamento! Nem arte nem ciência. Não é arte porque esta recria a natureza, em vez de expor vísceras. Não é ciência porque os que assistem àquela coisa miserável nada têm a fazer com o que retêm. Absolutamente nada!  Confesso que aquilo provocou meu asco moral. De resto, ninguém sabia a origem daqueles corpos, que viajavam mundo afora.

Assim, reitero, proibir é uma tolice; expor os corpos, uma imoralidade.

Quiseram as circunstância, no entanto, que, quatro anos depois, em março de 2013,  o cadáver insepulto seja o do próprio Chávez, aquele que afirmara, quando vivo, que tal exposição era um sinal da degradação moral destes tempos.

Porque aquele Chávez que lastimou a exposição estava certo (proibi-la foi um absurdo, insisto), o Chávez de agora, transformado em múmia, é, então, um evidência de degradação moral.

Por Reinaldo Azevedo
 

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