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Unifesp

18/06/2012

às 7:05

Caos se instala em campus de faculdade federal, e esquerdistas começam a bater cabeça. Direção pede socorro à PM, mas tenta negar pedido. Bem, então vamos ouvir as gravações, certo? Nada como matar a cobra e mostrar… a cobra!

A greve de professores no campus de Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e as ações de um grupo radicalizado de estudantes trouxeram à luz (e aos ouvidos) um espetáculo de hipocrisias. Na quinta-feira, pela segunda vez em nove dias, a Polícia Militar teve de entrar na universidade. Na primeira, para cumprir uma ordem judicial de reintegração de posse, em companhia da Polícia Federal; depois, para conter a violência. Nota: há greve de professores em 55 instituições federais. O campus de Guarulhos, de fato, não oferece condições adequadas à vida acadêmica. E não é de hoje.

Mas que fique claro: não mudei de ideia, não! Repudio manifestações violentas, ocupações e depredação de patrimônio público. Não sou Marilena Chaui. Não sei voar de vassoura. Reivindicar melhores condições de ensino é até uma obrigação; fazer da instituição uma praça de guerra é coisa de vândalos. Se estudante se comporta como bandido, pouco importa se é ou não. O banditismo não é uma imanência. É bandido quem age como tal. Estudantes podem e devem lutar para corrigir a herança maldita deixada por Fernando Haddad nas universidades federais, mas têm de fazê-lo respeitando os direitos fundamentais de outros estudantes, dos professores e dos funcionários. Dito isso, adiante.

Na quinta-feira, a PM interveio na universidade, houve confronto, e alguns estudantes acabaram detidos na Polícia Federal. Muito bem! Na sexta, a diretoria da Unifesp informou ao programa “Bom Dia Brasil”, da Globo, que os policiais agiram por conta própria. Reproduzo o texto:
“A UNIFESP informou que a direção da universidade não chamou a polícia. De acordo com a UNIFESP, um carro passava pela região e foi até lá.”
Ora, quem ouviu ou leu isso ficou com a óbvia impressão de que a PM exorbitou. É mesmo, é? Este blog conseguiu as gravações do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar). Ouçam esta primeira. Volto em seguida.

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Voltei
Muito bem! Quem primeiro faz a solicitação é Lílian, funcionária da Direção Acadêmica do campus. Em seguida, o próprio diretor da área, professor Marcos Cezar Fortes, reforça o pedido. Notem que Lílian informa que a Superintendência da Polícia Federal — subordinada ao Ministério da Justiça, fez um “acordo” com o comandante da PM em Guarulhos para intervir caso os manifestantes optassem pela violência. Como é que essa mesma direção tem, depois, a cara de pau de afirmar que a PM agiu por conta própria?

Entenderam o busílis? Quando necessário, essa gente faz o certo — que é mesmo chamar a polícia em casos assim. Com receio, no entanto, da patrulha esquerdista e doida para jogar o problema no colo de terceiros, nega o pedido. Ouçam agora uma segunda ligação, com a mesma funcionária (mais ou menos a partir de metade do arquivo). Retomo depois.

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Como vocês ouviram, muito nervosa, ela acusa a violência dos manifestantes — o que é verdade, dados os atos de vandalismo — e o que chama de “cárcere privado”. Diz ainda que não basta uma viatura, mas várias. No terceiro áudio, o Copom reitera aos policiais, com base nas informações que recebeu, a gravidade da situação.

Retomando
Vocês entenderam a lógica? A direção da Unifesp chama a Polícia Militar — e fez muito bem! —, mas pretende esconder a autoria do ato porque, afinal, esse negócio de polícia é coisa da direita — daí ter tentado tirar o corpo fora num jornal de TV de âmbito nacional. Mas a hipocrisia não acaba aí, não!

Há mais. Enviam-me uma carta que circula por aí de uma professora de história da Unifesp chamada Ana Nemi, a que se seguem 11 assinaturas, todas de docentes. Ela explica por que a polícia foi chamada. Atenção! Os métodos empregados pelos violentos da Unifesp não são distintos daqueles postos em prática na USP. Os blogs oficialistas estão reproduzindo a carta da professora, que apoia, sim, a ação da polícia. São os mesmos blogs que censuraram severamente a ação da PM na USP. Entenderam o lixo moral do JEG? Violência contra uma universidade dirigida por petistas é coisa feia e tem de ser reprimida. Violência contra “tucanos” é coisa boa e deve ser incentivada. Leiam a carta da professora. Voltarei para arrematar.
*
Gostaria de me manifestar sobre os episódios recentes no campus Guarulhos, onde funciona a Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da UNIFESP.
Ao contrário do que vem sendo veiculado, o que os alunos faziam ali não era ato político pacífico, eles estavam cassando o direito de ir e vir dos professores e funcionários que eles acuaram na Diretoria Acadêmica gritando “invasão”, “invasão”.
O que a polícia fez foi retirar os alunos de lá para que os professores e funcionários ali acuados pudessem retornar do trabalho para suas casas. Quando a polícia chegou eles já haviam vandalizado o prédio quebrando vidros e pichando as paredes que estavam sendo recuperadas dos atos de vandalismos cometidos por eles durante os dias em que ocuparam o campus na semana anterior.
Sendo assim, gostaria de afirmar que também fiz movimento estudantil, também defendi a democracia no exato início dos anos 80 quando, em meio ao apagar das luzes da ditadura e o retorno dos exilados, lembrávamos que Edson Luís morreu para que pudéssemos falar e não para que estudantes das décadas seguintes impedissem colegas, professores e funcionários de uma instituição pública de se manifestarem e de darem aulas.
A polícia não foi chamada para impedir movimento político pacífico, ela foi chamada porque alguns alunos acuaram pessoas da comunidade acadêmica e optaram por tratar questões universitárias, por mais complexas e controversas que sejam, por meio da violência. Exatamente ao contrário do que vem sendo divulgado. A polícia foi chamada, repito, porque esses alunos não respeitam a democracia, a diversidade intelectual, cultural, social e política.
E que não se afirme que o que ocorreu na EFLCH/UNIFESP é precedente para que a polícia ocupe espaços universitários ou que estaríamos importando tecnologia da USP, conforme poucos colegas apressados e desinformados disseram. Estamos lidando com a exceção e, em nome dos princípios democráticos que a exceção pretende suspender, não permitiremos que se torne regra. Assim, não estou advogando a presença da polícia no campus e nem considero aceitável ver alunos feridos ou enfrentando policiais armados.
Mas é bom lembrar que foram os alunos que precisaram chamar a polícia há algumas semanas para que um colega deles que defendia outras ideias saísse escoltado do campus em função das agressões que sofria, exatamente do mesmo grupo de grevistas que acuou parte da comunidade acadêmica na quinta-feira, 14 de junho. O recurso à exceção, portanto, tem partido dos alunos devido às atitudes autoritárias do grupo de alunos minoritário que vem sequestrando o espaço público de debates que vínhamos construindo na EFLCH, infelizmente…
Quero, no entanto, e para finalizar, resistir ao uso político e partidário que vem sendo feito dos problemas decorrentes da construção de um campus de universidade pública. Evidentemente não somos favoráveis ao uso da força como argumento político, por isso repudiamos o grupo de alunos que vem nos acuando violentamente e tentando sequestrar o espaço do campus em favor das pautas eleitorais dos seus pequenos partidos, assim como repudiamos a imprensa que os acolhe sem ouvir aos professores que eles perseguem e caluniam.

Voltei
Endosso, obviamente, boa parte do texto da professora Nemi. Lembro que setores da comunidade uspiana foram submetidos a esse mesmo tratamento pela extrema esquerda que invadiu a Reitoria (no caso da Unifesp, não sei quem comanda as ações). Tudo igual, sem tirar nem pôr. A diferença é que os petistas, em seus fóruns de debate, vibravam com aqueles absurdos. Os blogs sujos babavam de satisfação e atacavam — atacam ainda — o reitor João Grandino Rodas!

Solidarizo-me com a professora, mas estranho parte do seu texto. Sua síntese do que se deu na USP é insuficiente. Diria mesmo que é errada. Existirá, por acaso, alguém favorável a policiais em campi universitários para reprimir alunos? Acho que não! Na USP, não acontece. O patrulhamento da PM nas áreas externas das faculdades visa só à segurança dos estudantes e conta com o apoio da maioria da comunidade universitária. A polícia é boa quando a gente precisa de… polícia, seja para combater traficantes e ladrões que invadem o campus, seja para coibir “sequestradores do espaço público”. É uma gente que não costuma se deixar convencer por Schopenhauer, sabem? Ademais, fiquei curioso: quem estaria fazendo “uso político e partidário” da greve? Até agora, não vi deputados tucanos no campus cantando “Blowin’ in the Wind”… Aliás, eu sinto é falta dos petistas se solidarizando com os alunos, como costumam fazer nas, como é mesmo Marilena Chaui?, “universidades neoliberais” paulistas. Também aguardo ansioso um texto daquele tal Vladimir Safatle, o Lênin de Catalão. O que está esperando para liderar um “occupy Unifesp”?

Eu não tenho um peso e duas medidas. Sou contra esses métodos em qualquer lugar. Mas e “eles”? Haddad censurou a PM quando, obedecendo a uma determinação judicial, ela retirou os invasores da USP. Esse mesmo Haddad nomeou a direção da Unifesp que, está provado, chamou a PM!!! Mais: pertence ao partido do governo que fez um acordo com o Comando da Polícia Militar de Guarulhos para, se necessário, intervir no campus da Unifesp.

Em suma, meu principal problema com os petistas não é achar que seus princípios são errados, mas repudiar a sua absoluta ausência de princípios. É uma espécie de banditismo moral a que polícia nenhuma pode dar jeito.

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2012

às 18:47

Cadê o Daniel Iliescu, da UNE, e o senador Suplicy para cantar “Blowin’in the Wind” para os alunos da Unifesp presos na Polícia Federal? E onde está a Madame Mim da Fefelechi?

Escrevi nesta manhã um texto sobre a diferença de tratamento dispensado por vários setores a manifestações de protesto na USP, Universidade de São Paulo, que é estadual, e na Unifesp, que é federal. É claro que a crítica é dirigida também a boa parte da imprensa. A parcialidade é vergonhosa, mas explicável. Antes que entre no mérito, algumas informações.

Ainda há 22 estudantes presos na Polícia Federal. Foram detidos ontem pela PM, que foi acionada pela direção do campus da Guarulhos. Eles haviam invadido um prédio da administração. As fotos provam que houve depredação do patrimônio, pichação etc. Nada que os invasores da USP não tenham feito. A questão é saber por que aqueles vândalos mereciam o tratamento dispensado aos heróis e por que contavam com o apoio dos petistas. Fernando Haddad, o grande responsável pelas condições miseráveis em que funcionam algumas universidades federais, criticou o governo do estado e a PM quando a USP foi devolvida ao estado de direito. No caso da Unifesp, ele e os demais petistas estão de bico fechado.

Não, senhores! Escreverei quantas vezes for necessário fazê-lo: não apoio manifestações desse tipo. Ao contrário: invadiu, depredou, quebrou, pichou, tem mais é de haver punição, sejam alunos da USP ou da Unifesp. Escolheu a violência em vez do diálogo, lei no lombo da tigrada! Mas sou coerente: defendo a ordem tanto nesse caso como naquele. Mas e os petistas? E alguns setores da imprensa? O repórter José Roberto Burnier não vai chamar os invasores de agora de “meninos”, como fez no caso da USP?

Na noite passada, um grupo de estudantes dormiu na calçada do prédio da PF, no bairro da Lapa, em solidariedade aos colegas presos. Pensei que Suplicy fosse pegar seu cobertorzinho e se juntar à turma. Passaria a noite cantando “Blowin’in the Wind” e recitando algumas bobagens de Mano Brown, o maior pensador da esquerda brasileira hoje — Marilena Chaui, a Madame Mim da filosofia, perdeu o lugar. Mano Brown ainda é melhor do que ela…

Por que é assim?
Por que essa diferença de tratamento também da imprensa? Porque as redações, infelizmente, também estão infiltradas pela droga da ideologia petista. Escrevi ontem que o petismo está para o marxismo como o crack está para a cocaína: é uma droga ideológica mais popular, mais barata, mais fácil de conseguir e é passada adiante por traficantes pés de chinelo.

Como funciona? Assim: houvesse 22 invasores da USP presos, o assunto certamente estaria entre os mais comentados nas redes sociais, no Twitter especialmente. A máquina petista que monitora a Internet se encarregaria disso, com seus robôs e perfis falsos. Isso, por si, já geraria notícias nos sites jornalísticos. Parlamentares de esquerda sairiam botando a boca no trombone, acusando o governo de São Paulo de truculência, o que renderia novas reportagens, numa bola de neve. Então não vimos? A Madame Mim da Fefelechi esteve na USP no começo desta semana para acusar a universidade de ter se rendido ao “neoliberalismo” , para atacar o reitor, João Grandino Rodas, e para acusar a PM de espancar estudantes no campus. Sobre as 55 federais em greve, nada disse. Quem nunca teve compromisso com a verdade não tem problema nenhum em mentir, certo? Fez as suas acusações e virou notícia.

Como diz Gilberto Carvalho, o espião de Lula infiltrado no governo Dilma, o PT tem mesmo um jeito diferente de resolver as coisas.

Ah, sim: perguntei onde está Daniel Ilescu, o tiozinho do PCdoB que preside a UNE. Pergunta meramente retórica. Deve estar ocupado contando a dinheirama que o governo federal já repassou para a entidade pelega que dirige. Sobrando algum tempinho, certamente se ocupa de tentar encontrar alguma desculpa para o dinheiro de convênios que a UNE gastou comprando uísque, freezer e tanquinho.

Por Reinaldo Azevedo

15/06/2012

às 4:54

Em oito dias, PT chama a PM duas vezes para resolver conflito em universidade federal. O que disse mesmo Fernando Haddad em novembro sobre a desocupação da reitoria da USP?

Outro dia, um desses delinquentes intelectuais disfarçados de pesquisadores tentou demonstrar que opções ideológicas têm uma base fisiológica. Se não me engano — e não vou parar para pesquisar —, o vagabundo é de uma universidade canadense. Segundo ele, os esquerdistas tendem a ser mais inteligentes do que os conservadores. Huuummm… Vendo, nesta quinta, os petistas na CPI lutando bravamente contra a convocação de Fernando Cavendish, com o deputado Cândido Vaccarezza verdadeiramente inflamado, não duvidei: é mesmo uma questão de inteligência… A minha tese é outra e não se sustenta em nenhuma hipótese fisiológica.

Acho que se trata, em primeiro lugar, de uma questão moral, individual; em segundo, de uma questão ética, que diz respeito à nossa relação com os outros. Um esquerdista é, antes de tudo, uma relativista. Tudo o que serve a seus propósitos é naturalmente bom; tudo o que não serve, naturalmente mau. Ou por outra: é preciso uma boa dose de sem-vergonhice para ser esquerdista. Viram Marilena Chaui? Madame Mim, escrevi ontem a respeito,  voltou a dar vassouradas no “projeto neoliberal da USP” e não disse uma vírgula sobre as 55 universidades federais em greve. Falasse como militante do partido, vá lá… Mas não! Discursava na condição de professora, de alguém pago com o nosso dinheiro para pensar com independência. Mas vamos retomar a questão lá do título.

A reitoria da Unifesp, uma universidade federal, indicada pelo companheiro Fernando Haddad — este que tem soluções fáceis e erradas para todos os problemas difíceis de São Paulo —, recorreu à Justiça para retomar o prédio da administração do campus de Guarulhos, que havia sido tomado por alunos. Só para lembrar: a reitoria da USP foi invadida no ano passado por “revolucionários” de extrema esquerda que não querem a PM reprimindo o tráfico e o consumo de drogas no campus. A propósito: Marilena mentiu — sim, o verbo é esse — ao dizer que os policiais estão lá para espancar estudantes.

Já os alunos da Unifesp protestam porque o campus de Guarulhos está mais para um pardieiro do que para uma universidade. É apenas uma das unidades federais que não oferecem condições mínimas para uma vida acadêmica decente. Cursos estão funcionando em prédios improvisados — uma escola infantil…. Os sinais de deterioração e de decadência estão por todo canto. Ainda assim, deixo claro: sou contra invasões, intimidações etc. Há outras formas de protestar. Pois bem: como a Justiça determinou a reintegração de posse, a Polícia Militar teve de executar a ordem no dia 6 — e o fez junto com a Polícia Federal, aquela sob o comando do petista José Eduardo Cardozo. Tudo conforme manda a lei, a exemplo do que se viu na USP.

Os petistas saíram vociferando contra a o governo de São Paulo e contra a Polícia Militar quando houve a operação da USP. Fernando Haddad, o preclaro ex-ministro da Educação e pré-candidato a prefeito, responsável pelas péssimas condições de muitas universidades federais, resolveu tirar uma casquinha com uma frase de efeito: “Não se pode tratar a cracolândia como se fosse a USP e a USP como se fosse a cracolândia”. A tirada é duplamente preconceituosa. Como ele acusava a suposta violência da ação da PM — mentira!!! —, estava dizendo, na prática, que atos violentos contra viciados da cracolândia são até aceitáveis, mas não contra viciados da USP.

Eu estou entre aqueles que consideram a brutalidade inaceitável em qualquer caso. E me incluo entre os que acham que o consumo e tráfico de drogas devem ser reprimidos num lugar e noutro — ou a USP, de fato, vira uma cracolândia! Não que ela não tenha bolsões de consumo de drogas ideológicas… Está cheio de gente viciada em petismo por ali, especialmente no corpo “indocente“… O PT, note-se, está para o marxismo mais ou menos como o crack está para cocaína: é uma droga mais barata, de consumo mais popular, destrói os neurônios com muito mais rapidez e é oferecida por traficantes pé de chinelo. Sigamos.

Ontem, estudantes voltaram a protestar na Unifesp. Instalações foram ocupadas de novo, áreas da instituição foram pichadas, e a administração acusa os estudantes de terem impedido o diretor de sair do prédio, o que eles negam. Adivinhem o que fez a direção… Ora, chamou a velha e boa PM de São Paulo de novo — aquela, sabem?, que os petistas classificam de “a polícia do Alckmin”; aquela que a Madame Mim da Filosofia tacha de “polícia do neoliberalismo”. E os policiais, obviamente, atenderam ao chamado porque é sua obrigação. Parece que chegou a haver um princípio de confronto. Uma aluna diz ter sido atingida por uma bala de borracha. A ver…

Pois é… Polícia boa é aquela que atua quando os petistas pedem e quando dela precisam. Chamem o ministro Gilberto Carvalho, aquele que, por ocasião do cumprimento da lei no Pinheirinho, saiu afirmando que o PT “tem outro jeito de resolver as coisas”. Qual jeito? Sabem a tal sensação da vergonha alheia, que a gente experimenta em lugar do outro? Pois é…

É isto: o comando petista de uma universidade federal pediu o socorro da PM duas vezes em nove dias. E a Madame Mim lá, em silêncio, cuidando de misturar em seu caldeirão os morcegos, as baratas e as teias de aranha das ideias mortas. E Haddad? O que tem a dizer a respeito?

bruxa-caldeirao

Por Reinaldo Azevedo

07/06/2012

às 15:17

As universidades da dupla Lula-Haddad — Antes de policiais desalojarem invasores, a Unifesp já era caso de polícia

A Polícia Militar e a Polícia Federal desalojaram ontem 30 estudantes que haviam invadido dependências administrativas do campus de Guarulhos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Chamar aquilo de “campus” é apego excessivo à formalidade. A exemplo de outras universidades e campi avançados criados no governo Lula, sob a gestão de Fernando Haddad, trata-se de uma biboca destinada a amontoar alunos. A dupla nunca se ocupou da qualidade de ensino nas federais ou na rede privada que recebe o leite de pata do ProUni. Queria produzir números.

No dia em que se fizer um levantamento sério e independente da qualidade desse serviço no Brasil, vai-se ter noção do estrago e do tempo que vai demorar para qualificar a expansão. Em poucas áreas, incluindo a saúde — que é um desastre —, houve tanta improvisação. Os professores universitários, sempre tão mobilizados, não protestaram porque, não raro, as entidades que os representam estão dominadas pelos “companheiros”. Ao contrário até: o ApeDELTA começou a receber títulos de “Doutor Honoris Causa” em penca.

Estava aqui puxando pela memória. Em 2008, o reitor da Unifesp foi demitido — oficialmente, pediu demissão — sob a acusação de malversação do dinheiro da universidade, conforme se lê em reportagem da Folha. Vejam que maravilha:

O reitor da Universidade Federal de São Paulo, Ulysses Fagundes Neto, renunciou ontem em caráter irrevogável ao cargo máximo da instituição. A renúncia foi decidida depois da divulgação, na edição de ontem da Folha, de relatório elaborado pela Secretaria de Controle Externo do Estado de São Paulo, do Tribunal de Contas da União, sobre irregularidades nos gastos de viagem do reitor, entre 2006 e 2007. Segundo a equipe de inspeção do TCU, Fagundes Neto usou irregularmente recursos do Estado para pagamento de itens de consumo de luxo, cometeu desvio de finalidade, burla ao regime de dedicação exclusiva, realizou viagens não autorizadas ou com prazo superior ao estritamente necessário. Os fiscais propõem a devolução de R$ 229.550,06 aos cofres públicos.

“Infelizmente, o envolvimento do meu nome no noticiário recente sobre gastos realizados em viagens de trabalho exige de mim tempo e disposição para minha argumentação e defesa”, escreveu o reitor na carta-renúncia que encaminhou ontem à tarde aos docentes da Unifesp. O MEC (Ministério da Educação) declarou vago o cargo. “O vice-reitor, Sergio Tufik, passa a responder interinamente pelo comando da universidade e tem um máximo de 60 dias para realizar o processo de escolha do novo reitor.”
(…)
Ulysses Fagundes Neto é médico pediatra especializado em gastroenterologia e nutrição. Assumiu o cargo de reitor da Unifesp pela primeira vez em julho de 2003, como sucessor de Hélio Egydio Nogueira, de quem era amigo e vice. Depois desse mandato, foi reeleito em chapa única em 2007.

Mesmo antes de assumir a reitoria, o nome Fagundes Neto já figurava em denúncias de irregularidades quanto ao uso de verbas universitárias. “Foi assumida como prerrogativa da chefia do departamento a possibilidade de dispor de verbas para despesas pessoais, compra de equipamentos e viagens sem autorização de qualquer instância administrativa do departamento ou do Cepep (Centro de Estudos de Pediatria da Escola Paulista).” O texto, escrito em 24 de setembro de 2003, foi assinado por alguns dos mais importantes quadros da pediatria brasileira, e refere-se ao período em que Fagundes Neto era chefe do departamento de pediatria da Unifesp, cargo que ocupou antes de se tornar reitor.

A partir de abril deste ano, as denúncias de mau uso de verbas públicas recrudesceram. Fagundes Neto admitiu ter usado o cartão de crédito corporativo do governo federal para pagar artigos de uso pessoal: “Eu me equivoquei. Achava que era como uma diária, um dinheiro que você bota no bolso e não tem de explicar. Errei por falta de informação. Por isso, devolvi o valor integral numa demonstração de boa-fé e de respeito ao trato com o dinheiro público.” Ele afirma ter devolvido R$ 85 mil.

O relatório do TCU divulgado ontem pela Folha afirma que o reitor hospedou-se em hotéis de luxo desnecessariamente, que visitou fábricas de queijo gourmet em Portugal, que foi a jogo de futebol entre o Chelsea e o Porto pela Copa dos Campeões da Europa, que consumiu conhaque Courvoisier e uísque, entre outros gastos, tudo às expensas da universidade. Também informa que o reitor fez a Unifesp pagar por viagens internacionais em que prestou consultoria remunerada a um laboratório privado. O somatório de gastos indevidos, segundo os fiscais do TCU, ficou em R$ 230 mil.

Por Reinaldo Azevedo

06/06/2012

às 22:52

E o que fez o PT numa universidade federal que é um pardieiro? Chamou a polícia para desalojar invasores… E nenhum deputado do partido apareceu para protestar!

Lembram-se da Reitoria da USP invadida por aqueles patriotas? Eles não reivindicavam que a Universidade de São Paulo oferecesse condições mínimas de ensino. Até porque a infraestrutura da instituição é bastante apreciável. Não é o caso do campus de Guarulhos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que está em condições miseráveis. Os porraloucas da USP protestavam contra a… presença da PM no campus, que busca garantir a segurança de todos, para melancolia de alguns maconheiros!

A operação foi acompanhada pela imprensa ao vivo, em tempo real, como se uma operação de guerra estivesse em curso. Os petistas vociferavam: “Vejam como o governo de São Paulo é autoritário”! Pois é… Os estudantes da Unifesp também invadiram uma área da universidade. E também foram desalojados. Leiam com atenção o que informa a Folha. Volto em seguida.
*
Oficiais de justiça, acompanhados de policiais militares e federais, cumpriram por volta das 16h desta quarta-feira a reintegração de posse do prédio invadido da Diretoria Acadêmica no campus da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) em Guarulhos (Grande SP). Inicialmente os alunos disseram que cerca de 50 pessoas foram retiradas do local. De acordo com a PF, porém, 30 pessoas que se encontravam no imóvel invadido e se recusaram sair foram encaminhadas à Superintendência da PF na Lapa, zona oeste, onde foi lavrado um termo por desobediência à ordem judicial. Os estudantes e a reitoria da Unifesp informaram que não houve violência durante a operação. A reintegração de posse foi determinada após a Justiça Federal receber informações da Unifesp sobre providências adotadas para melhorar o campus de Guarulhos.

Segundo a Justiça, a Unifesp apresentou documentos que apontam que parte das reivindicações feitas pelos alunos está sendo atendida, como início da construção do prédio central, moradia para estudantes, garantia de diversidade e qualidade de alimentação, transporte de qualidade, entre outras. A decisão afirma que “eventuais questionamentos sobre a condução de tais negociações devem ser discutidos em sede própria, não sendo a via do apossamento do prédio público, por meio de greve, hábil para reivindicar critérios ou irregularidades na gestão administrativas da universidade”.

Reportagem da Folha mostrou que a situação no local ainda é precária –o portão de entrada está destruído, o refeitório funciona de maneira improvisada num galpão de madeira e parte dos 3.070 alunos são obrigados a assistir aulas numa escola municipal vizinha ao campus.

Voltei
Reitere-se: a reitoria da Unifesp recorreu à Justiça com um pedido de reintegração de posse, a exemplo do que fez a da USP, e a obteve, circunstância que obriga a polícia a agir. A demonizada — inclusive pelos petitas — PM de São Paulo fez, também neste caso, o que a lei a obriga a fazer: retirar os invasores — com o auxílio da PF. Também eles, como os da USP, tiveram de prestar contas à polícia. A Unifesp está em greve desde o dia 23 de março, e os alunos ocupavam o prédio desde o dia 5 do mês passado.

Como todos vocês notaram, essa desocupação se deu sem alarde, longe dos olhos da imprensa. Não apareceu deputado petista para acusar a truculência da PM — que, com efeito, não houve; nem ali nem na USP.

E quero deixar uma coisa clara: embora a Unifesp esteja mais para um acampamento do que para uma universidade, eu não aprovo manifestações dessa natureza, venham de onde vierem. Não acho que greve de professores ou ocupação de um prédio público sejam respostas aceitáveis, por mais lastimáveis que sejam — E SÃO! — as condições da Unifesp. Não mudo de opinião a depender de quem seja o, como direi?, demandado. Mas também não igualo as diferenças: as revindicações dos invasores da Unifesp se sustentam numa incúria real do poder publico; os alunos estão recebendo menos do que a instituição deveria oferecer. Os invasores da USP, ao contrário, não queriam que as leis que valem para todos fossem aplicadas na universidade, como se integrassem um grupo apartado da sociedade.

Assim, temos que tanto a reitoria da USP como a reitoria da Unifesp usaram o legítimo direito de recorrer à Justiça para que se chamasse a polícia. A diferença é que a polícia, na USP, foi usada para conter rebeldes sem causa — ou com uma má causa; na Unifesp, para conter os exageros decorrentes de uma reivindicação justa. Fernando Haddad não vai se pronunciar?

Por Reinaldo Azevedo

 

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