Blogs e Colunistas

Silas Malafaia

11/08/2014

às 3:55

“Cristão não vota em petista”

escrevi aqui a respeito da procura desenfreada pelos votos dos evangélicos nos anos pares, que são os eleitorais. Os candidatos costumam se mostrar crentes a mais não poder: combatem as drogas, dizem-se contra o aborto, falam nos valores da família, mostram-se verdadeiros… cordeiros de Deus. Desligadas as urnas, ninguém mais dá pelota.

Abaixo, o pastor Silas Malafaia trata do assunto. Segundo a sua opinião, não há como um cristão autêntico votar no PT. Ele explica os motivos. Atenção! Os candidatos têm o direito — e até o dever! — de dizer o que pensam. Reitero: se são favoráveis, por exemplo, à descriminação das drogas e do aborto, que o digam com clareza, ora! Se acham que o tal PLC 122 é bacana, que exponham o seu ponto de vista. O que não é tolerável é a mentira. O que não é aceitável é a hipocrisia. O que não é decente é o fingimento. O que não é digno é comparecer a cultos cristãos, de quaisquer denominações, declarar a sua fé e depois fazer uma política contrária àqueles valores, como tem sido rotina.

Malafaia diz estar sofrendo perseguição por causa de suas opiniões. É bem possível. Afinal, sob este governo, computadores da Presidência fraudam perfis de jornalistas no Wikipédia; funcionários de bancos privados são demitidos por fazer avaliações que irritam os poderosos, e jornalistas incômodos vão parar em listas negras.

A democracia supõe, entre outras coisas, a clareza. Malafaia, segundo sei, deve apoiar a candidatura à Presidência de Pastor Everaldo, do PSC. Segue o vídeo em que ele expõe o seu ponto de vista. 


 

Por Reinaldo Azevedo

07/06/2013

às 17:11

Em Brasília, 70 mil pessoas pediram em coro cadeia para os mensaleiros e disseram “não” ao controle da mídia. Mas, controlada pela ideologia, certa mídia procurou esconder os fatos. ENTÃO VEJAM VOCÊS MESMOS!

Neste post, há um vídeo com a intervenção do pastor Silas Malafaia no evento havido em Brasília na quarta-feira, que reuniu, segundo a PM do Distrito Federal, 70 mil pessoas. O vídeo com a íntegra de sua fala está no YouTube. A seleção que segue foi feita por mim. Entre outras coisas, milhares pediram, em coro, cadeia para os mensaleiros. A imprensa escondeu isso dos leitores, internautas, ouvintes e telespectadores — um capítulo, afirmei nesta manhã, vergonhoso escrito pelo jornalismo.

O vídeo editado tem 11min55s. Vale a pena vê-lo na íntegra. Destaco algumas frases:

CONTROLE DA MÍDIA – “Senhores da imprensa, nós, que somos chamados de fundamentalistas, queremos uma imprensa livre até para falar mal de nós. Nós não queremos cercear imprensa (…) Imprensa livre, sempre livre!”

NOVO MINISTRO DO SUPREMO – “[o novo ministro] já deu um peruada aqui no Senado. [Ele falou] ‘Olha, o Supremo Tribunal foi muito duro com a questão do mensalão. Eu já começo a desconfiar por que ele está sendo mandado para o Supremo Tribunal Federal: para livrar vagabundo da cadeia”

MENSALEIROS NA CADEIA – “Eu quero avisar ao Supremo Tribunal e às autoridades: o povo brasileiro quer ver essa cambada do mensalão na cadeia”

MINISTÉRIO PÚBLICO – “Eu queria dar um aviso aos deputados, com muito respeito: ‘Senhores, querem tirar poder do Ministério Público. Vocês vão dar tiro de escopeta na cabeça. Sabem por quê? Porque vão tirar um poder independente; vai passar para a Polícia Federal e para a Polícia Civil, e vocês vão ter de comer na mão do Executivo. Aí vocês vão ver o que é bom para tosse”.

INDEPENDÊNCIA DO SUPREMO – “Nós não queremos um Judiciário subserviente a ninguém. Os mensaleiros, no Congresso, queriam botar de joelhos o Supremo Tribunal Federal: fazer uma lei para o Supremo estar vinculado à sua decisão. Não! Não! Supremo Tribunal Federal forte, independente e última instância com guardião da Constituição.”

ABORTO – “Nenhum ser vivo pode se tornar pessoa se já não o for em essência. O embrião é uma pessoa porque não pode tornar-se outra coisa a não ser pessoa. Você sabe o que é o aborto? É a força dos poderosos contra os indefesos.”

POVO NA PRAÇA – “Só as Diretas-Já botaram mais gente, num dia de semana, em Brasília do que nós. “

Segue o vídeo e depois reflitam sobre o que foi noticiado pela grande imprensa. 

Por Reinaldo Azevedo

04/06/2013

às 6:39

Ai-ai-ais e ui-ui-uis por Daniela Mercury, a do lesbianismo estatal e de crachá. Ou: Os poderosos “coitados” do Brasil. Ou ainda: Cristãos voltam à praça nesta quarta

Ah, mas quanto chororô e ai-ai-ais e ui-ui-uis porque apontei aqui a estatização do lesbianismo de Daniela Mercury, aquela que dá beijo na boca no Fantástico, anuncia o casamento com a sua “esposa” em rede nacional na maior emissora do país, leva 120 paus do governo da Bahia para fazer proselitismo em favor de sua causa, defende que o governo federal destitua congressistas de cargos conquistados segundo as regras da democracia e, ora vejam!, depois de tudo isso, ainda exercita o charme do oprimido. Gostos sexuais à parte — não é disso que se cuida aqui! —, quem aí não gostaria de ser uma “oprimida” como Daniela Mercury? Olhem a qualidade dos heróis de hoje, não é mesmo?

Todos eles dão, realmente, o sangue — dos outros — por uma causa. Dia desses, meus querido amigo Gerald Thomas gerou uma comoção em certos conventos pagãos ao negar ao diretor Zé Celso, do Oficina, a condição de grande vítima do teatro brasileiro. Ao contrário — e isto digo eu: Zé Celso é o verdadeiro burguês do capital alheio da dramaturgia. Tem tantas regalias que não precisa nem saber se a operação dá lucro ou prejuízo… Aliás, o burguês de verdade está sempre fazendo contas, né?, e esse não é o caso de Zé Celso, cujo modelo de civilização nos manteria lá nas cavernas, só cuidando daquilo naquilo — desde que ele fosse a chefe das bacantes e ficasse dirigindo a cena… Mas volto ao ponto.

No Brasil do coitadismo, os “coitados” se tornam categorias fixas e estanques, não importa o poder que adquiram. Luiz Inácio Apedeuta da Silva, é evidente!, é o grande mestre desse modo pilantra de fazer política. Já chego lá. Essas categorias adquirem o direito de usar o charme do “perseguido” e nunca mais abandonam o osso. E passam a exercer, então, o discurso do rancor triunfante. Vejam o caso dos consumidores militantes de drogas. Praticam livremente o seu vício — ou não? —, conquistaram o direito de cometer um crime que, na prática, não tem pena (no máximo, trabalho comunitário, o que não é aplicado por quase juiz nenhum); são tratados pela imprensa como pensadores superiores (também ela está eivada de pensamento superior..)… E, mesmo assim, as marchas da maconha se dão em tom de protesto, de indignação, contra um “Outro Poderoso” que a gente não tem a menor ideia de quem seja… Quem será? Em horas assim, respondo: ele devem estar é hostilizando o povo, que é contra a descriminação das drogas.

Escrevi ontem aqui e reitero: há algo de profundamente errado e perverso num país em que ser um “oprimido” de manual é muito mais vantajoso do que ser um “opressor” de manual. Leio na imprensa que o MST voltou a invadir uma das fazendas da Cutrale. Lembro-me que, no documentário “Entreatos”, sobre os bastidores da campanha eleitoral petista de 2002 — o filme, creio, ficou pronto em 2004 —, a adesão do dono da Cutrale à campanha de Lula é saudada como um grande conquista. Acho que é Gilberto Carvalho quem a anuncia. Pois bem! Depois dos índios, o maior “dono” de terras do Brasil é o MST — alias, deve ser o maior com gestão centralizada. O movimento manda nas áreas invadidas, nas áreas assentadas e exerce o controle informal de boa parte do dinheiro que vai para a agricultura familiar. Mas, saibam: João Pedro Stedile e seus bravos rapazes e moças — que, às vezes, saem depredando propriedades por aí — são todos vítimas! Até aquelas senhoras que vão às ruas defender a legalização do aborto falam como…oprimidas. Contra quem? O opressor é o feto? O que não pode correr?

Acima, digo que Lula é uma espécie de símbolo dessa postura. Ele já era muito poderoso quando venceu a eleição, em 2002. Seria dispensável dizer por quê. Comandava boa parte do sindicalismo brasileiro e era, por vias oblíquas, o manda-chuva último dos bilionários fundos de pensão, que participaram ativamente das privatizações contra as quais o PT, para todos os efeitos, lutava… Vocês viram o partido reverter alguma? Pois bem: elegeu-se presidente com a retórica da vítima triunfante, que chegou lá. Manteve esse discurso nas disputas de 2006 e 2010. O confronto é sempre o mesmo: “nós, os pequenos, mas poderosos se unidos”, contra “eles”, os “grandes”. Mas quem é esse “eles”? Quem é esse “outro opressor” na fala do Apedeuta e do PT? Dilma acabou de perdoar a dívida de algumas tiranias africanas. Ela o fez pensando nos “pequeninos” da África? Para beneficiar os oprimidos? Parece que alguns financiadores de campanha no Brasil sabem que não.

UMA NOTA ANTES QUE CONTINUE – Vejam como esse PT é mesmo fabuloso. Oficialmente, o partido quer o financiamento público de campanha, mas perdoa uma divida dos clientes de alguns potentados brasileiros que são… grandes financiadores de campanha!!! Entenderam a lógica? Encerro a nota e volto ao ponto.

Cristãos em Brasília
Evangélicos e, tudo indica, muitos grupos católicos pretendem fazer uma grande manifestação em Brasília nesta quarta-feira. Um dos organizadores é o pastor Silas Malafaia. À diferença do que se tornou moda no Brasil, não é um protesto de “vítimas” em busca de direitos excepcionais, mas em defesa de valores da Constituição. Há quatro palavras de ordem na convocação: em defesa da liberdade de expressão, da liberdade religiosa, da família tradicional e da vida (leia-se: contra o aborto). Publiquei no dia 16 de abril um post em que o entrevisto. Reproduzo o que me disse então:

“Nós somos contra a equiparação da união homossexual à heterossexual? Sim! Nós somos a favor do que passaram a chamar de ‘família tradicional’, formado por homem, mulher e filhos? Sim! Certamente, por razões óbvias, essas questões surgirão em nossa manifestação. E temos essas opiniões porque são matéria de convicção, de crença, e porque a Constituição nos assegura o direito de tê-las. Mas o objeto principal do nosso encontro é outro. Vamos nos manifestar a favor da liberdade de expressão e contra o controle da mídia, que vem sendo reivindicado por pessoas que odeiam a liberdade. Não aceitamos o controle da mídia nem pelo estado nem por grupos militantes. Querem nos transformar, aos evangélicos, em antediluvianos, em reacionários. Errado! Nós somos a modernidade democrática. Nós é que somos por uma sociedade radicalmente democrática, sem um estado censor e sem a censura de grupos organizados”.

Ou ainda:
“Publiquei um pronunciamento nos jornais em setembro de 2010 me opondo ao controle da mídia. E lá deixei claro que sou favorável à imprensa livre mesmo quando ela me agride. Enquanto vigorar o que eu penso, jornalista jamais será punido por delito de opinião ou correrá o risco de perder o registro profissional por pensar isso ou aquilo. Mas tenho visto por aí muitos falsos democratas, maléficos como os falsos profetas, falando em nome da liberdade para poder censurar a opinião alheia. Por cima dos evangélicos, eles não passarão”.

Encerro
Há pessoas que lidam mal com a democracia. Acham que “liberdade” é apenas e tão-somente a liberdade daqueles que concordam. Eu me lembro, desde o longínquo 2009, quantas foram as vezes em que a fala de alguém como Barack Obama me incomodou profundamente. Por quê? Porque havia a indisfarçável demonização do contraditório em seu discurso, mas que era ignorada e até aplaudida. Apanhei que deu gosto! Até de leitores que costumam gostar do blog. Achavam que eu estava vendo coisas. Afinal, ele teria alcançado um lugar imune à contestação porque seria a expressão de um humanismo incontestável. Ora, vimos o governo deste senhor grampear jornalistas ilegalmente e mobilizar o Fisco para intimidar adversários.

Confira a alguém bondoso licenças que não estão previstas nos códigos legais regulados pela democracia, e um anjo da tolerância se torna um déspota. 

Por Reinaldo Azevedo

16/04/2013

às 18:37

Malafaia: “Evangélicos vão se manifestar contra a censura e contra o controle da mídia pelo estado ou por militantes”. Ou: “Por cima dos evangélicos, eles não passarão!”

Lideranças evangélicas organizam uma manifestação pública, em Brasília, para o dia 5 de junho. Trata-se de um protesto contra o casamento gay? Não! O objeto do encontro é outro: a defesa da liberdade de expressão, que consideram, e com razão, sob ameaça no país. Um dos organizadores é o pastor Silas Malafaia, com quem falei há pouco. Ele define assim o evento:

“Nós somos contra a equiparação da união homossexual à heterossexual? Sim! Nós somos a favor do que passaram a chamar de ‘família tradicional’, formado por homem, mulher e filhos? Sim! Certamente, por razões óbvias, essas questões surgirão em nossa manifestação. E temos essas opiniões porque são matéria de convicção, de crença, e porque a Constituição nos assegura o direito de tê-las. Mas o objeto principal do nosso encontro é outro. Vamos nos manifestar a favor da liberdade de expressão e contra o controle da mídia, que vem sendo reivindicado por pessoas que odeiam a liberdade. Não aceitamos o controle da mídia nem pelo estado nem por grupos militantes. Querem nos transformar, aos evangélicos, em antediluvianos, em reacionários. Errado! Nós somos a modernidade democrática. Nós é que somos por uma sociedade radicalmente democrática, sem um estado censor e sem a censura de grupos organizados”.

A fala está corretíssima, e desafio qualquer defensor da democracia a encontrar nela algo que agrida a democracia, o estado de direito e o artigo 5º da Constituição, entre outros que garantem os direitos fundamentais dos brasileiros.

Aborto
Malafaia também diz que os evangélicos vão se manifestar em defesa da vida e contra, pois, a tentativa sorrateira de legalizar o aborto, presente na proposta de reforma do Código Penal que está no Senado. Uma comissão de supostos notáveis tentou driblar o óbice constitucional, que assegura o direito à vida, para, de forma malandra, legalizar o aborto sem debater com ninguém, ao arrepio da sociedade.

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) estará presente ao encontro de Brasília? É muito provável que sim. Trata-se de um desagravo às tentativas de derrubá-lo da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara? De novo: o objetivo da manifestação é mais amplo do que isso. Nesse sentido, independentemente do conteúdo da pauta dos evangélicos, Malafaia tem razão: defender o direito à liberdade de expressão é uma pauta mais “moderna” do que a dos que querem submetê-la aos tribunais informais de movimentos organizados.

As lideranças evangélicas são contra, por exemplo, o PLC 122, apelidado de “Lei Anti-Homofobia”. Basta atentar para seu conteúdo para constatar que, sob o pretexto de proteger os gays de agressões — e quem pode ser a favor, Santo Deus! —, vem a ameaça à liberdade de expressão, sim. Já demonstrei isso aqui muitas vezes.

E como é que essa questão se casa com a defesa mais geral da liberdade de expressão e contra o controle da mídia? Quem deu a pista foi o petista gaúcho e graúdo Tarso Genro. Ao defender a regulamentação da mídia, chegou a afirmar que 80% da programação de rádio e TV estariam fora dos parâmetros constitucionais.

“Evangélico, agora, tem o direito der ser contra gay, Reinaldo?” Não! Nem eles nem ninguém. Mas de ser contra a equiparação das uniões civis, ah, isso eles têm, sim! Não é a minha opinião, por exemplo. E daí? A democracia não existe para fazer as minhas vontades. Na França, um milhão saíram às ruas contra o casamento gay. Nem por isso a imprensa francesa, mesmo a socialista e favorável à pauta, os tachou de fascistas.

Malafaia deixa claro que não é o dono da manifestação. É apenas uma das lideranças evangélicas que a apoiam. Enquanto o seu ponto de vista triunfar, quem é favorável a suas opiniões pode se manifestar; quem é contrário a suas opiniões pode se manifestar. Se vencer a pauta daqueles que o agridem, então teremos uma singularíssima democracia em que só pode dizer o que pensa quem diz “sim”.

Ele encerra:
“Publiquei um pronunciamento nos jornais em setembro de 2010 me opondo ao controle da mídia. E lá deixei claro que sou favorável à imprensa livre mesmo quando ela me agride. Enquanto vigorar o que eu penso, jornalista jamais será punido por delito de opinião ou correrá o risco de perder o registro profissional por pensar isso ou aquilo. Mas tenho visto por aí muitos falsos democratas, maléficos como os falsos profetas, falando em nome da liberdade para poder censurar a opinião alheia. Por cima dos evangélicos, eles não passarão”.

Tomara que não!

Por Reinaldo Azevedo

10/04/2013

às 1:05

Pastor Silas Malafaia se encontra com Eduardo Campos, provável candidato do PSB à Presidência

Por Luciana Nunes Leal, no Estadão:
Presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, o pastor Silas Malafaia revelou nesta terça-feira, 9, que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com quem conversou na tarde de sábado passado, afirmou estar decidido a disputar a Presidência da República. Segundo Malafaia, Campos disse não aceitar interferências em seu partido, o PSB.

“O governador Eduardo Campos disse: ”eu vou ser candidato a presidente da República e ninguém vai dizer o que meu partido deve ou não deve fazer, se deve ou não deve ter candidato”. Disse em alto e bom som”, contou o pastor em entrevista por telefone.

A pressão para a saída do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara foi um dos assuntos tratados no encontro reservado, em um hotel da Barra da Tijuca (zona oeste). Segundo Malafaia, Campos disse não concordar com as ideias de Feliciano e que não votaria no deputado, acusado de racismo e homofobia, mas reconheceu que o parlamentar foi eleito “pelo povo e pelo colegiado”. “Ele foi sincero, disse que é contra o Marco Feliciano, que está do outro lado, mas que o direito vale para todo mundo”, afirmou Silas Malafaia.

Apresentador do programa de TV Vitória em Cristo e acostumado às brigas públicas com movimentos pela legalização do aborto e de defesa do casamento gay, Silas Malafaia apoiou o tucano José Serra nas eleições presidenciais de 2010. Nesta terça, elogiou Eduardo Campos, com quem conversou pela primeira vez, mas não se comprometeu em apoiar o socialista. “Ainda estamos cedo nesse processo”, justificou. “O que eu tenho dito e repeti para o governador é que o PT radicaliza de tal forma que acaba levando os evangélicos a ficarem contra ele. Com José Genoino e João Paulo Cunha (deputados condenados no processo do mensalão) na Comissão de Constituição e Justiça, que moral tem o PT para falar de Feliciano na Comissão de Direitos Humanos?”, questionou o líder evangélico.

Malafaia se mostrou satisfeito com a posição de Eduardo Campos contra o controle externo da mídia, cobrado pelo comando nacional do PT. “Ele disse que regulação de conteúdo é muito perigosa. Deixei claro que nós evangélicos estamos muito preocupados de cercearem nossa pregação, que defendo a liberdade de imprensa até para falarem mal de mim”. Segundo o líder evangélico, temas como casamento gay e aborto não foram tocados. “Foi o primeiro encontro. Não vou impor uma agenda a ele, eu quis mais ouvir do que falar”, resumiu.

Segundo Malafaia, o governador “acha que a inflação seis vezes maior que o crescimento do PIB é uma bomba relógio ligada”. “Ele disse que não quer o caos no Brasil, que não trafega na torcida contra. Afirmou que muitas coisas boas estão sendo feitas, mas que ele pode fazer muito mais. É um cara preparado e não se apresenta como o Jesus Cristo, salvador da nação”, disse o pastor. Os “municípios de pires na mão” e a “pior seca dos últimos anos no Nordeste” foram outros assuntos tratados, afirmou o líder evangélico.

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2013

às 6:27

Quando um pastor defende a plena liberdade de imprensa e o jornalismo flerta abertamente com a censura e o delito de opinião, há algo de errado… com o jornalismo!

No dia 18 de setembro de 2010, durante um comício em Campinas, com as presenças de Dilma Rousseff e Aloizio Mercadante — candidatos, respectivamente, à Presidência da República e ao governo de São Paulo —, o então supremo mandatário da nação, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou o seguinte: “Tem dias em que alguns setores da imprensa são uma vergonha. Os donos de jornais deviam ter vergonha. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública”. Lula vinha numa impressionante escalada retórica contra a imprensa livre. Quando as notícias eram favoráveis a seu governo, ele as considerava apenas justas; se negativas, ele acusava sabotagem. Lula e o PT nunca desistiram do tal controle da mídia. Em sua última resolução, há poucos dias, o Diretório Nacional do PT pregou abertamente o controle de conteúdo do jornalismo. Pois bem: seis dias depois de mais uma investida contra a liberdade de imprensa, um líder evangélico fez publicar nos principais jornais do país um anúncio pago em que rechaçava qualquer forma de censura promovida pelo estado ou de controle da mídia. Lia-se naquela peça: “Nem o presidente da República, partidos políticos, líderes religiosos, qualquer segmento da sociedade ou mesmo a imprensa são, isoladamente, os donos da opinião pública”. Já voltarei a este anúncio — até porque publicarei a imagem aqui. Antes, algumas considerações.

Crítico da imprensa
Outro dia um desses bobalhões que confundem alhos com bugalhos e joio com trigo enviou um comentário para este blog mais ou menos assim: “Pô, ultimamente, você critica tanto a imprensa que até parece Fulano de Tal…”. E citou um anão moral que anda a soldo por aí, a pedir o “controle da mídia”. Pois é. Dentre tantas outras, uma diferença fundamental se destaca entre mim e aquela coisa triste que foi citada: ele quer uma imprensa controlada pelo estado; eu quero uma imprensa livre, que não se deixe controlar nem pelo estado nem por corporações, qualquer que seja a sua natureza: ofício, crença, ideologia, valores. Aquele bobo do oficialismo sonha em censurar o que os outros escrevem; eu aposto numa imprensa que não tem receio da censura — nem a das vozes eventualmente influentes e das maiorias de ocasião. Aquele cretino critica a imprensa porque a quer com ainda menos liberdade; eu a critico porque a quero mais livre. Aquele governista convicto, pouco importa o governo de turno, quer o jornalismo a serviço do poder; eu quero o jornalismo vigiando o poder.

Assim, sou crítico, sim, da imprensa, especialmente nestes tempos em que ela é tão cegamente liberticida; em que põe, voluntariamente, a cabeça no cutelo. A Constituição nos garante a liberdade, e o estado (não o governo!) a tem assegurado — ainda que não seja pequeno o risco de censura pela via judicial. Mas atenção! Só é verdadeiramente livre o que exerce a liberdade. Uma imprensa que ou se deixa assombrar pela patrulha ou a ela adere, em nome da legitimidade, atropelando as garantias fundamentais da Constituição, está SE DEGRADANDO.

É evidente que uma imprensa que estivesse submetida a isso que chamam “controle social” já não seria livre, especialmente no tempo em que uma força política assegura ser ela mesma “a opinião pública”. Mas o controle do estado não é o único que pode tolher a liberdade. Se admitirmos que policiais informais do pensamento — por mais que tentem falar em nome do bem — imponham a sua vontade na base do berro, da intimidação e da satanização, expomo-nos nós mesmos à hordas do amanhã. Quais serão elas? Falarão em nome de quais valores?

Trata-se, então, de saber em nome de qual ideal de sociedade agimos; trata-se, então, de saber que modelo abstrato perseguimos com nossas práticas e escolhas cotidianas. Ainda que eu repudie as ideias do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, cumpre indagar se uma sociedade em que um parlamentar eleito, escolhido para uma função segundo as regras do Regimento Interno, fosse deposto por delito de opinião seria mais saudável do que outra em que o protesto é, sim, livre — porque a praça é do povo, como o céu é do condor —, mas sem agressão aos fundamentos de um regime democrático e de direito. Feliciano não é um usurpador. O surrealismo alcança tal dimensão que o deputado Jean Schopenhauer Wyllys, numa passeata, chega a INDICAR o nome do PSC que ele quer presidindo a comissão. Sim, o deputado do PSOL se considera no direito de escolher o nome do outro partido que gostaria de ver no cargo. E o jornalismo o trata como a voz da ponderação e do bom senso.

Esses que agora estão em marcha se consideram, a exemplo de Lula, “a” opinião pública. E se preparam, podem escrever aí, para um embate que virá: e ele versará justamente sobre o controle dos meios de comunicação. Alguns estrategistas mancos — espero não ser processado pela Associação da Inclusão dos Claudicantes Ofendidos — escolheram um caminho estupidamente errado. Imaginam que, se cederem às patrulhas politicamente corretas, estarão a salvo da sanha dos censores. Não estarão porque já fizeram uma opção cujo dano é maior do que o perigo, como escreveu Camões. O perigo que se corre — e existe, sim! — é haver formas oblíquas de controle estatal da imprensa. Mas o dano, que já é visível, é esse controle nem ser assim tão necessário porque já exercido na base da sujeição voluntária.

Aposta na liberdade de imprensa
Seis dias depois de Lula ter regurgitado impropérios contra a imprensa livre num palanque, num ambiente, então, de franca hostilidade à liberdade de opinião, um líder evangélico fez publicar este anúncio pago nos maiores jornais brasileiros. Trata-se de uma resposta clara a Lula.

A assinatura está ali. Trata-se do “polêmico”, como querem alguns, Silas Malafaia. Temos, e ambos sabemos disso, enormes discordâncias, inclusive religiosas. Jamais estivemos juntos, mas ele sabe o que penso e sei o que ele pensa. E daí? Eu estou preparado para enfrentar a divergência. O que não aceito, e não aceito, é que tentem me calar — ou calar a outros — ao arrepio dos fundamentos constitucionais; o que rechaço é a tentativa de criar leis que criem categorias superiores de homens, infensos à crítica.

Quantos partidos de esquerda assinariam esse anúncio posto nos jornais por Malafaia? O PT? O PCdoB? O PSOL de Jean Wyllys, Chico Alencar e Marcelo Freixo? Nunca!!! E olhem que, como ele próprio lembra, não se trata de uma pessoa exatamente paparicada pela imprensa cuja liberdade defende. Ao contrário: costuma ser alvo das piores vilanias; preferem transformar o que ele diz numa caricatura para que fique fácil, então, combatê-lo. Eu preferiria estar aqui a discordar do pastor, num ambiente de civilidade democrática, a ter de defender uma questão de princípio: o direito à liberdade de opinião e de expressão.

“Ah, mesmo na democracia, nem tudo pode ser dito, não é, Reinaldo?” É, nem tudo — sempre destacando que, ainda assim, existe uma diferença importante entre dizer e fazer. Mas admito, como princípio, que a democracia não aceita todo e qualquer desaforo, mesmo se apenas falado. Mas fiquemos, então, no caso em espécie, com o que deu à luz o inimigo público nº 1 do Brasil: será mesmo que Feliciano foi além do que pode tolerar o regime democrático? A resposta, obviamente, é “não”. E nem por isso preciso concordar com ele.

Malafaia, ele próprio nota, não fala em nome de todos os evangélicos. Mas professa um valor que, creio, expressa o pensamento da maioria: a aposta na liberdade de imprensa, a aposta na liberdade de opinião, o repúdio a qualquer forma de controle estatal da informação.

Infelizmente — e já digo a razão desse advérbio —, o credo que Malafaia anuncia está muito acima, em termos qualitativos, do entendimento médio hoje vigente nas redações sobre liberdade de imprensa e liberdade de opinião. Já houve coleguinha pregando, abertamente, que eu fosse censurado, por exemplo. Por quê? Ora, porque discorda de mim. Não se dá conta de que, ao fazê-lo, expõe-se ele próprio a uma eventual censura.

No país em que um líder evangélico consegue ser mais desassombrado na defesa da liberdade de expressão do que boa parte dos jornalistas, ousaria dizer que esse pastor agregou a seus valores religiosos os valores inegociáveis da democracia e do estado de direito. Mas também é preciso dizer que os jornalistas renunciaram à sua missão para se comportar como membros de uma seita de fanáticos e linchadores.

Texto publicado originalmente às 2h24
Por Reinaldo Azevedo

05/04/2013

às 17:27

“O PT e Dilma abrem mão da comunidade evangélica nas próximas eleições”

O pastor Silas Malafaia, que se tornou também alvo da militância que pretende tirar o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, escreve na Folha de hoje um artigo sobre o tema. Encerra o texto com uma conclusão: “PT e Dilma Rousseff estão sinalizando que abrem mão da comunidade evangélica nas próximas eleições.”

Seguem trechos do texto.
Por que tanta pressão para que Marco Feliciano não continue na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados? Discordar é um direito, porém não podemos ser contra alguém em tudo só porque não gostamos dessa pessoa.

Eu mesmo tenho divergências com Feliciano, mas não permito que as diferenças se sobreponham ao meu senso de justiça e caráter. E, por trás dessa perseguição que mobilizou a opinião pública e a imprensa, sei que existe um sórdido jogo político para esconder questões sérias.
(…)
Toda essa mobilização [contra Feliciano] tinha um motivo maior: desviar os holofotes do PT. Afinal, enquanto se discutia a posse de Feliciano na CDHM, dois deputados condenados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão, João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), tornaram-se membros da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, a mais importante comissão da Câmara.

No currículo desses parlamentares do PT constam condenações por corrupção. Mas, a imprensa se voltou apenas para o caso do deputado que fez declarações infelizes (…).

Independentemente de concordar ou não com as declarações de Feliciano, não posso esquecer que ele foi eleito pelo povo e que tem o direito de expressar a sua opinião, sendo resguardado pelo inciso IV, do artigo 5º da Constituição Federal. Mais do que isso, a Carta Magna lhe garante o direito à liberdade religiosa (incisos VI e VIII do mesmo artigo) (…)

Pergunto: se a oposição pode acusar os que discordam deles de homofóbicos e racistas, por que o povo evangélico não pode chamar essa perseguição de evangelicofobia? Dentro desse Estado democrático de direito, onde a maioria é cristã, a democracia só vale para a minoria? O fato é que os ativistas gays e seus defensores não suportam o debate. Pode-se falar mal do presidente da República, do Judiciário, dos católicos, dos evangélicos, mas, se criticarmos a prática homossexual, somos rotulados de homofóbicos.

O crime de opinião já foi extinto de nosso país com o fim da ditadura militar. (…) Diante dessas manifestações, só podemos chegar a uma conclusão: PT e Dilma Rousseff estão sinalizando que abrem mão da comunidade evangélica nas próximas eleições.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2013

às 19:46

Advogados de Wyllys culpam vítima pelo mal que a atinge. É uma revolução até mesmo da “zetética”

Pois é…

Publiquei nesta manhã um post em que demonstro que o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), o novo Schopenhauer do jornalismo brasileiro, recorreu a um perfil falso do pastor Silas Malafaia para incluí-lo numa acusação encaminhada à Procuradoria-Geral da República.

Leitores me enviam o link de um texto publicado no site do deputado, que sustenta o que segue em vermelho. Comento depois:

“Na Representação Criminal protocolada contra o Deputado Federal Marco Feliciano, Senhor Silas Malafaia e outros, apresentamos diversas campanhas midiáticas contendo inverdades e ofensas que atacam não apenas as pessoas envolvidas, mas também o povo brasileiro. Como está comprovado na peça, o Senhor Silas Malafaia é amplo divulgador de tais campanhas ilegais. E faz isso através dos seus perfis oficiais nas redes sociais e de outros não oficiais, mas que não são contestados pelo famigerado pastor.”
(…)

Comento
O texto é assinado pelos advogados Antonio Rodrigo Machado e Cezar Britto, que representam, além de Wyllys, os deputados petistas Érika Kokay (DF) e Domingos Dutra (MA).

Começo pelo mais relevante: os doutores recorreram a uma página falsa como indício do suposto crime cometido por Malafaia, mas acham que a culpa é de… Malafaia! Já me atribuíram centenas de coisas que não escrevi, não disse nem penso. Se alguém resolver me processar por algo que não é de minha responsabilidade, isso quer dizer que o culpado sou eu porque não terei contestado as mentiras? Assim, eu estaria condenado a ser refém do que dizem a meu respeito, publicando notas de esclarecimento. Em vez de produzir textos, eu teria de me dedicar a rebater difamadores. É uma revolução no direito: a incriminação da vítima. Os doutores inauguram um vasto território no direito alternativo.

Também fiquei sabendo, ao ler o textinho acima, que as opiniões das pessoas que estão sendo contestadas atingem “o povo brasileiro”. Inaugura-se uma nova instância no direito brasileiro — com chance de ser uma revolução mundial: o representante de todo um povo!!! Nem o socialismo soviético foi tão longe. A Coreia do Norte é quem mais chega perto dessa visão de mundo: Kim Jong-un é a encarnação de todos os norte-coreanos. Contestá-lo corresponde a agredir o povo.

Os advogados de Malafaia certamente saberão cuidar disso melhor do que eu. Releiam o texto: os representantes de Wyllys e dos dois petistas sustentam que “[Silas] faz isso [divulgar campanhas ilegais] através dos seus perfis oficiais nas redes sociais e de outros não oficiais”. Ou por outra: os advogados estão acusando o pastor de controlar os perfis falsos. Certamente terão de provar em juízo o que dizem.

Vamos além. Wyllys não gosta muito de quem o contesta — ainda que as pessoas não cometam crime nenhum. Como está sempre no ataque, parece que isso contamina até mesmo os que advogam em seu favor. Os doutores que assinam o texto chamam Malafaia de “famigerado pastor”. E certamente não veem nisso ofensa nenhuma. 

“Famigerado”??? Na origem, a palavra significa  “de boa fama”, “famoso”, “célebre”. Esse sentido, obviamente, se perdeu há muito tempo. Imaginem um governador tucano a começar assim um discurso: “Famigerada presidente Dilma Rousseff”. Não daria em boa coisa. Ou ainda: “O rendimento do Barça caiu depois que o famigerado Messi deixou o gramado”….

Só restou o sentido pejorativo da palavra, e foi assim que os advogados a empregaram, não? Basta ver o contexto. E o que quer dizer, então, “famigerado” no texto dos causídicos? O “Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa” explica na página 920 da edição de 2012: “diz-se daquele que comete crimes ou ações condenáveis, por isso adquiriu notoriedade ou má fama; de má índole, malfeitor; detestado; execrado; (…)”

Pergunto: o que vai acima é ou não é injurioso? Parece que Wyllys e aqueles que trabalham para ele pretendem ter o monopólio da ofensa. Olhem que acompanho questões judiciais, por força da profissão, há muitos anos. Raramente vi advogados se manifestando nesses termos.

Andei estudando um tantinho de ZETÉTICA estes dias. Quem se interessar pelo assunto deve fazer uma breve pesquisa. Mesmo aos mais entusiasmados contestadores da dogmática do direito não ocorreu culpar a vítima pela apresentação de um falso indício ou de uma falsa evidência que a comprometam.

Acho que isso seria demais até para a… Coreia do Norte.

Por Reinaldo Azevedo

02/04/2013

às 7:25

Wyllys e dois deputados petistas recorrem até a falso perfil no Facebook para calar adversários. E amplos setores da imprensa aplaudem! Um dia ainda vão propor o “controle social da piada”

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) tem a mania de tratar como inimigas as pessoas que discordam dele. Pior: parece achar que a homofobia é a única razão que leva a essa discordância. É um sestro que carrega lá do BBB. Quando foi indicado para o paredão, Pedro Bial quis saber por que, na sua opinião, fora o mais votado. Ele mandou bala: “Vai ver é porque eu sou gay”. Ali nascia o seu vitimismo agressivo e triunfante. Como os demais participantes não eram gays, não podiam usar essa condição a seu favor. O que diriam, afinal: “Fui indicado porque sou louro”, “fui indicada porque sou mulher”, “fui indicado porque sou morena”, “fui indicado porque sou hétero”? Wyllys acabou levando a bolada. Agora deputado, em companhia de dois outros colegas, os petistas Érika Kokay (DF) e Domingos Dutra (MA), Wyllys fez uma coisa feia: resolveu apelar à Procuradoria-Geral da República para criminalizar seus adversários políticos ou intelectuais. E ainda diz que o faz em nome da liberdade. Um dos alvos, claro!, é o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Outro é o pastor Silas Malafaia — nesse caso, então, a coisa vai além das franjas do absurdo. Já chego ao ponto. Antes, algumas considerações.

Democracia decadente e controle da mídia
Escrevi ontem à noite um texto sobre aquelas 70 pessoas que foram ao Palácio do Planalto protestar contra Feliciano portando velas acesas. Exigiram que a presidente Dilma Rousseff se manifeste contra o deputado do PSC. Cobraram que a chefe do Executivo atue contra uma comissão do Legislativo. Sob o pretexto de defender as minorias e os direitos humanos, propõem, sem pestanejar, a violação de um dos pilares do regime democrático. Conhecem o pensamento de Wyllys, é certo, mas devem achar que Montesquieu era um banana com aquele negócio de independência entre os Poderes.

A evidência de que a democracia brasileira se degrada não está na manifestação em si — ao contrário: coisas assim só são possíveis em sociedades livres. O sintoma da decadência está no fato de que amplos setores da imprensa aplaudem o que é um convite à violência institucional.

A turma, aliás, que quer o “controle social da mídia” — viu, Zé Dirceu?; viu, Rui Falcão? — já sabe o bom mau caminho: o negócio é fazer as Blitzen no Congresso e sair por aí acedendo velas. Depois virão o “controle social das piadas”, “o controle social da opinião”… O Brasil vai ficar lotado de aiatolás bondosos dizendo o que podemos pensar ou não, o que podemos dizer ou não, que religião podemos ter ou não. Os que acreditam em Deus devem deixar de lado essa ideia estúpida de absoluto e acreditar em Wyllys — que já venceu Montesquieu, como é sabido. Faço uma ironia, mas a coisa é séria.

A acusação
A representação criminal contra um grupo de pessoas, que inclui Feliciano e Malafaia, está na página do próprio deputado do PSOL. A íntegra está aqui. Há uma penca de acusações: difamação, calúnia, falsificação de documentos, formação de quadrilha, falsidade ideológica e improbidade administrativa. As acusações são muitas porque eles querem transformar uma penca de pessoas em rés. Deve ser uma das peças mais absurdas em que pus os olhos nos últimos tempos. Fica óbvio que Wyllys e os demais deputados se querem acima das críticas. O parlamentar do PSOL parece achar razoável sair por aí acusando os desafetos de racistas, homofóbicos, fundamentalistas etc., mas se zanga quando eles reagem.

Muito bem! Qual é a principal peça que apresentam contra Feliciano? Um vídeo (abaixo), divulgado pelo deputado em seu Twitter, com crítica à atuação de alguns deputados que o atacam. Se alguém quiser ver, segue abaixo. Retomo depois.

Retomo

É evidente que há aí um trabalho de edição que pode dar acento exagerado a determinadas falas, eventualmente distorcendo-lhes o sentido. Mas pergunto: é coisa muito diferente do que os militantes fizeram com várias falas do próprio deputado? Será mesmo uma agressão mais severa do que aquelas que ele passou a enfrentar cotidianamente, seja na comissão, seja à porta das suas igrejas, seja nas redes sociais? Então o pau que bate em Chico é diferente daquele que bate em Francisco? Ora… Mas isso fica para a Procuradoria-Geral.

No caso de Malafaia, o troço, como escrevi, vai além das franjas do absurdo. A representação usa esta mensagem de uma página de Facebook contra o pastor:

Página falsa
Ocorre que esse é um perfil falso. Não pertence ao líder religioso. O verdadeiro não é “Pastor Silas Malafaia”, como vai acima, mas “Silas Malafaia Oficial”. O curioso é que a própria representação fala sobre a existência de perfis falsos, mas parte do princípio de que os responsáveis por eles são justamente os que têm seus respectivos nomes usados à revelia.

Wyllys não disse aquelas sandices à CBN. Ocorre que Malafaia também não postou a tal mensagem. Há um tuíte que é, de fato, de autoria do líder religioso, mas se insere perfeitamente no direito que as pessoas têm à crítica — ou Wyllys e os dois outros deputados pairam acima das divergências?

A dita representação criminal é um saco de gatos. E me parece que a aberração técnica é mais método do que loucura. Por quê? Com base numa reportagem da Folha, por exemplo, acusam Feliciano de improbidade administrativa por causa de funcionários oficialmente lotados em seu gabinete, mas que serviriam à denominação religiosa à qual ele é ligado. Muito bem! O que isso tem a ver com Malafaia e com alguns outros que estão sendo acusados por delitos que, entendo, são de opinião? Resposta: NADA! O trio só está interessado em juntar adversários no mesmo saco de gatos.

Chega a ser uma piada que Wyllys processe Feliciano, dizendo-se perseguido. Ora, quem é que lidera a campanha nacional contra o presidente da comissão? Incluir Malafaia na peça acusatória é a evidência escancarada de má-fé. Ele não é político, não está na comissão — é, apenas, alguém com o direito a uma opinião. Mas com direito à SUA opinião, não a de um falso perfil.

Espero que a mesma imprensa que está endossando esse espetáculo de intolerância não venha a pagar caro por sua estupidez. Está confundindo o direito à divergência e ao protesto — e as praças estão aí para isso — com a “boa censura”, como se isso fosse possível.

Não queremos ser tutelados pelo estado, certo? E creio haver um razoável consenso nisso (os petistas discordam, desde que eles sejam o estado, claro!). Cumpre indagar se a tutela exercida por minorias — ou maiorias — organizadas é legítima. Para alguém que se orienta segundo os critérios da democracia política, a resposta é uma só: NÃO!

A imprensa brasileira, com as exceções costumeiras, vive um momento vergonhoso. Entende, de modo estúpido, que a única censura que se deve repudiar é a legal. Se um dia lhe ocorrer de escarafunchar a biblioteca, verá que há outra tão ou mais perversa: aquela que pretende censurar mais do que a liberdade de expressão; pretende impedir o próprio exercício do pensamento em nome de valores supostamente infensos a quaisquer questionamentos.

Resta-nos aguardar agora o “controle social da piada”. Os humoristas podem começar a treinar as piadas construtivas. Nessa toada, a liberdade, especialmente na Internet, está com os dias contados. Se acham que o cristianismo, que eles adoram esculhambar — e o fazem, felizmente, sem qualquer censura —, é uma religião problemática, é porque não conhecem o laicismo controlado por alguns fanáticos. 

Texto publicado originalmente às 5h49

Peço ponderação nos comentários. O país não precisa de mais linchadores, mas de mais pensadores. O exercício da opinião dispensa acusações, agressões, demonizações. Vale para este post e para todos os outros. 

 

Por Reinaldo Azevedo

21/02/2013

às 6:26

Na democracia petista, os crimes dos companheiros devem ficar sem castigo, e os adversários não têm nem mesmo direito de defesa

Se me pedissem para sintetizar a atuação essencial das esquerdas, no Brasil e mundo afora, eu o faria assim: são correntes de pensamento que se querem donas do progresso e que pretendem impor o seu pensamento ao arrepio da institucionalidade. Para elas, o arcabouço jurídico que garante direitos universais tem de ser rompido pelos grupos que se apresentam como a vanguarda das lutas sociais — elas próprias. Assim, repudiam essencialmente a sociedade de direito em benefício do que entendem ser o direito da sociedade, em nome da qual falam, ainda que não tenham representação para tanto. Como se querem as expressões naturais do povo, a pauta que defendem — o conteúdo propriamente — não tem grande importância; ela é móvel e pode mesmo ser contraditória ao longo do tempo. Isso é irrelevante. Vivem num mundo da legitimidade auto-outorgada.  Vamos pensar essa concepção à luz de alguns acontecimentos recentes.

Há muito tempo eu não via tamanha manifestação de vigarice intelectual e de autoritarismo como a desse rapaz chamado Pedro Abramovay, militante petista — da corrente bom-moço-ilustrado (costumam ser os mais perigosos) — e ex-secretário nacional de Justiça. É aquele rapaz que andou tendo algumas ideias para diminuir a violência no país: descriminar as drogas, deixar soltos os pequenos (?) traficantes e prender menos bandidos… Um gênio! Aos ouvidos de certo jornalismo que não consegue ler estatísticas, isso soa como poesia. Ele se tornou o chefão no Brasil de uma entidade internacional chamada Avaaz, que faz petições online. Aquela contra a eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) para a Presidência do Senado fez grande sucesso — e por bons motivos. Abramovay se aproveita de um fato como esse para divulgar uma concepção moralmente dolosa do que seja democracia. Formado em direito, ex-titular da Secretaria Nacional de Justiça (!!!), deveria ter a defesa das instituições — e dos caminhos também institucionais para mudá-las — como seu norte.

Mas não! É um militante de esquerda — ainda que da esquerda chique. É evidente que não defende mais, a exemplo dos seus pares, o socialismo. Isso é coisa do passado também para eles. Os petistas se dão muito bem no mundo do capital. Só não abrem mão de ser os donos da sociedade, de substituí-la, de falar em seu nome — não abrem mão, em suma, da condição auto-outorgada de vanguardistas. E, por isso, que se danem as instituições e as leis, incluindo o direito de defesa de seus inimigos.

Abramovay quer demonizar alguém? Basta que se lance uma petição em seu site. Abramovay quer acusar a polícia de São Paulo de ter feito um pacto com o PCC? Basta que estale os dedos, e repórteres aparecem para ouvi-lo — e ele não precisa apresentar provas. Abramovay decide afirmar que quem baixou as taxas de homicídio em São Paulo foi o PCC? Basta que anuncie — e, mais uma vez, sem provas, sua acusação será publicada. E com um requinte adicional: outros “especialistas” serão convocados pelos jornalistas para opinar sobre a sua opinião.

Não, senhores! Eu não preciso concordar com Silas Malafaia — e não concordo — sobre a possibilidade de  reorientar um homossexual. Mas é uma estupidez autoritária que se tente impedi-lo de dizer o que pensa. Na entrevista que concedeu a Marília Gabriela — que se conduziu com extrema correção, diga-se, discordando, sim, do interlocutor, mas de forma respeitosa —, ele não afirmou que a homossexualidade é uma doença (e poderia tê-lo feito sem que isso constituísse crime). Sustentou que essa expressão da sexualidade é de origem comportamental. Acho que ele está errado. Mas ele não é o único no Brasil e no mundo a pensar assim. Não se tem notícia de um movimento para cassar o registro profissional de um psicólogo por expressar essa convicção. Isso, sim, é uma violência absolutamente inaceitável. Mas bastou para que surgisse lá no Avaaz uma petição nesse sentido. A evidência de que se trata de intolerância e de perseguição a alguém tido como adversário está no fato de que Malafaia nem exerce a profissão; é pastor evangélico. O que se quer, no entanto, é espezinhá-lo, agredi-lo, atacá-lo.

Uma petição pública em favor de questões que dizem respeito ao público, vá lá. Pegue-se o caso de Renan. De fato, ser ele presidente do Senado ou não concerne a todos os brasileiros; é uma questão pública. E há outras boas na Avaaz. O vereador de São Paulo Andrea Matarazzo (PSDB), por exemplo, está propondo que o prefeito Fernando Haddad reveja a doação de um terreno para o Instituto Lula (uma das heranças benditas — para o PT — de Kassab) e que a área seja doada para creche. Virou uma  petição. Faz sentido de novo! A questão é pública, diz respeito à cidadania. MAS REGISTRO PROFISSIONAL??? Ora, isso envolve também questões de natureza técnica. Quando é que se vão fazer petições tentando impedir “jornalistas incômodos” de trabalhar? É uma questão de tempo.

A petição em favor da cassação do registro de Malafaia permanece no ar, aberta a adesões, mas aquela contrária à punição foi retirada. Abramovay a considerou um “lobby”. Ainda que fosse, pergunto: a que pede que a punição do pastor é o quê?  ENTENDAM: NA VISÃO DE MUNDO DE ABRAMOVAY, NÃO EXISTE DIREITO DE DEFESA — a não ser, suspeito, para mensaleiros… Ele está convicto de que pode dar curso a uma petição dessa natureza, mobilizando a máquina do site e sua rede de influências na imprensa sem que o outro dê um pio — não no Avaaz, ele reiterou!

Trata-se de uma manifestação absurda de assédio moral.  Nos EUA e em boas democracias do mundo, Abramovay seria processado. Perderia até as calças. Se o Avaaz abriga as assinaturas de quem quer cassar o registro de Malafaia, por que não acatar, em outro documento, as dos que não querem? Nada disso! Abramovay jogou no lixo quase 70 mil manifestações porque a “comunidade”, disse ele, por maioria “democrática”, decidiu que assim seria.

Aí voltamos lá ao começo. O rapazola, embora formado em direito, integra aquelas hostes para as quais as instituições têm pouca importância. Ele se considera muito mais relevante do que as leis do país e bobagens como o direito de defesa. Alega o moço que as regras da Avaaz preveem que se retirem do ar campanhas que se opõem a seus princípios. Bem, todas as organizações tem suas regras particulares — incluindo o PCC, a Al Qaeda… A questão é saber se o site de petições se orienta segundo as regras de democracia ou é discricionário como um grupo criminoso qualquer.

Os mensaleiros
Na festa dos 10 anos do PT no poder — a coisa é uma indignidade em si —, vimos lá, alegres e fagueiros, os mensaleiros. Tiveram, como é óbvio, assegurado o direito de defesa. Todo o processo se deu ouvindo sempre o contraditório. Os petistas acusam, no entanto, o STF de ter se comportado como tribunal de exceção — porque os condenou; caso contrário, estariam chamando os ministros de grandes patriotas. José Dirceu promove Brasil afora “plenárias” contra o tribunal. Entendo: “O STF é apenas a expressão maior de um Poder da República; trata-se de uma voz meramente institucional, coisa menor. Quem essa gente pensa que é?” Já o Avaaz de Abramovay é diferente. O rapaz quer o site como a voz da sociedade civil, e ele, Abramovay, como chefe, é, então, o chefe da sociedade civil. Por isso decide quem deve viver ou morrer.

Sugiro que alguém lance no site Avaaz uma petição pedindo que a OAB casse a carteirinha de advogado de Abramovay porque, em seu mundo, inexiste contraditório. Vamos ver se isso também fere os princípios da “comunidade”.

Por Reinaldo Azevedo

19/02/2013

às 19:13

Silas Malafaia e a agressão à democracia – A Avaaz, o site internacional de petições, sob o comando, no Brasil, de Pedro Abramovay, está desmoralizado. Veja como e por quê. Ou: Como usar Renan Calheiros para ocultar algo… pior do que Renan: a ditadura do falso consenso!

Caros leitores, vai um texto longo. Mas prestem muita atenção porque ele trata de uma questão cada vez mais relevante no Brasil: a qualidade da nossa democracia, que está sendo assaltada pelos capitães do mato do politicamente correto

Não, eu não sabia que Pedro Abramovay, ex-secretário nacional de Justiça e defenestrado por Dilma da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas porque defendeu a não prisão de “pequenos traficantes” (???), é agora “diretor de campanhas”, no Brasil, da Avaaz, uma entidade internacional de petições online. A campanha mais bem-sucedida do grupo é a que pede o impeachment do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Eu mesmo publiquei aqui muitos posts a respeito, com link para a petição. É evidente que a gente pode ser contra a permanência de Renan na presidência do Senado sem precisar se alinhar com Pedro Abramovay. E eu não me alinho com ele por uma penca de motivos. Gosto de clareza e rejeito gente que faz tráfico de ideias. Acho que este rapaz é partidário do totalitarismo ilustrado. E vou dizer, mais uma vez, por quê — há um motivo novo, estupefaciente! Entendo, agora com mais detalhes, por que a petição contra Renan penetrou tão facilmente nos grandes veículos. O moço tem “contatos na mídia” — mais do que muitos imaginam. Sabe ser “de confiança” para a esquerda e para setores do que já se chegou a chamar “direita”. É um bico doce! Bem, resta uma conclusão neste primeiro parágrafo: se Abramovay é um dos comandantes da Avaaz, isso quer dizer que parte da pressão para derrubar Renan Calheiros — ainda que isso possa ser justo — parte do próprio… PT! Não, isso não me fará apoiar Renan. Mas convém não ser ingênuo. Se Abramovay é filiado ou não ao partido, isso é irrelevante. O fato é que se trata de um seu fiel servidor. A entidade que ele dirige fez um troço escandaloso. Ele não tem como se desmoralizar; a Avaaz, sim! Antes que entre no caso, um pouco mais de memória.

Abramovay ainda estava na Secretaria Nacional de Justiça e de malas prontas para se transferir para a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas quando concedeu uma entrevista ao Globo defendendo o fim da prisão para pequenos traficantes. Seus amigos tentaram negar que o tivesse feito. Fez. Dilma o demitiu — uma decisão correta; eu a apoiei então. Procurem nos arquivos e encontrarão. Esse moço é o inspirador de uma campanha que foi parar na televisão chamada “é preciso mudar”, que defende, na prática, a descriminação do consumo de drogas, ainda que tente edulcorar a proposta. Num tempo em que o país se vê às voltas com o flagelo do crack, os valentes acham que essa é um boca causa…

Não só isso. Abramovay também está entre aqueles que acham que o Brasil prende demais —  os números demonstram que prende é de menos. Quando um surto de violência tomou conta de São Paulo, ele preferiu voltar as suas baterias contra o governo estadual, não contra os bandidos. É que ele era um dos divulgadores da tese — e disse isso em entrevista ao jornal O Globo (de novo!) — de que a taxa de homicídios no estado estava entre as mais baixas do país porque quem continha os assassinatos era o PCC… Também deixava entrever a suspeita de que haveria uma espécie de pacto entre a Secretaria de Segurança e o crime organizado. Como setores da imprensa afinados ideologicamente com ele lhe dão trela, a cobertura jornalística viveu um momento notavelmente esquizofrênico: de um lado, o governo do estado era acusado de patrocinar uma guerra cega contra os bandidos; de outro, era acusado de ter feito um pacto com eles. Em qualquer dos casos, quem apanhava era a polícia. Abramovay fez parte — e, em certa medida, foi seu articulador intelectual (dou crédito a quem merece!) — da campanha que resultou na queda de Antônio Ferreira Pinto, então secretário da Segurança Pública. Vejam que não acuso este rapaz de cometer crime nenhum. É possível alimentar ideias moralmente dolosas, pelas quais não se pode nem se deve ser punido. Mas o debate? Ah, esse tem de ser feito.

Vai acima uma pequena síntese das causas deste valente e de sua inegável influência na imprensa. Nem poderia ser diferente. Apareceu como um geniozinho do direito pelas mãos de Márcio Thomaz Bastos, aquele que era ministro da Justiça quando explodiu o caso do mensalão e que depois se tornou o advogado da fatia mais abastada, sem trocadilho, dos mensaleiros. Havendo alguma inverdade nesta breve síntese sobre o doutor sênior, ouvirei com cuidado. Mais: Abramovay é tido como gênio sem que precise demonstrá-lo. É porque dizem que é… Cadê a obra?

Vamos ao caso de agora
Todos conhecem o pastor Silas Malafaia. Ele é formado em psicologia e tem o devido registro profissional. Muito bem! Malafaia tem algumas opiniões que, de modo absoluto e irrecorrível, não coincidem com as minhas. E, evidentemente, concordamos em muita coisa. Destaco a concordância: ambos somos defensores radicais da liberdade de expressão e críticos severos do tal PLC 122 (a suposta lei anti-homofobia), que, se aprovado, pode mandar alguém para a cadeia por motivos meramente subjetivos. Já escrevi a respeito e não vou me alongar. E destaco uma das radicais discordâncias: Malafaia acredita que homossexuais possam ser reorientados — como deixou claro em recente entrevista a Marília Gabriela, que bombou no YouTube. Eu não acredito. As pessoas são o que são — e acho que permanece um mistério a causa. Acho, sim, que cada indivíduo pode disciplinar a sua sexualidade e, então, fazer escolhas.  Assim, eu não aprovo, não endosso nem defendo o trabalho de psicólogos que se dedicam a reorientar a sexualidade de seus pacientes.

Proibir, no entanto, que psicólogos atuem na “reorientação” junto àqueles que, voluntariamente, queiram se submeter a ela é uma violência antidemocrática, que fere a Constituição. Já escrevi um longo texto a respeito. O Conselho Federal de Psicologia aprovou uma resolução no dia 22 de março de 1999. Há lá coisas corretas e de bom senso e alguns absurdos. Reproduzo em azul trecho daquele post, em que transcrevo o Artigo 3º:
(…)
“Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.”

Ora, isso é só bom senso. Quem poderá defender que alguém, no gozo pleno de suas faculdades mentais, possa ser submetido a um tratamento contra a sua vontade? Convenham: isso nem é matéria para um conselho profissional. Mas me parece evidente que a resolução avança o sinal e joga no lixo o Artigo 5º da Constituição quando determina, por exemplo, o que segue:
Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

Qual é o principal problema desses óbices? Cria-se um “padrão” não definido na relação entre o psicólogo e a homossexualidade. Esses dois trechos são tão estupidamente subjetivos que se torna possível enquadrar um profissional — e puni-lo — com base no simples achismo, na mera opinião de um eventual adversário. Abrem-se as portas para a caça às bruxas. Digam-me cá: um psicólogo que resolvesse, sei lá, recomendar a abstinência sexual a um compulsivo (homo ou hétero) como forma de livrá-lo da infelicidade — já que as compulsões, segundo sei, tornam infelizes as pessoas —, poderia ou não ser enquadrado nesse texto? Um adversário intelectual não poderia acusá-lo de estar propondo “a cura”? Podemos ir mais longe: não se conhecem — ou o Conselho Federal já descobriu e não contou pra ninguém? — as causas da homossexualidade. Se um profissional chega a uma determinada terapia que homossexuais, voluntariamente, queiram experimentar, será o conselho a impedir? Com base em que evidência científica? Há uma diferença entre “verdade” e “consenso da maioria influente”. Ademais, parece-me evidente que proibir um profissional de emitir uma opinião valorativa constitui uma óbvia infração constitucional. Questões ligadas a comportamento não são um teorema de Pitágoras. Quem é que tem o “a²= b²+c²” da homossexualidade? A resolução é obviamente autoritária e própria de um tempo em que se impõe a censura em nome do bem.

Retomo
Caras e caros, estão percebendo o que distingue uma sociedade democrática de uma sociedade totalitária, que, nos tempos modernos, se impõe com as vestes da democracia? Eu discordo de Silas Malafaia; eu discordo daqueles que acreditam na reorientação de homossexuais, mas me parece absurdo que um conselho profissional queira se imiscuir, desse modo, na relação entre paciente e psicólogo. Não existe isso em nenhum lugar do mundo!!! “Ora, Reinaldo, a Organização Mundial de Saúde não considera a homossexualidade uma patologia…” E daí? Ter o nariz torto, grande demais, pequeno demais ou o queixo arrebitado não são patologias também. Mas as pessoas podem estar infelizes com isso. Há gente que sofre porque é bonita demais, rica demais, famosa demais, essas coisas que, à primeira vista, parecem desejáveis aos feios, aos pobres e aos anônimos… O mundo é complexo.

O que pretendem? Um Esquadrão do Psicologicamente Correto a invadir consultórios para saber se o profissional está fazendo o trabalho como deve? POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, PRETENDEM, SIM, FAZER ALGO PARECIDO. E agora, finalmente, depois dessa longa explanação, chego a Pedro Abramovay.

Silas Malafaia e a Avaaz
Alguém lançou na página da Avaaz uma petição propondo a cassação do registro profissional de Silas Malafaia. Razão? As suas opiniões sobre a homossexualidade e a defesa que faz do que chama trabalho de “reorientação”. O próprio Conselho Federal de Psicologia já o ameaçou com isso, o que é, reitero, uma barbaridade. Debates assim não teriam a mínima chance de prosperar em países de cultura democrática consolidada.

Muito bem! No dia 9 deste mês, Ricardo Rocha lançou no mesmo site uma petição contra a cassação do registro. Ora, não é assim que as coisas devem funcionar? No escopo da democracia, alguns fazem petição a favor de terminadas causas, outras, contra. Pois bem: anteontem, aconteceu o que certamente a patrulha não esperava: os signatários favoráveis à manutenção do registro profissional de Malafaia (eu teria assinado com gosto se tivesse sabido a tempo, mesmo discordando radicalmente dele nesse particular) superaram, em número, os que queriam cassá-lo: 65.786 contra 55.000. E então se deu o ato indigno.

Ricardo Rocha, o criador da petição favorável à manutenção do registro de Malafaia, recebeu a seguinte mensagem da Avaaz, DIRIGIDA E DESMORALIZADA, NO BRASIL, por Pedro Abramovay (leiam com atenção!):
*
Olá RICARDO 
Obrigado por criar uma petição no site da Petições da Comunidade da Avaaz. Como está dito nos nossos Termos de Uso, nós somos uma comunidade não lucrativa baseada em valores e 100% financiada por pequenas doações de nossos membros. Como resultado, nós somos requeridos por lei e pela nossa comunidade a apenas promover campanhas que visam a nossa missão. Para ter a certeza de que estamos fazendo isso, nós enviamos petições para nossa comunidade todos os dias para pesquisar e checar se elas são apoiadas pela comunidade ou não.
Infelizmente, a maioria dos membros da Avaaz não apoiaram sua petição e, seguindo nossos Termos de Serviço, tivemos que removê-la de nosso site. Nós sentimos muito por isso e esperamos que isso não impeça sua participação ou criação de outras campanhas.
O texto da sua petição está abaixo desta mensagem. Você pode considerar recomeçá-lo num site comercial que não possui restrições legais sobre qual tipo de campanha eles podem promover como Care2.com, petitionsonline.com ou change.org.
Nossas sinceras desculpas,
A equipe da Avaaz

Voltei
Ah, bom! Então tá!

Atenção, meus caros! A primeira petição não era “favorável aos gays”, mas a favor da cassação do registro profissional de Malafaia. A segunda petição não era “contra os gays”, mas contra a cassação daquele registro.

Quando a Avaaz diz que só faz campanhas que visam “à sua missão”, cabe perguntar: uma de suas missões é cassar registros profissionais de pessoas das quais a “comunidade do site” discorda? A entidade, cuja sede é nos EUA, tem uma página gigantesca em que expõe os termos de uso, as questões legais e coisa e tal. Ali está escrito que a direção pode, sim, consultando seus membros, retirar ou recusar petições — desde que elas ofendam, segundo entendi, os princípios gerais ali expostos.

Ora, se alguma transgressão existe aos fundamentos da Avaaz, ela está justamente na petição que demoniza Silas Malafaia. Trata-se de uma agressão dupla: à sua formação de psicólogo e à sua condição de pastor. Estamos diante de uma soma de intolerâncias. Estamos falando de pessoas que não conseguem conviver com a divergência.

Não sei como se comporta a Avaaz no resto do mundo. Vou tentar saber. O que é certo é que o Pedro Abramovay, o chefe de “campanhas” da entidade no Brasil, acaba de desmoralizá-la. Não duvidem: se os que querem cassar Malfaia tivessem ganhando de goleada, a outra petição não teria sido retirada. É que, no jogo de que Abramovay é “árbitro”, só um lado pode vencer.

Concluindo
O caso ilustra esta era do fascismo do consenso. Embora, como se demonstrou até o momento em que a petição foi retirada do ar, a maioria estivesse contra a cassação do registro de Silas Malafaia, ficou valendo a voz da minoria que quer puni-lo, numa agressão óbvia à Constituição. O consenso vira a voz da minoria! Assim, no Brasil, a Avaaz deixa de ser um site de petições que vocaliza a opinião da sociedade civil, como eles pretendem, para se transformar num grupo de pressão que tem uma agenda política.

Eu não esperava outra coisa de uma entidade comandada por Pedro Abramovay ou que o tem como “diretor de campanhas”.

“Ah, mas e a causa meritória contra Renan Calheiros?” Bem, trata-se apenas de um caso em que a virtude serve para ocultar os vícios.

Lamento! A Avaaz está desmoralizada. Enquanto Pedro Abramovay for seu “diretor de campanha”, este blog não mais reproduzirá as suas petições, ainda que sejam feitas contra o demônio… De algum modo, o rabudo estará se beneficiando. Este blog encontrará formas certamente mais sinceras — e democráticas — de se opor ao Coisa Ruim. De resto, não sou tolo e sei que o site pode muito bem sobreviver sem mim. Não vou coonestar totalitários em pele de cordeiro.

No Brasil, a Avaaz deixou de ser a voz da sociedade civil para ser a dona de uma agenda política, como é o petista, pouco importa se só de coração ou também de carteirinha, Pedro Abramovay. A democracia de um lado só é a forma mais virulenta de ditadura. E eu dou um pé simbólico no traseiro de ditadores desde os 14 anos. Na prática, Abramovay e a Avaaz, no Brasil, não são diferentes desses delinquentes políticos e intelectuais que saem por aí agredindo Yoani Sánchez. Há a uni-los a intolerância com a divergência.

Por Reinaldo Azevedo

15/10/2012

às 22:51

Malafaia não cai no truque primário do PT-SP e de parte da imprensa e separa alhos de bugalhos, dizendo, como sempre, o que pensa — concordem ou não com ele

Tentaram envolver o pastor Silas Malafaia numa trapaça óbvia, comparando o material produzido pela Secretaria de Educação de São Paulo contra várias formas de preconceito ao kit gay do MEC, elaborado na gestão Haddad. Reportagem publicada pela Folha Online não hesitou: afirmou que “Serra distribuiu” (sic) material semelhante ao kit gay. Nota: a Folha nunca atribuiu o material do MEC a Haddad pessoalmente. Sigamos.

Como o pastor Malafaia gravou um vídeo em apoio à candidatura Serra, começou uma cobrança para que, acreditem!, retirasse o seu apoio ao tucano — que é dele, pessoal, não da sua igreja. Igreja não vota, como ele meso destacou. E ele gravou um novo vídeo dizendo o que pensa e reafirmando o apoio a Serra, deixando claro que não concorda com todos os aspectos do material preparado pela Secretaria de Educação. Eu também não concordo, diga-se. As minhas restrições são diferentes das dele. Ocorre que estamos entre aqueles capazes de tolerar a divergência — o que não é verdade no mundo petralha. Segue o novo vídeo. Volto em seguida.


Voltei
No vídeo, como vocês viram, Malafaia faz referência ao senador Lindberg Farias (PT-RJ) a partir dos 50 segundos. Esclareço do que ele está falando reproduzindo parte de uma post que escrevi aqui no dia 5 de abril deste ano:

Comecemos pelo lead, pela notícia do dia, porque o início dessa história está lá atrás, em junho do ano passado. Já conto. O Setorial LBGT (lésbica, gays, bissexuais e transgêneros) do PT divulgou nesta quinta uma nota de repúdio ao senador do partido Lindberg Farias. O que ele fez? Num discurso em plenário, solidarizou-se com o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, que está sendo acusado de homofobia pelo Ministério Público Federal. Mas o que fez, afinal de contas, o pastor? Então agora é preciso recuar a junho do ano passado.

O tema da marcha gay de 2011, em São Paulo, a maior do país, fazia uma óbvia provocação ao cristianismo: “Amai-vos uns aos outros”. Nem eles nem os cristãos são ingênuos, não é? O “amar”, no caso, assumia um conteúdo obviamente “homoafetivo”, como eles dizem. Como provocação pouca é bobagem, a organização do movimento espalhou na avenida 12 modelos masculinos, todos seminus, representando santos católicos em situações “homoeróticas”.

Tratava-se de uma agressão imbecil a um bem, destaque-se, protegido pela Constituição. Na época, escrevi:

“Sexualizar ícones de uma religião que cultiva um conjunto de valores contrários a essa forma de proselitismo é uma agressão gratuita, típica de quem se sente fortalecido o bastante para partir para o confronto. Colabora com a causa gay e para a eliminação dos preconceitos? É claro que não! (…) Você deixaria seu filho entregue a um professor que achasse São João Batista um, como posso dizer, “gato”? Que visse São Sebastião e  não resistisse a o apelo ‘erótico’ de um homem agonizante, sofrendo? O que quer essa gente, afinal? Direitos?”

Ah, sim: a proposta então, não sei se levada a efeito, era distribuir 100 mil camisinhas que trouxessem no invólucro a imagem dos “santos gays”. A hierarquia católica fez um muxoxo de protesto, mas nada além disso. Teve uma reação notavelmente covarde. O sindicalismo gay reivindique o que quiser! Precisa, para tanto, agredir a religião alheia? Embora, por óbvio, não seja católico, Malafaia reagiu em seu programa de televisão. Afirmou: “É para a Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, sabe? Baixar o porrete em cima pra esses caras aprender. É uma vergonha!”. Ele acusou os promotores do evento de “ridicularizar os símbolos católicos”. Teve, em suma, a coragem que faltou à CNBB!

Pois é. O Ministério Público viu na sua fala incitamento à violência!!! Ah, tenham paciência, não é? O sindicalismo gay tem de distinguir um “pau” que fere de um “pau” metafórico — ou “porrete”. Alguém, por acaso, já viu católicos nas ruas, em hordas, a agredir pessoas? Isso não acontece em nenhum lugar do mundo! O contrário se dá todos os dias: o cristianismo, nas suas várias denominações, é a religião mais perseguida do mundo, especialmente na África e no Oriente Médio. E, no entanto, não se ouve um pio a respeito. A “cristofobia” é hoje uma realidade inconteste. A homofobia existe? Sim! Tem de ser coibida? Tem! Mas nem as vítimas desse tipo de preconceito têm o direito de ser “cristofóbicas”!

É evidente que “baixar o pau” ou “porrete”, na fala do pastor, acena para a necessidade de uma reação da religião agredida — legal, se for o caso. É uma metáfora comuníssima por aí afirmar que alguém decidiu pôr outrem “no pau”, isto é, processá-lo: “Fulano pôs a empresa no pau”, isto é, “entrou com um processo trabalhista”. Os cristãos, no Brasil, não agridem ninguém. Mas são, sim, molestados, a exemplo do que se viu há dias numa manifestação contra o aborto. Faziam seu protesto de modo pacífico, sem agredir ninguém, quando o ato foi invadido por um grupo de abortistas. Estes queriam o confronto, a agressão. Ganharam uma oração.

A ação contra Malafaia, na verdade, tem um alcance maior. Ele é um dos mais notórios críticos da tal lei que criminaliza a homofobia — e que, de fato, avança contra a liberdade de expressão e a liberdade religiosa. Os que cultivam os valores da democracia não precisam, no entanto, concordar com o que ele diz para reconhecer seu direito de deixar claro o que pensa.

Vejam como autoritarismo e hipocrisia se cruzam nesse caso. Os agressores — aqueles que levaram os “santos gays” para a avenida — se fazem de vítimas e, em nome da reparação a um suposto agravo, querem punir um de seus críticos. É um modo interessante de ver o mundo: os sindicalistas do movimento gay acham que, em nome da causa, tudo lhes é permitido. E aqueles que discordam? Ora, ou o silêncio ou a cadeia!

É assim que pretendem construir um mundo melhor e mais tolerante.

Encerro
A ação contra Malafaia não foi nem julgada. Foi apenas extinta, tão absurda era ela, pois se tratava de uma óbvia agressão à liberdade de expressão. A propósito: quem agrediu um bem protegido pela Constituição — valores religiosos — foi o movimento gay. Malafaia apenas havia exercido um outro bem protegido pelo Artigo 5º: o direito de se expressar. 

Quanto à questão do dia, dizer o quê? Tentaram tratar Malafaia como um ingênuo, procurando forçá-lo a retirar o apoio a Serra ao igualar alhos com bugalhos. Mas ele não caiu no truque e estabeleceu as devidas distinções.

Por Reinaldo Azevedo

12/10/2012

às 6:09

PASTOR SILAS MALAFAIA RESPONDE A FERNANDO HADDAD E AO MOVIMENTO PARA CENSURAR OS EVANGÉLICOS

Antes que eu escreva qualquer coisa, assistam ao vídeo. Volto em seguida.

Como vocês viram, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, dá uma dura dura resposta ao candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad. Mas não só a ele, não. Na prática, também fala a setores importantes da imprensa paulistana. Por quê?

Alguns líderes religiosos, Malafaia entre eles, têm declarado seu apoio à candidatura do tucano José Serra — assim como outros escolheram Haddad. Mas o petista não teve dúvida: acusou o adversário de estar “instrumentalizando a religião”. É a ladainha de sempre dos partidários do PT: quando recebem apoio, isso é motivo de júbilo; pelos mesmos motivos, demonizam seus adversários. E com a ajuda da imprensa, sim.

Malafaia lembra o óbvio: todos os setores da sociedade têm o direito e até o dever de se expressar. Por que os crentes não podem? Há uma diferença entre uma igreja ter um partido político e seus fiéis e líderes expressarem uma opinião política. A verdade insofismável é que se pretende censurar o voto dos religiosos, como se essas pessoas não pertencessem à sociedade brasileira. Podem votar, desde que caladas. Um debate dessa natureza não existe em nenhum lugar do mundo democrático. Imaginem se, nos EUA ou na Itália, alguém a tanto se atreveria.

No Brasil, confunde-se o laicismo — e o estado, felizmente, é laico! — com ateísmo oficial e obrigatório. Não! O Brasil não é a Coreia do Norte, em que o único culto permitido é aos tiranos.

Os petistas e esses setores da imprensa não se incomodam — e se regozijam com o fato — quando setores cristãos, católicos ou evangélicos, se alinham com o PT. Malafaia lembrou, como vocês viram, que ele foi o representante dos evangélicos no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo Lula, de quem já foi eleitor. Naquele tempo, claro!, os petistas o consideravam um grande cara. Agora, quando ele não apoia Haddad em São Paulo, então é só um fundamentalista!

Kit gay
O pastor Malafaia diz o óbvio: é preciso, sim, combater a homofobia nas escolas — aliás, é preciso combater todas as formas de preconceito, inclusive, digo eu, aquele que existe contra os alunos inteligentes e estudiosos. Mas era isso o que fazia o kit gay? Não! Aquilo caracterizava, de fato, apologia de uma prática sexual, dirigida a crianças e adolescentes. O material foi produzido por ativistas, não por educadores.

A grande imprensa, como vocês viram, sempre se negou a ler o que está escrito lá e a prestar atenção aos textos dos filmes. Finge, em razão de seu engajamento, que todos os críticos daquele lixo educacional são homofóbicos, o que é uma piada.

Como Haddad não quer ser confrontado com a sua própria biografia — e como seus porta-vozes no jornalismo pretendem preservá-lo de si mesmo —, então o debate sobre o kit gay só é feito por intermédio do ataque aos religiosos, especialmente aos evangélicos.

Em 2010, essa mesma imprensa e esse mesmo PT impuseram censura a um setor da Igreja Católica, que foi perseguido pela Polícia Federal porque tentou, vejam que grande crime!, recomendar aos católicos que não votassem em candidatos favoráveis ao aborto. Para escândalo da verdade e dos fatos, a opinião de Dilma, favorável à LEGALIZAÇÃO do aborto, foi tratada por certo jornalismo como mero boato. Até hoje, há delinquentes que sustentam que tudo não passou de uma invenção do PSDB, de uma “agressão” de… Serra! Eleita presidente, Dilma escolheu para ministra das mulheres uma senhora que confessou ter sido aborteira e que militava numa ONG que defendia que as grávidas aprendessem, elas mesmas, a fazer o próprio aborto. Como se a eliminação do feto se confundisse com a higiene íntima.

Mas isso tudo já é história.

O movimento de censura está de volta. Malafaia reage a ele. E faz muito bem. Será que a imprensa “progressista” tolera a livre expressão do pensamento? Ou ela só seria tolerável desde que alinhada com a metafísica influente nas redações? Malafaia não tem nada a aprender com certo jornalismo em matéria de liberdade de expressão, mas esse jornalismo tem o que aprender com Malafaia. Ou alguém tente me provar que estou errado segundo a Constituição da República Federativa do Brasil.

Texto publicado originalmente às 22h42 desta quinta
Por Reinaldo Azevedo

02/10/2012

às 6:51

Três vídeos: um com Silas Malafaia e dois que Fernando Haddad queria apresentar às crianças nas escolas

O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, gravou um vídeo em apoio à candidatura do tucano José Serra à Prefeitura de São Paulo. Setores da imprensa “isentamente pró-Haddad” — vocês conhecem o tipo — estão tentando dar ao vídeo um conteúdo que ele não tem: de demonização dos gays. É mentira! O vídeo segue abaixo. O que diz Malafaia?

1) Religiosos, como filósofos, professores, operários etc. têm o direito e até o dever de declarar seu voto;
2) apoios são dados por indivíduos, não por instituições;
3) ele repudia, sim, o kit gay preparado pela gestão Haddad para ser ministrado nas escolas. Aliás, qualquer pessoa de bom senso repudiaria. Até Dilma os proibiu;
4) Malafaia defendeu um kit contra a intolerância, contra qualquer intolerância: gays, negros, altos, baixos, gordos, magros,  narigudos, de nariz arrebitado…;
5) irresponsável é tentar doutrinar, como a gestão Haddad tentou fazer.

Segundo o pastor, é quase certo que o adversário de Russomanno num eventual segundo turno seja eleito, especialmente depois que ficou evidenciada a ligação do candidato com a Igreja Universal. E ele declara que votará em Serra, um candidato de passado limpo, porque repudia os métodos de Haddad. Que mal intrínseco há nisso? 

Seu pronunciamento é, na verdade, impecável. Deixa claro que cada um tem o direito de votar em quem quiser. Ele se limita a dizer o que vai fazer e por quê. Segue o vídeo. Volto depois.

Voltei
Muito bem! Os setores militantes da imprensa referem-se a “kit gay”, sempre entre aspas, para deixar claro que não endossam a denominação, como se, afinal, aquilo não fosse aquilo. Ora… Pergunta-se: o kit gay de Haddad educava ou fazia a apologia de determinadas práticas sexuais? Então vamos ver. Escrevi a respeito no dia 25 de maio de 2011. Haddad era só ministro da Educação. Dava-se como praticamente certo que a candidata do PT à Prefeitura seria Marta Suplicy. Relembrem um dos filmes do kit. Comento em seguida.

Comento
Muito bem! Como viram, a personagem Leonardo é um garoto heterossexual que muda de cidade. Sofre porque deixa para trás A NAMORADA, Carla. Na nova escola, conhece Mateus. Ficam amigos e acabam alvos da chacota dos colegas. O outro revela ser  gay. Numa festa, Leonardo conhece Rafael, primo de Mateus. E, vejam só, o hétero Leonardo, o ex-namorado de Carla, se apaixona e sente atração sexual pelo rapaz. Fica confuso. “Será que ele era gay?”. Mal conseguia prestar atenção à aula de matemática… Mas, diz o filme, na “aula de probabilidade”, ele aprendeu que não precisava escolher. Poderia ficar com meninas e meninos.

Huuummm…

E aí se dá a maravilha matemática. Segundo o filme, “foi copiando a lição de probabilidade, que Leonardo teve um estalo: por que precisaria decidir ficar só com garotas ou só com garotos se ele se interessava pelos dois? E ele não era de ficar com qualquer um. Mas, quando ele gostava, não importava se era garoto ou garota. E, gostando dos dois, a probabilidade de encontrar alguém por quem sentisse atração era quase 50% maior. Tinha duas vezes mais chance de encontrar alguém (…)!”

Fraude também matemática
Bem, vocês entenderam o, digamos assim, sentido moral do filme. A mensagem é a seguinte: qualquer um que assiste ao filme, qualquer daqueles estudantes presentes, pode, a exemplo de Leonardo, ser gay e não saber — ou, no caso, bissexual. Implicitamente, incita-se a experimentação. Se não tentar, como sabê-lo, não é mesmo? A tese é, obviamente furada, basta vocês procurarem qualquer pessoa que estude o assunto a sério.

Agora a matemática. Não! Se Leonardo, antes, colhia os seus namoros em apenas 50% do público namorável — as meninas — e poderia, descoberta a sua bissexualidade, fazer a coleta também nos outros 50%, então a probabilidade de encontrar alguém por quem sentisse atração “era 100% maior”, não 50%. Erro de matemática. Bando de ignorantes! O professor que ensinou probabilidade para o Leonardo deveria ser um craque em homoafetividade, mas um estúpido na sua disciplina.

Há outro erro, este de matemática e de língua. Se eu tenho uma laranja e você tem duas laranjas, você não tem “duas vezes mais laranja do que eu”, mas apenas uma. Quando a chance de alguém dobra, ela aumentou uma vez, não duas. Por que setores da imprensa ficaram cegos para essa questão? Em primeiro lugar, por ignorância. Boa parte dos jornalistas jovens aprendeu “cidadania” na escola, não matemática. De resto, que importância tem essa disciplina quando é preciso provar que todo mundo, no fundo, bem lá no fundo, é gay e não sabe? Assinam essa porcaria as entidades estrangeiras Pathfinder (EUA) e Gale (Holanda) e as ONGs Reprolatina, Comunicação em Sexualidade e ABGLT. Não foi um material preparado por educadores. Não acreditam em mim? O filme segue abaixo.

Travesti em banheiro feminino???
Num outro filme, a gestão Haddad queria defender nas escolas que as “transgêneras” — salvo engano, são os travestis — passassem a usar o banheiro feminino. Pergunta-se às mulheres: “Vocês concordam?” Pergunta-se aos homens: “É o que vocês querem para suas filhas, mulheres, namoradas, mães?”. Eis o vídeo.

Concluo
Dilma vetou os filmes. Ela foi nesta segunda a São Paulo pedir votos para Haddad e participar de um evento da revista petista “Carta Capital”, fartamente financiada por estatais — sem o dinheiro destas, não existiria. A agenda do PT e a da publicação, como se vê, estão casadas. Para todos os efeitos, a presidente se deslocou de Brasília para a capital paulista para “cumprir sua agenda”. Assim, o dinheiro público que financia a sua ida ao comício acabou escamoteado.

É assim que tentam construir uma República como nunca antes na história destepaiz… 

Texto publicado originalmente às 23h02 desta segunda
Por Reinaldo Azevedo

22/06/2012

às 6:01

Evangélicos estendem faixas em frente ao hotel onde se hospedou Ahmadinejad: em defesa da liberdade religiosa

Salve a coragem de fazer a coisa certa!, especialmente quando tantos se calam. Pastores evangélicos, liderados pelo pastor Silas Malafia, fizeram chegar ao terrorista Mahmoud Ahmadinejad um carta pedindo a libertação do iraniano Yousef Nadarkhani, que se converteu ao cristianismo e, por isso, foi condenado à morte em seu país.

Os líderes evangélicos decidiram ainda estender faixas em frente ao hotel em que Ahmadinejad estava hospedado. Fizeram muito bem! O facinoroso veio para o encontro da “Rio+20″ e, como vocês viram, tentou dar lições de moral e humanismo ao mundo.

protesto-evangelicos-ira1

protesto-evangelicos-doisPost publicado originalmente às 4h08
Por Reinaldo Azevedo

02/06/2012

às 16:33

NA VEJA 1 — Silas Malafaia: “O Brasil não é homofóbico; homofobia é uma doença”

Leia trecho da entrevista que o pastor Silas Malafaia concede a Pedro Dias Leite, nas “Páginas Amarelas” da VEJA desta semana. A íntegra está na edição impressa da revista.
*
Com trinta anos de programas de televisão e vice-presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), entidade que congrega cerca de 8 500 pastores de quase todas as denominações evangélicas, o pastor Silas Mala-faia, 53 anos, é um dos mais respeitados televangelistas brasileiros. Sua pregação condena o aborto, o uso de drogas e o que enxerga como aumento dos privilégios dos homossexuais. Malafaia ensina que Deus ajuda as pessoas a progredir, mas desde que elas façam sua parte: “Quem ganha 1.000 reais não pode querer gastar 1.100. Não adianta depois esperar que Deus tire o nome do sujeito do cadastro de maus pagadores”.
(…)
A que o senhor atribui o crescimento do número de evangélicos no Brasil?
O Evangelho não é algo litúrgico, para ser dissecado em um culto de duas horas. A grandeza do Evangelho está no fato de ser algo que pode ser praticado. A Bíblia é o melhor manual de comportamento humano do mundo. As igrejas evangélicas têm pregado uma mensagem de grande utilidade para a vida das pessoas também depois do culto. Esse é o grande segredo. De que adianta eu fazer o meu fiel ficar duas horas dentro de um templo se, quando aquilo acaba, nada muda nas relações dele com a família, com o trabalho e na vida social? Nós pregamos uma mensagem que condiciona a prática da pessoa no seu dia a dia. Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância”. Ele fala da vida terrena nessa passagem.
(…)

A ênfase dos pastores em arrecadar dinheiro dos fiéis não é muito suspeita?
Existe um preconceito miserável em relação aos evangélicos, que costumam ser descritos como bandos de idiotas, tapados, semianalfabetos, manipulados por espertalhões dedicados a arrancar tudo o que querem deles. Engana-se quem os enxerga assim. Manipulação e exploração existem em todo lugar. Tem muito bandido por aí. Mas esses malandros não conseguem segurar o povo. A distância que me separa de um Edir Macedo, por exemplo, vai do Brasil à China, mas é um erro achar que todo mundo que dá dinheiro à igreja dele, a Universal, é imbecil ou idiota. Claro que não é. A pessoa doa porque se sente abençoada, porque se libertou da bebida, vício que consumia todas as economias dela e que a deixava sem condições até de pagar a conta de luz. Ninguém é obrigado a ofertar. Mas, se quer ser membro, se quer pertencer ao grupo, tem de ajudar. Estou construindo uma igreja linda, com ar-condicionado central, ao custo de 4 milhões de reais. Ela será paga com ofertas dos fiéis, pois, obviamente, não vai descer um anjo do céu e dizer “Malafaia, está aqui um cheque de Jeová, preencha e deposite”. Quem critica os pastores deveria mesmo é agradecer às igrejas evangélicas. Desafio qualquer um a me apresentar uma entidade que recupere mais pessoas do que as igrejas evangélicas.
(…)

Tem muita gente pragmática que já chega à igreja acreditando que vai aprender como subir na vida?
Tem, mas, se o objetivo fosse apenas subir na vida, não teria rico na igreja. Na minha tem gente pobre, mas também tem desembargadores, membros do Ministério Público, doutores, empresários. Mas dinheiro não é tudo. Se fosse, rico não daria tiro na cabeça, não tomaria remédio de tarja preta. Mesmo que muita gente pense que não deu certo na vida porque Deus não quis, a lógica de buscar amparo em uma igreja não é essa. A pessoa que transfere suas incompetências para Deus está equivocada. Quando um fiel me procura e pede “pastor, ore por mim porque o diabo está roubando as minhas finanças”, eu mando parar com conversa fiada. Se uma pessoa sempre gasta mais do que ganha, a culpa é dela mesma. Não pensem que Deus vai ficar cuidando das pessoas como se elas fossem bebês.
(…)

A sua atuação contra o projeto que criminaliza a homofobia em debate no Congresso foi contundente. Mas influir em leis é papel de um religioso?
Se não fosse assim, a casa tinha caído. Essa lei é a lei do privilégio. O Brasil não é homofóbico. Eu separo muito bem os homossexuais dos ativistas gays. Esses últimos querem que o Brasil seja homofóbico para mamar verba de governo, de estatais, é o joguinho deles. Homofobia é uma doença. Ódio aos homossexuais, querer matá-los ou agredi-los é uma doença. Agora, opinião não é homofobia.  (…). A lei que estão propondo é uma lei da mordaça. Se não aprendermos a respeitar a liberdade de expressão, será melhor mandar fechar a conta para balanço.
(…)

Qual a sua posição sobre o projeto que propõe a descriminação do uso de drogas e que deve chegar ao Congresso ainda neste mês?
Espero que o Senado e a Câmara joguem no lixo essa porcaria. Perderam o juízo. Não existe lógica em liberar o consumo de drogas e penalizar o traficante. Então eu estou desconfiado de que vai vir um marciano vender drogas aqui, um intergaláctico. Olhe a hipocrisia!
(…)

Por Reinaldo Azevedo

19/05/2012

às 18:01

300 mil cristãos, no mínimo, fazem “Marcha para Jesus”, no Rio, sob a liderança de Silas Malafaia

Marcha para Jesus reuniu milhares de fiéis no Centro do Rio (Foto: Alexandre Durão/ G1)

Marcha para Jesus reuniu milhares de fiéis no Centro do Rio (Foto: Alexandre Durão/ G1)

Por Bernardo Tabak, no Portal G1:
A Marcha para Jesus do Rio de Janeiro começou às 14h40 deste sábado, com sete trios elétricos e milhares de fiéis percorrendo ruas e avenidas do Centro da cidade. O percurso começou na Central do Brasil e se estende até a Cinelândia. Neste ano, de acordo com o pastor Silas Malafaia, a marcha ressalta os temas: as liberdades de expressão e religiosa, a vida e a família tradicional.

Os fiéis e os trios, onde se apresentam diversos cantores e grupos evangélicos, percorrem as avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, além da Praça Mahatma Gandhi, na Cinelândia. No início da festa gospel houve chuva de papel picado e explosão de fogos de artifício.

“O bacana desta marcha é ser uma festa do povo evangélico de tudo que é igreja. Não tem gente só da minha igreja, mas de várias, e todos os fiéis estão com muita vibração”, ressaltou Malafaia, que participa há 17 anos da Marcha para Jesus.

Este ano, de acordo com organizadores, mais de 300 ônibus trouxeram evangélicos de vários bairros do Rio, da Baixada Fluminense e das regiões dos Lagos e Serrana.

Discurso e orações
Ao longo do trajeto, um grito cantado por milhares de fiéis ecoou no Centro do Rio: “Governador, autoridades, é Jesus Cristo quem comanda essa cidade”. Durante o percurso, membros de igrejas evangélicas fizeram discursos contra a corrupção, adultério, pedofilia e prostituição.

Na chegada à Cinelândia, o pastor Silas Malafaia criticou o Projeto de Lei 122, que criminaliza atos discriminatórios contra homossexuais. Apesar de ser contrário ao projeto que tramita no Congresso Nacional, o pastor enfatizou que “não tem nada contra a prática do homossexualismo” e que “cada um segue o que quer ser”.

“A marcha está fazendo um protesto contra a PL 122, a dita lei da homofobia, mas que, para nós é uma lei do privilégio. É uma lei para botar mordaça na sociedade para ninguém expressar opinião contra os homossexuais. Esse projeto de lei fere a constituição afirmando que, se um homossexual se sentir constrangido, filosoficamente ou ideologicamente, pode levar a pessoa que o constrangeu a pegar cinco anos de cadeia”, falou Malafaia.

Por Reinaldo Azevedo

01/05/2012

às 7:21

Vitória da liberdade de expressão — Juiz extingue ação contra pastor Malafaia e deixa claro: ele não foi homofóbico, e a Constituição brasileira não comporta a censura sob nenhum pretexto

O juiz federal Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Cível de São Paulo, extinguiu ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal contra o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, contra a TV Bandeirantes e também contra a União. Vocês se lembram do caso: no programa “Vitória em Cristo”, Malafaia criticou duramente a parada gay por ter levado à avenida modelos caracterizados como santos católicos em situações homoeróticas. Já escrevi alguns posts a respeito. Aquele em que em exponho detalhes do caso está aqui . Ao defender que a Igreja Católica recorresse à Justiça contra o deboche, Malafaia afirmou o seguinte:
“É para a Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, sabe? Baixar o porrete em cima pra esses caras aprender. É uma vergonha!”

Acionado por uma ONG que defende os direitos dos gays, o Ministério Público Federal recorreu à Justiça, acusando o pastor de estar incitando a violência física contra os homossexuais. Demonstrei por que se tratava de um despropósito. E o que queria o MPF? Na prática, como escrevi e também entendeu o juiz Victorio Giuzio Neto, a volta da censura. Pedia que o pastor e a emissora fizessem uma retratação e que a União passasse a fiscalizar o programa.

A decisão é primorosa. Trata-se de uma aula em defesa da liberdade de expressão. Fico especialmente satisfeito porque vi no texto muitos dos argumentos por mim desfiados neste blog — embora tenha sido esculhambado por muita gente: “Você não entende nada de direito”. Digamos que fosse verdade. De uma coisa eu entendo: de liberdade. O juiz lembra que o Inciso IX do Artigo 5º da Constituição e o Parágrafo 2º do Artigo 220 impedem qualquer forma de censura, sem exceção. De maneira exemplar, escreve:
Permite a Constituição à lei federal, única e exclusivamente: “… estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no artigo 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente”.
Estabelecer meios legais não implica utilização de remédios judiciais para obstar a veiculação de programas que, no entendimento pessoal, individual de alguém, ou mesmo de um grupo de pessoas, desrespeitem os “valores éticos e sociais da pessoa e da família” até porque seria dar a este critério pessoal caráter potestativo de obstar o exercício de idêntica liberdade constitucional assegurada a outrem.

Mais adiante, faz uma síntese brilhante:
Proscrever a censura e ao mesmo tempo permitir que qualquer pessoa pudesse recorrer ao judiciário para, em última análise, obtê-la, seria insensato e paradoxal.

Excelente!

Afirma ainda o magistrado:
Através da pretensão dos autos, na medida em que requer a proibição de comentários contra homossexuais em veiculação de programa, sem dúvida que se busca dar um primeiro passo a um retorno à censura, de triste memória, existente até a promulgação da Constituição de 1988, sob sofismático entendimento de ter sido relegado ao Judiciário o papel antes atribuído à Polícia Federal, de riscar palavras ou de impedir comentários e programas televisivos sobre determinado assunto.”

O juiz faz, então, uma séria de considerações sobre a qualidade dos programas de televisão, descartando, inclusive, que tenham influência definidora no comportamento dos cidadãos. Lembra, a meu ver com propriedade, que as pessoas não perdem (se o tiverem, é óbvio) o senso de moral porque veem isso ou aquilo na TV; continuam sabendo distinguir o bem do mal. Na ação, o MPF afirmava que os telespectadores de Malafaia poderiam se sentir encorajados a sair por aí agredindo gays. Lembrou também o magistrado que sua majestade o telespectador tem nas mãos o poder de mudar de canal: não é obrigado a ver na TV aquilo que repudia.

Giuzio Neto  analisou as palavras a que recorreu o pastor e que levaram o MPF a acionar a Justiça:
As expressões proferidas não são reveladoras de preconceito se a considerarmos como manifestação de condenação ou rejeição a um grupo de indivíduos sem levar em consideração a individualidade de seus componentes, pois não se dirigiu a uma condenação generalizada através de um rótulo, ao homossexualismo, mas, ao contrário, a determinado comportamento ocorrido na Parada Gay (….) no emprego da imagem de santos da Igreja Católica em posições homoafetivas.
Diante disto, não pode ser considerado como homofóbico na extensão que se lhe pretende atribuir esta ação, no campo dos discursos de ódio e de incentivo à violência, pois possível extrair do contexto uma condenação dirigida mais à organização do evento – pelo maltrato do emprego de imagens de santos da igreja católica – do que aos homossexuais.
De fato não se pode valorar as expressões dissociadas de seu contexto.
E, no contexto apresentado, pode ser observado que as expressões “entrar de pau” e “baixar o porrete” se referem claramente à necessidade de providências acerca da Parada Gay, por entender o pastor apresentador do programa, constituir uma ofensa à Igreja Católica reclamando providências daquela.
(…)
É cediço que, se a população em geral utiliza tais expressões, principalmente na esfera trabalhista, para se referir ao próprio ajuizamento de reclamação trabalhista (…) “vão meter a empresa no pau”. Outros empregam a expressão “cair de pau” como mera condenação social; “entrar de pau” ou “meter o pau”, por outro lado, estaria relacionado a falar mal de alguém ou mesmo a contrariar argumentos ou posicionamentos filosóficos.
Enfim, as expressões empregadas pelo pastor réu não se destinaram a incentivar comportamentos como pode indicar a literalidade das palavras no sentido de violência ou de ódio implicando na infração penal, como pretende a interpretação do autor desta ação.

Bem, meus caros, acho que vocês já haviam lido algo semelhante aqui, não?, escrito por este “não-especialista em direito”, como sempre fazem questão de lembrar os petralhas. Caminhando para a conclusão de sua decisão,  observa:
Por tudo isto e diante da clareza das normas acima transcritas, impossível não ver na pretensão de proibição do pastor corréu de proferir comentários acerca de determinado assunto em programa de televisão, e da emissora de televisão deixar de transmitir, uma clara intenção de ressuscitar a censura através deste Juízo.”

Mas e quem não se conforma com fim da censura na TV? O juiz dá um conselho sábio, com certo humor e uma pitada de ironia:
Para os que não aceitam seu sepultamento – e de todas as normas infraconstitucionais que a previram – restam alternativas democráticas relativamente simples para a programação da televisão: a um toque de botão, mudar de canal, ou desliga-la. A queda do IBOPE tem poderosos efeitos devastadores e mais eficientes para a extinção de programas que nenhuma decisão judicial terá.

Caminhando para o encerramento
Sábias palavras a do juiz federal Victorio Giuzio Neto! Tenho me batido aqui, como vocês sabem, contra certa tendência em curso de jogar no lixo alguns valores fundamentais da Constituição em nome de alguns postulados politicamente corretos que nada mais são do que os “preconceitos do bem” de grupos de pressão influentes. Os gays têm todo o direito de lutar por suas causas. Mas precisam aprender que não podem impor uma agenda à sociedade que limite a liberdade de expressão, por exemplo, ou a liberdade religiosa.

No caso em questão, a ação era, em essência, absurda. É claro que o contexto deixava evidente que o pastor recorria a uma linguagem metafórica — de uso corrente, diga-se. Se alguém foi vítima de preconceito nessa história, esse alguém foi Malafaia. Não fosse um líder evangélico — e, pois, na cabeça de alguns, necessariamente homofóbico —, não teria sido importunado por uma ação judicial. Há um verdadeiro bullying organizado contra os cristãos, pouco importa a denominação religiosa a que pertençam. Infelizmente, a “religião” que mais cresce no mundo hoje é a cristofobia.

Eu, que tenho criticado com certa frequência a Justiça, a aplaudo desta vez.

Por Reinaldo Azevedo

10/04/2012

às 6:27

A marcha da intolerância. Ou: A única vítima de preconceito é o pastor! Ou: Os “fascistoides do bem” estão cada vez mais assanhados

Escrevi aqui alguns posts sobre o processo que o Ministério Público Federal move contra o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus. A maioria de vocês deve conhecer o assunto, mas sintetizo para quem está chegando agora. Em junho do ano passado, a passeata gay levou à avenida modelos caracterizados como santos católicos em situações homoeróticas. Também prometeu imprimir as imagens em 100 mil invólucros de camisinha. Não sei se realmente o fez. Malafaia censurou o comportamento das lideranças gays e recorreu a determinadas palavras que o MP caracterizou como incitamento à violência. Dada a transcrição de sua fala que circulava por aí, o processo já me parecia absurdo. Agora que vi o vídeo, vai além do absurdo: trata-se de um troço acintoso, típico de sociedades totalitárias, o que ainda não somos (embora estejamos no rumo). Sei que muitos vão ficar indignados com o que vem agora, mas paciência! Quem está sendo vítima de preconceito é Malafaia! Antes que o demonstre, algumas considerações de ordem geral.

Não vou colaborar, com o meu silêncio, para a reinstalação da censura no Brasil, dê-se ela pela via judicial ou por força do barulho de grupos de pressão que repudiam a democracia. Quando rompi com a esquerda lá atrás, na juventude, foi exatamente por isto: não aceito que partido, grupo ou grupelho decidam o que posso pensar ou não — em especial quando essa patrulha se exerce na contramão de direitos garantidos por uma Constituição democrática. Desde o fim do regime de exceção,  não percebo tão presente a patrulha. Corri um risco razoável sendo um adolescente meio bocudo contra a ditadura. A democracia nos permitiu o suspiro de alívio. Agora, ameaça-nos uma nova censura: não pensar de acordo com os que se organizam em grupos e hordas para definir “a verdade”. Não raro, é gente que depreda a liberdade que outros conquistaram. Modéstia às favas, estou entre esses “outros”. Volto ao caso.

Não sou evangélico. Não conheço Silas Malafaia. Nunca falei com ele. Discordo de algumas de suas teses, e, se ele leu uma coisa ou outra que escrevo, sabe disso. Mas tentar processá-lo por aquilo que não fez??? Acusá-lo de crime que não cometeu??? E tudo porque seus acusadores formam, afinal, um grupo hoje influente, organizado a tal ponto que o país pode votar uma dita lei anti-homofobia que é uma espécie de AI-5 Constitucional filtrado pela teoria da “diversidade sexual”? Aí, não dá! Não será com o meu silêncio.

Esses grupos militantes — gays, feministas, racialistas, minorias várias — são muito ligeiros em acusar seus adversários de “fascistas”, de “autoritários”, de “reacionários”, mas impressiona a rapidez e a desenvoltura com que defendem a censura, a punição de quem pensa diferente, a exclusão dos adversários do mundo dos vivos. Esses intolerantes são, em suma, intoleráveis.

Quem me acompanha sabe o que penso. Ninguém é gay porque quer — fosse escolha, todos seriam heterossexuais. Sou favorável à união civil, por exemplo. Mas considerei, e considero, absurda a decisão do Supremo que igualou legalmente os casais gays aos héteros. A razão é simples. A Constituição é explicita ao afirmar que a união civil se estabelece entre homem e mulher. Sem a mudança da Carta — o que só pode ser feito pelo Congresso —, o Supremo legislou e fez feitiçaria constitucional. Atrás desse precedente, podem vir outras “interpretações criativas” da nossa Lei Maior.

De fato, a tal Lei Anti-Homofobia um mimo do autoritarismo, sob o pretexto de proteger uma categoria. Entre outros absurdos, um chefe ou dono de uma empresa, ao dispensar um funcionário gay ou ao não contratar um candidato gay, teria de provar que não age movido por “homofobia”. Uma lei que torna, de saída, suspeita a esmagadora maioria dos brasileiros não é uma boa lei. De resto, ela impõe restrições a convicções religiosas, sim!

A proteção a minorias não pode ser maximizada a ponto de pôr em risco direitos fundamentais — entre eles, a liberdade de expressão. Esse caso envolvendo Malafaia me incomodou especialmente porque é preciso pôr um ponto final à ousadia dessas hordas fascistoides — fascitstoides, sim! — que saem por aí satanizando pessoas na Internet, atribuindo-lhes coisas que não disseram e não escreveram. Eu mesmo sei que sou saco de pancada de alguns grupos militantes — e da rede suja alimentada por dinheiro oficial. É claro que toda essa gente tem motivos de sobra para me detestar. Mas que o fizessem, ao menos, com coisas que realmente me pertencem, que saíram do meu teclado. Não! Em nome do que dizem ser a “democracia”, a “igualdade de direitos”, “o combate ao preconceito”, mentem de forma deslavada, metódica, decidida.

Abaixo, publico o vídeo de Malafaia em que ele critica a decisão dos gays de levar os “santos homoeróticos” para a avenida. Ninguém precisa concordar, reitero, com a sua análise, o seu estilo, as suas escolhas. Mas será mesmo que ele pregou agressão física aos gays? Vamos ver. Volto em seguida.

Voltei
Em 1min27s, criticando o silêncio da imprensa diante da agressão cometida contra os símbolos católicos, o pastor afirma: “E a imprensa não diz nada. Não baixa o porrete”. Ora, é óbvio que ele não está censurando a imprensa por esta não ter batido nas lideranças gays, certo? “Não baixar o porrete” quer dizer, simplesmente, não criticar, omitir-se, silenciar.

Malafaia conta que é alvo constante de sites gays, que o chamam de “doente” e que exploram a sua imagem, associando-o a coisas não muito boas. A gente sabe bem como é isso. Aos 2min26, referindo-se a interlocutores que lhe recomendam que processe seus detratores, ele conta o que lhe dizem: “Pastor mete o pé; entra contra eles [na Justiça]“. E emenda: “Eu lá vou perder meu tempo com isso?” Evidentemente, não estão recomendando a ele que chute as lideranças gays, mas que recorra à Justiça.

Aos 3min22s, Malafaia se refere explicitamente à Igreja Católica. Assim: “É pra Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, baixar o porrete em cima, pra esses caras aprenderem. É uma vergonha. Protestar, sabe? Pra poder anunciar… Botar pra quebrar. Pagar em jornais notícias! Não querem dar? Paguem aí vocês da Igreja Católica, botem notícia pro povo saber. Isso é uma afronta, senhores! É o que eles querem! Depois querem chamar a gente de doente. Quem são os doentes, afinal de contas, que não respeitam a religião de ninguém, que debocham da religião dos outros, que debocham dos outros? Quem são os doentes?”

Resta escandalosamente claro que expressões como “baixar o porrete” e “entrar de pau” sugerem uma reação no terreno da comunicação. Ele é explícito ao sugerir que a Igreja Católica pague anúncios na grande imprensa protestando contra a ofensa. É isso o que quer dizer “baixar o porrete”.

Preconceito
Cadê o incitamento à violência? Cadê a discriminação? Cadê a homofobia? Então os militantes gays — que trato como grupo distinto dos cidadãos gays — podem não só vilipendiar símbolos católicos (e não estou sugerindo medidas legais contra eles, não! Mas têm de aguentar a reação da sociedade, certo?) como agora têm o poder, também, de decidir o que é e o que não é crime porque conta com um Ministério Público sensível à sua causa? Ora, vão plantar batatas!

Até o senador Lindberg Farias (RJ), que é do PT — e isso quer dizer que não é da minha turma ideológica —, num rasgo de bom senso, afirmou que Malafaia não tinha incitado a violência coisa nenhuma. Foi alvo de um protesto veemente do setor GLTBXYZ do partido. Na carta que lhe enviaram, curiosamente, nem entram no mérito da acusação. Contentam-se em tratar o pastor como inimigo. Vale dizer, se é inimigo, que importa que possa ser injustamente acusado?

Encerrando
Não vou silenciar diante disso! Posso discordar de Malafaia em muita coisa. E daí? Mas concordo plenamente com o seu direito de dizer o que pensa. Mais ainda: concordo que ele deve arcar com o peso do que disse — como qualquer um de nós —, mas jamais com o peso daquilo que não disse.

Agora que vi o vídeo, digo com todas as letras: a ação do Ministério Público é ridícula. Serve apenas para alimentar a militância com uma causa. E se trata, obviamente, de mais uma tentativa de molestar quem não reza segundo a cartilha. O MP não é polícia do pensamento. E me parece que deve ser, sim, apurada a falha funcional de quem mobilizou recursos públicos para mover uma ação que se caracteriza, por seus próprios termos, como uma falsa imputação de crime.

O movimento gay tem todo o direito de combater as ideias de Malafaia — como reivindico o  direito de criticar as coisas de que não gosto. Mas que tal fazer um embate honesto de pontos de vista? O único tratado com preconceito, até agora, nessa história é o pastor. Odiar o que ele diz é um direito. Tentar processá-lo pelo que não disse é coisa de ditadores, de totalitários, de intolerantes.

Recomendo aos comentaristas que se atenham à natureza do debate. Os homossexuais, a homossexualidade, as religiões, a religiosidade,  os evangélicos ou os católicos não estão em questão. Estamos tratando de direitos fundamentais, da liberdade de expressão e da mobilização do estado para punir quem não cometeu crime.

Por Reinaldo Azevedo

09/04/2012

às 13:01

O combate à homofobia não pode ser “catolicofóbico”, “evangelicofóbico”, “diferentofóbico”. Ou: Movimento gay quer passar de beneficiário da liberdade de expressão à condição de censor?

Escrevi na quinta-feira um post sobre um processo a meu ver absurdo que o Ministério Público move contra o pastor Silas Malafaia. Expliquei ali o contexto. Quando, em junho do ano passado, a passeata gay caracterizou 12 modelos como santos católicos e os levou à avenida para representar situações “homoafetivas”, Malafaia, em seu programa de TV, acusou a agressão à crença de milhões de pessoas e afirmou: “É para a Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, sabe? Baixar o porrete em cima pra esses caras aprender. É uma vergonha!” Explico naquele texto por que é absurda a afirmação de que se trata de incitamento à violência: 1) católicos, enquanto católicos, não agridem ninguém (ao contrário até: vivem sendo moralmente agredidos); 2) o pastor não é um líder daquela religião, por óbvio, e não teria como incitar aqueles que estão fora de seu campo de influência. Obviamente, falava de modo metafórico, opinava em favor de uma reação da Igreja — que, diga-se, ficou bem murchinha…

O post já tem mais de 700 comentários — e devo ter deixado de publicar outro tanto de pessoas que se manifestam com impressionante rancor. Ou, então, que deixam claro não saber como funciona a democracia. Olhem aqui: eu não dou bola para correntes da Internet, não! Zero! Não me intimido com trabalho organizado de lobbies. Penso o que penso. Se gostarem, bem; se não, a Internet conta com milhões de páginas pessoais. Por que ficar sofrendo na minha? Posso não pensar sobre a homossexualidade o que pensa Malafaia — embora, creio, façamos crítica muito parecida à tal lei que pune a homofobia: é autoritária, fere a liberdade religiosa e cria uma categorias de indivíduos acima da crítica.

Muito bem! E daí que eu não pense o mesmo? Devo silenciar diante de uma óbvia tentativa de calá-lo, ao arrepio, parece-me, da lei? Sim, a Justiça vai decidir, mas posso e devo dizer o que acho. Acho que estão recorrendo a uma óbvia linguagem metafórica com o propósito de se vingar de um notório crítico da dita Lei Anti-Homofobia. Entendo que estamos diante de um caso clássico de uso da lei para intimidar ou calar aquele que pensa de modo diferente.

Os grupos do sindicalismo gay fazem uma enorme pressão para que ele seja punido. Venham cá: que parte da cultura democrática essa gente não entendeu direito? Então eles podem pegar símbolos de uma denominação cristã, que têm valor para mais de um bilhão de pessoas, submetê-los a uma, como posso dizer?, “interpretação livre”, mudando ou mesmo invertendo seu sentido moral, mas um líder religioso deveria ser impedido de dizer o que pensa?

Calma lá! É a liberdade de expressão como um valor universal que permite hoje a essas ditas minorias, a esses grupos de pressão, falar, reivindicar etc. O que querem? Coibir a dita homofobia metendo na cadeia quem não comunga de seus valores? Já assisti, em vídeos na Internet, a algumas intervenções de Malafaia na TV. Em nenhuma delas incitava a violência — e duvido que o faça. Ninguém pode obrigá-lo a renunciar à sua fé e aos fundamentos de sua crença. Tampouco me parece decente que se recorra a  um truque para tentar condená-lo. Querem lhe atribuir o que não disse – e que, de fato, seria ilegal – para tentar puni-lo pelo que disse. E que nada tem de ilegal.

Isso, reitero, não quer dizer que eu concorde com ele sobre esse e outros temas. Aliás, ele é evangélico; eu sou católico. Isso significa… divergência!!! Mas não vou condescender com esses que se querem agora policiais do pensamento. Ora, de beneficiário da liberdade de expressão, o sindicalismo gay quer passar agora à condição de repressor, de censor? Não dá!

Também não vale o artifício de fazer eternamente o papel do oprimido para oprimir os outros. Estou entre aqueles que acreditam que há tantos gays hoje (percentualmente falando) como sempre houve.  Uma coisa, no entanto, é certa: a cultura gay nunca foi tão forte, e essa minoria nunca foi tão visível e influente. Virou, por exemplo, pauta obrigatória das novelas — ainda que o tratamento dispensado pelos autores varie bastante. Se notarem, são sempre personagens “do bem”. Uma malvadão gay seria “contra a causa”. Ignorando a letra explícita da Constituição, o STF reconheceu a união estável homossexual, o que praticamente garante os demais direitos — agora é só questão de ajuste da legislação infraconstitucional.

E tudo isso se deu sem uma lei para punir opiniões divergentes. A militância gay não conseguirá mudar na base do berro, da imposição e da perseguição jurídica o entendimento das igrejas a respeito do assunto. Recorrer a truques para punir desafetos, que estão amparados pela liberdade de pensamento e pela liberdade religiosa, é coisa de autoritários. O combate à homofobia não pode ser “catolicofóbico”, “evangelicofóbico”, “diferentofóbico”.

Afinal, qual é a pauta? Reivindicam direitos iguais ou direitos especiais, muito especialmente o de calar aqueles de que discordam?

Finalmente, lembro que as igrejas são pessoas jurídicas de direito privado. Isso, evidentemente, não dá a padres, pastores ou a quaisquer outros líderes religiosos o direito de cometer crimes — e entendo que não tenha havido isso no caso de Malafaia. Faço essa lembrança pensando num outro aspecto.

Líderes religiosos, ainda que possam e devam se posicionar sobre temas gerais da sociedade, sabem que falam principalmente para os fiéis de sua igreja. Daí que seja absolutamente ridículo querer impor às igrejas uma crença oficial ou um conjunto de valores definido em alguma outra esfera, que não a religiosa. Atenção! Isso vale até para a ciência. Uma igreja significa isto: um grupo de pessoas decidiu se reunir para cultivar determinados valores e cultuar aspectos do sagrado. Ponto!

Muito bem! Malafaia recorreu àquela metáfora, incorporada, convenham, à fala popular. Mas o que dizer de José Eduardo Dutra, o diretor da Petrobras que mandou um “enfia o dedo e rasga” para a oposição? A Petrobras não é uma igreja. A Petrobras tem uma dimensão pública. Este senhor foi nomeado pelo governo e está lá para atender aos interesses de todos os brasileiros: petistas e não petistas; cristãos, não-cristãos, ateus e agnósticos; corintianos e palmeirenses; botafoguenses e não-botafoguenses…

Sobre a fala de Dutra, até agora, curiosamente, o Ministério Público Federal não se manifestou.

Que regra está valendo? Seria aquela dos estados autoritários, que resumo assim: “Aos inimigos, nada, nem a lei; aos amigos tudo, menos a lei”?

Por Reinaldo Azevedo
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados