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Serra

09/05/2013

às 14:38

Lula três vezes no “Guinness”

Leiam trecho do excelente artigo de José Serra, publicado hoje no Estadão.
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Em palestra recente afirmei que o ex-presidente Lula mereceria pelo menos três verbetes no Guinness World Records. O primeiro por ter levado à pré-insolvência a Petrobrás, apesar de ser monopolista, a demanda por seus produtos ser inelástica, os preços internacionais, altos e as reservas conhecidas, elevadas. Fez a proeza de levar a maior empresa do País à pior situação desde que foi criada, há 60 anos. Promoveu o congelamento de seus preços em reais, instaurou uma administração de baixa qualidade e conduziu a privatização da estatal em benefício de partidos e sindicatos, com o PT no centro. Esse condomínio realizou investimentos mal feitos e/ou estranhos, sempre a preços inflados; queimou o patrimônio da Petrobrás na Bolívia; promoveu previsões irrealistas sobre o horizonte produtivo do pré-sal e fulminou, para essa área, o modelo de concessão, trocando-o pelo de partilha, que exige da empresa ampliação de capacidade financeira, administrativa e gerencial impossível de se materializar.

Outro verbete é o da desindustrialização, promovida ou acelerada pelo governo de Lula, ex-operário metalúrgico (durante dez anos). Uma ironia de bom tamanho, sem dúvida. O golpe decisivo foi dado a partir da crise internacional de 2008/2009, quando o real se desvalorizou e, ao mesmo tempo, a inflação quase virou deflação, criando-se uma oportunidade única para corrigir nosso malfadado atraso cambial. Mas o governo Lula jogou-a pela janela: já tinha aumentado a taxa de juros no começo da crise, fato único no planeta, e mesmo depois da quebra do Lehman Brothers demorou quatro meses para reduzi-la, timidamente. Daí em diante fez questão de mantê-la no nível real mais alto do mundo, forçando a revalorização da nossa moeda nos anos seguintes e comprometendo ainda mais, por isso, a competitividade da indústria.

Paralelamente, a política fiscal destinada a combater os efeitos da crise internacional enfatizou, sobretudo, o consumo do governo, não os investimentos, contrariando o recomendado por nove entre dez manuais de economia. A tradicional rigidez fiscal foi tonificada como nunca antes neste país, atravancando a administração da economia, a eficiência e a efetividade do gasto público, presente e futuro.

A farra dos bens de consumo importados deu-se, em grande medida, à custa da expansão da produção doméstica. Para se ter uma ideia, de um saldo comercial de produtos manufaturados quase equilibrado em 2007 passamos a um déficit projetado de US$ 112 bilhões em 2013. Isso principalmente no caso de produtos de maior densidade tecnológica. Mas não só. A título de ilustração e emblema: sabem quem é o maior fornecedor dos materiais e alegorias do carnaval carioca? A China.

E entramos no terceiro verbete: a proeza de reviver desequilíbrios no balanço de pagamentos, não obstante a maior e mais intensa fase de bonança externa já experimentada pela economia brasileira. Desde 2003 os preços das exportações agrominerais do Brasil explodiram e os juros internacionais mantiveram-se baixos. Entre 2004 e 2010, apenas por conta do diferencial de preços entre nossas exportações e importações, o Brasil ganhou US$ 100 bilhões.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

12/04/2013

às 19:45

Serra: Três motivos para Lula entrar no Guinness Book e o Brasil no chão

José Serra, ex-governador de São Paulo, pode se preparar para a artilharia petista. Ele participou, nesta sexta, do seminário “A esquerda que pensa o Brasil”, promovido pelo PPS. Ontem, quem falou no mesmo evento foi os senador Aécio Neves (PSDB-MG). Serra bateu firme no governo Dilma e, à diferença de algumas análises que andam por aí (inclusive no PSDB), ele não o coloca em contradição com a herança lulista; ao contrário: vê os desacertos da economia sob a gestão Dilma como desdobramentos lógicos de opções feitas antes. E eu acho que ele está correto. Haver diferenças de operação aqui e ali não significa mudança de rumo.

O tucano afirmou que o governo está no chão e que a eventual reeleição de Dilma implica descer além desse limite. Afirmou também que Lula merecer entrar para o Guinness Book por três motivos. Leiam o que informa Erich Decat, na Folha:

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) defendeu nesta sexta-feira (12) a união das forças de oposição ao governo Dilma Rousseff e declarou que trabalhará por essa unidade na disputa presidencial de 2014.

“Eu vou trabalhar para que essas forças estejam agrupadas”, disse. “Se será em torno de um ou mais candidatos, é uma decisão para depois”, referindo-se a uma possível candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), além de Aécio Neves (PSDB), o nome mais cotado para representar os tucanos. Serra afirmou que vai apoiar a candidatura de Aécio à presidência do PSDB. “Claro que apoiarei”, afirmou. Sobre a candidatura do mineiro para a Presidência da República, entretanto, disse apenas que era “um bom nome”.

Questionado se poderá voltar a concorrer em 2014, o tucano negou a possibilidade. “Não disse isso. Disse que estou a disposição para o trabalho de união e acho que tenho credencial para isso”, disse Serra, que foi derrotado na eleição passada para presidente pela petista Dilma Rousseff.

Em uma referência velada ao governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, Serra considerou que uma das melhores estratégias da oposição para vencer Dilma no próximo ano é atrair integrantes da base aliada.

“[Para] ganhar eleição, somar, ter um movimento vitorioso, nós precisamos trazer gente que está no outro lado. Isso é essencial”, afirmou o tucano, que também defendeu que a hipótese de múltiplas candidaturas é a mais plausível para se vencer no próximo ano.

Herança
Ainda em clima de campanha, Serra disparou críticas contra a condução do governo Dilma, que, segundo ele, deixará uma das heranças mais adversas já vivenciadas no país.

“Vamos encontrar um país no chão. Essa é a realidade. Imaginem se tem a reeleição [de Dilma], ai realmente vai ser abaixo do nível do chão”, ironizou. “Foi torrada toda a bonança externa que o Brasil teve no período Lula. Foi torrada em desperdício, em consumo, a custa, alias, da própria produção nacional”, acrescentou.

Serra também fez críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar que o petista poderia ser incluído no Guinness Book, o livro dos recordes. “Por três motivos: ele tem origem operária, mas trouxe a desindustrialização, acabou com a indústria; defendia o nacionalismo, mas acabou com a Petrobras; e, num momento de bonança externa, provocou a estagnação da economia no Brasil”, resumiu.

Por Reinaldo Azevedo

11/04/2013

às 16:43

Reforma política do PT era golpe, escreve Serra

No Estadão de hoje, José Serra, ex-governador de São Paulo, publica um excelente artigo (íntegra aqui)  sobre a reforma política que o PT pretendia — e ainda pretende — implementar no país. Não deu certo agora, mas eles não vão desistir. Leiam trecho.

Reforma ou golpe?
Ainda bem que a Câmara dos Deputados parece ter sepultado a proposta de reforma política petista, cujo relator era o deputado Henrique Fontana (PT-RS). O ruim – o modelo que temos – ainda é melhor do que o pior, representado pela proposta que o PT pretendia enfiar goela abaixo do País, já que não houve debate a respeito. Reforma política? Era mesmo isso o que se pretendia?

Há distinções claras entre revolução, reforma e golpe. A primeira convulsiona a sociedade, conquista a maioria dos que padecem sob a ordem vigente, lança no imaginário coletivo amanhãs redentores e faz novos vencedores. Nas revoluções virtuosas, os oprimidos de antes não se tornam os opressores do novo regime, mas os libertadores das potencialidades do futuro. Penso, por exemplo, na Revolução Americana.

Golpe, em qualquer lugar e em qualquer tempo, é uma reação dos que se veem ameaçados pela emergência de novos atores na cena política ou buscam perpetuar-se no poder eliminando os adversários. O golpe é sempre reacionário – seja o de 1964 no Brasil, o de 1973 no Chile ou os de 1966 e 1976 na Argentina. Ou o que matou César.

E a reforma? É uma tentativa de mudança pacífica, que procura não fazer nem vitoriosos nem derrotados. Não se trata de virar a mesa ou de banir da cena os adversários tornados inimigos. Uma reforma não privilegia grupos, mas busca o bem-estar coletivo – ainda que eu saiba que esse espírito anda em baixa nestes dias. Nos últimos anos o Brasil tem vivido sob a égide das “reformas”, sempre necessárias, mas jamais levadas a efeito. Uma das que mais mobilizam as consciências é a “reforma política”, que, na versão do PT, foi sepultada na noite de terça-feira. De fato, os petistas não queriam uma reforma, mas um golpe.

O PT queria aprovar, por exemplo, o financiamento público exclusivo de campanha, que tem seduzido muitos incautos. Segundo o relatório do deputado Fontana, as campanhas eleitorais seriam pagas na sua totalidade com o dinheiro dos contribuintes, por meio do Tesouro Nacional. O TSE estabeleceria o montante, mas o Congresso e o Executivo tomariam a decisão final na aprovação do orçamento.

A direção do PT, partido que levou o uso do caixa 2 ao paroxismo na vida pública brasileira, apresenta a solução do financiamento público para combater o… caixa 2! Pretende assim, diante da opinião pública e de sua militância menos informada, maquiar a própria história. Mas isso é só uma patranha. O golpe estava em outro lugar.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

26/03/2013

às 6:43

As palavras e as coisas: Alckmin e Aloysio reconhecem que PSDB está desunido de novo e dizem que Aécio tem a tarefa de construir a unidade

É importante atentar para as coisas e atentar para as palavras que a designam — ou se perde o pé da realidade. A seção paulista do PSDB realizou ontem uma pajelança para consolidar o nome do senador Aécio Neves (MG) como presidente do partido e como candidato à Presidência da República. Duas falas têm de ser ouvidas com atenção:

“O que eu sinto no PSDB é que você, Aécio, assuma a presidência do PSDB, percorra o Brasil, ouça o povo brasileiro, fale com o povo e una o partido”, afirmou o governador Geraldo Alckmin. Também falou com entusiasmo um político que costuma estar alinhado com José Serra: “Meu querido Aécio, o nosso partido está com os olhos voltados para você. Você tem habilidade, talento, liderança e prestígio. Cabe a você trabalhar agora para que cheguemos em maio com o partido unido”. O autor dessas palavras é o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP).

Sou um fanático pelo sentido das palavras. Entendo que só se une o que está desunido. Ainda que os dois políticos tenham demonstrado, então, estar engajados nas duas candidaturas de Aécio, reconhecem que, no momento, não há “união”. Ela precisa, portanto, ser construída, e essa será uma das tarefas do senador mineiro à frente da legenda e como candidato à Presidência da República.

É evidente que importantes setores do PSDB foram alijados das últimas decisões. E não só de São Paulo. Perguntem, por exemplo, ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR), de inquestionáveis credenciais oposicionistas, líder até outro dia do partido no Senado, se ele se sente prestigiado pela nova ordem que vai se consolidando. Como diria o ministro Marco Aurélio, do Supremo, “a resposta é desenganadamente negativa”. Restringir as dificuldades a José Serra, como se pretende aqui e ali, é, quando menos, uma imprecisão.

Falemos, então, de união. Há mais de um ano escrevi aqui que o PSDB poderia apresentar uma novidade nas eleições de 2014, cotejando-as com as havidas em 2002, 2006 e 2010:  unidade. Duas vezes com Serra e uma com Alckmin, o partido estava, na prática, rachado. Apoio formal de palanque não quer dizer muita coisa. Não dá para afirmar que a desunião tenha conduzido à derrota. Mas ela foi uma marca importante. Isso cria dificuldades as mais variadas: dificulta a formação de palanques, compromete a arrecadação de recursos para a campanha, cria obstáculos para conquistar aliados.

Se o partido, como reconheceram alguns de seus principais líderes, não está unido, então é preciso mudar isso. E aí entra o sambinha de Noel: “Com que roupa?”. O que significa, na prática, conquistar essa unidade. Aécio e Serra estiveram juntos há poucos dias. Parece que combinaram não combinar coisa nenhuma. Enquanto conversavam, uma página inteira do Estadão estava sendo redigida com “recados” da ala mineira do PSDB a Serra. Não parece ser esse um bom procedimento.

Apoios são construídos. “Ah, Serra é um nome importante para o partido!”, afirmam alguns tucanos. É? Mas para fazer exatamente o quê? Como é que se evidencia essa importância? Não estou falando de escambo, mas de política. Isso é lá com eles.

Sinceramente tenho minhas dúvidas se é mesmo uma boa para Aécio a presidência do PSDB. Como principal burocrata do partido, estará encarregado de negociar também palanques regionais. Só três legendas fazem oposição à presidente Dilma: o próprio PSDB, o PPS e o DEM (também há o PSOL, pelo caminho da esquerda). As demais estão na base aliada, com diferentes graus de participação no governo. Aécio terá de passar pelo constrangimento, nos estados, de negociar palanques regionais com forças que não estarão com ele na disputa presidencial. E isso acontece com mais frequência do que parece.

O PMDB apoiou Alckmin em 2010 para o Palácio dos Bandeirantes, mas tinha o vice da chapa encabeçada pela petista Dilma na disputa presidencial. Ainda que venha a ter um operoso secretário-geral, a tarefa é espinhosa. FHC venceu duas eleições presidenciais sem presidir o partido; Lula, outras duas, e Dilma, uma. Esse negócio de que liderar a legenda é fundamental para disputar o governo é coisa de regime parlamentarista. Não há, digamos assim, saber acumulado a respeito. É uma novidade. Se o PSDB eventualmente forçar a mão nos estados, criando embaraços para alianças regionais que não estejam engajadas também no projeto federal, pode-se ter um desastre completo.

Mas isso já é coisa vencida, passada. Caberá a Aécio, como presidente da legenda e seu presidenciável, a tarefa de construir a tal “unidade”. Não será uma tarefa fácil. O caminho da desunião ele conhece bem e sabe aonde vai dar.

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2013

às 16:10

Encontro Campos-Serra – Um pouco de lucidez não faz mal a ninguém

Setores da imprensa brasileira, especialmente paulistanos, perderam de tal sorte o rumo, pautados ou pelo petismo casca-grossa ou pela burrice, pura e simplesmente, que há muito esqueceram quem é quem, trajetórias, biografias. Não faz tempo, uma charge estúpida, publicada num jornal, tratava José Serra como uma espécie de artigo fora de moda. Seus adversários internos no PSDB mobilizam sua tropa de choque e o caracterizam quase como um intruso no jogo político. Um desses bobalhões chegou a sugerir num artiguete que o tucano se aposentasse… Não! É claro que ele não recomendou a mesma coisa a Lula. Os corajosos da imprensa paulistana gostam de chutar quem não está no poder.

Muito bem! Leio agora no Estadão que o governador Eduardo Campos afirmou ter com o tucano mais afinidade do que com algumas lideranças da base aliada. Reconheceu o trabalho de Serra à frente do Ministério da Saúde, a sua competência como gestor público, a sua reputação como economista. Quem acha que pode abrir mão dessas qualidades? Bem, pelo visto, alguns tucanos acham… Ninguém recebe da imprensa brasileira tratamento tão incompatível com sua trajetória pública e suas qualidades pessoais como Serra. Isso é apenas matéria de fato.

Poderia aqui recuperar alguns textos asquerosos escritos nos últimos dois anos decretando a sua obsolescência. Houve até editorial de jornal, o que deve ser inédito na história da política brasileira. Bastou, no entanto, que um possível, ainda não provável, postulante à Presidência mantivesse com ele um encontro, e isso passa a pautar a cobertura das eleições de 2014. Por que alguém que teria ficado no passado provoca essa reação? Ah, sim: Campos diz sobre a trajetória de Serra e sua importância na vida pública o que muitos tucanos não ousam dizer. Leiam trecho de reportagem do Estadão. Por Angela Lacerda:

Uma semana depois de ter se encontrado com José Serra (PSDB), em São Paulo, o governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, afirmou nesta sexta-feira, 22, haver mais afinidades políticas do que divergências com o tucano. “Esse campo em que Serra sempre militou é muito mais próximo do nosso campo político do que muita gente que está conosco e que esteve conosco na base de sustentação do presidente Lula”, afirmou ele. “Todo mundo sabe disso.”

“Acho que é importante a gente manter essa capacidade de dialogar”, destacou, em entrevista concedida durante o lançamento de um livro sobre escultores pernambucanos patrocinado pela construtora OAS, no Recife. “Dialogar não significa aderir à posição das pessoas, dialogar significa civilidade, humildade para saber que suas posições podem melhorar na medida em que se aceita a ponderação dos outros e isso nós fizemos”, disse.
(…)
Indagado se a conversa com Serra traria desconforto à boa relação que mantém com senador Aécio Neves (PSDB-MG), que também pretende disputar a Presidência no ano que vem, Campos minimizou. “O próprio Aécio vai encontrar Serra estes dias”, afirmou, voltando a explicar as afinidades que o aproximam de Serra, de quem foi colega, como governador, quando o tucano governou São Paulo.
(…)
Segundo Campos, as diferenças entre os dois nunca empanaram a possibilidade de discutir sobre economia. “Serra é economista respeitado, homem público de experiência, foi um grande ministro da Saúde, governou o maior Estado e a maior cidade do País”, elogiou. Entre os pontos de convergência com o tucano, citou a melhor distribuição de renda no País, um crescimento mais arrojado, e uma política de inovação que agregue valor às exportações.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

22/03/2013

às 6:47

Eduardo Campos, o encontro com Serra e reações fora do lugar

O tucano José Serra e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que pode se candidatar à Presidência, estiveram juntos na sexta-feira. Os tucanos ligados ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) não gostaram. Em algum lugar, li que Aécio teria ficado “estarrecido”. Por quê? Não consta que um tenha de pedir licença ao outro para conversar com quem bem entender. Os petistas gostaram menos ainda. Os dois grupos tem lá os seus motivos.

Serra foi alijado das decisões do PSDB. Sérgio Guerra, presidente da legenda, Aécio e FHC atuaram como se não existisse partido em São Paulo. Isso é fato, não boato. O próprio Geraldo Alckmin, que administra um terço do PIB, foi tratado como figura de segunda grandeza. Não é um bom caminho. Se não havia “candidato natural” em 2002, 2006 e 2010, por que haveria em 2014? O que mudou? O apressadinho responderia: “Pois é… Aquela demora toda não deu em boa coisa…”. Errado! O que não deu em boa coisa foi o partido rachado: em 2002, em 2006 e em 2010. E, definitivamente, não está unido hoje.

“Então Serra se encontrou com Campos para pressionar Aécio?” Pelo visto, não! Parece que a intenção não era tornar pública a conversa, justamente para evitar especulações. Na segunda, o senador mineiro e o ex-governador estiveram juntos. Segundo li, combinaram de não combinar nada. Na terça, os jornais amanheceram com os, como chamarei?, “diktats” do PSDB de Minas sobre o futuro de Aécio, o futuro do PSDB e, pasmem!, sobre o futuro de Serra também. Ou por outra: enquanto o mineiro e o paulista conversavam, setores da imprensa, muito bem pautados, trabalhavam… Isso não dá certo. Escrevi a respeito.

Conforme o esperado, alguns tontos vieram me assediar aqui: “Olhem, Reinaldo não quer Aécio presidente…”. Quero o PT derrotado, nunca escondi. Se Aécio puder ser o nome a realizar esse intento, ótimo! Ocorre que os tucanos tomaram a trilha errada. Digam-me cá: se Campos queria conversar com Serra, ele deveria ter feito o quê? “Ah, não, eu sou tucano. Não posso!” Ou então: “Vou primeiro consultar Sérgio Guerra… Como ele está sempre interessado no que penso, preciso ouvir a sua opinião”. Ora…

Não sei o teor da conversa. Duvido que tenha versado sobre alguma forma de aliança ou cooptação. E por que duvido? Porque é muito cedo para isso. Nem é certo ainda que Campos vá mesmo se candidatar. Deem uma boa razão para que o governador de Pernambuco não ouça a opinião de quem já foi deputado, senador, secretário de estado, ministro, prefeito da capital, governador de São Paulo e duas vezes candidato à Presidência. Mais: goste-se ou não do que pensa, tem um pensamento. Algumas de suas antevisões sobre a economia brasileira estão se cumprindo com precisão cirúrgica. 

À Folha, Serra declarou que a eventual candidatura de Campos “é boa para o Brasil e boa para a política”. Poderia ter acrescentado que também é boa para a oposição. Seja quem for o candidato do PSDB — só não será Aécio caso ele desista, tudo indica —, a presença do agora governador de Pernambuco no pleito pode ser a condição para que haja um segundo turno na disputa. Em vez de os tucanos se dedicarem a novas teorias conspiratórias, deveriam é torcer para que ele se candidate mesmo. Mas é evidente que há o risco de que seja ele a disputar o segundo turno.

O PT
Os petistas também ficaram chateados com o encontro. Parece que Serra continua a ser o único oposicionista que os incomoda — é curioso isso! O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), secretário-geral do PT, saiu anunciando aos quatro ventos que a popularidade de Dilma derruba a candidatura de Campos porque o voto do Nordeste é “petista e dilmista”. Chegou mesmo a aconselhá-lo a desistir. 
Então… Com tantas certezas, os petistas poderiam ficar mais tranquilos, não é?

Para arrematar
“E o PSDB, Reinaldo?” Não me façam perguntas fáceis, por favor.

Por Reinaldo Azevedo

18/03/2013

às 7:25

E o PSDB vai cometendo erros em penca…

Leio no jornal O Globo que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria mobilizado o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para diminuir eventuais resistências no PSDB de São Paulo ao nome do senador Aécio Neves (MG) e para buscar um entendimento com o ex-governador José Serra etc. e tal. Pois é… Se for mesmo assim, cabe a pergunta: por que FHC, que tem sido uma espécie de porta-voz da pré-candidatura do mineiro à Presidência, não negocia ele mesmo? Melhor ainda para os tucanos: por que não o próprio Aécio? Isso, claro!, na hipótese de que alguma negociação seja possível. Sou um senhor crédulo e acredito nas coisas que leio. E eu já tinha lido que tudo estava devidamente acertado: Aécio seria o presidente do PSDB e candidato à Presidência da República; Sergio Guerra seria o presidente do Instituo Teotônio Vilela; a secretaria-geral também seria objeto de uma espécie de “nomeação” – talvez um “paulista”; por que não dar alguma coisinha a eles? – e pronto! Aí é só correr para o abraço… de quem mesmo?

A questão está menos em definir que o candidato será este ou aquele do que no procedimento propriamente. Não faz tempo, li que dois ou três chefões do partido haviam decidido até antecipar a convenção. Com quem haviam falado? Segundo entendi, com quase ninguém. Já escrevi aqui uma 200 vezes que os tucanos não costumam ter dificuldades para bater adversários internos. O problema são sempre os externos, não é mesmo? Pois é… O PSDB, de fato, nunca decidiu o nome de uma candidato com tanta antecedência. As pessoas mais simples de alma podem pensar assim: “Já que, nas jornadas anteriores, demoramos um tanto e não conseguimos eleger o presidente, talvez a gente devesse se apressar agora…”. Errado! É um raciocínio de tamancas. A eventual demora derivava da divisão do partido, e nunca se considerou que houvesse um candidato óbvio apesar das pesquisas. Agora, quer-se ter um candidato óbvio… apesar das pesquisas!  E tudo bem rapidinho. Só que essa pressa é também resultado da… divisão! Assim, tem-se por óbvio que o mal do partido é a falta de unidade, não o tempo em que se decide um candidato.

Não sei se Serra fica no PSDB ou se sai. Mas uma coisa eu e todo mundo sabemos: na base do atropelo e da imposição, nada dá certo. Segundo a reportagem de O Globo, os tucanos estão preocupados com a possibilidade de Serra deixar o partido porque isso não seria bom para o partido e coisa e tal. Tá bom! Então o que seria bom para o partido? Que ele continuasse? Mas em que condições? Convenham: se tudo está mesmo decidido, só uma coisa não conseguem decidir por ele, certo? Justamente se fica ou se vai.

Esse pode ser o enésimo texto em que trato do que considero uma necessidade para a saúde da democracia: a derrota do PT. Só não a negocio, aqui no meu coração, com Marina Silva – já afirmei que, entre um obscurantismo deste mundo e um do outro, fico com o deste… É só uma piadinha mórbida. O PSDB, no entanto, não parece ter entendido muito bem a natureza do jogo. A pré-candidatura de Aécio enfrenta um momento difícil, a despeito dos esforços de FHC. O PPS, tradicional aliado tucano, vai com Eduardo Campos (PSB) se o governador de Pernambuco realmente se candidatar. O DEM, outro parceiro de sempre, se tivesse de decidir hoje, também se perfilaria com o peessebista. Campos, mesmo estando na base do governo, acabou ocupando um lugar do discurso que caberia naturalmente a Aécio. O comando do PSDB caiu na armadilha lulista e perdeu tempo fazendo um debate sobre o… passado!!!

Campos é, certamente, ainda hoje, uma realidade mais dos meios políticos e da imprensa do que propriamente eleitoral. Mas a eleição ainda está longe pra chuchu. Essa é a hora de demonstrar que consegue arregimentar apoios; entusiasmar plateias ainda selecionadas, mas influentes; demonstrar que tem uma mensagem. E ele tem feito isso tudo com aplicação. E os tucanos? Ah, uma parte deles continua a alimentar notinhas de jornal e conversas “com interlocutores”… Um pedaço do governismo, que ameaça se descolar da nave-mãe, está encontrando um discurso com mais facilidade do que o PSDB. Há algo de profundamente errado nisso, não? Hora de a tucanada da acordar pra vida. O grande ativo do partido nessa disputa poderia – ou deveria – ser a união, mas não me parece que muitos estejam se esforçando para isso, ou haveria mais cuidado.

Querem um exemplo? Durante muito tempo, a face combativa do PSDB no Congresso se chamou Álvaro Dias, senador pelo Paraná, líder do partido na Casa até havia pouco. Perguntem a Dias se ao menos foi chamado para uma conversa. Os tucanos ganhariam muito mais se dedicassem menos tempo às guerrinhas internas e se ocupassem do fundamental. E isso ainda não aconteceu. 

Por Reinaldo Azevedo

14/03/2013

às 16:08

Nada além dos fatos

José Serra voltou a publicar artigos no Estadão, e isso significa, de saída, que o debate fica mais inteligente. “De quantos políticos você diz isso, Reinaldo?” De bem poucos, é verdade. Mas sabem como é… Sou rei (naldo) absoluto da minha simpatia… No artigo publicado nesta quinta, intitulado “Nada além dos fatos”, ele trata de algumas dificuldades da economia brasileira que estão sem resposta, especialmente o processo de desindustrialização do país.  Leiam trecho.

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Ao retomar esta coluna, volto a um tema recorrente em meus artigos anteriores: a desindustrialização brasileira. Ela se reflete no encolhimento da participação da indústria de transformação na economia, tendência que remonta à época da superinflação dos anos 1980, mas sofreu um puxão para baixo no decênio 2002-2012, quando o PIB cresceu mais que o dobro da indústria: 42% ante 20,5%, respectivamente. Isso fez a fatia do setor no PIB (preços correntes) voltar ao nível de 1947-48, chegando a 13,3%. Pior foi o último quadriênio, pois em 2012 a produção de manufaturas foi inferior à de 2008.

Em todo caso, desindustrialização não exige, necessariamente, queda absoluta do setor, mas, sim, perda do seu poder como eixo dinâmico da economia. Ameaça-se a maior conquista econômica brasileira no século 20.

Atenção: o caso do Brasil não pode ser equiparado ao de países desenvolvidos, onde a indústria perdeu peso em razão da elevada renda média por habitante, que chega a ser quatro vezes superior à nossa. Neles, a partir de determinadas etapas do crescimento da renda, a expansão da demanda por serviços se acelerou em relação à de alimentos e manufaturas. Essa perda de peso, naquele caso, pode ser considerada natural e até benigna. No nosso, uma doença.

Nada contra a brilhante expansão da produção e da exportação de bens agrominerais. Mas alguém acredita, e demonstra, que, além do papel estratégico na geração de divisas, esse setor poderia tornar-se o eixo dinâmico de um país continental, de 200 milhões de habitantes? Não me parece, igualmente, que esse eixo possa ser formado pelos setores financeiro, de biotecnologia, de tecnologia digital, etc., atividades de maior eficiência na área de serviços e essenciais para o progresso econômico, mas que geram poucos empregos.

A indústria é o macrossetor que gera, na média, os melhores empregos, paga os melhores salários e cuja produtividade é a mais alta. É o que mais inova e tem os maiores efeitos de encadeamento para trás (insumos correntes e de capital), para a frente (comércio), de demanda final (massa salarial) e fiscal (mais arrecada). É o macrossetor que lidera o processo em todas as economias que cresceram mais rapidamente nas últimas décadas.

O retrocesso industrial comprometeu a qualidade dos empregos gerados. De 2003 a 2012, entre os trabalhadores com carteira assinada e que ganham acima de dois salários mínimos, o número de pessoas demitidas superou amplamente o de contratadas. Entre 2009 e 2012, esse saldo negativo ultrapassou 1,3 milhão de pessoas. O crescimento do emprego concentrou-se nas faixas abaixo de dois mínimos, liderado pelo setor de serviços.

Íntegra do artigo aqui

Por Reinaldo Azevedo

12/03/2013

às 6:31

O tribunal totalitário do sindicalismo gay. Ou ainda: Daqui a pouco, os políticos terão de se ajoelhar diante de Pedro Abramovay, o juiz supremo de um tribunal de exceção

Não vou desistir, não! Os fascistas — vistam vermelho, preto ou rosa — fazem linchamentos morais do lado de lá, eu continuarei, do lado de cá, a lembrar como funciona uma sociedade democrática e de direito. Grupos de pressão agora deram pra fazer das ONGs e das redes sociais verdadeiros tribunais de exceção. As pessoas são julgadas e condenadas sem nem mesmo direito de defesa. E têm contado, sim, com o apoio de amplos setores da imprensa. Raramente tantos foram tão intolerantes em nome da tolerância. Ora, defender a liberdade de expressão daqueles que pensam como a gente é coisa fácil. Stálin, Hitler, Mao Tsé-tung ou Kim Jong-Il não fariam melhor. Quero ver é a defesa da dita-cuja para os que pensam de modo diferente.

Ontem, li nos sites dos grandes portais que o Grupo Gay da Bahia, chefiado por Luiz Mott, resolveu conferir o troféu, atenção para o nome!, “Pau de Sebo” para o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para o ex-governador José Serra e para o ministro da Educação Aloizio Mercadante. Eles foram considerados “inimigos dos homossexuais” porque teriam se oposto ao chamado kit gay nas escolas. É uma vigarice intelectual, uma trapaça, uma safadeza — ou os gays estariam imunes a esses males? Nenhum dos três, é evidente, é “inimigo dos homossexuais”. Haddad e Mercadante podem ter muitos defeitos — este, que se saiba, não! Incluir Serra na lista, então, evidencia mais uma vez o rigor intelectual com que opera o tal Mott, professor de antropologia da Universidade Federal da Bahia. Em outras circunstâncias, ele já teve a chance de demonstrar que, como intelectual, é um excelente candidato a animador de auditório… É uma vergonha!

Haddad, longe de ser “inimigo dos homossexuais”, poder ser considerado até mais do que um “amigo”: é um verdadeiro “gayzista”. Foi na sua gestão que se criaram os famigerados kits gays para ser distribuídos nas escolas — a crianças do Ensino Fundamental também. Entre as pérolas que lá estavam, vocês devem se lembrar, havia um filminho que declarava a superioridade da bissexualidade sobre a heterossexualidade porque a pessoa aumentaria em 50% a chance de ter com quem sair no fim de semana. Ainda que se desconte o erro de matemática, sobra a estupidez moral e pedagógica. Seria oferecido a crianças um pega-palavras para identificar o nome da pessoa que está insatisfeita com a sua genitália. Um outro filme defendia que os travestis usassem o banheiro das meninas e que fossem chamados pelos professores por seu nome feminino.  E isso era apenas parte da estupidez. Na gestão Haddad, esse material foi preparado por ONGs e custou dinheiro. Ninguém sabe quanto ao certo. Só não chegou às escolas porque houve uma forte mobilização de parlamentares — especialmente, sim, da bancada evangélica. A própria presidente Dilma Rousseff ordenou que o material não fosse distribuído, o que lhe rendeu o troféu “Pau de Sebo” de 2012. O fato de o Grupo Gay da Bahia ser estúpido também com petistas não o faz menos… estúpido!

Militância cega
O troféu conferido a Serra evidencia a cegueira dessa militância. O ex-ministro da Saúde merecia ser considerado, isto sim, quase um herói — não exatamente da causa gay, mas, se me permitem, de uma causa humanista de especial interesse para os gays. Quando o mundo praticamente não olhava para o problema, ele foi à luta, enfrentou resistências internas, a indústria farmacêutica, uma série de preconceitos e quebrou a patente de remédios que compõem o chamado “coquetel anti-AIDS”. Estruturou aquele que foi considerado pela ONU o maior e mais eficaz programa de prevenção e combate à doença. Milhares de gays — e também de héteros e de hemofílicos — se salvaram em razão desse programa, que, de outro modo, não teria essa extensão. Quando governador de São Paulo, Serra criou o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais, um grupo que tem particularidade e que requer tratamento específico.

Por que ele seria, então, “inimigo dos homossexuais”? Ah, porque ele se opôs ao kit gay!  Aí se evidencia a essência totalitária disso que chamo “sindicalismo gay”. Para que alguém, então, possa ser considerado um “amigo” da turma, é preciso que se lhe conceda também o direito EXCLUSIVO de educar as nossas crianças. Ou nada feito! Notem: a essa fatia do sindicalismo gay, o que um governante efetivamente faz em defesa de homossexuais não tem a menor importância. Eles exigem é a comunhão de valores. Dado o seu tamanho, a entidade que mais atende homossexuais pobres vítimas da AIDS é a… Igreja Católica! Mas isso, para essa turma, é também irrelevante. Se a Igreja não amparasse um só doente, mas fosse favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, então ela seria considerada uma entidade “amiga dos homossexuais”.

Essa gente está mais empenhada numa guerra de valores do que propriamente em ajudar os que sofrem. E não veem problema nenhum em sair por aí enlameando reputações. O GGB explica por que o troféu se chama “Pau de Sebo”: “Para mostrar o ridículo de ser inimigo dos LGBT: por mais que queiram espezinhar os gays e destruir o movimento de libertação homossexual, nunca chegam a seu objetivo, caindo e se lambuzando no pau de sebo da intolerância”. É evidente que essa é a versão, digamos, “de família”. Não é preciso ser muito sagaz para desconfiar que, para a plateia de Mott, a graça do “pau” e do “sebo” do título está na ambiguidade… Asqueroso!

Reitero: se Serra jamais tivesse movido uma palha em favor da quebra de patentes e da distribuição do coquetel; se jamais tivesse criado qualquer centro de referência de tratamento de homossexuais, se jamais tivesse salvado uma vida, mas se dissesse favorável ao kit, então ele ganharia um “Triângulo Rosa”, que é o troféu que o grupo confere aos “amigos dos gays”.

Mott, o irresponsável
A irresponsabilidade intelectual de Mott, um “professor” (Deus meu!), não é recente. Ele elaborou uma lista de supostos 100 gays VIPs do Brasil. Este senhor não precisa de fonte, de pesquisas, de nada. Basta-lhe a afirmação desairosa de alguém sobre um desafeto e pronto! Uma carta gentil a um amigo ou uma amiga é o suficiente para que decrete: “É gay”. Até as primeiras décadas do século 20, era comum, em Portugal e no Brasil, que amigos se despedissem em missivas com um “Do teu… Fulano de Tal”. Mott veria coisa ali…  É assim que os poetas Olavo Bilac e Álvares de Azevedo entraram na lista. Também Dom João VI e Dona Leopoldina. Ou Zumbi do Palmares. O raciocínio que ele faz para concluir pela homossexualidade de alguém é mais uma evidência de seu refinamento teórico. Ele acha que Cristo, por exemplo, muito provavelmente era gay. E explica assim: “Ele era delicado com as crianças, sensível aos lírios do campo e nunca se casou. Parece até que tinha um caso com João Evangelista”. 

Esse cara dá aula! É doutor em antropologia! Mesmo com essa ignorância, como direi?, alastrante! 

De novo, Abramovay
Como é que se salta de Mott a Pedro Abramovay, o chefão no Brasil do site de petições Avaaz? Eu explico. Esse petista, ex-secretário nacional de Justiça, é hoje o comandante de uma organização que promove linchamentos online de quem lhe der — e a seu grupo — na telha. Concedeu ontem uma entrevista ao Estadão. Uma entrevista dos tempos modernos: fala o que bem quer, mesmo os maiores absurdos, e não precisa se explicar. Como comandou a petição contra Renan Calheiros, então pode se fingir de promotor do bem público.

O Avaaz recebeu petições, por exemplo, contra os pastores Silas Malafaia e Marco Feliciano, mas recusou as petições a favor de ambos. A organização tem bastante dinheiro — tanto que já encomenda pesquisa ao Ibope e conta com braços em Brasília. Ele não conta quanto isso custa. Diz não saber. Ele revelou como funciona a coisa. Leiam (em vermelho)

A Avaaz deleta alguns abaixo-assinados, como um proposto em defesa do pastor Silas Malafaia. Qual o critério para deletar ou bloquear algumas petições?
Abramovay - O critério mais utilizado, e foi o caso da petição do Malafaia, que se tornou um caso bastante conhecido, é quando alguém da comunidade reclama. Porque a gente vê a Avaaz como um movimento, não é uma rede social, não é um espaço neutro, ela é um movimento que tem princípios. Quando uma parte dessa comunidade diz que essa petição vai contra o princípios do movimento, a gente faz uma pesquisa entre os nossos membros, perguntando, para uma amostra aleatória e por critérios cientificos, se isso representa a vontade dos membros. A gente tem três milhões de membros no Brasil, e pergunta: Vocês acham que essa petição deve continuar ou deve ser retirada? No caso do Malafaia, 77% das pessoas disseram que ela deveria ser retirada, e foi por isso que ela foi retirada.

Mas se a maioria decidisse que a petição teria que ficar, ela ficaria?
Fica.

O Malafaia, assim como o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), atual presidente da Comissão de Direitos da Câmara, disseram que vão processar vocês por terem apagado a petição deles.
Isso mostra que de fato essas manifestações têm tido um efeito político grande, isso é positivo. Mas acho que qualquer tentativa de se reprimir, judicialmente ou não, movimentos políticos, acho que é muito complicado para a democracia. De qualquer maneira, a Avaaz está muito tranquila, existem regras claras na política da publicação e retirada de petições que estão no site. Do ponto de vista do risco jurídico, a gente não vê nenhum risco nessa forma de conduzir esse movimento (…).

Voltei
Mott é professor de antropologia, e Abramovay, de direito. Vejam que grande democrata é esse rapaz: a “maioria” que conta para saber se alguém será ou não demonizado sem chance de defesa é a maioria formada pela turma, entenderam? São os juízes. Juízes que, como ele revela, não são “neutros”.

Assim, Abramovay, que se quer a voz da sociedade — basta ler a entrevista para constatá-lo —, não quer saber, de fato, o que pensa a maioria, mas o que quer a maioria da minoria que ele representa. Com ela, ele mobiliza a imprensa (como se vê), o Congresso, as redes sociais… Quisesse mesmo ser um reflexo da sociedade, ele permitiria que as petições fluíssem sem censura. As pessoas fariam, então, suas escolhas livremente.

Não com ele! A “democracia” deles guarda incrível semelhança, embora sejam mais sofisticados, com a de Hugo Chávez: fazem o que quer a “maioria”, desde que estejam excluídos, em princípio, os adversários.

Ah, sim: vocês notaram que, até agora, não existem mobilizações contra a presença de João Paulo Cunha e José Genoino na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Juntos, eles  somam 17 anos de cadeia…

Ao comentar, peço-lhes, por favor, moderação, equilíbrio, bom senso, tudo o que esses fascistas não têm.

Texto originalmente publicado às 5h14
Por Reinaldo Azevedo

21/02/2013

às 19:40

Serra sobre os 10 de PT no poder: “Nunca antes na história deste país a incompetência foi tão orgulhosa, tagarela e influente”

Na Folha Online:

Adversário de Dilma Rousseff na disputa de 2010, o ex-governador José Serra (PSDB) rebateu as críticas de petistas feitas durante comemoração dos dez anos do partido à frente do Planalto. Segundo Serra, o PT no poder “negou a si mesmo” e “elevou o estelionato eleitoral à categoria de arte”, referindo-se às comparações entre a era FHC e o período de gestão petista feitas em documento divulgado ontem durante evento para marcar a data.

(…)

Serra disse que, nesses dez anos no poder, o PT transformou fracassos em sucesso. “Nunca antes na história deste país a incompetência foi tão orgulhosa, tagarela e influente.”

“Como os petistas conhecem o caminho para remunerar o elogio e punir a crítica, os insucessos vão se acumulando, o futuro vai sendo empenhado para minimizar os danos presentes, e o país já reserva o seu lugar na fila do atraso”, criticou Serra.

Por Reinaldo Azevedo

29/01/2013

às 6:33

Serra, o voto distrital e o gosto de cada um. Ou: Quem pede a aposentadoria de quem

Apontei aqui ontem, analisando um texto opinativo da Folha, a histeria anti-Serra e anti-Alckmin que toma conta de setores da imprensa paulistana. Não me lembro de ter visto coisa parecida. Os dois políticos são tratados por certos “analistas” como se fossem usurpadores do mandato popular e nunca tivessem sido eleitos por ninguém. Essa gente nunca pediu a aposentadoria de Paulo Maluf. Essa gente nunca pediu a aposentadoria de José Sarney — era colunista da Folha até outro dia, se a memória não me trai. Essa gente nunca pediu a aposentadoria de Lula, que decide candidaturas e dá aulas de gestão para o prefeito Fernando Haddad e para auxiliares de primeiro escalão de Dilma. Mas praticamente exige, como se houvesse alguma legitimidade ou sentido, a aposentadoria de Serra.

Além do petismo quase militante presente nas redações, há, claro, as frações do tucanato que se dedicam à fofoca e à delinquência política. Até parece que o PSDB está em condições de hostilizar um dos fundadores do partido e um dos políticos mais tecnicamente preparados do país. Mas a hostilidade existe, sim, em certos nichos e se converte em maledicência nas colunas de notas. Petistas podem se odiar — e há ódios incontornáveis por lá, saibam disso. Mas evitam a prática do tiro ao alvo contra aliados de partido, esporte predileto de alguns tucanos. O resultado é o que se vê. Adiante.

No texto que comentei ontem, o autor, Ricardo Mendonça, emprestava quase tom de denúncia ao fato de que Serra havia sido convidado para dar uma palestra sobre sistema eleitoral brasileiro na sede do diretório estadual do partido. Por alguma, razão, Mendonça achou o convite descabido. Por alguma razão, pareceu-lhe impróprio o convite feito a um dos fundadores do PSDB, deputado constituinte, senador, ministro, prefeito da capital, governador e duas vezes candidato à Presidência. Onde já se viu uma coisa dessas?

É que ele estava anunciando uma descoberta, tanto que exclamou: “Bingo!”. Segundo disse, no encontro de hoje, os aliados de Serra o lançariam como pré-candidato à Presidência, e Mendonça, que não censura Lula por ter disputado cinco vezes a Presidência (e uma o governo de São Paulo), acha que Serra já foi candidato demais! Como antevi aqui, no encontro desta segunda, nem se tocou em 2014, e o ex-governador, indagado a respeito, se negou a falar sobre o assunto.

Voto distrital
Serra falou, isto sim, em defesa do voto distrital, uma tese abraçada por este blog há muito tempo, como sabem. Fez o elenco das vantagens do modelo: 1) barateia as campanhas uma vez que o deputado disputa a eleição num colégio menor de eleitores; 2) aproxima o representante do representado; 3) torna a representação mais justa.

G1 tem de fazer uma correção
O Portal G1 publicou uma reportagem correta sobre a intervenção do tucano, mas cometeu um erro. Está escrito lá:

“Por último, a representatividade regional, no caso Brasil, acaba sendo desproporcional, já que um estado como São Paulo, por exemplo, tem metade do eleitorado do país, mas elege apenas um quarto dos deputados, segundo Serra.”

Serra, evidentemente, não disse isso porque o estado de São Paulo nem tem metade do eleitorado nem um quarto da Câmara. Fosse assim, em vez de 513 deputados, haveria apenas 280… O ex-governador afirmou outra coisa: a Grande São Paulo tem metade do eleitorado do estado e elege apenas um quarto da Assembleia Legislativa.

É a primeira intervenção pública de Serra depois da eleição municipal. Aos jornalistas, disse estar em “fase de descanso e arrumação” e afirmou que voltará a tratar de política em março ou abril. Os que apreciam a biografia de Maluf, Sarney e Lula nunca lhes pediram que se aposentassem. Eu, com ênfase, cobro que Serra não se aposente.

Cada um com seu gosto.

Por Reinaldo Azevedo

28/01/2013

às 6:55

A histeria anti-Serra e anti-Alckmin de setores da imprensa paulistana já beira o patético

Existe um clima anti-Serra e anti-Alckmin em setores da imprensa paulistana que beira a histeria. A gente sabe quem foi o beneficiário dessa história na eleição do ano passado. O objetivo agora é colar a pecha de “velharia” no governador de São Paulo. O curioso é que os critérios empregados para criticar os tucanos parecem não valer para os petistas. Na Folha de hoje, Ricardo Mendonça escreve um texto espantoso. Segue em vermelho. Comento em azul.

Oligopólio tucano
Desde o ano 2000, antes de Lula chegar à Presidência, portanto, os únicos dois nomes que o PSDB oferece aos paulistanos em qualquer eleição para prefeito, governador ou presidente da República são José Serra e Geraldo Alckmin.

O atual governador de São Paulo foi candidato a prefeito na capital em 2000 e 2008. Serra disputou a prefeitura em 2004 e 2012. Antes, já havia tentado em 1988 e 1996. Repare: só eleitores paulistanos com mais de 37 anos de idade tiveram a chance de votar num tucano que não fosse Serra ou Alckmin para prefeito. Foi na longínqua candidatura do hoje verde Fabio Feldmann em 1992, lembra?
A, digamos, tese de Ricardo Mendonça não é dele, mas de Humberto Dantas, cientista político do Insper. Já desmontei essa história aqui. O professor destacava, então, que o trio Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra disputou, desde 1988, quando se formou o PSDB, 12 das 13 eleições havidas em São Paulo (considerando cidade e estado) — a exceção foi Fábio Feldman, que concorreu à Prefeitura em 1992. O partido venceu seis. E no PT? Nesse período, Eduardo Suplicy disputou duas eleições majoritárias; perdeu as duas (era a sua terceira…); Luiza Erundina disputou duas, perdeu uma. Marta disputou três; perdeu duas; Mercadante disputou duas — não conseguiu. Só aí já se contaram 9 das 13 eleições. De resto, como o critério de comparação é o PT, por honestidade metodológica, Dantas deveria ter analisado o índice de renovação do PT também desde a origem do partido. Cairia ainda mais.

É tão alto assim esse índice no petismo? As únicas exceções no repeteco, de 1988 até 2012, foram Plínio de Arruda Sampaio (1990), José Dirceu (1994) e José Genoino (2002) na disputa pelo governo do Estado. Exceção feita a este último, os outros eram quase anticandidatos. Pura falta de opção. Em 2012, o partido emplacou Fernando Haddad. Esse debate é espantoso! O pior é que alguns tucanos o levam a sério. Mais estúpido ainda: muitos deles ficam plantando essas bobagens na imprensa e ainda se acham muito sagazes…

Nas eleições para o Planalto ou para o Bandeirantes, a situação é parecida. Em 2002, Serra saiu para presidente, Alckmin para governador. Em 2006, inverteram: Alckmin para presidente, Serra para governador. Em 2010, desinverteram: Serra novamente para presidente, Alckmin novamente para governador.
Desde 1989, os “dois únicos” nomes que o PT ofereceu para a disputar a Presidência da República foram Lula e Dilma. Ele foi candidato em cinco eleições seguidas, um recorde. Ela disputará a reeleição. Assim, em 2014, apenas dois nomes petistas terão sido candidatos ao longo de… 25 anos!!!

Petistas que tinham 18 anos em 1989 chegarão aos 43, em 2014, tendo votado em Lula ou em Dilma. Atenção! Ele só não será candidato de novo daqui a dois anos porque a governanta bateu o pé. Como o PT é chegado a uma “novidade”, o Apedeuta já se autodeclarou coordenador político do governo! Reúne-se com Fernando Haddad e o secretariado na Prefeitura de São Paulo para estabelecer as diretrizes da gestão. Num seminário, chama o alto escalão de Dilma para dar algumas lições. Isso não parece preocupar Ricardo Mendonça. Não vê nada de velho nem de estranho.

Hoje acontece a abertura do congresso estadual do PSDB paulista. A expectativa é que Serra apareça e faça seu primeiro discurso após a eleição municipal de outubro. Os tucanos devem aproveitar para discutir estratégias para 2014. Qual é a grande articulação em curso?
Bingo. Dar um jeito para lançar Serra para presidente (a tática agora é falar em prévias ou primárias); e garantir as condições para a reeleição de Alckmin governador.
Duvido que haja o “lançamento” a que ele se refere. Mas ainda que aconteça, é faltar escandalosamente com a verdade afirmar que a “tática agora é falar em prévias ou primárias”. Como assim? “Agora”??? Serra já disputou prévias na eleição do ano passado. Teria havido a consulta em 2010 se Aécio não tivesse desistido.

Nem é justo dizer que o PSDB tem problemas para formar quadros competitivos. Depois do petista Fernando Haddad, o maior vencedor da eleição paulistana foi o neopeemedebista Gabriel Chalita, tucano até outro dia. O Rio de Janeiro reelegeu o prefeito com a segunda maior votação proporcional em capitais, Eduardo Paes, tucano até outro dia. Em Curitiba, a surpresa foi a vitória de Gustavo Fruet (PDT), tucano até outro dia.
Mendonça tentou ser irônico, mas só falou uma grande, uma escandalosa bobagem. O raciocínio faria algum sentido se esses políticos tivessem mudado só de partido, mas não de lado. E eles mudaram. Chalita deixou de ser tucano para ser socialista e é agora peemedebista. Paes jamais se elegeria prefeito no Rio no PSDB, ainda que tivesse conseguido tomar a máquina das mãos do grupo de Marcelo Alencar. Fruet encontrou em confronto com o governador Beto Richa, também por questões locais. O prefeito do Rio teve o apoio das máquinas estadual e federal. O de Curitiba foi eleito pela rejeição a Ratinho Jr.

Por que eles só conseguiram subir ao primeiro escalão da política após sair do PSDB? Poderia ser um tema para o congresso de hoje. Mas não é.
A resposta é simples: porque isso não tem a menor importância. O grau de renovação no PSDB não é menor do que nas duas grandes legendas: PT e PMDB — ou o analista vê um peemedebismo fervilhante com Renan Calheiros voltando à Presidência do Senado, apoiado por Michel Temer e José Sarney?

Ainda que Serra queira e eventualmente consiga ser o candidato do PSDB à Presidência, estaria disputando o cargo pela terceira vez — distante ainda das cinco de Lula, que perdeu três. Mas o petismo, nessa formulação, parece ser uma máquina de renovação. Se Aloizio Mercadante conseguir, como pretende, emplacar a sua candidatura ao governo de São Paulo em 2014, será a sua terceira jornada.

Desde já se tenta caracterizar a eventual reeleição de Alckmin como mais do mesmo, mero repeteco, buscando reproduzir, em escala estadual, a onda que elegeu Fernando Haddad. São os petistas trabalhando a massa…

A imprensa paulistana, com as exceções de praxe, vive mesmo um momento encantador. Sob seu silêncio cúmplice, Lula, que não foi eleito por ninguém, atua ora como prefeito de São Paulo, ora como chefe de estado — além de dar murro na mesa e decidir quem é e quem não é candidato. Prova de modernidade!!! Serra e Alckmin, no entanto, segundo entendi, deveriam se aposentar e não disputar mais eleições. Parece que eles não atendem ao particularíssimo senso de renovação de alguns analistas…

Por Reinaldo Azevedo

21/10/2012

às 5:07

Daqui a pouco, haverá mais gente nos lançamentos dos meus livros do que nos comícios do PT. Ou: PT quer Sírio-Libanês para Lula e Dilma, mas não para o povo

O PT fez ontem o seu “megacomício” em São Paulo em favor da candidatura de Fernando Haddad. Estiveram presentes Luiz Inácio Apedeuta da Silva, a presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente, Michel Temer e mais sete ministros de estado, entre eles José Eduardo Cardozo (o de Justiça), Aloizio Mercadante (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde). O último capítulo de “Avenida Brasil” foi ao ar anteontem. Era para ser uma festança de arromba. Como todo o aparato oficial mobilizado mais a máquina partidária, compareceram ao local, com boa vontade na estimativa, umas três mil pessoas. Daqui a pouco, haverá mais gente nos lançamentos de “O País dos Petralhas II” do que nos comícios do PT.

“Olhem aí… As pesquisas apontam o Haddad na frente, e esse Reinado Azevedo fica ironizando os comícios do PT…” Ironizo mesmo, ué! Trata-se de um número ridículo quando se trata de líderes tão populares, ora! Pode até ser que o petista venha a ganhar a disputa, mas certamente não será porque a população se entusiasmou com ele. Mas não quero falar disso agora, não.  De resto, como diria o Velho Guerreiro, a eleição só acaba quando termina.

O que chama a minha atenção é outra coisa. Abaixo, reproduzo, em vermelho, texto de Gustavo Uribe, do Globo, sobre o comício petista. As ofensas que Lula dirigiu ao tucano José Serra, aliás, estão na manchete da Folha Online e na submanchete do Globo Online. Vivemos dias assim: Lula ofende alguém e ganha o noticiário. Dilma e Lula satanizaram José Serra. Era fala para ser levada ao horário eleitoral nesta semana.

Em comício na capital paulista neste sábado, a presidente Dilma Rousseff acusou o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, de fazer uma campanha eleitoral de baixo nível e, em uma crítica indireta ao ex-governador de São Paulo, disse que o PT não é “raivoso”. Em ato político em apoio à candidatura de Fernando Haddad, a presidente comparou os ataques a que o candidato do PT tem sido alvo nesta campanha eleitoral aos feitos contra ela na campanha eleitoral de 2010, quando José Serra também era o candidato do PSDB.
“Os mesmos argumentos usados contra mim estão sendo usados contra Fernando Haddad, às vezes sorrateiramente, às vezes abertamente. Eles disseram que eu era um poste, que não tinha competência para governar. Eles usaram de todos os argumentos. A mesma campanha eleitoral de baixo nível que estão fazendo com o Fernando Haddad eles fizeram comigo”, disse a presidente Dilma Rousseff.

Vamos ver. O leitor que não é de São Paulo não tem como saber, então informo. Na televisão, a campanha de Haddad já acusou Serra de ser o responsável pela quase cegueira de um homem. Isso é campanha de alto nível. Já afirmou que a Prefeitura se negou a doar terreno para creche. Documentos provaram ser mentira. Isso é campanha de alto nível. Acusa Serra de ter abandonado a Prefeitura. Ele renunciou para se candidatar ao governo e foi eleito no primeiro turno. Isso é campanha de alto nível. Sustenta que o tucano só governou para os ricos, o que é uma estupidez. Isso é campanha de alto nível.

Quanto à fala da presidente Dilma, dizer o quê? Qual foi a campanha de “baixo nível” de que ela foi vítima? Serra, como candidato de oposição em 2010, tinha críticas ao governo, o que é próprio das democracias. Imaginem se Obama, nos EUA, ousaria acusar Romney de “baixo nível” porque o contesta. Mau caminho, dona Dilma! Se a senhora se abespinhou quando nem era presidente, suponho que vá ameaçar com a palmatória quem ousar criticá-la em 2014.

Dilma está faltando com a verdade. Em 2010, infelizmente, acho que Serra foi bonzinho demais com ela. Suas contradições e a sua incompetência à frente da Casa Civil, que têm desdobramentos ainda hoje no governo meia-bomba, foram pouco exploradas. As precariedades de infraestrutura do país, que não são pequenas, têm uma grande corresponsável: Dilma Rousseff.

O ex-governador de São Paulo também foi alvo de críticas duras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o comparou aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, que não cumpriram o mandato até o final. Em 2005, José Serra deixo a prefeitura de São Paulo para disputar o governo paulista. Segundo o líder petista, José Serra é um “bicho que tem uma sede de poder inigualável” e está cada dia “mais raivoso”. O ex-presidente petista aconselhou ainda o candidato tucano a “ficar quieto e esperar para disputar a sucessão presidencial em 2014 ou 2018″. Segundo ele, José Serra deixou a prefeitura de São Paulo após “não aguentar a primeira enchente”.

“Ele perdeu as eleições e agora não sabe ficar sem um mandato. Ele deveria ficar quieto e esperar para disputar em 2014 ou 2018. Será que ele não sabe que continua a ter enchente e vai cair fora de novo?”, questionou o ex-presidente petista.

Eis aí o alto nível da campanha! A tanto descem uma presidente e um ex-presidente da República. Collor, atual aliado de Lula, foi impichado. Jânio renunciou porque queria dar um golpe. Serra saiu da Prefeitura para se eleger governador no primeiro turno, com mais votos na cidade do que teve na eleição para prefeito, tal era o “descontentamento” da população. De enchente, ademais, o PT entende bem! Serra ao menos estava na cidade, não é? Numa das vezes em que São Paulo estava debaixo d’água, a então prefeita Marta Suplicy estava descasando em… Milão!

Serra, segundo o alto nível de Lula, é “bicho que tem sede de poder”. Lula, como sabemos, é um “bicho” modesto, que se contenta em levar uma vida simples, afastado dos holofotes e do poder do estado. Por isso, em comício em Santo André e em Mauá, anunciou que vai atuar como lobista no governo Dilma para que mande mais verba para aquelas cidades caso petistas sejam eleitos.

Reparem que nem Dilma nem Lula atacaram Kassab. No palanque, na presença dos dois, parece que nem Haddad o fez. O prefeito virou alvo das porradas só no horário eleitoral, sem o endosso visível dos outros dois. Por quê? Porque a presidente conta com os quarenta e tantos votos na Câmara do partido do atual prefeito da Capital. É possível até que o PSD venha a ter um ministério. Não se descarte nem mesmo que possa integrar a base de apoio a Haddad na Câmara caso ele se eleja. Vale dizer: Kassab é usado para atacar a candidatura de Serra, mas será útil depois. O prefeito já disse que tende a apoiar Dilma em 2014. Mais: o PT conta atraí-lo também para a aliança contra Alckmin. Política de alto nível. 

Ao todo, acompanharam o ato político cerca de três mil militantes. O comício eleitoral será usado na última semana do horário eleitoral gratuito do candidato do PT. Ao todo, estiveram presentes sete ministros, entre eles José Eduardo Cardoso (Justiça), Alexandre Padilha (Saúde) e Aloizio Mercadante (Educação). O vice-presidente Michel Temer também subiu no palanque eleitoral e assegurou que a bancada municipal do PMDB será aliada de Fernando Haddad caso seja eleito prefeito de São Paulo. Em discurso, Fernando Haddad também fez ataques a José Serra e o acusou de produzir mentiras na reta final da campanha eleitoral.

“Não podemos deixar a mentira corroer o que construímos até aqui. Eles tratam São Paulo como se fosse uma propriedade privada, o que não é”, afirmou o candidato do PT.

De mentira, Haddad também entende. Em seu programa de governo, diz que vai tirar as Organizações Sociais que gerenciam aparelhos de saúde na cidade. Caso vença e caso cumpra a promessa, será um caos no setor. Questionado, afirmou não ser essa a sua intenção. Vale dizer: seu programa diz uma coisa, e ele, outra.

O PT quer acabar com essas parcerias. Recorreu ao Supremo contra elas. Entre os gestores de hospitais públicos, estão o Albert Einstein e o Sírio-Libanês, que Dilma e Lula conhecem muito bem. Entendo! Quando eles precisaram ter a certeza de um bom atendimento, procuraram um hospital privado de primeira linha — no caso, o Sírio-Libanês. Mas acham, pelo visto, que o povo não tem direito a tamanha regalia. Tem é de se conformar com a tradicional precariedade do serviço público.

Aliás, taí. A campanha de Serra deveria levar esta questão ao horário eleitoral: por que Haddad não quer que o povo tenha o que Lula e Dilma tiveram no Sírio-Libanês: o alto nível?

Por Reinaldo Azevedo

18/10/2012

às 7:09

E Haddad continua dispensado pelos jornalistas de responder sobre sua própria obra. O nome disso é campanha eleitoral

A adesão da imprensa dita “neutra” e “isenta” à candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo é vergonhosa e eticamente dolosa. É vergonhosa porque se pratica o engajamento mais descarado, mas sem advertir o leitor. “Com você é diferente?”, pergunta o petralha nervosinho. É! Eu já declarei voto. E é eticamente dolosa porque apela à mentira. “Com você é diferente?”, insiste aquele mesmo, tirando do chão as patinhas dianteiras. É! Declarei voto, mas só lido com fatos. A que estou me referindo?

Por incrível que pareça, boa parte dos repórteres faz perguntas sobre o kit gay apenas ao tucano José Serra. O petista Fernando Haddad não precisa responder sobre a sua própria obra. A Serra, as questões, quase invariavelmente, vêm em tom negativo, embutindo um engajamento já na pergunta: “O senhor não teme que…” — e lá vem uma pauta do interesse de Haddad ou do sindicalismo gay. Ninguém teve a vergonha na cara, até agora, de perguntar ao petista se é lícito fazer proselitismo sobre bissexualidade a crianças; ninguém perguntou a Haddad se é lícito defender na escola que travestis usem banheiros femininos. Ninguém perguntou a Haddad se é lícito promover joguinhos com os infantes para tratar das pessoas que se “sentem desconfortáveis com seu órgão genital”. 

Ninguém perguntou a Haddad nem mesmo a diferença entre a crítica que Serra faz ao kit gay e a crítica que Dilma fez, quando vetou o material. Refaço a sugestão para que a campanha tucana coloque no ar aquele vídeo, no horário eleitoral, sim!

E por que não se pergunta nada disso? Porque o tal kit é tido como “progressista”, e não se admite, como escreveu Marcelo Coelho, que alguém possa ser contra ele, a menos que seja “desumano ou sórdido”. Logo, só se pode ser humano e decente aderindo à pauta. E não pensem que os editores se envergonham disso, não! De jeito nenhum! A isenção, hoje em dia, consiste em haver divergências de um lado só. Quanto Marta Suplicy e Haddad ainda trocavam cotoveladas para ver quem seria o candidato do PT, a “isenção” da imprensa paulistana chegou a ser comovente. Quando é PT versus PT, a gente vê o espírito do verdadeiro jornalismo, né?… Do “lado” e do “outro lado” do mesmo lado! Quando ficou claro que Lula queria mesmo o agora candidato, aí a ex-prefeita já começou a apanhar: era velha demais, muito rejeitada, antipática… Assim, mesmo na isenção de um lado só, um homem ainda pode fazer desequilibrar a balança…

Um força real de oposição que decida confrontar o petismo vai tomar porrada do jornalismo e ponto final! Se, para arremate dos males, houver um tema ligado a comportamento ou valores, aí não tem jeito: ou o sujeito é favor da descriminação das drogas, do aborto e do kit gay, ou é “desumano e sórdido”. Afinal, como é possível ser decente sem ser um deles?

O mais estupefaciente, atenção, é que o kit gay foi introduzido no debate político-eleitoral, em São Paulo, pelo… PT! Eu, de fato, escrevo muito, como sabe toda gente. Uma característica (chego até a achar uma qualidade) que facilita o meu trabalho é a boa memória. Até agora ao menos, ela não me deixou na mão. Não manca. Vamos lá. No dia 18 de março deste ano, escrevi um post que tinha um daqueles meus títulos enormes: “Os truques dos esquerdistas para iludir eleitores e de parte da imprensa para iludir leitores. Ou: A Internacional Comunista se funde ao “Freak Le Boom Boom”, de Gretchen, a Marilena Chaui do rebolado! Ou: “Precisamos achar uma pauta para Haddad!”

Releiam, em azul, trecho do que escrevi então:
Queridos, abaixo vai um longo texto sobre o modo como as esquerdas, especialmente a petezada, com a colaboração da imprensa, tentam dar um truque no eleitor — e nos leitores. Também demonstrarei que os figurões do PT se pelam de medo de que a população se lembre de quem são os petistas e do que é o PT. A operação para tentar blindar Fernando Haddad dos temas polêmicos é gigantesca e já mobiliza os apparatchiki da academia e do jornalismo. Uma coisa curiosa: até agora, o pré-candidato tucano à Prefeitura, José Serra, não tocou em temas como o kit gay para as escolas, por exemplo. Os petistas, no entanto, não falam em outra coisa e insistem: tratar do assunto em campanha seria baixaria… Fazem isso agora para mobilizar os “progressistas” do miolo mole e a imprensa, tentado criar precocemente um cordão sanitário em torno do tema, intimidando os adversários.
(…)
As editorias de política dos grandes jornais de São Paulo estão um pouco desesperadas, Por quê? Porque é preciso, afinal de contas, noticiar alguma coisa sobre Fernando Haddad, o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. Mas o quê? O “nosso” (delas) candidato é ruim de doer!
(…)

Volto a hoje
Eis aí. Serra, reitero, não tinha tocado nesse assunto, e os petistas já tratavam obsessivamente dele. E já se preparavam para usar a velha tática leninista de acusar os adversários pelos crimes que eles próprios cometem. Naquele post, eu reproduziu trechos de uma reportagem do Estadão que tratava da mobilização de intelectuais em favor de Haddad. Uma tal Walquíria Leão Rego, titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp, afirmou ao jornal esta maravilha: Chegou o momento crucial, e há o sentimento de que temos de fazer alguma coisa, mesmo sem tribuna. Não podemos deixar que o Serra faça com o Haddad o que fez com a Dilma em 2010?. Acrescentou, então, o Estadão: Walquíria [faz] alusão ao confronto religioso que marcou a campanha entre o ex-governador e a petista Dilma Rousseff, eleita presidente. ‘Para os tucanos, o combate em São Paulo é de vida ou morte’, disse a socióloga, que tem vários estudos sobre o programa Bolsa Família.”

A independente Walquíria tem trabalhos sobre o Bolsa Família… Sei. Muito bem! O que Serra fez a Dilma em 2010? Ora, cometeu o crime de se opor a ela! Isso é mesmo coisa grave! “Confronto religioso?” Qual? Reitero: o post tem sete meses! A campanha nem havia começado! E os petistas já estavam empenhado em sair gritando por aí: “Ele está me agredindo!” Vale dizer: para blindar Haddad, já se atribuía a seu adversário o que ele não havia feito.

A blindagem
E a blindagem permanece! Agora, o tema virou pauta obrigatória dos que vão entrevistar Serra — e não que ele não deva falar a respeito. Tem mais é de falar, sim!,apontando os descalabros daquele troço. Haddad, no entanto, é poupado de sua própria obra e de alguns de seus desastres como gestor público.

Texto publicado originalmente às 5h45
Por Reinaldo Azevedo

14/10/2012

às 6:45

Serra: “Kit gay quer doutrinar em vez de educar”. Ou: “Eu não sou cristão de boca de urna”

O candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, concede neste domingo entrevista ao Estadão e à Folha. Destaco trechos da primeira.

Por Bruno Boghossian e Iuri Pitta:
Na semana em que o candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad voltou a ser alvo de setores religiosos, o tucano José Serra disse que o problema do material de combate à homofobia elaborado na gestão do petista no Ministério da Educação era “pedagógico”. “O kit gay quer doutrinar em vez de educar”, afirmou. A presidente Dilma Rousseff cancelou a distribuição do material. Serra defendeu que religiosos possam manifestar opinião nas eleições e criticou o PT por “reprimir” as que não são favoráveis ao partido. “O Silas Malafaia apoiou o Eduardo Paes com vice do PT no Rio. Foi do conselhão do Lula. Declarou apoio a mim, virou inimigo.” O tucano reconheceu que a renúncia à Prefeitura, em 2006, prejudicou sua votação há uma semana e anunciou que vai adotar propostas de siglas que o apoiam no 2.º turno, como o auxílio-creche a mães que esperam vaga, de Soninha Francine (PPS).
(…)
O sr. tratou da questão da renúncia na campanha, mas ainda hoje é questionado pelos eleitores sobre isso. Essa dúvida prejudicou sua votação no 1º turno?
Acho que sim, embora, na época, não fosse uma dúvida. É um problema que surgiu na própria eleição municipal, e é natural que seja assim. Dentro do que me é permitido fazer, eu fiz e vou continuar fazendo. Eu não deixo de conversar a respeito.

(…)
No 1º turno, seus dois principais adversários trataram de projetos a fim de reduzir a tarifa de ônibus. O sr. tem proposta para reduzir o custo da passagem?
A proposta do bilhete mensal não é redução de custo. Aí é que está a enganação. A outra não tinha cabimento. Não é que cause dano, só não tem relevância, e foi apresentado como grande ideia, a meu ver por estratégia eleitoral e porque não pensaram muito.

O ministro Gilberto Carvalho disse que o mensalão atrapalhou o PT na eleição. O sr. concorda?
Claro que atrapalha. O mensalão é um processo em cima do PT e do seu governo. E não é só processo, agora é condenação. O empenho deles é que passe desapercebido, mas não passa.

O sr. já tinha apoio do PR, que tem um réu condenado, e agora tem do PTB, que também tem…
O (Roberto) Jefferson foi quem denunciou o mensalão. Pode ter gente de outros partidos, mas o mensalão é do PT.

Em resposta, o PT já tem falado do chamado “mensalão mineiro”.
É a reação tipicamente petista. Bate carteira e grita ‘ladrão’ para dispersar a atenção. O PT no governo foi um retrocesso em termos de moralidade pública.

O sr. se refere só ao governo Lula, ou inclui o governo Dilma?
A Dilma pegou essa herança. Ela é do PT, se comporta como petista. Começou fazendo gentilezas ao Fernando Henrique, mas, na hora H, voltou às coisas anteriores, satanizando o governo anterior sem hesitar.

O sr. acha que o material de combate à homofobia foi o ponto mais fraco da gestão de Fernando Haddad na Educação?
O pior foi a área educacional propriamente dita. Quem tem que se explicar sobre o kit é ele, a Dilma, que revogou (a distribuição), e o TCU, que está cobrando os R$ 800 mil gastos nisso. Quando eu era ministro, não saía uma peça publicitária ou educacional sem que antes eu tivesse revisado o conteúdo. É inadmissível! Mas a questão é a gestão, que vai deixar marcas desastrosas para o futuro: a desmoralização do Enem, as maiores greves da história desde o governo Figueiredo.

Ainda sobre o kit, pastores evangélicos, em especial Silas Malafaia, fizeram críticas fortes ao conteúdo. O sr. concorda?
O Silas Malafaia apoiou o Eduardo Paes com vice do PT no Rio. Ele foi do conselhão do Lula, aquele conselho de desenvolvimento social. O problema é que, declarando apoio a mim, passou a ser inimigo do PT. Eu não vi a crítica mais aprofundada, mas tem um erro incrível, inclusive de matemática, quando, no fundo, faz apologia do bissexualismo. Diz que é bom ser bissexual porque você aumenta em 50% a chance de ter programa no fim de semana. Não é 50%, é 100%. Segundo, isso não é combater homofobia, é uma espécie de doutrina. O problema do kit gay é acima de tudo pedagógico. Quer doutrinar, em vez de educar.

Se assumir a Prefeitura, o sr. pretende criar programa de combate à intolerância nas escolas?
Homofobia e intolerância tem de ser combatidas sempre, de forma adequada. Eu fiz isso sempre na vida pública: políticas para deficientes, mulheres, idosos. Meu currículo em matéria de enfrentamento da discriminação e do preconceito ganha de qualquer petista. Essa questão religião-política: os católicos e os evangélicos têm o direito de se manifestar. De repente, isso fica proibido! No caso do PT, sempre que não é a favor deles. Eu não sou cristão de boca de urna. O PT quer sempre reprimir isso quando não é do lado deles. É antidemocrático e preconceituoso.

Por Reinaldo Azevedo

01/10/2012

às 5:17

Em comício, Serra diz que Dilma “usa governo como propriedade privada”

 

Por Felipe Frazão e Julia Duailibi, no Estadão:
Na véspera do desembarque da presidente Dilma Rousseff em São Paulo para participar de um comício de Fernando Haddad (PT), o candidato tucano à Prefeitura, José Serra, afirmou no domingo, 30, que ela “usou o governo” para beneficiar o candidato petista. Chegou a citar o filme O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, para atacar o fato de Haddad ser apadrinhado pela presidente e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Aqui não tem ninguém apadrinhado. O último filme que eu vi com esse título é do começo dos anos 1970, O Poderoso Chefão (‘The Godfather’, que significa o padrinho, em tradução literal). Não precisamos de padrinho”, disse Serra durante discurso na Vila Matilde, zona leste. Ele estava acompanhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), cuja imagem é bastante usada na campanha.

Referindo-se a uma frase dita em 12 de setembro – “Dilma vem meter o bico em São Paulo” -, o tucano afirmou: “Quando eu disse que a presidente da República errou, não disse que errou porque deu palpite na eleição aqui. Ela não é de São Paulo, conhece pouco São Paulo.”

No discurso, Serra também bateu no fato de a senadora Marta Suplicy (PT) ter sido nomeada para o Ministério da Cultura, antes ocupado por Ana de Hollanda, após começar a apoiar a candidatura de Haddad. “Demitir uma ministra e nomear outra ministra só para ter o apoio interno dentro do PT para um candidato a prefeito é usar governo como se fosse propriedade privada.” Dilma sobe nesta segunda-feira, 1, no palanque de Haddad às 19h na zona leste. Lula também participa do comício.

Coube ao ex-governador Alberto Goldman (PSDB) vincular Haddad – a quem chamou de rapaz “novo e engomadinho” – ao caso do mensalão, afirmando que o STF já decidiu que houve desvio de dinheiro público e que os beneficiários fazem parte da base do governo federal. “Pessoas ligadas ao atual candidato do PT”, disse. “Essa semana o STF vai decidir quem foram aqueles que organizaram essa quadrilha.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

30/09/2012

às 7:25

Lula, o nosso Maomé frustrado, não reconhece o poder do Supremo, a legitimidade da oposição e a autoridade do povo. A menos, claro!, que façam o que ele manda!

Luiz Inácio Inconformado da Silva não está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal, embora, a meu juízo, devesse. Supor que a quadrilha do mensalão tenha se reunido naquela orgia de corruptos ativos e passivos, no embalo de peculatos e gestão fraudulenta, sem a sua anuência vai além da ingenuidade, não é? Trata-se mesmo de uma forma de cretinice. A Procuradoria-Geral da República, de todo modo, diz não ter conseguido reunir indícios suficientes para denunciá-lo. Nas conversas que mantém com interlocutores, reveladas por VEJA, Marcos Valério diz o que a todos parece óbvio: “Lula era o chefe”. É bem verdade que há outros inquéritos que investigam outras franjas do mensalão — inclusive aquele que diz respeito ao BMG e que corre na Justiça Federal de Minas. Nunca é tarde para chegar ao Babalorixá de Banânia. Naquele caso, as pegadas de Lula parecem muito claras.

O Apedeuta resiste, para usar palavra de sua predileção sobre si mesmo, a “desencarnar”. E agora, na sua compreensão sempre perturbada da democracia — espero que aquele rapaz que resenhou meu livro, o tal Bernardo Mello Franco, não se abespinhe por eu estar “atacando” Lula —, resolveu que existe uma contradição inelutável entre o “STF” e o “povo”. Um estaria de um lado, e o outro, de outro!!! Na coluna Holofote da VEJA desta semana, lemos a seguinte nota:
“’Eu não vou deixar que o último capítulo de minha biografia seja escrito pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Quem vai escrevê-lo é o povo’. Foi com essa frase que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou um almoço com um ex-ministro há duas semanas. Lula não aceita a interpretação corrente de que a condenação dos mensaleiros e o fracasso do PT nas eleições representarão o fim de sua carreira política. O interlocutor ficou em dúvida se ele pretende voltar às urnas em 2014 ou se liderará uma campanha para tentar reverter a condenação dos mensaleiros.”

Voltei
As dúvidas desse interlocutor não fazem sentido político e jurídico. Comecemos por este último: a decisão do STF é irrecorrível. Os “embargos infringentes” então mais para “embargos auriculares”, que se fazem só nas orelhas do interlocutor. A maioria dos réus, até agora, está condenada por placar expressivo. Há casos de 11 a zero, 10 a zero (depois da saída de Cezar Peluzo), 10 a 1, 9 a 2… O que Lula pretende fazer? Mandar os bate-paus do petismo cercar o Supremo de tacape na mão? É retórica balofa para realidade frouxa, oca.

No que concerne à política, qual a saída? Dar um pé em Dilma e tomar o lugar dela como candidata natural à reeleição? No petismo, atenção!, há entusiastas de sua candidatura ao governo de São Paulo. É… Talvez pudesse tentar. Não custa lembrar que este senhor perdeu todas as disputas se considerarmos só o eleitorado do Estado. Se dependesse só de São Paulo, ele e Dilma nunca teriam sido eleitos presidentes da República. Luiz Inácio Faroleiro da Silva pode correr esse risco? Muitos ficarão francamente melados de emoção. Se der certo, bem… Se não der, será um enterro político sem glórias.

O desempenho vexaminoso do PT nas capitais — e tudo indica que o resultado será muito ruim nacionalmente — demonstra que seus poderes mágicos eram frutos da mística e da mistificação. Não! O eleitorado não faz o que Lula manda. E ponto! Se Fernando Haddad passar para o segundo turno em São Paulo, o projeto do chefão manco do PT ganha sobrevida porque é bem provável que Russomanno não tenha fôlego para a segunda rodada. Se não passar, os tais coelhos que ele prometeu assar quando se tornasse ex-presidente o aguardam…

Lula está desesperado. Ontem, os petistas fizeram dois comícios na Zona Leste da cidade. O Apedeuta, que disputou uma vez o governo de São Paulo e cinco vezes a Presidência — tendo sido eleito, então, depois de quatro derrotas para cargos executivos —, recomendou, com a grosseria que lhe é peculiar, que José Serra se aposentasse… Sabem o que é fabuloso? No próximo dia 27, o petista completará 67 anos. É apenas três anos mais novo do que o tucano — diferença que, convenham, a partir, sei lá, dos 20, já não faz mais… diferença! Dia desses, afirmou que, caso Dilma não queira se candidatar à reeleição (era um convite…), ele aceitaria a parada. Se isso viesse a acontecer, estaria com 69 anos…

Não pensem que Lula está brincando quando recomenda que o adversário se aposente! Ele fala a sério. E agora começo a ligar os pontos, leitor: o homem que não reconhece a autoridade do Supremo e pensa em apelar ao “povo” para contraditar o tribunal é o mesmo que não reconhece a legitimidade do adversário e da oposição. Quando sugere a aposentadoria de Serra, está deixando claro que não quer vencer o seu opositor, mas eliminá-lo do jogo político.

Esse demiurgo inescrupuloso pode avançar também para a delinquência política pura e simples. Referindo-se a Marta Suplicy, que estava presente ao comício, afirmou que “não deixaram Marta se reeleger” por ela “se meter a fazer coisas para os pobres”.

“Não deixaram”??? Quem “não deixaram”, cara-pálida? Em 2004, Serra foi eleito contra Marta pelo povo. Em 2008, Kassab foi eleito prefeito contra Marta pelo povo! Entendi: o Babalorixá de Banânia não reconhece o poder do Supremo, não reconhece a legitimidade da oposição e não reconhece nem mesmo a autoridade do povo se este não votar em quem ele manda. Entendo seu nervosismo: o PT perdeu a eleição para o governo de São Paulo duas vezes (2006 e 2010) e a para a Prefeitura duas vezes (2004 e 2008) com ele na Presidência da República, tentando dar ordens aos paulistas e paulistanos.

Lula não se conforma de não ser o nosso Maomé, ainda que certa imprensa faça esforço para isso. É que eu não sou um exímio desenhista, viu, Mello Franco? Se fosse, agora faria uma charge de Lula pendurado na brocha do próprio rancor.

Por Reinaldo Azevedo

28/09/2012

às 19:44

CUT, que tentou tumultuar entrevista de Serra, já foi multada em julho deste ano por fazer campanha eleitoral petista. É vergonhoso!

A CUT, como vocês leem no post abaixo, mandou um “repórter” com o fito exclusivo de tumultuar uma entrevista coletiva do tucano José Serra, candidato à Prefeitura de São Paulo. Eles são novos nisso??? Não!!! Como escrevo ali, são useiros e vezeiros do expediente. E posso provar o que digo.

Leiam trecho de uma informação publicada no site do Tribunal Superior Eleitoral no dia 30 de julho deste ano:

TSE multa CUT e Editora Atitude por propaganda ilegal em favor de Dilma

O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aplicou na noite desta terça-feira (10) multas de R$ 15 mil à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e à Editora Gráfica Atitude Ltda. por fazerem propaganda eleitoral ilícita em favor da então candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência da República, Dilma Rousseff, e contrária a José Serra, candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ao cargo em 2010. Os ministros do Tribunal entenderam que tanto a CUT como a gráfica desrespeitaram a legislação eleitoral ao promoverem a candidatura de Dilma em jornal bancado pela central e em revista produzida pela editora, respectivamente em setembro e outubro de 2010.

Dispositivo do artigo 24 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) proíbe que sindicatos contribuam direta ou indiretamente com recursos para campanhas de candidatos ou partidos.

Na condição de relatora, a ministra Nancy Andrighi considerou que o Jornal da CUT, de setembro de 2010, e a Revista do Brasil, da Editora Atitude, de outubro de 2010, divulgados inclusive pelo site da central sindical, enalteceram a candidatura de Dilma Rousseff em manchetes, textos e editoriais, como se a candidata fosse a mais apta a ocupar o cargo público pretendido. Além disso, segundo a ministra, as publicações fizeram propaganda negativa de José Serra, então candidato do PSDB a presidente. Segundo os autos do processo, a revista, mantida por dois sindicatos, é distribuída a 360 mil trabalhadores.

“Os elementos probatórios dos autos não deixam dúvida quanto à realização da propaganda eleitoral. Os textos fazem menção direta às eleições presidenciais e suscitam a ideia de que a candidata representada seria a mais apta ao exercício do cargo em disputa, além de fazer propaganda negativa contra o seu principal adversário nas eleições de 2010”, disse a ministra relatora.

A ministra lembrou em seu voto que o ministro Joelson Dias, que não integra mais a Corte, deferiu em outubro de 2010 parte de pedido de liminar, apresentado pela coligação “O Brasil Pode Mais”, do candidato José Serra, determinando que a CUT e a Editora Atitude se abstivessem de distribuir, respectivamente, o Jornal da CUT, ano 3, nº 28, e a Revista do Brasil, edição nº 52. O ministro determinou ainda que a central sindical se eximisse de reproduzir os textos que enalteciam Dilma em seu site.

Os ministros Marcelo Ribeiro e Marco Aurélio acompanharam o voto da relatora, mas divergiram quanto ao valor da multa. Os ministros votaram pela aplicação do valor máximo de R$ 30 mil, previsto para o caso. O ministro Marco Aurélio foi além, e estendeu a multa também a Dilma Rousseff e à coligação “Para o Brasil Seguir Mudando”, da candidata, por entender que “seria extravagante e extraordinário” pensar que ambas não tinham conhecimento da propaganda irregular feita pela CUT e pela editora.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

28/09/2012

às 18:38

HADDAD ADERE À CAMPANHA SUJA – PT manda “repórter” da CUT para tumultuar entrevista de Serra. Não tem jeito! Eles odeiam a democracia!

Não adianta!

Eles não têm limites!
Eles não reconhecem a ordem democrática!
Eles não reconhecem o estado de direito!
Eles não reconhecem a legitimidade dos adversários!
Eles não reconhecem o valor das urnas, a menos que estas lhes sejam favoráveis.

Em 2010, o PT abusou do expediente de enviar falsos repórteres para entrevistas do tucano José Serra com o fito exclusivo de tumultuar, de fazer perguntas para provocar, de agredir.

Por que chamo de “falsos repórteres”? Porque alguém que trabalha num veículo — jornal, site, revista etc — que sirva a um partido não faz jornalismo, mas militância política. O PT, a CUT e outros esquerdistas menos cotados criaram uma rede de páginas na Internet — algumas delas financiadas com dinheiro público — que se fingem de imprensa séria para atender a propósitos político-partidários.

Isso voltou a acontecer hoje. Leiam a nota divulgada pela campanha do tucano José Serra, que disputa a Prefeitura de São Paulo.

PT envia repórter para tumultuar coletiva de Serra

O PT deu início, nesta sexta-feira (28), a uma nova, e lamentável, estratégia eleitoral em São Paulo. Enviou um repórter da Rede Brasil Atual, grupo de comunicação mantido por sindicatos filiados à CUT (Central Única dos Trabalhadores), para tumultuar a coletiva de imprensa do candidato José Serra, no Bairro da Mooca, zona Leste da cidade.

Após o candidato detalhar sua proposta de ampliar as vagas de ensino técnico na capital, o repórter o questionou em tom agressivo: “Veio agora à cabeça ou é seu projeto de governo?”

Serra quis saber em qual veículo o repórter trabalhava, mas a resposta foi: “Não interessa. O senhor vai responder a minha pergunta ou não?”. Após insistência do candidato, ele admitiu ser funcionário da Rede Brasil Atual, ligada à CUT e ao PT. Serra prosseguiu com a coletiva e já se dirigia ao carro que o levaria embora quando o mesmo repórter o abordou, novamente de forma provocadora: “Você só responde pergunta favorável?”. Antes de entrar no carro, o candidato ainda foi xingado pelo jornalista da CUT.

O uso de supostos repórteres para provocar adversários ou, por outro lado, tentar promover o candidato Fernando Haddad não é inédito nesta eleição. Na última quarta-feira (26), após caminhada de Haddad por Santana, na zona Norte, um rapaz a serviço do PT se misturou aos jornalistas presentes e passou a simular perguntas claramente favoráveis ao candidato. O episódio risível foi registrado pela imprensa.

A Rede Brasil Atual é um órgão de propaganda sindical e partidária, criada em conjunto pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pelo Sindicatos dos Bancários de São Paulo. Outros sindicatos menores aderiram. Segundo a própria Rede Brasil Atual, em vídeo que pode ser visto no YouTube, trata-se de um órgão de propaganda controlado por “58 entidades sindicais parceiras”.

A diretora responsável pela publicação é Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de SP e filiada ao PT. O outro responsável é Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A diretora financeira é Ivone Maria da Silva, secretária de Estudos Socioeconômicos do Sindicato dos Bancários de São Paulo. A rede foi criada dentro de um esforço concentrado do PT para tentar impor sua própria visão de mundo aos meios de comunicação reais. Na época, o PT, sob inspiração de José Dirceu, sonhava criar uma estrutura de imprensa sindical que lhes desse suporte político e eleitoral.

A Rede Brasil Atual, que é mantida pelos sindicatos com o dinheiro dos trabalhadores, poderia, por exemplo, esclarecer o que aconteceu no escândalo CUT-Ministério da Educação. Segundo noticias veiculadas hoje pela imprensa, a CUT recebeu 24 milhões de reais do Ministério da Educação (MEC) durante a gestão Fernando Haddad para oferecer cursos de alfabetização que jamais foram realizados, segundo ficou comprovado por uma auditoria do TCU. A Central Sindical – que é ligada ao PT e controla a rede Brasil Atual – já foi obrigada a devolver 4,5 milhões de reais aos cofres públicos e, pela decisão, terá que devolver o restante. Além do MEC, a CUT também recebeu valores da Petrobras para o mesmo fim – neste caso, mais 26 milhões de reais. Como também não há nenhuma prova de que os recursos tenham sido empregados em cursos de alfabetização, a CUT também terá de devolver os valores.

Os cursos de alfabetização que a CUT deveria ter feito com o dinheiro público nunca foram vistos por ninguém. A Rede Brasil Atual está aí. Só não vê quem não quer.

Por Reinaldo Azevedo

26/09/2012

às 23:28

TV Record age para proteger Russomanno, afirma Serra

Na Folha Online:
O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, acusou a TV Record de agir para proteger seu adversário Celso Russomanno, do PRB, ao cancelar um debate previsto para a próxima segunda-feira (1º). A justificativa da emissora foi a ausência de dois dos três principais candidatos: Celso Russomanno (PRB) e Serra. “Isso é lorota. [...] O fato é o seguinte: a Record cancelou um debate para proteger o Russomanno, porque nós não negamos participar do debate”, afirmou Serra nesta quarta-feira.

A TV Record pertence ao bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, cujos integrantes comandam o PRB e a campanha do líder da corrida eleitoral paulistana. ”O Russomanno agora para fazer campanha precisa estar protegido, porque não tem muitas ideias, é uma pessoa vulnerável, é despreparado. Se é exposto, fica fragilizado. E a Record está colaborando para protegê-lo.” Para o tucano, Russomanno “teme ser confrontado com ideias e perguntas” e tem “horror de falar da vida de homem público”.

O tucano também ligou Russomanno à Universal. “A Universal não está protegendo [o Russomanno], a Universal faz a campanha dele, aí não é um problema religioso, simplesmente faz a campanha.” Em nota em resposta às declarações de Serra, a Record afirmou que “o candidato e o partido jamais responderam aos documentos protocolados no PSDB, na Justiça Eleitoral ou enviados por e-mail para os responsáveis pela campanha.”

“Nosso objetivo claro e imparcial desde o primeiro momento era garantir ao candidato José Serra o mesmo espaço oferecido aos outros sete candidatos que, pela legislação eleitoral em vigor, devem participar com direitos iguais de toda a cobertura eleitoral da emissora”, diz a Record.

Líder nas pesquisas, Russomanno não poderá comparecer porque, segundo a coordenação de sua campanha, está previsto para o mesmo dia o nascimento da sua filha Katherine.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo
 

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