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Serra

09/02/2012

às 17:31

O poder, as piscadelas para a oposição, o adesismo oportunista e os princípios

Leiam trechos do artigo de José Serra no Estadão de hoje, intitulado “A era do oportunismo” (íntegra aqui).
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As últimas semanas trazem acontecimentos reveladores de um aspecto peculiar da “luta política” no Brasil, como a entendem o PT e o governo que ele lidera. Poderia ser resumido em dois conceitos: o relativismo como ideologia e a tática de recolher dividendos políticos sem se envolver diretamente, tirando, como se diz, a castanha do fogo com a mão do gato.

A moral da fábula do macaco esperto, que, faminto, mandava o bichano recolher as castanhas das brasas, esteve visível nos sucessivos movimentos na USP. A chamada extrema esquerda desencadeou ações violentas, e o petismo saiu a criticar a “falta de diálogo” e a “falta de democracia”, que supostamente estariam na raiz dos distúrbios.

De olho no voto moderado, o PT não quer para si os ônus do radicalismo ultraminoritário, mas pretende sempre recolher os bônus de apresentar-se como a solução ideal para evitar essa modalidade de movimento político. Como se, em algum lugar do mundo ou momento da história, o extremismo, de direita ou de esquerda, tivesse sido contido apenas com diálogo e negociação. É um discurso conveniente, pois se apresenta como alternativa “racional” de poder. Uma vez lá, os tais movimentos serão cooptados na base da fisiologia e, se necessário, da repressão. Os críticos exigirão “coerência”, e o partido fará ouvidos moucos.
(…)
Se o adversário cumpre a lei, é acusado [pelo PT] de “criminalizar os movimentos sociais”; quando um deles cumpre a mesma lei, então são eles a criminalizar. Assim, os PMs em greve na Bahia governada pelo PT são chamados de “bandidos”. Cadê o exercício do entendimento, a tolerância? Em São Paulo, em 2008, o PT ajudou na organização de uma marcha de policiais civis grevistas em direção ao Palácio dos Bandeirantes - marcha que, felizmente, não atingiu os objetivos sangrentos almejados.

Em estados governados pelo petismo e aliados, são rotineiras as reintegrações de posse, mas, quando precisa acontecer em São Paulo, por exemplo, a mando da Justiça e sempre sob a sua supervisão, o PT - e eis de novo a história das castanhas - cavalga o extremismo alheio para denunciar inexistentes violações sistemáticas dos direitos humanos. Nunca ofereceu uma possível solução ao problema social específico, mas apresenta-se incontinenti quando sente a possibilidade de sangue humano ser vertido e transformado em ativo político.
(…)
Essa amoralidade essencial estende-se às políticas públicas. Em 2007, quando governador de São Paulo, aflito com o congestionamento aeroportuário, propus ao presidente Lula e sua equipe a concessão à iniciativa privada de Viracopos, cujo potencial de expansão é imenso. Nada aconteceu. Na campanha eleitoral de 2010, a proposta de concessões foi satanizada. Pois o novo governo petista adotou-a em seguida! Perdemos cinco anos! E adotou-a privatizando também o capital estatal: o governo torna-se sócio minoritário (49% das ações) e oferece crédito subsidiado (pelos contribuintes, é lógico) do BNDES. Tudo o que era pra lá de execrado passou a ser “pragmatismo”, “privatização de esquerda”.
(…)
A oposição, a despeito de notáveis destaques individuais, confunde-se no jogo, dado o seu modesto tamanho, mas também porque alguns são sensíveis aos eventuais salamaleques e piscadelas dos donos do poder. Um adesismo travestido de “sabedoria”.
(…)
Não sou o único que pensa assim, mas sou um deles: política também se faz com princípios, programa e coerência. E disso não se pode abrir mão, no poder ou fora dele.

Por Reinaldo Azevedo

26/01/2012

às 19:20

Reprovado no Enem

O ex-governador de São Paulo José Serra escreveu em seu site um excelente artigo sobre o Enem, que põe o debate no seu devido lugar. Leia trecho:
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O Enem - Exame Nacional do Ensino Médio - foi criado pelo ex-ministro da Educação Paulo Renato de Souza, em 1998, como parte de um esforço para melhorar a qualidade das escolas desse ciclo educacional. Para isso,  precisava de um  instrumento de avaliação do aproveitamento dos alunos ao fim do terceiro ano, com o propósito de subsidiar reformas no sistema. Iniciativas desse tipo também foram adotadas nos casos do ensino fundamental e do universitário. Nada mais adequado do que conhecer melhor o seu produto para adotar as terapias adequadas. O principal benefício para o estudante era avaliar o próprio conhecimento.

O Enem é uma prova voluntária e de caráter nacional. As questões são as mesmas em todo o Brasil. Sua expansão foi rápida: até 2002, cerca de 3,5 milhões de alunos já tinham sido avaliados. Note-se que Paulo Renato chegou a incentivar que as universidades levassem em conta o resultado do Enem em seus respectivos processos seletivos. Em 2002, 340 instituições de ensino superior faziam isso.

Ainda que o PT e seus sindicatos tivessem combatido o Enem, o governo Lula o manteve sem nenhuma modificação até 2008, quando o Ministério da Educação anunciou, pomposamente, que ele seria usado como exame de seleção para as universidades federais, o que “acabaria com a angústia” de milhões de estudantes ao por fim aos vestibulares tradicionais.

A partir dessa data, dados os erros metodológicos, a inépcia da gestão e o estilo publicitário (e só!) de governar, armou-se uma grande confusão: enganos, desperdício de recursos, injustiças e, finalmente, a desmoralização de um exame nacional.

O Enem, criado para avaliar o desempenho dos alunos e instruir a intervenção dos governos em favor da qualidade, transformou-se em porta de acesso - ou peneira - para selecionar estudantes universitários. Uma estupenda contradição! Lançaram-se numa empreitada para “extinguir os vestibulares” e acabaram criando o maior vestibular da Terra, dificílimo de administrar e evitar falhas, irregularidades e colapsos. A angústia de milhões de candidatos, ao contrário do que anunciou o então ministro, Fernando Haddad, cresceu em vez de diminuir. E por quê?

Porque a um engano grave se juntou a inépcia. Vamos ao engano. Em 2009, o Enem passou a usar a chamada “Teoria de Resposta ao Item” (TRI) para definir a pontuação dos alunos, tornados “vestibulandos”. Infelizmente, recorreu-se à boa ciência para fazer política pública ruim. A TRI mede a proficiência dos alunos e é empregada no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) desde 1995,  prova que não seleciona candidatos - pretende mostrar o nível em que se encontra a educação,  comparar as escolas e acompanhar sua evolução, para orientar as políticas educacionais.

Leia íntegra aqui

Por Reinaldo Azevedo

23/01/2012

às 22:47

As declarações de FHC à Economist e o futuro

Na madrugada, escreverei um texto sobre o trinômio “oposições-avaliação do governo Dilma-imprensa”. Como escrevi naquele texto sobre a pesquisa Datafolha, a situação dos partidos que se opõem ao governo é, de fato, difícil.

FHC concedeu uma entrevista à revista Economist que poderia implicar uma aceleração no processo decisório do PSDB. Mas “processo decisório” para exatamente o quê? O que é que falta à oposição? Um candidato ou um conjunto de valores? Ainda voltarei a este assunto.

A julgar pela entrevista dada por FHC, ele deve acreditar que é preciso definir o candidato. E falou o que falou à Economist. Vai, com isso, unir o partido, pacificá-lo, levá-lo à tranqüilidade? Bem, o tempo dirá.  Eu acho que não. Até porque acredito que o problema da oposição, um dia, será o nome, claro!, mas, por enquanto, é a falta de idéia mesmo. Leiam o que vai no Estadão Online:

FHC: Aécio é “candidato natural” do PSDB à Presidência

Por Bruno Boghossian:
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apontou o senador mineiro Aécio Neves como “candidato natural” do PSDB à Presidência em 2014. Em entrevista à publicação britânica The Economist, FHC prevê uma “luta interna muito forte” entre Aécio e o ex-governador de São Paulo, José Serra, pela indicação do partido nas eleições nacionais.

Em uma conversa com a jornalista Helen Joyce, chefe do escritório da revista em São Paulo, realizada no dia 12 de janeiro, o ex-presidente destaca a importância de unidade dentro do PSDB para a escolha de seu candidato daqui a três anos. Questionado sobre quem seria o “candidato natural”, FHC respondeu sem rodeios: “Aécio Neves”.

O tucano não retira Serra da disputa, indicando que “as coisas ficarão mais claras depois das eleições municipais”. No entanto, FHC indica que o ex-governador pode desistir da disputa para promover a renovação do partido e chega a compará-lo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputou a Presidência diversas vezes.

“No caso do PSDB, o ex-governador Serra desempenha o papel do Lula: ele tem coragem, ele gosta de competir. Eu não sei até que ponto ele vai estar convencido de que isso não é para ele, que deve abrir espaço para os outros”, avaliou o ex-presidente.

Por Reinaldo Azevedo

17/12/2011

às 6:19

Serra e Aécio discursam no Encontro para Juventude do PSDB

Por Isonilda Souza e Silvia Amorim, no Globo:
No discurso, não há divisão interna no PSDB, nem grupos serristas e aecistas em pé de guerra. Foi o que disseram os dirigentes do partido presentes nesta sexta-feira no Encontro da Juventude Tucana, em Goiânia. Mas a agenda cuidadosamente cronometrada pelos organizadores do evento tentou garantir o mesmo espaço ao ex-governador José Serra (SP) e ao senador Aécio Neves (MG), e evitou o encontro dos dois - pré-candidatos do partido à sucessão da presidente Dilma Rousseff, em 2014. Aécio saiu do evento por volta das 20h e, minutos depois, Serra chegou. Os dois foram recebidos como candidatos pela juventude tucana.

Cada um teve seu momento exclusivo para discursar para cerca de 500 jovens filiados e alinhados ao PSDB, dentro da estratégia do partido de modernizar a legenda, atrair a juventude brasileira para suas causas e ampliar o poder tucano pelos estados com caras novas nas próximas eleições. Principalmente no pleito municipal do ano que vem.

Porém, essa estratégia tem ficado em segundo plano por conta da antecipação de um debate mais caloroso no partido sobre quem será o candidato do PSDB nas eleições presidenciais de 2014. Disputa negada por todos, mas evidenciada nos encontros tucanos.

Ao chegar a Goiânia, no fim da tarde, Aécio minimizou a divisão interna, negando que haja divergências entre seus filiados mais ilustres. Segundo ele, o PSDB chegará unido para a eleição presidencial de 2014: “Isso é muito mais uma pauta da imprensa. Não existe o PSDB do Aécio e o PSDB do Serra. Existe um só PSDB, que é do Aécio, do Serra, do Marconi Perillo, do Geraldo Alckmin, do Fernando Henrique Cardoso”.
(…)
O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), também minimizou a divisão partidária: “Se essa divisão se dá em algum lugar, não é no partido. Não tem apoio do PSDB”. Guerra disse que os tucanos vão definir o presidenciável a partir do resultado das eleições municipais de 2012. “Pelo menos é isso que eu defendo. Não vejo problemas em realizar prévias, mas vai depender das urnas no ano que vem. Vamos aguardar. Vai depender do resultado das urnas de 2012″.

O senador mineiro foi aclamado pelos participantes aos gritos de “Aécio presidente”. Ao longo do encontro, que pretendia reunir cerca de mil jovens, um dos gritos de guerra dos participantes era: “Um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos um tucano presidente do Brasil”.

A chegada de Serra estava prevista para as 19, mas ele só chegou depois das 20h, após a saída de Aécio do evento. O ex-governador não quis dar entrevista e foi direto fazer discurso. Quando entrou no local do evento, Serra foi recebido aos gritos de “olé, olê, olá, Serra, Serra!!”. No discurso, o ex-governador fez críticas à presidente Dilma Rousseff, dizendo que o governo dela ainda não começou. E, falando para a plateia jovem, um dos mais célebres ex-presidente da UNE atacou o PT, afirmando: “O PT sufocou o movimento estudantil”.

Além Serra, Aécio, Sérgio Guerra e do governador de Goiás, Marconi Perillo, participaram do encontro outros líderes regionais do PSDB, como o presidente nacional da Juventude Tucana e secretário de Esporte de Curitiba, Marcello Richa (filho do governador do Paraná, o também tucano Beto Richa). O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua ida.

Na busca por apoiadores dentro do partido para a eleição de 2014, o senador Aécio e Serra lançaram-se numa cruzada para buscar apoio da juventude do partido. O grupo é considerado estratégico pelo grau de organização - ele está estruturado nos 26 estados e no Distrito Federal - e pela força que tem demonstrado para a mobilização da militância. “Temos dois nomes de grande visibilidade e com tranquilidade e diálogo vamos, sem dúvida, dar a nossa contribuição nesse processo”, afirmou Richa.

Por Reinaldo Azevedo

12/12/2011

às 6:57

“O QUE ME PREOCUPA NÃO É O GRITO DOS MAUS, MAS O SILÊNCIO DOS BONS”

Atribui-se a Martin Luther King uma frase de valor inquestionável: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. É exata! É sob o silêncio cúmplice dos decentes que alguns dos maiores crimes acabam sendo perpetrados. Um texto do pastor Niemöller, que cometeu o equívoco de ser simpatizante do nazismo no começo do movimento — e veio a se tornar seu adversário radical, tanto que foi parar num campo de concentração —, expressa esse mesmo valor. É muito citado, mas, com certa freqüência, atribui-se a autoria a Maiakovski ou a Brecht.
“Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.”

Quando os bons se calam, os maus triunfam. Está em curso, vocês já devem ter reparado, uma operação coordenada para destruir a imagem de José Serra. Admire-se ou não o político — sim, estou entre os admiradores e jamais omiti isso —, o fato é que se trata de um dos homens públicos mais preparados do Brasil. Buscam atingi-lo em sua honra pessoal — e a campanha eleitoral demonstrou até que ponto eles podem chegar — e política. Os movimentos podem até ser distintos, mas se conjugam.

Há os que se espojam na lama dos chiqueiros, e, sobre estes, não há o que dizer, entendo, a não ser acionar a Justiça. Não tentem citar o nome dessa canalha aqui. Não há diálogo com porcos. Mas há profissionais cuja trajetória é respeitada por seus pares ao menos — não expresso o meu ponto de vista pessoal — e que podem igualmente perniciosos. A questão é saber com que propósito.

Na Folha de hoje, lê-se o seguinte:
A biografia autorizada da presidente Dilma Rousseff vincula a campanha do ex-adversário José Serra (PSDB) ao envio de e-mails apócrifos com ataques à petista na reta final das eleições de 2010. “A Vida Quer É Coragem”, que chega às livrarias dia 15, liga a artilharia anônima contra a petista aos serviços de Ravi Singh, o “guru indiano” contratado pelo PSDB. Segundo o livro, ele usou o site de Serra para montar um “gigantesco banco de e-mails”, que estaria por trás das mensagens ligando Dilma à defesa do aborto e a ações armadas na ditadura. “Foi pela rede de computadores que os adversários disseminaram os ataques mais baixos e os boatos mais incríveis a respeito de Dilma”, afirma a biografia. “A ferramenta mais primitiva da internet foi a que melhor serviu para disseminar o que havia de mais atrasado politicamente na campanha.” A obra registra que o tucano também recebeu ataques anônimos, mas sustenta que Dilma foi mais prejudicada.

Voltei
Vivemos dias, de fato, do mais absoluto surrealismo político. O livro foi escrito por Ricardo Amaral, que foi assessor de Dilma na Casa Civil e atuou na campanha eleitoral da candidata do PT. Assim, o que se tem acima é uma notícia surgida de uma acusação, SEM PROVAS, feita pela ex-candidata, agora presidente, e redigida por alguém que atuava na campanha. Acima, meus caros, há duas ordens de mentiras: há a mentira factual propriamente, e há uma mais sofisticada, que é o embuste político.

Mentira factual
Todos os jornalistas que cobriram a eleição SABEM — SABEM, MAS VÃO FICAR CALADOS — que as mensagens ligando Dilma à defesa do aborto ANTECEDERAM EM MUITO A CHEGADA DO TAL INDIANO e não tinham nenhuma vinculação com a campanha de Serra. Nasceram de grupos religiosos católicos e evangélicos preocupados —  E COM JUSTEZA QUANDO SE É CRISTÃO — com as opiniões que tinha Dilma sobre o aborto. Ela era franca e abertamente favorável à LEGALIZAÇÃO. Qual é o problema? FHC expressou opinião parecida na sabatina da Folha. Eu, por exemplo, que combatia a opinião dela, também combati a dele.

Todos os jornalistas que cobriram a eleição sabem que, ao contrário do que afirma o assessor de Dilma — ELE É NEUTRO? —, a campanha de Serra procurava era guardar distância daquele movimento, isto sim! Eu, pessoalmente, achei um erro. Estou sendo muito claro! Eu acho que temas de comportamento devem, sim, fazer parte de campanhas. Movimentos antiaborto combatiam a candidata — e faziam muito bem, ora essa! Falo do ponto de vista de quem é contra — como fazem, no mundo inteiro, seus congêneres em períodos eleitorais. Se a eleição tendia a se polarizar entre Serra e Dilma, o natural é que o escolhessem.

Todos os jornalistas que cobriram a eleição sabem que essa história do indiano é uma mentira vergonhosa. Ao contrário: esse sujeito deu alguns pitacos da área de Internet e, segundo testemunharam os repórteres, mais atrapalhou do que ajudou.  Qual é a acusação de Dilma e Amaral? Eles queriam que Serra tivesse colaborado com a campanha da petista? Aí diz o “isento biógrafo autorizado”: o tucano também foi alvo, mas foi menos prejudicado. Como ele sabe? Qual é o dado objetivo de que dispõe?

O embuste político
Consta que há esta frase no livro: “A ferramenta mais primitiva da internet foi a que melhor serviu para disseminar o que havia de mais atrasado politicamente na campanha.” Entendo! Avançado, na política, é mentir sobre o “Minha Casa, Minha Vida”, sobre as UPAs, sobre o PAC, sobre a Copa… E o que o senhor Amaral chama de “atrasado”? LÁ VOU EU CONFRONTAR ALGUMAS PESSOAS COM OS FATOS, O QUE COSTUMA DEIXÁ-LAS NERVOSAS.

Em outubro de 2007, Dilma participou de uma sabatina da Folha e defendeu o aborto. O vídeo, vejam vocês, foi retirado do Youtube. Em abril de 2009, deu a mesma opinião numa entrevista à revista Marie Claire, a saber:

MC Uma das bandeiras da Marie Claire é defender a legalização do aborto. Fizemos uma pesquisa com leitoras e 60% delas se posicionaram favoravelmente, mesmo o aborto não sendo uma escolha fácil. O que a senhora pensa sobre isso?
DR
-  Abortar não é fácil pra mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias. Se a gente tratar o assunto de forma séria e respeitosa, evitará toda sorte de preconceitos. Essa é uma questão grave que causa muitos mal-entendidos.

Quanto à luta armada, dizer o quê? Que se saiba, ela não cuidava de fazer omeletes no Colina e na VAR-Palmares. Não que os camaradas não merecessem…  Ainda que Amaral estivesse dizendo a verdade e que tudo tivesse partido da campanha de Serra, o que ele classfica de “politicamente atrasado”? A VERDADE??? Ou politicamente atrasados são os indivíduos contrários ao aborto, que estariam proibidos de se manifestar?

Que tempos! E a censura
Que tempos estes, não? Estamos proibidos de confrontar os ditos “progressistas” com suas próprias verdades, não é mesmo? Isso é de tal sorte escandaloso que, se vocês se lembrarem, pela primeira vez desde o fim da ditadura, A POLÍCIA SAIU ÀS RUAS PARA PRENDER PESSOAS POR DELITO DE OPINIÃO! E com o aplauso de amplos setores da imprensa! Pessoas que distribuíam ou portavam aquele panfleto de um setor da Igreja Católica foram PRESAS!!! O texto recomendava que os eleitores não votassem em políticos que defendiam a legalização do aborto. MUITOS “PROGRESSISTAS” DAS REDAÇÕES ACHARAM QUE A APREENSÃO ESTAVA CERTA. AFINAL, AQUELA ERA A OPINIÃO ERRADA, E ELES SÓ DEFENDEM LIBERDADE DE EXPRESSÃO PARA AS PESSOAS QUE TÊM A OPINIÃO… CERTA!

Caminhando para o encerramento
Há um esforço conjugado de duas faces do oficialismo para destruir um político. Por que será que ele incomoda tanto? Nem com mandato está. Numa frente, a do chiqueiro, os porcões se espojam na lama, ESCANCARADAMENTE FINANCIADOS POR ESTATAIS. O dinheiro público está sendo usado para atingir um adversário do governo. É ataque a soldo mesmo, coisa de quadrilha. Putin, na Rússia, precisa descobrir essa tecnologia.

Na outra frente, essa mais higienizada, há coisas como a desse livro. Reitero: trata-se de uma mentira factual. O movimento na Internet — e sei porque, com milhares de leitores, os ecos começaram a chegar aqui bem cedo, via comentários; os próprios petistas o identificaram — criticando Dilma por causa de suas opiniões sobre o aborto nasceu praticamente junto com a sua candidatura. E os jornalistas que cobrem a eleição sabem disso. O tal indiano, que mal teve tempo de dar opiniões e foi logo dispensado, nunca teve nada a ver com isso. Tampouco a campanha de Serra na Intenet. ISSO, DE RESTO, DISTORCE UM FATO OBJETIVO: os católicos e evangélicos se mobilizaram contra a legalização do aborto. Não podem? Essa seria uma opinião errada?

A canalha petralha, esses porcos prestadores de serviço, e uma parte do jornalismo que tem sobre si mesma uma opinião generosa dão Serra como carta fora do baralho. Muito bem. Se é assim, por que essa sanha para destruí-lo? Qual foi o mal mesmo que ele fez ao Brasil?

É inacreditável! Vamos nos lembrar: um bunker, chefiado pelo “consultor” Fernando Pimentel, foi desbaratado quando montava um dossiê criminoso contra Serra. Como prêmio, o “consultor” e “companheiro de armas” ganhou um ministério. Depois, descobriu-se que outra súcia havia invadido o sigilo fiscal de dirigentes tucanos e de membros da família do candidato. Não obstante, os porcos reiteram no crime, financiados com dinheiro público, e Dilma, numa “biografia autorizada”, redigida por um assessor de campanha, acusa, sem provas e contra os fatos, o adversário de “disseminar o que havia de mais atrasado politicamente na campanha.”

Progressista é montar bunker de criminosos para fazer dossiê.
Progressista é invadir sigilo fiscal.
Progressista, enfim, é mentir.

“Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.”

Por Reinaldo Azevedo

08/12/2011

às 20:59

Serra diz que governo Dilma ainda não começou e é “pré-euclidiano”

Por Gustavo Uribe, da Agência Estado:
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) avaliou nesta quinta-feira, 8, que, após quase um ano de administração, o governo da presidente Dilma Rousseff ainda não começou de fato. Em palestra realizada durante o 1º Encontro Nacional do PPS Sindical, na capital paulista, ele disse que o governo Dilma teve como marca, em 2011, a saída de ministros e o anúncio de medidas, mas com poucas resoluções. “O governo da presidente Dilma Rousseff não começou, tomou posse, mas não começou”, ressaltou. “Eu espero, de fato, que comece no dia 1º de janeiro de 2012, porque é o que o Brasil está querendo.”

Serra citou uma das frases marcantes do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. “Se não se sabe para onde vai, qualquer caminho serve”, lembrou o ex-governador paulista, ressaltando que este é o atual drama do governo Dilma. Ele ainda afirmou que a atual administração é “pré-euclidiana”, fazendo referência ao Teorema de Euclides, segundo o qual a menor distância entre dois pontos é uma linha reta. “No governo federal, a menor distância entre dois pontos não é uma linha reta, pode ser uma curva ou um espiral”, ironizou.

Por Reinaldo Azevedo

28/11/2011

às 22:07

Serra critica condução da economia por Lula e Dilma

Por Gustavo Uribe, no Estadão:
Em aparição pública na manhã de hoje, o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) fez duras críticas à condução da economia brasileira pelo governo da presidente Dilma Rousseff e de seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT. Em palestra, durante o VII Congresso Paulista de Jovens Empreendedores, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o tucano minimizou o Programa Brasil Maior, uma das principais vitrines do primeiro ano de administração Dilma Rousseff, e avaliou como “o erro mais espetacular de política econômica da história brasileira”, o fato do governo federal não ter reduzido a taxa básica de juros durante a última crise financeira mundial, deflagrada em setembro de 2008 com a quebra do banco Lehman Brothers.

“A crise econômica é muito feia, mas o Brasil, em crises passadas, soube aproveitar as oportunidades”, avaliou. “Mas houve uma crise que foi desaproveitada, a de 2008 e 2009, porque o Brasil foi o único país do mundo que não baixou os juros”, acrescentou. Na avaliação de Serra, que disputou as eleições presidenciais do ano passado com Dilma Rousseff, o governo federal lançou o Programa Brasil Maior com boa intenção, mas com “boa parte das coisas erradas, porque não conhece direito quais são as questões da indústria.” O tucano ressaltou ainda, em um contraponto aos discursos do ex-presidente Lula, que o Brasil é ainda, no contexto da economia mundial, um país pequeno. “Nós não temos mais do que 3% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e temos uma participação no comércio mundial em torno de 2%”, considerou. “Nós temos ainda, no que se refere às questões econômicas e sociais, muito o que avançar”.

O ex-governador de São Paulo criticou ainda o atual patamar da taxa de juros e a alta carga tributária que, segundo ele, castigam os investimentos na economia nacional. “Isso só piorou nos últimos anos com o PIS/COFINS, que aumentou sobre a energia elétrica a partir de 2002 e 2003″, afirmou, referindo-se ao início do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A munição do ex-governador de São Paulo sobrou ainda para a Petrobrás. Segundo ele, a estatal não tem um plano correto de desenvolvimento da atividade privada para o fornecimento de equipamentos e insumos para a exploração de petróleo da camada do pré-sal. O ex-governador avaliou também que não há uma proposta séria para vincular os royalties aos investimentos. E fez um alerta. “Nós não podemos perder o bônus oriundo da exploração do petróleo”, ressaltou.

Por Reinaldo Azevedo

21/11/2011

às 19:02

Serra responde a Ciro Gomes com fatos e provas. E Ciro responde com o quê?

Leiam o que informa a Folha Online. Volto em seguida:
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) rebateu as críticas feitas pelo ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSB), em entrevista ao programa Poder e Política Entrevista, parceria do UOL e da Folha. Ex-candidatos à Presidência da República, Ciro e Serra são antigos inimigos políticos declarados, inclusive com ações na Justiça.

“Como fica evidente, a verdade está de um lado, Ciro Gomes está de outro; de um lado, estão os fatos; do outro, a imaginação fértil deste senhor, especialmente quando se refere a mim. Às vezes, suspeito que seja um caso clínico”, diz Serra, em uma nota publicada no seu blog.

Ao analisar as possíveis candidaturas do PSDB de 2014, Ciro falou da chance de Serra e lembrou sua atuação como deputado na Constituição de 1988. “Serra por exemplo, na Constituinte, cercou a Zona Franca de Manaus de restrições até ficar o sinal de que queria acabar. Desmontou o sistema de incentivos fiscais que compensariam o Nordeste das assimetrias competitivas. Briga com o Centro-Oeste e tal. Hoje, eu estou falando hoje… Porque o cara quer ser presidente da República e governava São Paulo e fazia dessas. Então essa é a questão prática”, afirmou.

Em sua resposta, o tucano diz que esses fatos nunca aconteceram. “Qualquer interessado pode pesquisar os anais da Constituinte ou a imprensa da época. Não encontrará nada do que ele diz a meu respeito. Não apresentei uma só emenda, não votei em uma só proposta, não proferi um só discurso com aquele conteúdo. E olhem que eu tinha certo peso na Constituinte”, afirma Serra, que ainda apresenta dados sobre a questão para justificar seu argumento.

Voltei
Na resposta que deu em seu site, Serra foi de uma desmoralizante precisão. Ou bem Ciro Gomes vem a público para dizer que o ex-governador de São Paulo está mentindo, ou bem Ciro admite, então, que ele próprio está mentindo. Esse é o tipo de coisa que não comporta zona cinzenta. Ciro sempre foi muito ágil para xingar e desqualificar adversários, o que já custou mais caro a ele do que aos outros. Vamos ver se consegue argumentar. Mais abaixo, transcrevo trecho da resposta de Serra.

O tucano, no entanto, deixou de dar destaque a uma passagem saborosíssima da entrevista de Ciro Gomes, que demonstra o ódio que este senhor tem a São Paulo. Trato do assunto no próximo post. Abaixo, o que diz Serra sobre a acusação que lhe fez Ciro Gomes.
*
(…)
A Zona Franca de Manaus na Constituinte só ganhou sinal de maior fôlego com um dispositivo que garantiu sua existência por mais 25 anos, posteriormente prorrogados. Isso decorreu de iniciativa liderada pelo relator geral da Constituinte, Bernardo Cabral.  Ou seja, aconteceu exatamente ao contrário do que Ciro disse (…)

Sobre o Nordeste, a verdade também está no avesso do que afirmou Ciro Gomes. O sistema de incentivos fiscais que beneficiava o Nordeste e outras regiões menos desenvolvidas permaneceu intocado. Na condição de relator, incluí na Constituição os dispositivos que criaram um grande fundo de desenvolvimento para o Norte, o Nordeste e o Centro Oeste, formado por 3% da arrecadação anual do IPI e do Imposto de Renda. Esse dinheiro deveria ser aplicado na iniciativa privada pelo Banco do Nordeste, pelo Banco da Amazônia e, no caso do Centro-Oeste, que não tinha banco regional, pelo Banco no Brasil.

Mas a verdade pode ainda ser mais detalhada, o que escancara a inverdade contada por Ciro Gomes: no relatório final da Comissão de Sistematização da Constituinte, esse fundo, aprovado pela minha comissão, foi desfeito. Inconformado, apresentei, então, Emenda em Plenário - a ES 34.213-4, de 5 de setembro de 1987-, conseguindo restabelecer o texto da Comissão de Orçamento, Tributação e Finanças.

Somente o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste comporta recursos de mais de R$ 4 bilhões por ano. Ao mesmo tempo, como os fundos fazem empréstimos com retorno, acumula-se um estoque de disponibilidade para crédito muito expressivo no Banco do Nordeste: era de cerca de R$ 10 bilhões em 2009.

Foi também como relator que coordenei os dispositivos que elevaram fortemente os Fundos de Participação de Estados e de Municípios, o FPE e o FPM. A fatia do FPE na arrecadação do IPI e do IR saltou de 14% para 21,5%. Como se sabe, a maior parte desse fundo - 85% - é hoje destinada ao Norte, ao Nordeste e ao Centro Oeste.

Assim, nos vinte anos seguintes à promulgação da nova Constituição, o Nordeste ampliou suas receitas recebidas via FPE de R$ 5,7 bilhões para R$ 24,6 bilhões (a preços de 2008). Desse aumento de quase R$ 20 bilhões, cerca de 50% - proporção ainda maior no caso do Ceará -decorreram das alterações constitucionais; o restante deveu-se ao crescimento real da arrecadação de IR e IPI.

Portanto, nos últimos anos, o Nordeste contou com recursos transferidos pelo governo federal superiores a R$ 10 bilhões somente por conta do aumento do FPE estabelecido pela Constituinte, no capítulo do qual fui o relator. Aliás, Ciro ignora que a Constituinte foi decisiva para descentralizar, da União para governos estaduais e muncipais,  e para redistribuir, das regiões mais ricas para as menos desenvolvidas,  os recursos tributários do País, tanto que a receita dos governos dessas regiões cresceu mais rapidamente do que a dos governos das regiões mais desenvolvidas. Ou seja, a história real foi exatamente inversa da que ele relata.

Como fica evidente, a verdade está de um lado, Ciro Gomes está de outro;
(…)

Voltei
Bem, parece que Serra prova e documenta o que diz. Falta a Ciro fazer o mesmo. Mas acho que ele não vai fazer. No próximo post, a patologia anti-São Paulo do ex-paulista, depois ex-cearense, agora ex-paulista de novo…

Por Reinaldo Azevedo

11/11/2011

às 20:42

Serra defende prévias para eleição municipal e se diz “focado na questão brasileira”

Por Anne Warth, da Agência Estado:
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) disse nesta sexta-feria, 11, que a escolha do ministro da Educação, Fernando Haddad, como candidato do PT a prefeito da capital paulistas nas eleições de 2012 não muda a situação do PSDB nem vai apressar a escolha pelo partido de seu representante na disputa. Serra defendeu a realização de prévias para a definição do nome tucano que disputará o cargo e voltou a negar que tenha a intenção de concorrer à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

“Minhas preocupações são com relação ao Brasil. Eu estou focado na questão brasileira, e não municipal”, afirmou, após participar da cerimônia em que o médico Roberto Kalil Filho foi nomeado professor titular do Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Na avaliação de Serra, as prévias são a melhor opção para o PSDB, uma vez que o partido possui muitos pré-candidatos. Concorrem pela indicação do partido o deputado federal Ricardo Trípoli; o secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo; o secretário estadual de Energia, José Aníbal; e o secretário estadual de Meio Ambiente, Bruno Covas.

Para o ex-governador, as primárias são um avanço para o partido. “Estão marcadas as prévias e devemos ir para as prévias”, afirmou. “Acho bom porque isso mobiliza todo o partido e toda a militância.”

Por Reinaldo Azevedo

07/11/2011

às 18:52

“Temos de ter coragem de denunciar e de combater a subordinação da educação de nossas crianças e jovens à agenda de partidos, de sindicatos e de corporações”

O ex-governador de São Paulo e presidente do Conselho Político do PSDB, José Serra, discursou no seminário que o PSDB promove no Rio (ver post na home). Abaixo, seguem trechos de sua fala:

*
Desperdiçam-se muita energia e muito tempo no debate sobre como fazer oposição, mas a receita é algo simples: dizer o que está errado no governo e propor outras maneiras, diferentes, de fazer o que precisa ser feito
(…)
Ao longo das últimas décadas, o Brasil produziu um razoável consenso sobre as linhas gerais do país que queremos. Uma democracia, com justiça social, desenvolvimento, respeito à natureza e aos direitos humanos.
(…)
Acredito haver grandes oportunidades, grandes caminhos abertos para a oposição. Na luta concreta, no ataque aos problemas práticos, oferecer a crítica e também as soluções que levem o Brasil a retomar o desenvolvimento.
(…)
Um bom exemplo vem sendo o debate sobre o novo Código Florestal, tema em que nosso partido tem sabido situar-se combativamente na defesa da produção rural com sustentabilidade. E do meio ambiente, sem comprometer a agricultura.

Precisamos da mesma combatividade para defender a indústria nacional e as exportações, vítimas do populismo cambial e da conveniência política de quem prefere o Brasil anestesiado pelo real forte e resumido ao papel de exportador de commodities. Condenado a perpetuar a mediocridade.

Precisamos da mesma combatividade para defender uma escola pública com a qualidade da escola privada, para que o filho do pobre venha a ter oportunidades parecidas com o do rico ou do cidadão de classe média.

Precisamos de coragem para enfrentar as corporações encistadas na máquina educacional, que se servem do Estado, que sacrificam o futuro das nossas crianças e jovens para manter privilégios. Gente a quem não interessa se o menino ou a menina não aprenderam nada, gente que se recusa a colocar os interesses da sociedade acima do seu próprio egoísmo, dos seus preconceitos ideológicos, de suas idiossincrasias, de sua luta mesquinha pelo poder.

A educação, aliás, há de merecer da nossa parte especial atenção porque ela é um dos pilares para que se construa o Brasil necessário. O PSDB tem de ter a coragem de denunciar alguns mitos que certa militância obscurantista pretende vender como verdades universais.

Todos nós queremos professores mais bem remunerados e mais bem qualificados. Lutamos por isso como parlamentares, como chefes do executivo, como militantes do partido. Mas temos de ter coragem e clareza para denunciar e combater a subordinação da educação de nossas crianças e jovens à agenda de partidos, de sindicatos, de corporações. A educação de ter parar de ser o teatro privilegiado da simples disputa pelo poder.

Precisamos mostrar como colocar mais dinheiro na saúde e as medidas para melhorar a gestão do sistema. O SUS é uma conquista do povo brasileiro e é preciso fazê-lo avançar. Precisamos ser firmes na defesa de políticas de segurança que enfrentem a criminalidade, em vez de maquiar a realidade. Em São Paulo, prendemos mais bandidos e, agora, morre menos gente assassinada. Uma equação que precisa ser nacionalizada.

É preciso deixar claro, em benefício da verdade e em respeito aos pobres, que pobreza não é sinônimo de violência, mas a impunidade é um dos nomes que tem a falta de segurança pública. Infelizmente, nossos adversários se recusam enxergar o óbvio, viciados que estão na mesquinharia política, e o Brasil segue sendo um dos países em que mais se mata no mundo, com baixíssimo índice de punição dos culpados.
Leia a íntegra aqui.

Por Reinaldo Azevedo

17/10/2011

às 15:43

Serra diz que governo vira “central de corrupção” ao não descentralizar verbas

No Globo Online:
Em meio às denúncias contra o ministro dos Esportes, Orlando Silva, acusado de receber dinheiro de propina na garagem do ministério , o ex-governador José Serra aproveitou para criticar a forma centralizadora do governo petista. Segundo ele, o governo se transforma numa “central de corrupção” ao não entregar recursos a estados e municípios responsáveis por programas como o “Segundo Tempo”, alvo das denúncias que atingem o ministro. “Mas a gestão federal petista fez tudo ao contrário: recentralizou ao máximo as ações apoiadas pelo governo federal, na ânsia de manipular e obter faturamento político-eleitoral. Mais ainda: a centralização facilita o loteamento da administração federal, pois fortalece, abre ou cria novas áreas de domínio para oferecer aos parceiros nas lambanças. Ou por outra: o governo acaba se tornando uma central de corrupção”, disse Serra, em seu blog.

“Um programa como esse “Segundo Tempo” deveria, obviamente, ser de caráter municipal ou, no máximo, estadual. Bastaria o governo federal entregar os recursos para as outras esferas de governo e, naturalmente, estabelecer algum tipo de controle sobre sua aplicação. Poderia até fixar uma certa contrapartida dos estados e municípios - governadores e prefeitos aceitariam fazê-lo, com grande facilidade”, emendou o tucano.

Segundo o ex-governador, o repasse de verbas para estados e municípios não evitaria, por si, desvios e propinas, “mas os dificultaria em razão de um cruzamento de controles feitos por esferas distintas”. “Haveria, ao menos, mais fiscalização e, estou certo, mais eficiência”. (íntegra do post de Serra aqui).

Por Reinaldo Azevedo

13/10/2011

às 4:11

Para Serra, discutir 2014 agora é “pôr o carro adiante dos bois”

Por Andrea Jubé Vianna e João Domingos, no Estadão:
O ex-governador José Serra utilizou nesta quarta-feira, 12, o microblog Twitter para dizer que não é o momento de a oposição discutir a sucessão da presidente Dilma Rousseff, numa aparente resposta à declaração do senador Aécio Neves (MG), que em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, no último domingo, afirmou que está pronto para disputar com qualquer candidato do PT, “seja Lula ou Dilma”.

Serra afirmou, no Twitter: “2014 está longe. Antes vem 2012. Querer colocar o carro adiante dos bois só atrapalha e desorganiza a oposição”. O senador Aécio Neves, no entanto, não quis entrar em polêmica. Por meio de sua assessoria, ele afirmou que pensa exatamente desta forma, de que não é o momento de discutir a sucessão presidencial. De acordo com informações de políticos ligados a Serra, o ex-governador sonha em disputar a eleição presidencial pela terceira vez, em 2014. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

07/10/2011

às 18:01

Paulinho recebe Serra e diz “achar” que é de oposição

Por Mariana Schreiber, na Folha Online:
Ao lado do ex-governador José Serra (PSDB), o deputado e presidente da Força Sindical, Paulinho da Força, disse nesta sexta-feira achar que faz parte da oposição ao governo federal. O deputado é filiado ao PDT, partido que apóia o governo Dilma e que tem Carlos Lupi como Ministro do Trabalho. Desafetos políticos há anos, Serra e Paulinho tem se reaproximado nas últimas semanas. Nesta sexta-feira, o ex-governador fez uma palestra na sede da Força Sindical em que culpou o governo pela má fase da indústria nacional. Segundo Serra, há um processo rápido e precoce de desindustrialização no país que está provocando perda de empregos.

“Nós estamos perdendo emprego de qualidade. O Brasil vai ficando para trás. A economia não vai ter desenvolvimento saudável, com bons empregos, com a indústria definhando”, disse Serra. Paulinho fez coro às críticas e ironizou: “Eu sou deputado da base do governo, mas agora acho que sou de oposição”. Serra afirmou que o problema da indústria são os juros altos, a elevada carga tributária e o câmbio valorizado. Paulinho aproveitou e convidou o tucano para o protesto que a Força Sindical fará em frente ao prédio do Banco Central, em São Paulo, para cobrar pela redução da taxa básica de juros. O protesto acontecerá no dia 18 de outubro, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC inicia as reuniões de dois dias para decidir se muda o atual patamar da taxa, de 12% ao ano. A maioria do mercado espera um segundo corte de meio ponto percentual. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

02/09/2011

às 15:44

Serra diz que decisão do BC sobre juro foi correta: “A credibilidade do BC aumenta só quando ele eleva os juros?”

No Estadão Online:
O ex-governador de São Paulo, candidato à Presidência da República pelo PSDB no ano passado, José Serra defendeu o corte do juro anunciado pelo Banco Central (BC) nesta semana. Na quarta-feira, a autoridade monetária baixou a Selic (taxa básica de juros da economia) de 12,50% para 12% ao ano. “Achei a decisão correta. Os juros futuros estavam caindo e a pressão das commodities (matérias-primas) sobre a inflação diminuindo, em razão da crise internacional”, afirmou ontem, em entrevista por escrito ao Grupo Estado.

Na avaliação de Serra, o fato de a decisão do BC ser anunciada no dia seguinte ao pedido feito pela presidente Dilma Rousseff não afeta a credibilidade da instituição. “Não vejo nenhum problema especial a respeito da taxa de credibilidade do Banco Central. Ele ganha, ou não perde, credibilidade quando sobe os juros?”, ponderou.

“Não vejo maior problema no fato de o ministro da Fazenda e a presidente da República conversarem com o Banco Central e expressarem seu pensamento. Isso acontece em todos os países. Acharem que há intervenção indevida porque o Banco Central adotou a medida que eles achavam melhor não faz sentido”, acrescentou Serra.

Em relação à inflação, o ex-governador disse que “o efeito do aumento dos juros se dá menos por eventual aperto da demanda, que é pequeno, do que pela sobrevalorização do real, pois os juros em elevação estimulam ainda mais o afluxo de dólares que inunda nossa economia.” Ele acrescentou que “a chave da estratégia brasileira de controle da inflação nos últimos anos tem sido a valorização do câmbio, não a da contenção da demanda.”
*
Em seu site, Serra escreve um  texto mais detalhado sobre a questão.

Por Reinaldo Azevedo

28/07/2011

às 21:53

Serra diz que chamaria Jobim para o governo caso fosse eleito

Por Katia Brasil, na Folha Online:
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) voltou a dizer nesta quinta-feira (28), em Manaus, que ficou satisfeito com a declaração de voto do ministro Nelson Jobim (Defesa), que admitiu ter votado no tucano em 2010 e não em Dilma Rousseff, sua atual chefe.

Serra também afirmou que chamaria Jobim para o seu governo caso tivesse sido eleito presidente no lugar de Dilma. “Não me surpreendeu e fiquei satisfeito com isso. Se tivesse sido eleito, Jobim é alguém que eu procuraria ter dentro do governo. É um homem público de grande qualidade”, afirmou Serra.

Jobim deu entrevista na terça-feira (25) ao programa “Poder e Política”, realizado em Brasília pela Folha e pelo portal UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha. Segundo ele, que é filiado ao PMDB, Dilma já sabia de sua preferência. Durante a visita a Manaus, Serra também criticou o loteamento de cargos público feito pelo governo de Dilma. Segundo ele, não “dá certo do ponto de vista ético nem do ponto de vista da eficiência”. A declaração é relativa às suspeitas de corrupção envolvendo o Ministério dos Transportes. Serra afirmou que escândalos existem em todas as épocas, mas que agora ocorre algo “diferente”.

“É diferente pela intensidade, que provoca até uma mudança de qualidade em matéria em gestão pública. É tudo loteado. O ministério é de tal partido, o departamento é de tal partido. Essas coisa não dão certo, nem do ponto de vista ético, nem do ponto de vista da eficiência e de planejamento estratégico do Brasil”, disse o tucano.

Ele disse que falta ao governo do PT planejamento para enfrentar os problemas de infraestrutura do país. “O Brasil não pode prescindir de um rumo. Eu imaginei que iria desembarcar em Manaus num aeroporto em obras, e vejo que o aeroporto está na mesma”. Serra participou no final da manhã de hoje de solenidade na Câmara Municipal de Manaus, que concedeu a Medalha de Ouro Cidade de Manaus ao ex-senador e diplomada Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM).

Por Reinaldo Azevedo

28/07/2011

às 18:26

Serra ao El País: corrupção nunca foi tão grave no país como agora

Em entrevista ao jornal espanhol El País, o tucano José Serra, presidente do Conselho Político do PSDB, afirmou que o problema da corrupção nunca foi tão grave no Brasil como agora. Apresentado por Fernando Gualdoni como “chefe da oposição”, Serra diz que a presidente Dilma Rousseff fez o que lhe cabia ao demitir os envolvidos em irregularidades, mas afirma que agiu pressionada pela imprensa. “A corrupção não é o único problema e não pode ser tratada como uma preocupação em si. O desvio de recursos acentua a ineficiência e impede o planejamento. O Ministério dos Transportes é um exemplo”, acrescentou.

Na entrevista, o tucano afirmou que a política externa de Dilma teve um começo promissor, mas que houve, depois, um recuo. Disse ainda acreditar que Lula será o candidato do PT à Presidência em 2014. Segue o texto em espanhol, que se lê com facilidade.

El jefe de la oposición brasileña reconoce que la presidenta, Dilma Rousseff, ha hecho lo que debía para atajar los escándalos de corrupción que solo en los últimos dos meses le han costado al Gobierno dos ministros clave, el jefe de Gabinete, Antonio Palocci, y el titular de Transportes y líder de un partido aliado del Gobierno, Alfredo Nascimento. Sin embargo, José Serra (São Paulo, 1942) cree que la presidenta ha actuado espoleada por la prensa, no por una convicción interna de que hay que limpiar el gigante sudamericano. “Lula también acabó por separar a los implicados en casos de corrupción, pero aquello que debió ser el comienzo de una política de transparencia se quedó en nada. Y fue un error, porque hay problemas en muchas áreas del Gobierno”.

Serra, de paso por Madrid para participar en el programa del Foro de Liderazgo Empresarial de IE Business School, opina que el problema de la corrupción “nunca ha sido tan serio” -por encima del escándalo que acabó con la presidencia de Fernando Collor de Mello (1990-1992)- y “que sus consecuencias políticas son aún imprevisibles porque no se sabe cuántos escándalos más habrá y de qué magnitud”. El líder del Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB) afirma que la clave de la corrupción está en la decisión de los sucesivos Gobiernos del Partido de los Trabajadores (PT) -desde la primera presidencia de Lula, que arranca en 2003- de entregar a los partidos que componen la coalición de Gobierno áreas donde ejercen un poder casi absoluto. “Como el PT ha exacerbado el sistema de prebendas y de favores, la situación se les ha ido de las manos”.

El Ministerio de Transportes, centro del más reciente escándalo, estaba en manos del Partido de la República (PR), uno de los 17 que apuntalan al Ejecutivo de Rousseff. El PR aporta 40 diputados y 6 senadores de un total de 512 y 81, respectivamente, por lo que el malestar entre esta fuerza y Rousseff contribuye aún más a bloquear un Parlamento muy polarizado en el que el Ejecutivo necesita un acuerdo concreto para cada proyecto que quiere aprobar. La presidenta no solo tiene un conflicto con el PR, sino también roces con su socio más importante, el Partido del Movimiento Democrático Brasileño (PMDB), una fuerza sin cuya alianza la gobernabilidad es imposible.

“La corrupción en Brasil no es el único problema y tampoco puede tratarse como una preocupación aislada. Provoca una desviación indebida de recursos, acentúa la ineficiencia y hace imposible la planificación. Esto quedaba ejemplificado en el caso del Ministerio de Transporte”, una cartera clave en un país tan extenso y hambriento de infraestructuras.

Dicho esto, Serra reconoce que la “imagen internacional de Brasil sigue siendo buena. Que la economía sigue yendo bien tanto en el ritmo de crecimiento como en el de creación de empleo”. Aunque muchas veces Lula insiste en que a la oposición “le molesta que un pobre tenga un coche nuevo”, Serra dice que esas declaraciones del expresidente son pura retórica electoral. “Lula nunca ha dejado de estar en campaña”, dice Serra.

Serra cree que “la probabilidad de que Lula sea candidato en las presidenciales de 2014 es muy alta”. Pero ya el año próximo hay elecciones locales que pueden servir para calibrar la popularidad de Rousseff. El jefe socialdemócrata se resiste a hablar de si será candidato para la alcaldía de São Paulo, y mucho menos a hacer comentarios sobre sus planes para las generales de 2014.

La situación de Serra dentro del PSDB no es fácil. Ya acumula dos derrotas en el intento de conseguir la presidencia y tras la última -frente a Rousseff el año pasado-, uno de sus principales rivales dentro del grupo, el actual senador y exgobernador de Minas Gerais, Aecio Neves, ha ganado mucho peso dentro del partido. Serra es reconocido como un eficaz gestor tanto durante su etapa en la alcaldía como en la gobernación paulista. Siendo ministro de Salud del expresidente Fernando Henrique Cardoso, allanó en el seno de la Organización Mundial de Comercio (OMC) el acceso de los países emergentes a los medicamentos genéricos en caso de emergencia sanitaria.

Sobre la política exterior de Rousseff, Serra cree que la presidenta comenzó bien, sobre todo en lo que respecta a la defensa de los derechos humanos, tomando distancias con Irán. “Sin embargo”, dice Serra, “la posición de la presidenta comenzó a ser ambigua y ese ímpetu en favor de los derechos civiles se diluyó”.

Por Reinaldo Azevedo

20/07/2011

às 17:45

O trem destrambelhado de Dilma Rousseff

Não é possível! Se não basta a quase unanimidade técnica (é “quase” porque sempre há um consultor que escreve o que lhe pagam para escrever) contra o trem-bala, então resta chamar uma junta médica, psiquiátrica mais propriamente, para saber a que se deve essa estúpida obsessão de Dilma Rousseff, uma loucura que ela herdou do governo Lula e que pretende levar adiante.

O leitor poderá dizer: “Pô, Reinaldo, não seja ingênuo; toda obra desse porte serve você sabe pra quê… Tem maracutaia aí…” É, safadeza nestepaiz não é artigo de luxo, não é mesmo? Mas, neste caso, acreditem, até aqueles tidos como potenciais beneficiários da megalomania não se aventuram. O trem-bala é considerado absurdamente caro e, acima de tudo, desnecessário. Estimado pelo governo em R$ 33 bilhões, especialistas dizem que custará, no mínimo, o dobro. Com esse dinheiro, pode-se fazer uma verdadeira revolução no setor de transportes do país, que está pelas tabelas  — além, como vimos, de capturado pela cleptocracia.

José Serra — sim, o próprio — escreveu um ótimo artigo no Estadão sobre por que não fazer o trem-bala, publicado no dia 14. É especialmente bom porque didático. Reproduzo trechos.
*
O projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) entre São Paulo e Rio de Janeiro, o trem-bala, poderia ser usado em cursos de administração pública como exemplo do que não se deve fazer. Foram cometidos vários erros básicos nos estudos preliminares - parecem deliberados de tão óbvios. Em primeiro lugar, foi superestimada a demanda de passageiros - e, portanto, a receita futura da operação da linha - em pelo menos 30%.

Além disso, o TAV não custaria R$ 33 bilhões, como dizem, e sim mais de R$ 60 bilhões. Isso porque não incluíram reservas de contingência, não levaram em conta os subsídios fiscais e subestimaram os custos das obras, como os 100 km de túneis, cujo custo foi equiparado aos urbanos. Esqueceram que os túneis para os TAVs são bem mais complexos, dada a velocidade de 340 km por hora dos trens; além disso, longe das cidades, não contam com a infra-estrutura necessária, como a rede elétrica, por exemplo.

Foram ignoradas também as intervenções necessárias para o acesso às estações do trem, caríssimas e não incluídas naqueles R$ 60 bilhões. Imagine-se o preço das obras viárias para o acesso dos passageiros que fossem das zonas Sul, Leste e Oeste de São Paulo até o Campo de Marte!
(…)
A alucinação que cerca o projeto do TAV fica mais evidente quando se pensa a questão da prioridade. Imaginemos que pudessem ser mobilizados recursos da ordem de R$ 60 bilhões para investimentos ferroviários no Brasil.

Que coisas poderiam ser feitas com esse dinheiro? Na área de transportes de passageiros, R$ 25 bilhões de novos investimentos em metrô e trens urbanos, beneficiando mais de três milhões de pessoas por dia útil em todo o país: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Rio, Goiânia, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza… Sabem quantas o trem-bala transportaria por dia? Cerca de 125 mil, numa hipótese, digamos, eufórica.

Na área de transportes ferroviários de carga, os novos investimentos atingiriam R$ 35 bilhões, atendendo à  demanda interna e ao comércio exterior, conectando os maiores portos do País com os fluxos de produção, aumentando o emprego e diminuindo o custo Brasil. Entre outras linhas novas, que já contam com projetos, poderiam ser construídas a conexão transnordestina (Aguiarnópolis a Eliseu Martins); a ferrovia Oeste-Leste (Figueirópolis a Ilhéus); a Centro-Oeste (Vilhena a Uruaçu); o trecho da Norte-Sul de Açailândia a Barcarena, Porto Murtinho a Estrela do Oeste; o Ferroanel de SP; o corredor bioceânico ligando Maracajú-Cascavel; Chapecó-Itajaí etc. Tudo para transporte de soja, farelo de soja, milho, minério de ferro, gesso, fertilizantes, combustíveis, álcool etc. É bom esclarecer: o trem-bala não transporta carga.
(…)
Há outras duas justificativas para a alucinação ferroviária: os ganhos tecnológicos e ambientais! A história da tecnologia é tão absurda que lembra os camponeses do escritor inglês Charles Lamb (num conto sobre as origens do churrasco), que aprenderam a pôr fogo na casa para assar o leitão. Gastar dezenas de bilhões num projeto ruim só para aprender a implantar e a fazer funcionar um trem-bala desatinado? Quanto vale isso? Por que não aprender mais tecnologia de metrô e trens de carga? Quanto ao ganho ambiental, onde é que já se viu? Como lembrou Alberto Goldman, a saturação de CO² se dá nas regiões metropolitanas, que precisam de menos ônibus e caminhões e de mais trens, não no trajeto Rio-SP.

O projeto do trem-bala é o pior da nossa história, dada a relação custo-benefício. Como é possível que tenha sido concebido e seja defendido pela principal autoridade responsável pela condução do país? Eis aí um tema fascinante para a sociologia e a psicologia do conhecimento.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

12/07/2011

às 17:35

A ética do vale-tudo

Leia trecho do artigo de José Serra, presidente do Conselho Político do PSDB, pubicado no Globo de hoje:

Os escândalos no âmbito do Ministério dos Transportes, em licitações da Petrobras, na área elétrica (Furnas), na prefeitura de Campinas e até nas obras de recuperação de regiões devastadas pelos temporais no Rio têm despertado indignação na imprensa e na opinião pública. O andamento do processo do “mensalão”, no STF, sem dúvida, reforçará a atenção a esses malfeitos recentes.

Não pretendo aqui voltar aos eventos em si, bem relatados por revistas, jornais e noticiários de rádio, TV e internet. Restrinjo-me a comentários sobre mitos subjacentes nas análises dos fatos.

O primeiro mito é o de que, no tocante às questões federais, trata-se “de herança do governo Lula, que a administração Dilma começa a combater”. É uma meia-verdade: a herança maldita é do governo Lula-Dilma para o governo Dilma; de um governo do PT e seus aliados para outro governo do PT e seus aliados. “Começa a combater”? Os escândalos na esfera federal, como no caso dos Transportes, não foram apontados pelo próprio governo ou pela oposição, mas pela imprensa. E seus eventuais desdobramentos parecem ser alimentados hoje pelas ameaças e contra-ameaças dos próprios protagonistas dos malfeitos.

Outro mito tem a premissa de que “todos os governos sofrem esse drama do fatiamento dos cargos, que leva à corrupção”. Nem tanto! Isso depende das atitudes dos que nomeiam, dos que mandam, e do comportamento do próprio partido-eixo do governo, começando pelo presidente. Uma coisa é a composição política, inevitável num presidencialismo de coalizão, como o denominou Sérgio Abranches. Outra é transformar a política num verdadeiro mercado, formal ou paralelo, de negócios.

Por que é assim? Não estamos diante de um tema fácil, de caracterização totalmente objetiva. Há um fator aparentemente intangível, que tem grande importância explicativa. Desde a sua fundação até chegar ao poder, o PT aparecia como o verdadeiro depositário da ética na vida pública, embora seu desempenho à frente de algumas prefeituras sugerisse que o título não era tão merecido.

O comportamento do PT no poder federal - o oposto do discurso de quando estava na oposição - criou um clima na base de “Deus está morto” na vida pública. E, se isso aconteceu, então não haveria mais pecado. Eu acompanhei de perto a metamorfose petista, em toda sua envergadura, e estou plenamente convicto do seu impacto devastador sobre os padrões da política brasileira. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

04/07/2011

às 5:37

A missão deles. Ou: De namorico com Dilma sobre a ponte

Queridos, é um daqueles textos um tanto longos, mas que, acredito, toca em algumas questões essenciais. A avaliação, como sempre, é de vocês.

Na quarta-feira, o ex-governador de São Paulo José Serra apresentou um documento para ser debatido pelos demais membros do Conselho Político do PSDB, presidido por ele. Com algumas costelas e um braço fraturados, o senador Aécio Neves (MG) não compareceu à reunião, em Brasília. Estavam presentes, além de Serra, os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Marconi Perillo (GO), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o deputado Sérgio Guerra (PE), presidente da legenda. O texto foi enviado a Aécio. Não se tratava de um abaixo-assinado, resolução ou linha oficial de conduta a ser adotada pelo partido a partir daquele encontro - infelizmente para a oposição, não era nada disso. Tratava-se tão-somente de documento de uma de suas lideranças. Mesmo assim, deu-se um pequeno sururu. No dia seguinte, uma solenidade no Senado, a que compareceram políticos de diversas legendas - inclusive do PT (aquele evento em que Nelson Jobim lamentou ter de suportar alguns “idiotas” imodestos) -, comemorou os 80 anos de FHC, completados no último dia 18. Serra discursou. Falou inequivocamente como homem de oposição. Novo sururu. Nos dois casos, acusou-se um Serra acima do tom, inadequado àquele que seria um clima de cordialidade entre governo e oposição. As circunstâncias em que uma avaliação como essa prospera, com o auxílio luxuoso de certa imprensa que estupidifica o debate político, dizem bem da miséria política que experimentamos.

Tornado público o documento, Sua Excelência o “Off” - vocês o conhecem? - começou a dar declarações à imprensa afirmando que o texto não representava um consenso, mas apenas a visão de seu autor. Era uma meia-verdade - e, portanto, uma meia-mentira. Como meia-verdade, com efeito, tratava-se de uma avaliação do ex-governador posta em debate, que não buscava a adesão formal dos conselheiros. Como meia-mentira, ignora-se o fato de que os presentes acharam que o documento era bom e retratava com correção o momento. Ao fim do encontro, indagado sobre as críticas, FHC chegou a afirmar: “Eu sigo o Serra”.

Antes que continue, uma nota à margem: editores e diretores de jornal deveriam rediscutir o estatuto do off. Antigamente, ele servia para que fontes denunciassem falcatruas ou dessem algumas dicas preciosas aos jornalistas, colocando-os na pista certa numa determinada apuração. Hoje em dia, com a proliferação da chamada “cobertura política de bastidores”, tornou-se um instrumento do político que cai nas graças do repórter, do editor ou do colunista. Ele pode falar o que bem entende, mandar o seu recado, e não tem como ser contestado ou contraditado. Ou por outra: quem publica uma avaliação política “em off” está fazendo assessoria de imprensa. Sigamos.

Diante da celeuma armada em torno do documento, no sábado à noite, Sérgio Guerra divulgou a seguinte nota:
“O governador José Serra apresentou ao Conselho Político do PSDB um documento sobre a conjuntura brasileira e também comentários sobre as ações do partido. Serra nunca pretendeu que sua proposta fosse assumida como do Conselho ou do Partido. É um texto de qualidade, como são as manifestações do governador, e será discutido no ambiente partidário e político. Esse era e é o propósito do governador Serra.”

Em seu site, Serra escreve:
“O texto é de minha autoria. Levei-o à primeira reunião do Conselho Político do PSDB, o qual presido, no dia 29 de junho, em Brasília, para servir de base ao debate  sobre a conjuntura política e o partido. Fiz o elenco daqueles que considero os problemas do país, as dificuldades do governo, a missão do nosso partido e os riscos que podem rondar a legenda. Trata-se de um texto extenso e com temas muito diversificados. Não tinha a pretensão, nem propus - todos os  presentes  à reunião sabem disso - transformá-lo em um documento formal do PSDB,  subscrito por todos.”

Mas o que Serra disse de tão grave?
Mas, afinal, o que disse Serra de tão grave? Apontou o que chamou de “herança maldita” de Lula - especialmente a crise na área infraestrutura no país; apontou as hesitações e falta de rumo do governo; criticou com ênfase o novo regime de contratação de obras para a Copa, que vai facilitar a corrupção, e alertou o partido para o risco de divisões internas. No discurso em homenagem a FHC, lembrou que o ex-presidente não é do tipo que passa a mão na cabeça de aloprados. Havia petistas presentes. Algumas normalistas, inclusive da imprensa, consideraram a fala uma descortesia. Daqui a pouco estaremos proibidos de falar mal do Marcola para não ferir susceptibilidades.

Começou uma impressionante gritaria na imprensa. Serra estaria cometendo o grave erro de investir no confronto (ó, meu Deus! Que coisa feia!), quando o momento é de concórdia. Alguns chegaram a lembrar, imaginem vocês!, que Dilma enviara, não faz tempo, uma mensagem simpática a FHC, reconhecendo seus méritos. Como o ex-governador ousa, dado esse fato, acusar erros, desvios, desmandos e incompetências do petismo? Não sei se notam a armadilha intelectual e moral que há nessa consideração. Sua síntese é a seguinte: enquanto Dilma - ou petistas graúdos - não reconheciam os méritos do ex-presidente, tudo bem haver algum confronto etc e tal. Agora que ela se rendeu, ao menos parcialmente, aos fatos, então os tucanos ficam proibidos de criticar petistas. Corolário: o PT é que determina quando seu adversário pode ou não atacá-lo. E exercerá esse poder regulando a sua própria disposição para elogiar os desafetos.

Nunca vi isso. Aliás, nunca antes na história do mundo democrático alguém viu algo parecido.

Leio no Estadão deste domingo, na coluna de João Bosco Rebello, a seguinte nota, intitulada “Inércia aparente”:
Há outra interpretação para o comportamento da oposição, que explica sua criticada inércia como uma aposta nos efeitos do enfrentamento do governo com sua base. A síntese, defendida pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), é a de que o conflito na base dispensaria a oposição, por ora, de ações mais agressivas. Prova disso seria a ponte lançada pela presidente Dilma ao PSDB, materializada no reconhecimento do legado de Fernando Henrique Cardoso. No espaço de um semestre, Dilma passou da crítica ao elogio à maior expressão tucana, no mínimo para arrefecer o ânimo oposicionista. Não conseguiu isso de José Serra, seu adversário derrotado nas eleições, que divulgou à revelia do partido um documento com pesadas críticas ao governo na busca de afirmar-se candidato do partido em 2014, condição que disputa com Aécio.

Heeeinnnn?
Eu entendi errado, ou o senador Aécio Neves está a dizer que, por enquanto, a tarefa de fazer oposição a Dilma é da própria base aliada, cabendo à oposição pegar leve, não criar tensão. Olhem, eu até entendo o que alguns petistas querem dizer quando afirmam que a imprensa - ao menos aquela que se preza - é o verdadeiro partido de oposição do Brasil. Embora seja uma mentira estúpida, uma vigarice, uma afirmação canalha, ela é compreensível. É o jornalismo que informa o patrimônio fabuloso de um Antonio Palocci, o esquema corrupto armado no Ministério dos Transportes, o fabuloso faturamento de uma empresa de Eunício oliveira, que fornece serviços à Petrobras sem licitação. É… Faz sentido! Em muitos aspectos, a imprensa faz o papel que caberia à oposição, mas não porque seja oposicionista e queira o poder, mas porque defende as instituições, vigia o poder e cobra o respeito às leis.

O governo tem uma base de tal sorte gigantesca que é razoável que ela se divida e que haja uma pressão danada para ocupar cargos. Mas isso não quer dizer que a oposição deva se acomodar, deixando de cumprir o seu papel, esperando que os próprios governistas batam cabeça. O que propõe Aécio? Silenciar diante de um Palocci? Calar-se diante dos descalabros do Ministério dos Transportes? Não dizer uma vírgula sobre a empresa do patriota Eunício Oliveira? E só para reiterar: o documento de Serra, como atesta a nota de Guerra, não foi divulgado à revelia do partido.

Teoria da ponte
A que ou quem serve “a ponte” que Dilma teria lançado, seguindo o pensamento de Aécio, relatado por João Bosco Rebello? Bem, se ela tinha a intenção de desarmar e de desarticular a oposição, a serem as coisas como quer Aécio, então Dilma estaria sendo muito bem-sucedida, não é mesmo? Depois de ter passado 17 anos esculhambando os tucanos, bastaria um elogio para que a oposição se derretesse. Compreende-se, nesse contexto, que seja considerada inadequada e fora de tom a fala de um político que lembra que a oposição existe e que, na democracia, é ela que legitima o governo , uma vez que só há oposição livre… na democracia!

Não estou criticando a coluna de João Bosco. Registra o pensamento de um senador da oposição, um dos pré-candidatos do PSDB à Presidência da República. O que me espantou foi certo colunismo, que se revelou quase ofendido com o documento e com o discurso de Serra. Na sexta, o deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS),  nomeado líder do governo no Congresso, revelou a recomendação que lhe fizera a presidente Dilma no exercício do cargo: “desarmar os espíritos”, “buscar o entendimento” e “ter paciência”.

Entende-se, pois, que o espíritos andam armados, que o entendimento inexiste e que a pressão é grande. Sim, em um aspecto ao menos Aécio está certo: o governo encontra alguns severos problemas em sua base de apoio. Deve, por isso, a oposição renunciar à sua tarefa? Deve, então, deixar de dizer o que tem de ser dito para ficar assistindo à confusão da base, enquanto transita na “ponte”? Ora… Não custa lembrar que Luiz Inácio Lula da Silva, que é quem manda no PT e quem vai comandar as alianças dos petistas já neste 2012, não enviou nem mesmo simples “parabéns” a FHC. Sei lá… Talvez ache injusto até mesmo algo de que o tucano certamente não faria a menor questão: completar 80 anos primeiro!

Oposição é parte da construção democrática
Atenção para uma questão essencial! Uma oposição não tem nem mesmo a obrigação de ser justa! Fosse essa uma exigência para que alguém pudesse se opor ao poder, estaríamos numa tirania, ainda que eventualmente virtuosa, em que um tribunal julgaria de antemão os motivos dos adversários do governo. Imaginem, então, quando as razões abundam, e a sua evidência está nas recomendações que a própria mandatária dá a seu líder no Congresso!

Mais ainda: oposições justas não conseguem, muitas vezes, lograr o seu intento. E pode acontecer de as injustas serem bem-sucedidas. Isso tudo é parte do jogo democrático, daquele sistema que, como bem observou Churchill, no que já é um clichê, mas de verdade intrínseca ainda insuperável, é “a pior forma de governo, com exceção de todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos”. A propósito: Churchill venceu Hitler, mas foi derrotado pelos britânicos, que o apearam do poder. Foi justo? Não importa! Foi democrático! Qualquer outro regime que impedisse o povo de fazer a sua escolha seria pior, com o que o próprio Churchill concordava.

Vão fazer outra coisa!
Se os tucanos consideram que o PSDB não suporta um discurso como o de Serra ou um documento como aquele, que, então, mudem de ramo ou mudem de lado. Num caso, devem parar de fazer política; no outro, devem se juntar a Dilma Rousseff na esperança tola, estúpida, de que, quem sabe?, ela se desgrude um tantinho de Lula e do PT. O Brasil tem jabuticaba, tem pororoca, Tiririca, mulher-melancia; tem até bandido-filósofo, que lê Nietzsche na cadeia - e tem filósofos-bandidos também, que justificam o terrorismo, por exemplo. Não nos faltam exotismos. Mas uma coisa é certa: não conseguimos um outro feito único no mundo, que seria transformar uma oposição governista em algo virtuoso para a democracia.

Não há uma só democracia do mundo em que o direito de fazer oposição - ou melhor: A OBRIGAÇÃO - seja contestado por setores da própria imprensa e até por líderes da oposição. Num editorial deste domingo, o Estadão escreve algo que certos oposicionistas hoje talvez considerem de um radicalismo insuportável:
“Tudo fica ainda pior quando a essa dificuldade estrutural se soma a inexperiência, ou a inaptidão, do presidente da República para manter sua maioria no Congresso sob relativo controle. É o que se tem visto, uma vez e outra e outra ainda, no governo Dilma Rousseff. Não se lhe fará a injustiça de ignorar que ela procura dar o melhor de si no desempenho da função. Mas tampouco se pode imaginar que ela desconhecesse, ao tomar posse, as realidades do exercício do poder no País, das quais faz parte a disposição dos políticos de pagar para ver a mão de quem, conforme o seu patrimônio de liderança, ou aprenderão a respeitar ou insistirão em chantagear (…).O episódio dos restos a pagar é, por baixo, o terceiro tropeção do governo em assuntos relevantes, depois da votação do Código Florestal e do zigue-zague de Dilma no caso do sigilo eterno (ou limitado a 50 anos) dos papéis oficiais considerados ultrassecretos. A repetição não deixa dúvidas: a presidente governa por ensaio e erro, e o seu governo é a coisa mais parecida que existe em Brasília com uma sanfona. Não adianta culpar por isso o disfuncional sistema político. Dilma é que tarda a assumir a sua responsabilidade primária: encarnar na Presidência.”

Quem quer chegar ao poder tem de se preparar para vigiar o governo, apontar as suas falhas, debater caminhos, propor alternativas - e olhem que, a exemplo do que fez o PT, nem precisa necessariamente cumprir as promessas. O conteúdo do documento de Serra foi deixado de lado para privilegiar, mais uma vez, o racha interno, a picuinha, as fofoquinhas, os “offs” plantados… Em suma: a base de Dilma Rousseff, como evidencia a reportagem de VEJA desta semana sobre o PR, causa-lhe muita dor de cabeça. Não é que há tucanos se oferecendo para um namorico na ponte?

E o que há do outro lado da ponte? O PT! Ou seja: a derrota!

Por Reinaldo Azevedo

13/06/2011

às 18:38

Mudanças no Planalto dificilmente trarão efeitos positivos, diz Serra

Na Folha Online:

O presidente do conselho político do PSDB e ex-governador de São Paulo, José Serra, fez críticas em seu site às mudanças promovidas por Dilma Rousseff nos ministérios da Casa Civil, Pesca e Relações Institucionais. Serra afirmou que as alterações ministeriais dificilmente trarão efeitos positivos para o mandato de Dilma. “Nesse processo, a presidente desgrudou-se precocemente do seu antecessor, arranhou a bancada do seu partido na Câmara, tornou-se mais dependente do seu aliado principal, o PMDB, e trouxe para suas mãos a tarefa de negociar projetos e nomeações com o Congresso e os partidos, com vistas a revitalizar o processo de loteamento político herdado do governo anterior.”

“São quatro consequências de efeitos incertos, mas dificilmente positivos para os rumos do seu mandato”, completa o texto. O tucano avalia que a fraqueza maior do atual governo é “não saber bem a que veio, o que quer, para onde vai.” Serra diz também que até agora a atual gestão “não mostrou capacidade para estabelecer objetivos verdadeiros, antecipar-se aos problemas, planejar, fazer acontecer além da comunicação e da publicidade”. A nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, assumiu o posto na semana passada no lugar de Antonio Palocci, que deixou o cargo 23 dias após a Folha revelar que ele multiplicou 20 vezes seu patrimônio em quatro anos. A nova ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, tomou posse hoje ao trocar de cadeira com Luiz Sérgio, que passou a comandar o Ministério da Pesca.

Por Reinaldo Azevedo

 

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